December 31, 2010

Feliz Ano Novo!!!


Recebi da minha amiga Ana Paula e resolvi compartilhar este poema do nosso querido Drummond num dia tão especial.

Do fundo do coração, desejo que a esperança se renove a cada dia do Ano Novo!!! E se 2011 for tão bom quanto 2010, mal posso esperar...

A foto deste post foi tirada hoje à tarde, durante o primeiro passeio do Joaquim aqui no nosso condomínio. Toda vez que saio de casa e coloco maquiagem, vislumbro que a vida pode um dia voltar a ser normal...


"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano,

foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança

fazendo-a funcionar no limite da exaustão.



Doze meses dão para qualquer ser humano

se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez

com outro número e outra vontade de acreditar

que daqui para adiante vai ser diferente...



...para você,

desejo o sonho realizado.

O amor esperado.

A esperança renovada.



Para você,

desejo todas as cores desta vida.

Todas as alegrias que puder sorrir.

Todas as músicas que puder emocionar.



Para você neste novo ano,

desejo que os amigos sejam mais cúmplices,

que sua família esteja mais unida,

que sua vida seja mais bem vivida.



Gostaria de lhe desejar tantas coisas

mas nada seria suficiente...

Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.

Desejos grandes e que eles possam te mover a cada

minuto, rumo a sua felicidade!!!"



(Carlos Drummond de Andrade)

December 30, 2010

Meu anjinho de Natal...



Sei que reclamo das noites mal dormidas por conta do Joaquim ao mesmo tempo que vivo postando fotos dele dormindo... O motivo é quase óbvio: tiro as fotos de dia, quando ele dorme e eu estou mais bem disposta. de madrugada, é quase impossível ele tirar uma sonequinha que dure mais de uma hora ou 40 minutos... E eu viro um zumbi.


Mas que é fofo é, né? Eu sei, sou uma mãe muito coruja!!! Ah, estou adorando as dicas e conselhos de vocês. Assim não me sinto tão ET!!!

December 27, 2010

Obrigada!





Nao vai dar para agradecer cada mensagem, infelizmente. O tempo e curtissimo e o Joaquim estatrocando o dia pela noite -- sorte minha! Mas queria dizer que os comentarios aqui tem me deixado muito mais sa, na atual oucura em que se transformou a minha vida.

Como mae de primeira viagem, todas as dicas e comentarios sao muito bem-vindos. Estou mais tranquila tambem ja que a quantidade de leite que estou produzindo aumentou muito... Agora o mais dificil mesmo e passar as noites em claro. Alguem tem alguma dica, simpatia, reza ou mandinga mesmo? Estou fazendo qualquer negocio!!!!

December 23, 2010

Onde foi Parar o Tempo?


Tenho lido os comentários e morrido de saudade de passar por aqui para agradecer um por um, mas com um bebê que completa duas semanas hoje é praticamente impossível dar conta do blog.

Sinto falta da interação e mais do que tudo, do lugarzinho onde despejo minhas frustrações, ansiedades e questionamentos. Agora, o Blake, minha mãe e meu pai acabam pagando o pato. Uma mulher que acaba de dar a luz e é mãe de primeira viagem deve ser dose para elefante... Mas sinceramente, não sei o que faria sem eles. Passei a ter um respeito enorme por todas as mães e mais ainda ainda pelas mãe solteiras, pois não faço ideia como fazem para satisfazer todas as necessidades de um serzinho tão indefeso.

O Joaquim é um bebê ótimo, minha mãe sempre diz isso. Só chora para comer. O único problema é que ele vive comendo!!! Na segunda noite em casa, ele chorou das 10 pm às 8 am, e eu, Blake e a coitada da minha irmã, que esteve aqui por três dias, nos revezamos noite a dentro. O Blake não queria dar mamadeira de jeito nenhum e a minha irmã dizia que o bebê estava morto de fome. Já de manhã, como coração apertado, demos um pouquinho de mamadeira para ele, que parou por uns minutos e depois continuou desesperado.

Sorte nossa termos a consulta com o pediatra às nove do dia seguinte. Veredito: o bebê estava realmente morto de fome. Conselho do médico: dê uma mamadeira para que ele saia deste ciclo. Ele precisa comer e ganhar peso, e chorando tanto vai precisar repor as energias ainda mais.

Dito e feito. Demos a mamadeira e nas mamadas seguintes, continuamos a suplementar. Resultado: em 10 dias o Joaquim recuperou o peso de nascimento e engordou mais de 400g. Como dizem aqui, "overachiever," pois o objetivo é chegar ao peso que nasceu dentro de duas semanas! Mas o médico fizou satisfeito e disse que não há razão para nos preocuparmos, pois na idade dele não há bebê gordo demais (a não ser os casos raríssimos de desfunções.)

Claro que fiquei um pouco chateada de ter que entrar com mamadeira assim tão cedo. Pensei que minha produção de leite pudesse ser insuficiente. Entrei em contato com uma especialista em amamentação, agendei consulta, aluguei a tal bomba. Para surpresa de todos e alegria geral da nação, minha produção de leite é excelente, só que o apetite do Joaquim é absurdo. Até a especialista em amamentação, que é quase sempre contra mamadeira, me deu passe livre. "Minha filha, não há nada de errado com você. Já deu pra ver que você tem leite suficiente, mas seu bebê requer mais. No seu lugar, qualquer mulher teria que suplementar, então não há motivo para se culpar. Ele é um bebê grande e tudo leva a crer que só vai crescer mais," ela me disse, categoricamente. Fiquei mais tranquila só em saber que estamos fazendo tudo certo.

Aprendi com a vida que podemos fazer muitos planos, mas que a realidade é quase sempre diferente e exige que a gente se adapte. Com o pessoal diz por aqui "a gente planeja e Deus ri," então o negócio é não ficar decepcionado, mas seguir em frente. O importante é que o Joaquim continua saudável e é amamentado principalmente de leite materno. Agora com a bomba, nosso plano é dar o suplemento com o leite que retiramos com ela durante o dia. Vamos ver se funciona...

