March 3, 2008

Médicos made in USA

Nada me irrita mais neste mundo do que lidar com médicos americanos. Realmente só de pensar no assunto perco o pouco humor que me resta. O tal Juramento de Hipócrates, aquele que fala em ajudar ao próximo, servir aos doentes ou coisa parecida não deve valer muita coisa por aqui. Estes seres humanos frios, que se mantém encastelados em consultórios e universidades guardados por secretárias antipáticas e grosseiras, pois é, aqui eles recebem o título de médicos, com raríssimas exceções.

Acabei de ligar para o tal Dr. Choti de novo -- ainda não tive a honra de conhecê-lo, mas já estou de saco cheio dele e da secretária idiota. Liguei para confirmar com a secretária que ela tinha recebido meu fax e para dizer a ela que o tal Dr. Kamel, radiologista, tinha dito que poderia ver meus exames. A débil-mental não fazia idéia de onde estava meu fax e quando comecei a falar do Dr. Kamel, ela ligou a tecla F e atacou com o blablablá default: "A senhora tem que encaminhar seus dados que serão avaliados pela equipe médica. Depois de decidida a conduta, entraremos em contato e decidiremos se há necessidade de marcação de consulta, etc, etc..." Dá vontade de enforcar uma imbecil destas! Será que ela sabe que está lidando com pacientes que têm uma doença seríssima e estão passando por um período muito difícil? Será que esta energúmena sabe o que é ter um tumor que cresce sorrateiramente no seu fígado? Acho que não. Ela não pode ser tão leviana assim.

Desnecessário dizer que estou revoltada. Mas isso não faz bem pro meu fígado, então o Blake vai ter que levar a papelada para o trabalho de novo, mandar o fax e ligar imediatamente para a bendita secretária para ver se ela já nos fez o imenso favor de checar a máquina de fax. E eu aqui que pensava que isto era parte das atribuições dela! Quanta inocência a minha...

Enquanto isso recebo uma cartinha da clínica ginecológica que se Deus quiser -- e os médicos e secretárias deixarem -- passarei a frequentar. Na verdade não se trata de uma carta, mas de uma cartilha com milhares de formulários a serem preenchidos além de uma lacuna onde devo escrever o tipo de plano de saúde que pretendo usar (óbvio, eles não atendem pobre sem plano!) e um lembrete de que se não desmarcar a consulta, paga-se uma multinha de $25.00. Ai que povo mais mercenário! Não me importo tanto com as exigências inúmeras desta máfia de branco por aqui, mas com o modo rude com que os pacientes são tratados, parece que somos lixo!

Agora começo a entender por que os americanos são fanáticos por sites como webmd.org e tantos outros que oferecem informações médicas. O motivo é bem simples: o povo aqui sequer consegue ver a cara do médico, que dirá ter vinte minutos para fazer umas perguntinhas a ele. Uma loucura!

Bem, agora que já desabafei, meu fígado agradece. Como quem está na chuva tem que se molhar, vou lá preencher o formulário da tal ginecologista antes que me esqueça e amanhã volto a encher o saco da idiota da secretária que a estas alturas já está com a orelha quente de tanto que falei mal dela.

Para quem tinha curiosidade, vai mais um pedacinho da minha American Way of Life. A vida no primeiro mundo nem sempre é tão doce quanto parece.

1 comment:

Cristina said...

Sempre ouvi da minha prima, que é cidadã americana hoje após 12 anos na Flórida, que para prevenção os EUA eram imbatíveis mas para os problemas de saúde eram aqui. O seu post explica por que!!! Faz vc muito bem! (e se vc tiver enchendo o saco dos meus comments, pode deletar rsrs)