March 8, 2008

Johns Hopkins

Acreditem se quiser, mas enfim consegui estabelecer contato com a equipe de Johns Hopkins! Ontem a enfermeira responsável pelos consultórios dos Drs. Choti and Pawlik me ligou e, para minha surpresa, foi um amor ao telefone.

A minha alegria foi tão grande que comecei a pular quando ouvi o recado dela e obviamente retornei a ligação imediatamente. Me senti como se tivesse passado no vestibular de novo. Sim, eu fui aceita em Johns Hopkins, uma das melhores universidades americanas, não como aluna, mas como paciente. Melhor ainda. Das duas uma: ou meu poder de persuasão é muito bom ou meu caso é/era grave mesmo. Ou talvez as duas alternativas. Acho que prefiro encarar meu caso como raro, uma vez que nenhum ser humano vive com um hepatocarcinoma durante cinco anos, que dirá levando uma vida muito saudável e normal, e na história da medicina nunca se viu uma recidiva demorar mais de cinco anos para acontecer. Pois é...eu e a minha mania de ser diferente!

De qualquer jeito ser aceita em Hopkins me deixa muito feliz e me dá uma sensação de dever cumprido muito grande, pois foi esta equipe médica a recomendada pelos médicos do Brasil e chegar perto destes medalhões não é nada fácil. Como vocês sabem o processo de seleção é tão competitivo quanto. Você manda os exames por fax e escreve uma cartinha explicando por que os médicos de Hopkins devem te ver. É bem "Porta da Esperança" mesmo. Então ontem finalmente a "produção" me ligou.

O legal dos médicos aqui é que eles se preparam para a consulta, ao contrário do que muitas vezes acontece no Brasil, quando você chega ao consultório, o médico passa horas olhando para os exames e mal olha para sua cara. Encostar em você então, nem pensar. Os americanos levam esta coisa de estudo muito a sério, então o normal é você deixar os exames no consultório com antecedência para que eles possam avaliar seu caso e só depois eles ligam e marcam a consulta. Fico feliz em saber que meu caso vai receber tanta atenção.

A enfermeira já me avisou de antemão que vou fazer nova tomografia e novos exames de sangue por lá. Para mim, tudo bem, só espero que eles lá saibam pegar bem a veia, pois as minhas são bem complicadinhas. Mas a verdade é que já sou profissional no assunto. Quando chego, vou logo avisando que as minhas veias são difíceis, mas que o braço direto é um pouco melhor. Já peço o escalpo de bebê e pergunto se a tal pessoa que vai colher o sangue é muito boa. Caso contrário, aconselho-o delicadamente a chamar alguém mais experiente. Tomara que não precise fazer nada disso lá.

Segunda-feira vou ao hospital deixar meu exames e tratar de ficar amiga da enfermeira. Sim, pois ela é a minha porta de entrada lá. Confesso que ao mesmo tempo que sinto uma alegria imensa de estar chegando mais próxima da esquipe que vai me tratar, também sinto um pouco de medo. É impossível passar por todos os exames e consultas sem lembrar de tudo que já vivi até aqui, das surpresas desagradáveis que já tive, mas prometo que estou me esforçando ao máximo para deixar estes pensamentos para trás e me focar na minha cura e pensar que estou bem mais perto dela.

Vou aproveitar o fim de semana para organizar todo o materia e traduzir o relatório e a biópsia da primeira cirurgia. Acho que as imagens são auto-explicativas. Depois meus pais ainda dizem que devo parar de pesquisar na internet... Pelo menos por enquanto, não tem outro jeito. Mas se Deus quiser, muito em breve isto vai ser coisa do passado.

1 comment:

Fe França said...

Fico muito feliz por vc! Incrível como eu torço aqui, como se te conhecesse pessoalmente... estou muito na sua torcida, vc está nas minhas orações... e torço demais para ser uma consulta boa e esclarecedora. Depois nos conte ;o) Um beijo carinhoso, Fê - www.fernandafranca.com