Estamos todos em período de aprendizado total...inclusive meus pais que não pegavam no pesado assim fazia uns 30 anos.

December 17, 2010

Troféu Abacaxi



Quando uma imagem fala mais que mil palavras... Joaquim, 8 dias. Beijos a todos e obrigada pela torcida e pelas orações. Como o tempo é curtinho, deixo um beijo geral!

December 13, 2010

Gata Borralheira


A Cinderella aqui está definitivamente mais para Gata Borralheira ultimamente, mas tudo bem porque é por um bom motivo, aliás por um milagre que atende pelo nome de Joaquim e nasceu com 3,625 kg e 54 cm -- lindo e saudável.

Como o tempo é mais que curto, tenho colocado as fotos no Twitter e no Facebook direto do celular...

Tem mais fotos dele no site do hospital.

December 8, 2010

Barraco Médico

Agora que o Joaquim passou da hora oficialmente, estaria mentindo se não dissesse que a ansiedade aumentou bastante. Continuo me sentido superbem, mas já havia decidido com os médicos que ele não passaria da 41a semana. No Brasil, o povo tira logo o bebê assim que a gestante completa 40 semanas, mas aqui muita gente acha normal esperar até a 42a. Eu não. Não vejo motivo e sempre fui bem clara com os médicos: esperaria sem nenhum problema ate a 40 semana, mas nao queria deixar passar de 41 de forma alguma.

Entao, como o Joaquim não chegou na segunda, mais uma vez, retomamos o assunto da indução. O médico concordou comigo e disse que a enfermeira me telefonaria com a data em breve. Não tive notícias dela até ontem, quando me telefonou dizendo que a minha indução estava agendada para sexta, dia 10. Tudo ótimo, pensei.

Hoje pela manhã meu telefone toca. Era ela de novo.

"Senhora, Baron, não tenho boas notícias. Vamos ter que empurrar sua indução para terça-feira," ela me disse.

Eu, que já estava de saco cheio e ansiosa com a falta de notícias da véspera, explodi na hora. "Não aceito. Simplesmente inaceitável, inexplicável e deplorável. Este bebê vai nascer antes do fim de semana, nem que para isto eu precise encontrar outro médico," sentenciei.

Então ela tentou se justificar dizendo que emergências aconteciam, etc, etc. Mas eu não quis ouvir. "Emergência seria eu chegar lá na hora marcada, me deparar com 40 parturientes e ser mandada pra casa por falta de disponibilidade de leitos. Você me ligar com dois dias de antecedência me remarcando para uma semana depois não é emergência nem aqui nem na China. Pode dar um jeito de me encaixar o mais rápido possível. Eu não vou aceitar isto."

Ela ficou gaga, me disse para ir conversar com a médica e manter a consulta que ela deveria ter cancelado na véspera.

Eu continuei: "O que vocês estão fazendo comigo não é justo, é uma covardia. Fazer uma mãe de primeira viagem, que já passou das 40 semanas, de gato e sapato é muita falta de consideração. É falta de profissionalismo. Mais que isto é falta de humanidade." E ai falei, falei, falei...tudo que estava intalado na garganta. Sem insultos, sem gritaria, mas desabafei.

Corri para o banho para poder chegar na hora da tal consulta e quando já estava pronta para sair, o telefone tocou. Desta vez era o médico me perguntando como eu estava. Então desfiei minha ladainha. "Como eu estou? Nada bem, né doutor? Com o que está acontecendo e com meus nervos a flor da pele, não posso estar bem."

Ele foi muito delicado e me explicou que preferia que a minha indução não acontecesse na sexta porque quem vai estar no hospital é a midwife ou obstetriz (enfermeira especialista em partos mas que não é médica) e ele gostaria que eu tivesse a cobertura de um médico comigo o tempo todo.

Claro que entendi o ponto de vista dele, mas ele também entendeu o meu, ao que parece. Entendeu a minha apreensão e o fato de que a minha irmã vem do Brasil por três dias só para conhecer o sobrinho e que vai embora na segunda. Então me disse que ia me encaixar amanhã mesmo, quando ele vai estar de plantão.

Agora é esperar o raio da enfermeira me ligar dando o OK final... Nestas horas é que dá uma saudade do Brasil...

December 7, 2010

Nada ainda...

Tudo muito bem mas nem sinal do rebento.
Sit tight and hang in there ou no idioma tupiniquim, fica quietinha e aguenta as pontas e o que me dizem!!!
Falar e facil, dificil e carregar a melancia e esperar o tempo passar.

December 6, 2010

Cadê o Joaquim?

Hoje é dia de São Nicolau – o verdadeiro Papai Noel – e tenho um motivo a mais para para esperar meu presente, pois é a data provável do parto do Joaquim. Sei que é provável, mas vá dizer isto para uma mulher que hoje completa 40 semanas de gravidez, e que agora sente o peso de carregar uma melancia na barriga! Para mim, já está mais que na hora, mas com o frio que faz lá fora, até dá para entender a atitude dele. Eu também relutaria o máximo para sair e enfrentar este mundo gélido!

Mas se mal me aguento para ver a carinha dele, por outro lado bate uma mistura de sentimentos sobre a gravidez. Foi um período incrivelmente calmo e saudável para mim. Ao contrário das minhas expectativas e dos meus medos, tudo correu muito normalmente, diria até que melhor que normal, tudo correu maravilhosamente bem! Exame após exame, consulta após consulta, nenhuma das complicações que a gente escuta falar e morre de medo...nada nem de longe chegou a assustar, nem as mordidas de pulga de Tegucigalpa, nem a sinusite que trouxe na bagagem de Honduras!

Então é difícil querer conscientemente que um período assim acabe. Uma época boa, que vai deixar muitas recordações felizes, quando sinceramente me senti plena e abençoada a cada dia que se passava. Mas agora acho vou me preparando para completar mais esta etapa e começar outra.

Para quem não sabe, a menos que haja complicações previstas, aqui nos States não se marca data de parto. Então tive que esperar até hoje – a tal data provável do parto (que pelo jeito não vai acontecer) – para tomar as próximas decisões. Vou conversar com a médica mais tarde e devemos ter mais notícias, inclusive a data da possível indução do parto. Jamais cogitaria induzir antes de hora, mas com mais de 40 semanas no quentinho, o Joaquim deve estar pronto para sair...

December 3, 2010

Ainda Não Chegou a Hora

Se dissesse que não estou ansiosa, estaria mentindo, mas dentro do possível a rotina segue normal. Ninguém acredita que ainda estou trabalhando, mas se tivesse opção, só sairia do escritório direto para o hospital. Como meu trabalho é muito legal e as pessoas são ótimas, me sinto perfeitamente bem e tenho certeza que se entrasse em trabalho de parto lá, teria vários voluntários para me levar para o hospital.Mas como precisávamos decidir por uma data e completo 40 semanas na segunda, nada mais justo do que terminar a semana e depois curtir uns dias em casa.

Até os médicos dizem que seja lá o que eu esteja fazendo está funcionando, pois até então -- bate na madeira bangalô três vezes -- esta gravidez tem sido nota mil. Então acho que foi-se o tempo que a mulher precisava ficar nove ou dez meses reclusa tricotando sapatinhos para o filhote e esperando o tempo passar. (Nada contra quem faz por opção, mas definitivamente não é a minha praia!)

Se no início, queria provar para todo mundo, a começar por mim mesma, que gravidez não era doença e que eu não precisava de tratamento especial ou tarefas café-com-leite, no final eu mesma me surpreendi ao constatar que não faltei um só dia ao trabalho ou deixei de completar um projeto sequer, e olha que eles incluíram duas semanas em Honduras, sendo que dois dias na selva, a organização de uma exposição de fotos no Congresso Americano, inúmeras publicações no prazo e dias de trabalho de nove a onze horas. O mais legal é que nada disto foi imposto, fiz porque quis e me senti bem. Acho que no fim das contas, ganhamos a empresa, o meu chefe e eu e lição que ficou é que quando há compreensão e apoio mútuos, as coisas sempre correm mais facilmente.

Mas fora isto, estou pronta para o grande acontecimento, para o início do resto de nossas vidas. As contrações têm aumentado em número e intensidade -- o pessoal do trabalho morre de susto cada vez que me encolho! -- mas ainda não são constantes ou rítmicas, já tenho quase 3 cm de dilatação e a espessura do colo do útero ja afinou 70%. Tudo isto é ótimo sinal, mas não quer dizer absolutamente nada. Posso entrar em trabalho de parto hoje mesmo ou posso ter que esperar mais uma semana. Vamos ver!

Segunda, que seria a data provável do parto, tenho nova consulta e se o Joaquim não tiver chegado até lá, vamos conversar sobre indução...

Às vezes acho que a ficha ainda não caiu... Dá para acreditar que até o Natal vamos ter mais uma pessoa por aqui?

November 30, 2010

Ritmo de Fim de Festa...ou de Começo!?

Não estou nem acreditando que s coisas aqui no trabalho têm se desenrolado tão bem. Meus projetos vão chegando ao final, dentro dos prazos estipulados, sem grandes estresses. Que alívio!

Mas se eu estou tranquila e aliviada o mesmo não pode ser dito sobre os coitados ao meu redor. No trabalho, se me atraso um pouquinho, todo mundo entra em pânico. Se desço e demoro mais pra voltar, já tem gente me ligando pra saber se preciso de ajuda. A cadeira de rodas continua aqui no escritório. Meus pais aqui não me deixam mais dirigir sozinha pra lugar nenhum e o Blake quer saber detalhes de cada espirro que eu dou. Ele torce para que o Joaquim chegue amanhã – dia do aniversário dele – mas estou achando difícil. Acho que ele vai esperar o fim de semana...

Claro que nada pode preparar a gente para uma coisa destas, mas dentro do possível, já fizemos tudo que podíamos. Já revisei a minha mala e a do Joaquim 50 mil vezes, já fiz todos os checklists que pude encontrar, mas tenho certeza que vamos esquecer alguma coisa importante. C’ést la vie.. O bom é que o hospital é relativamente perto de casa e contanto que a neve não chegue para atrapalhar tudo – acho que este ano ela não vem muito cedo – dá para circular tranquilamente.

A barriga já baixou, a minha cara está bem redondinha, então acho que dentro de no máximo 10 dias vamos conhecer o novo membro da família Duran Baron...

Vou tentar deixar o pessoal aqui informado, pelo menos pelo Facebook.

November 28, 2010

Notícias

Apesar da loucura que tem sido os últimos dias -- o que só tende a piorar -- vou procurar atualizar o blog diariamente nesta reta final.

Fomos à médica na sexta e está tudo ótimo comigo e com o Joaquim. Para quem tem um histórico de saúde "rico e diversificado" ter uma gravidez sem nenhum susto só pode ser bênção divina. Até a minha pressão -- que sempre foi bem baixa mas que normalmente muda no fim da gravidez -- continua ridícula. Graças a Deus. É verdade que dei uma "explodida" nas últimas semanas no que diz respeito a peso, mas na última consulta, tinha perdido um quilo. (Outro milagre divino!)

O Joaquim, que concorre ao título de bebê mais dançante do mundo, pois não para quieto, parece que mexe tudo, menos a cabeça, o que é o mais importante nesta hora! Sendo assim, está na posição perfeita para sua estreia. Já disse aqui várias vezes que estou preparada para parto normal ou cesárea, mas saber que não vai ser cesárea de cara é uma alívio.

As malas -- minha, do Joaquim e do Blake -- estão todas prontas. A cadeirinha do carro está devidamente instalada e inspecionada pela polícia -- sim, aqui o negócio é sério!

Meus pais já estão aqui e aos poucos vão se adaptando -- como podem! -- ao frio que fez fazendo e só tende a piorar.

Ao que tudo indica, minha irmã vai conseguir vir, depois do nascimento do Joaquim, para para uma passagem meteórica, mas o importante é que ela vai conhecê-lo.

Bom, acho que é só. Como tudo tem progredido superbem e meu corpo já apresenta sinais de parto iminente, tudo leva a crer que o Joaquim não vá passar muito da data prevista, 6 de dezembro. Se ele passar, provavelmente serei induzida até o dia 11. Em todo caso, meu instinto materno acha que não vou precisar... E se precisar, também vou estar pronta.

November 25, 2010

Ação de Graças



Hoje é dia de comilança e, segundo muitos, é o maior feriado nos Estados Unidos, uma vez que celebra este país enquanto nação, deixando para trás diferenças culturais ou religiosas.

O que os americanos chamam de Primeiro Thanksgiving foi celebrado para agradecer a Deus pela ajuda dada aos peregrinos da Colônia de Plymouth que sobreviveram seu primeiro inverno rigoroso na Nova Inglaterra. A primeira celebração durou três dias e alimentou não só os 53 peregrinos, mas 90 índios americanos e até hoje celebra a unificação dos povos do país.

Acho que ainda estou tocada com a cerimônia de anteontem, e obviamente com a proximidade da chegada do Joaquim e a visita dos meus pais, este feriado tem me feito refletir sobre as tantas coisas que devo agradecer. Eu agradeço a Deus, pois sinto a mão dEle ao meu lado por todo o tempo, mas mesmo para quem não acredita, acgradecer e refletir em tudo de positivo que nos cerca faz bem. Então em convido cada um dos meus amigos que passar por aqui hoje a tirar dois minutinhos do seu dia atribulado para entrar em comunhão com Deus, com o Universo, ou com a natureza e parar para pensar também nas conquistas e nas bênçãos alcançadas este ano.

Um bom Dia de Ação de Graças não só para os queestão aqui nos States celebrando, mas para todos vocês em todas as partes do mundo, que hoje também estarão nas minhas orações.

Do not get tired of doing what is good.
Don't get discouraged and give up,
For we will reap a harvest of blessing at the appropriate time.

- Galatians 6:9

November 24, 2010

US Citizen


Pois é, chegou mais rápido e foi bem mais fácil do que eu esperava. Ontem, depois de responder seis questões sobre história americana, ler uma frase e escrever a resposta, me tornei uma das mais novas cidadãs americanas. Sentimento estranho, confesso.

Mesmo para quem fez a opção por razões práticas, de modo muito simples e sem ter que abrir mão de nada, ainda assim, na hora dá um nozinho na garganta. O bacana é que em Baltimore, a cerimônia de naturalização e o teste e entrevista são feitos no mesmo dia, então a gente já sai dali com tudo pronto. Agora com o documento em mãos já posso dar entrada no meu passaporte.

Ao chegarmos lá, tivemos que esperar mais de uma hora para a entrevista, que foi feita junto com o teste. O pessoal do trabalho e o Blake certamente estão aliviados de não ter que me ver decorando todas as 100 perguntas e respostas do teste. Sim, porque passar todo mundo passa, então no mínimo eu tinha que acertar as 10 perguntas.

Só que no final não foram 10, mas só seis, porque como só exigem 60% de aproveitamente, quem acerta as seis primeiras fica isento das outras quatro. (Tempo é dinheiro por aqui!) E depois disso, tive que ler uma frase, que a oficial de imigração leu pra mim e depois caiu na gargalhada! Então tive que ler outra. "What's the largest state?" E escrever a reposta para a pergunta que ela tinha lido, mas que eu deveria ler. "Why do people want to become citizens?" Resposta: "People want to vote." Se é verdade ou não, não sei, mas como era prova de ditado não deu nem pra contestar...

Mas é claro que a cínica em mim tinha vários outros motivos para pensar que o povo queria a cidadania:
a) para poder ser funcionário público federal e ganhar um bom salário para não fazer muita coisa (mentalidade tupiniquim, eu sei, mas aqui vai-se pelo mesmo caminho!)
b) para recolher seguro-desemprego
c) para ter direito a welfare
Mas vamos ser otimistas e pensar que o povo quer mesmo é votar e participar de uma das maiores democracias do mundo!

Como minha entrevista acabou lá pras 12.30 fomos almoçar no Porto de Baltimore para esperar a cerimônia, marcada para às 3 pm. Chegamos um pouco mais cedo e tivemos que esperar numa sala com todo mundo.

"Estou me sentindo na sala de espera de uma rodoviária," diz o Blake.
"Imagina que isto aqui é Ellis Island do século XXI," respondi. O pior é que ele tinha mesmo razão, eu só nãosabia dizer se tinha mais cara de Greyhound Station (quem já pegou ônibus aqui sabe do que estou falando), ou de Rodoviária Novo Rio mesmo...

Tivemos que assistir ao filminho e a mensagem de boas-vindas do Barak. O mais legal são as frases ditas pelos novos cidadãos. Não sei bem o motivo, muitos deles eram de Honduras, então parecia que eu entendia exatamente o que eles sentiam, quando diziam-se gratos pela oportunidade. Por mais distante que isto esteja da minha realidade, consigo entender quando tem gente que realmente sai sem nada em busca do sonho americano. Gente que nem dinheiro para pagar coyote tem, que vem com 40 dólares no bolso e espera por um milagre. Muitos encontram desilusão, mas outros tantos conseguem enfim chegar aqui e depois de muitos anos vivendo como sub-espécie, enfim ganham direito a estar no país que escolheram viver. Finalmente podem chamar de pátria.

Olhei ao meu redor e me dei conta que este país aceita todo mundo mesmo... Tinha gente de todo o canto do planeta, de todas as idades, etnias, religiões, e classes sociais. Todos bem representados. Como diz a minha sogra, "Em 30 anos seremos todos morenos." Depois de ontem, acho que ela está mesmo certa. Seremos bem misturados -- morenos, marrons, negros, amarelos e até branquinhos...

November 23, 2010

Y así pasan los días

Hoje tem a tal prova da cidadania. Todo mundo diz que é fácil, mas pra quem lida com a imigração americana há quase 20 anos -- e todos os vistos possíveis e imagináveis que uma pessoa pode ter -- dá um alívio muito grande saber que esta pode -- e se Deus quiser vai -- ser a minha última interação com eles.

É incrível como facilitam a vida de quem casa com cidadão americano. Tudo bem que sou muito a favor da família, mas acho errado que um Zé Mané qualquer -- vide o pseudo-errorista da Times Square -- possa ter a cidadania americana em quatro anos só por ter casado (sabe-se lá que de fato ou não) com cidadão/cidadã americano/a e um profissional altamente gabaritado que paga seus impostos em dia e contribui para a sociedade fique a mercê de quotas por um simples green card. Tenho amigos que esperaram mais de dez anos e passaram altos perrengues para ter a residência e ainda têm que esperar mais ainda pela tal cidadania. Não acho justo, nem para eles nem para o país, que acolhe párias a torto e a direito e não tem como acolher intelectuais ou profissionais bem preparados.

Mas como não estou aqui para consertar o mundo, vou fazer o que me cabe para defender o meu e tratar de passar logo neste teste para não ter que me preocupar em mandar papel e pagar mais taxa para permanecer aqui. O Blake é que vai ter que se virar registrando o Joaquim tanto aqui nos States quanto nos Consulados/Embaixadas do Brasil e da Espanha, mas acho que não vai ser nenhum bicho de sete cabeças.

Amanhã chegam meus pais e quinta é Thanksgiving, então, como já está praticamente tudo pronto e eu completei 38 semanas ontem, o Joaquim sabe que a partir deste fim de semana, sua chegada está mais que liberada...

Até o carrinho está montado, mas aí já é assunto para outro post!

November 17, 2010

Mais vídeos educativos

Como acho que não vai dar tempo de fazer a aula de amamentação, peguei na biblioteca o vídeo que tinham me recomendado.

Como várias pessoas próximas tiveram muita dificuldade nesta fase queria estar mais ou menos preparada para a situação – ao mesmo tempo que estou 100% consciente de que na hora muda tudo!

Uma coisa que me intriga sobre estes vídeos é que eles escolhem pessoas estranhíssimas como personagens. Não quero julgar ninguém, mas ao assistir um vídeo educativo seria no mínimo interessante poder ver alguém, digamos assim, que se pareça com a gente, que esteja na média. Sou muito acostumada com esta turma alternativa até porque apesar de bem mainstream, sempre fui ligada em medicina alternativa, terapias holísticas e etc., mas assitir vídeos e mais vídeos onde os personagens principais parecem saídos de hospícios é dose!

A pergunta que não me sai da cabeça é “Se o objetivo do documentário é desmitificar a amamentação ou o parto normal, por que diabos escolhem os freaks para ilustrar o assunto?” Não tem ninguém na média, só povo hipongo que parece que perdeu o caminho de volta de Woodstock. O triste é que é difícil enxergar credibilidade numa coisa assim...

Bom, talvez seja este um novo nicho: usar presonagens relativamente normais, que trabalhem e tenham vidas bem medianas, como estrelas dos novos vídeos educativos para gestantes... Querem que a gente encare estas coisas como algo normal, mas tudo que se vê por aí – tanto nos vídeos educativos quanto nos reality shows (Kate Plus Eight, Octomom, the Duggars & cia.) é um verdadeiro circo.

November 16, 2010

Reta final

Cadeirinha de bebê devidamente instalada no carro do Blake, roupinhas lavadas, malas prontas e praticamente tudo preparado. Só faltam as mamadeiras e a lata de leite em pó just in case.

Sábado conhecemos as doulas de Johns Hopkins e elas parecem ótimas. Acho que vai ser legal ter alguém mais experiente e menos envolvido dando apoio moral na hora h. Não me importo em ter muitas visitas antes e depois, mas durante o nascimento, só quero minha mãe e o Blake. O único problema é que a minha mãe não sabe se vai aguentar e o Blake fica supertenso nestas horas. Está todo mundo achando engraçado o fato de eu estar supercalma e o Blake uma pilha. Vamos ver como vai ficar no final...

Acho que muitas decisões já foram tomadas e as outras vão ficar a cargo de Deus e dos médicos.

November 14, 2010

Customer Service Made in USA


Para ninguem dizer que so reclamo das coisas do lado de cima do equador, hoje queria elogiar um dos maiores tesouros destes pais: a politica de retorno da maioria das lojas, que e facil e agil.

Claro que o meu marido e a excecao da excecao e nao entende lhufas destas coisas por aqui. Alguem conhece americano que nao gosta de usar cartao de credito e nao e nem um pouco consumista? Apresento-lhes Blake Baron.

Bom, mas voltando ao assunto do post, o fato e que compramos uma baba eletronica, ou baby monitor, muito legal para o quartinho do Joaquim. Obviamente, pesquisamos muito ate nos decidirmos pelo modelo e depois pesquisamos mais ainda para encontrar o melhor preco. Alias, pesquisar e com a gente mesmo!

No final das contas, quinta-feira, econtramos o modelo que queriamos por um bom preco no Kohls online. Achei uns coupons e conseguimos quase $80 de desconto, entre preco final e frete. Maravilha! So que ontem a noite, recebi um catalogo pelo correio e um coupon que me dava alem de 30% de desconto, frete gratis e mais Kohls cash para gastar semana que vem, ou seja, uma economia de mais de $150, ou seja, no final das contas saindo quase pela metade do preco original.

Nem pensei duas vezes: decidi que ia a loja devolver o produto e comprar a mesma coisa usando o novo desconto recebido pelo correio. O Blake adorou a ideia, mas ficou meio confuso quando soube do meu plano mirabolante.

"Mas o que voce vai dizer ao vendedor? Que motivo voce vai alegar para retornar a mercadoria?," ele me perguntou curioso.

"Nenhum! E aqui nos States a gente precisa justicar alguma coisa?! Americano compra primeiro e decide se vai ficar com a mercadoria depois! E mania nacional," fui logo explicando.

Ele riu e apesar de nao dizer nada, entendeu que eu tinha toda razao. E tanto tinha que a fila do SAC estava ENORME! E como estamos nos United States of America, onde gravida nao tem direito a NADA, la ficamos nos -- eu, o Blake e a minha MEGA barriga de nove meses -- mofando em pe.

Ate que chegou a nossa vez e, para minha sorte, a atendente era uma simpatia. Tanto era, que eu decidi arriscar para ver se ela podia me ajudar. Em vez de retornar o produto para depois efetuar a compra online e esperar dias pela entrega, resolvi abrir o jogo.

"Gostei do produto sim, mas consigo comprar com voces mesmo por um preco bem melhor," respondi.

O Blake me olhou mortificado! Desta vez eu certamente tinha extrapolado os limites da cara de pau. Eu e minha lingua!

Mas foi entao que veio a grande surpresa para ele e a resposta esperada por mim.

"Entao voce quer levar este mesmo produto?" a atendente me perguntou.

"Exatamente, mas pelo preco mais baixo e com direito ao rebate," respondi.

"Nenhum problema," ela disse. E escaneou a mercadoria, depois fez o estorno e repassou meu cartao. Em menos de cinco minutos saimos de la com a mesma baba eletronica embaixo do braco e uns $150 a mais no bolso.

O Blake era um sorriso so. Eu idem... Com $150 a gente pode comrpar muita fralda!!!

E viva a politica de retorno made in USA!!!

November 11, 2010

Jonas Sisters



Lembro que desde pequena, quando assitia filmes, achava estranho quando as famílias americanas se reuniam e comiam depois de um funeral. Acho que para a maioria dos brasileiros enterro não combina muito com comida ou com coversas superficiais. Talvez pelo drama inerente a nós latinos, enterro é uma ocasião triste que a gente quer que acabe logo, quanto mais rápido melhor.

Aqui nos EUA, com a exceção dos judeus que enterram seus mortos muito rápido como nós brasileiros, a maioria das famílias leva ao menos uma semana para organizar o enterro dos entes queridos. Foi assim com a minha amiga Dawn, que faleceu no dia dois, mas cuja cerimônia fúnebre só acontenceu ontem.

Senti que tinha que ir. Não só por ela, que era de fato uma pessoa iluminada, mas por toda a sua família, pois me tornei muito próxima de seus pais e suas irmãs. A Dawn tinha uma irmã mais velha e outra mais nova, as duas maravilhosas como ela; deve ser genético, herdado dos pais.

Lembro que a empatia foi imediata, pois conheci Judy, sua mãe, antes de sequer ver a Dawn, que estava dormindo do quarto. Aos poucos fui conhecendo seu pai, suas irmãs e seus amigos. O que mais me impressionava era a unidade e a harmonia daquela família. E a fé, por pior que fossem as notícias, ninguém demonstrava desespero ou revolta. Jamais.

Acho que me vi um pouco na relação que a Dawn tinha com suas irmãs, que apesar de morarem em outros estados (a mais velha no Alabama e a mais nova na California), jamais saíram de perto da irmã doente. E apesar das circunstâncias tão difíceis estavam sempre felizes por simplesmente estarem juntas. Uma das enfermeiras resumiu bem quando disse que a cada vez que entrava no quarto de Dawn se sentia como convidada de honra numa festa do pijama. “Sente nesta cadeira aqui que reclina; a sua é muito dura. Quer chocolate? Coca-cola? Pega um bolo que a mamãe trouxe pra gente! E aí, como vai o trabalho?” A preocupação delas era sempre com a convidada! E a gente se sentia em casa imediatamente.

Ontem, ao olhar as fotos delas, desde bebês até os dias de hoje, foi difícil segurar as lágrimas, pois as Jonas Sisters nunca mais serão três...estarão para sempre desfalcadas, pelo menos por aqui. E isto dói. É complicado imaginar que a Dawn não está mais presente, pois apesar da gravidade da doença, ela nunca parecia frágil, nem física nem emocionalmente, embora ao mesmo tempo demonstrasse que estava pronta para cumprir sua missão, mesmo que significasse partir.

Na última vez que nos vimos, quatro dias antes dela falacer, eu tinha acabado de fazer a minha utra e ela e sua mãe foram as primeiras pessoas a ver as imagens. Ficaram genuinamente emocionadas e felizes... E eu ali pensando de onde tiravam este sentimento, diante de tamanho sofrimento que havia se abatido sobre elas. Não sei explicar como, mas a alegria delas por mim era real, impressionantemente real,e eu me sentia muito bem de estar ali, entre amigas.

Como disse o padre na homilia, as missas fúnebres são para os vivos, não para os mortos, pois nos dão uma oportunidade de refletir, de pensar, de fechar um ciclo. Acho bacana o modo como o americano encara a “celebração da vida de alguém que nos deixou,” no caso da Dawn, cedo demais, aos 36 anos. Ao chegar a igreja, muitas fotos dela e da família, um laptop com clipes e momentos felizes vividos por eles. Parecia que ela estava mesmo ali.

Durante a missa, minha echarpe virou lenço e a cada informação nova, eu ficava mais emocionada. Os pais de Dawn optaram por cremar a filha e guardar suas cinzas em casa para que sejam enterradas com quem partir primeiro, Judy ou Clyde. A razão deles? “Jamais deixamos nossa filha sozinha em vida e não vamos abandoná-la na morte.” É de cortar o coração ou o que? Verdade seja dita, ao contrário da maioria dos doentes, Dawn nunca passou um minuto sozinha...e sempre foi muito grata por isto. Ao mesmo tempo, era muito fácil ficar ao lado dela, sempre positiva e feliz.

As palavras finais do padre me emocionaram demais, e como boa brasileira, só pensava em sair correndo para o carro para chorar sozinha, mas fiquei para dar um abraço nos pais e nas irmãs dela. Para minha surpresa, foram eles que me consolaram, dizendo que a Dawn tinha passado mal rezando o terço ao lado do pai e que depois disso tinha perdido a consciência.

“Sou grata por ela ter tido uma morte rápida e, espero, indolor,” me disse DeeDee, a caçula, que descobriu-se há pouco grávida de seu primeiro filho. A data provável do parto? Duas semanas depois do aniversário de Dawn, mas de acordo com a tradição da família, todos os bebês nascem com duas semanas de atraso. “Esta história de ciclo da vida me pregou uma peça desta vez,” me confessou a minha amiga, “mas tenho certeza que tudo vai fazer sentido no final.” Eu também, DeeDee, eu também.

É difícil explicar como há pessoas que nos tocam tão profundamente ainda que num tempo tão breve. Com a Dawn foi assim, não só com ela, mas como toda sua família. Como todo ser humano egoísta, me vi um pouco ali, na situação deles. E apesar de tantas diferenças, vi que o laço de amor que une algumas famílias americanas, brasileiras ou japonesas é o mesmo e tem a mesma intensidade.

A Dawn partiu cedo demais, mas enquanto esteve por aqui teve realmente uma existência singular e iluminada. Quando já achava que ela era especial demais, me contaram seu último desejo: Dawn quer que a casa onde ela morava sozinha seja doada para um de seus melhores amigos. Na verdade, ela era muito amiga de um casal que teve uma filha, mas recentemente se separou. Como a grana é curta, o pai alugou um apartamento no mesmo condomínio para ficar mais perto da filha pequena e poder vê-la todos os dias. Detalhe: eles moram no mesmo condomínio que a Dawn morava e ela pediu para que a casa fosse doada a eles, para que o pai pudesse ter uma vida mais confortável ao lado da filha...

Digam se uma pessoa destas não é um anjo que esteve de passagem na Terra? Sofrendo horrores, durante 14 meses, depois de três transplantes de medula sem sucesso, além de deixar os pais numa situação financeira muito confortável, se sensibilizou com os problemas familiares de um casal de amigos.

O mundo é hoje um lugar mais triste. O céu certamente está em festa.

November 9, 2010

Forma de Bola


Cada dia fica mais difícil achar uma roupa – seja pra trabalhar, ir ao supermercado ou o que seja. Acho que vou ter que me conformar e usar os mesmos vestidos e leggings nas próximas quatro ou cinco semanas. Sim, pois me recuso a comprar qualquer coisa de gestante nesta altura do campeonato!

Não estou reclamando da vida, muito pelo contrário, só fazendo uma constatação. A gravidez tem sido tranquila, até a azia que estava me chateando um pouco resolveu dar uma trégua, graças a Deus não inchei nada, minha pressão não subiu, nem a glicose e o ganho de peso tem ficado dentro do esperado. Para uma “mãe em idade avançada,” dei muita sorte. Aliás não me conformo muito com a minha idade cronológica, me sinto e me acho muito mais nova... Por outro lado, a minha octagenária avó sempre me disse isto, então devo estar ficando velha mesmo!

Mas voltando ao tema do post, nada pode ficar bem ou chique numa pessoa cuja barriga mede 36 cm!!! Comprei uma túnica foférrima três semanas atrás para usar no chá de bebê com uma legging – Deus abençoe quem inventou as leggings e mais ainda quem decretou a volta delas este ano!!! Quem disse que consegui?! A tal túnica que estava larguinha em meados de outubro, está apertada e estamos falando do início de novembro!

Acho que tenho que me conformar mesmo...já avisei pra galera do trabalho, que está longe de ser a “fashion police” pra pegar leve até o mês que vem. Acho que vou empacotar o resto do meu armário! Dá agonia olhar tanta roupa sem nenhuma serventia...

Bem que já tinham me dito que as modelos nos catálogos de roupas de gestante ou não estavam grávidas ou estavam no máximo no quinto mês. Faz muito sentido!

November 7, 2010

Mais fotos do Chá...Tudo Azul!





Chá de Bebê







Acima algumas fotos do chá de bebê de ontem. Quem aparece sempre aqui deve estar se perguntando se o chá já não foi outro dia... A resposta é que o chá de ontem foi o terceiro da série. As normas de etiqueta americanas são um pouquinho diferentes do que a gente está acostumada no Brasil. Se aqui é considerado faux pas alguém organizar o próprio chá, seja ele de panela ou de bebê, por outro lado não há limites de quantas festas alguém pode receber. Para minha surpresa, no meu caso serão quatro! Tribos diferentes, agendas ocupadas e muita felicidade!

O primeiro chá de bebê foi organizado pela família do Blake, na casa da minha sogra, e foi bem bacana. O segundo foi supresa para o Blake, já que foi todo organizado pelos colegas de trabalho dele. O terceiro foi planejado por uma amiga minha e reuniu praticamente minhas vizinhas e colegas de trabalho -- uma vez que já tive vários empregos desde que cheguei aqui. E esta semana, as minhas amigas de trabalho que não puderam vir aqui ontem vão organizar alguma coisa. Não sei muito bem o que vai ser, mas estou contente, nunca vi uma criança tão festejada como o Joaquim.
Aliás nunca festejei tanto quanto semana passada. O meu aniversário que seria bem low profile acabou sendo comemorado a semana inteira, desde o almoço de segunda até o happy hour de sexta. A galera do trabalho é animada. (Interessante vai ser ver quanto estou pesando amanhã, já que ontem à noite passei a usar as calças de pijama do Blake!)

Antes que me esqueça, o adorno que tenho na cabeça também faz parte da tradição americana: os laços e papéis de presente são todos colados num prato de papel que vira chapéu. Nem me perguntem o porquê!

November 4, 2010

Banco de Cordões Umbilicais

Em mais uma das decisões que temos que tomar antes do nascimento do Joaquim está a preservação do cordão umbilical. Ao contrário da tendência no Brasil, onde quase todos os meus amigos armazenaram o sangue do cordão cumbilical dos filhos, aqui nos States ninguém que eu conheço teve a mesma atitude e até mesmo os médicos se mostram reticentes quanto ao assunto. “É uma como uma apólice de seguro, uma aposta. Até agora não há nada provado,” sempre me dizem quando pergunto.

Numa das discussões sobre o assunto no curso de gestantes, alguém sugeriu uma outra alternativa: doar para um banco público de cordões umbilicais. Achei a ideia legal, pois além de contribuir para um bem maior, supostamente eles poderiam localizar o seu material específico em caso de necessidade.

O Blake começou as pesquisas e tivemos duas surpresas: não há nenhum hospital cadastrado para fazer este tipo de procedimento em Maryland e eu, por razões de saúde, não posso ser doadora! Tendo em vista o novo cenário, me pus a pensar...se meu material não é bom para os outros, também não deve ser bom para o meu filho...
Ainda preciso conversar melhor com os médicos e bancos, mas se isto for mesmo verdade, vou ficar até mais tranquila com a decisão de não armazenar...

Mudando um pouco de assunto, mas ainda no tema de transplante, soube anteontem que a minha amiga Dawn faleceu. O mais inacreditável e que na quinta-feira passada, quando soube que ela tinha voltado para o hospital, decidi passar lá para vê-la e ela estava ótima! Muito bem disposta, falante, se levantando e andando sozinha, cheia de energia.

A Dawn tinha feito três transplantes mas a leucemia jamais tinha dado trégua. Apesar disto, ela nunca perdeu o senso de humor e a fé. Ela morreu rezando o terço depois de se sentir mal, já em casa. A família diz que apesar de surpresa com a morte repentina – todos sabiam da gravidade do caso, mas ultimamente ela tinha tido uma boa melhora – se sentem aliviados por saber que ela não sofreu. Foi uma luta árdua que durou 14 meses e por incrível que pareça nem uma vez ouvi Dawn ou alguém da família reclamar de coisa alguma... Toda vez que os vi, estavam otimistas e felizes em me ver.

A Dawn foi a primeira pessoa a ver as imagens da última ultra do Joaquim e ficou superfeliz por mim... Me confessou também que sua irmã tinha acabado de saber que estava grávida e que o bebê ia nascer pertinho do aniversário dela... Nestas horas acho que nada acontece por acaso.

Foi bom tê-la visto em um dia tão bom e especial, pois é esta a imagem que vou guardar dela... Mais um anjo no céu.

November 3, 2010

Chá de Bebê




Uma das coisas que mais me chama atenção por aqui é o envolvimento masculino quando o assunto é filho. A grande maioria dos pais americanos leva muito a sério o papel e tem uma participação enorme na educação e na criação dos filhos. Esta história de pai ter papel coadjuvante aqui não existe, pai é protagonista de primeira.

Muitas dicas valiosas que recebi vieram de homens! O meu chefe é ótima fonte de conhecimentos recentes -- foi ele que me disse para não empatar dinheiro numa bomba de leite caríssima e em vez disto, se tiver interesse, alugar uma do hospital, pelo menos para experimentar.

O conhecimento deles também é amplo, vai desde técnicas para colocar a criança para dormir, até as vantagens (?) de armazenar o cordão umbilical depois do parto. Acho isto muito legal e confesso que o apoio e a participação ativa do Blake me deixam bem mais confiante e tranquila.

As fotos são do chá de bebê que os amigos fizeram para ele no trabalho. Apesar de ter sido organizado por mulheres, os homens tiveram participação importante na divisão de tarefas... E viva a igualdade entre os sexos! (Até certo ponto!)

November 2, 2010

Se estiver passando pelo inferno, siga em frente

“If you are going through hell, keep going.”
Winston Churchill

Outro dia procurando uma frase para o nosso cartão de Natal aqui do trabalho, acabei esbarrando com esta máxima do Premier Britânico Winston Churchill. Sei que ele é muito admirado por sua tenacidade e seu bom senso, mas eu nunca fiz nenhuma pesquisa a fundo para conhecer melhor sua história. Mas só com esta frase ele me ganhou!

“Se você está passando pelo inferno, siga em frente” (na minha tradução livre) não poderia ilustrar melhor o que me aconteceu nos últimos anos quando nada parecia dar certo. Quando me lembro desta mesma época ano passado, sinto até arrepios. Parecia que nada engatava: saí de um emprego horrível para outro pior, e mais longe; tentava sem sucesso engravidar e não encontrava nem motivos nem respostas para meu fracasso; conseguir autorização para o tratamento de FIV foi uma novela; e ainda por cima tivemos o pior inverno do século e minhas injeções ficaram retidas no meio do caminho... Sinceramente foi terrível! E como as coisas já não vinham muito bem desde a minha chegada aqui, tudo parecia maior do que realmente era. Uma escuridão só.

A sensação que eu tinha é que tinha virado escrava de sei lá o que, que a minha vida não me pertencia mais, que eu não tinha saída, que tinha me enterrado de vez num buraco só. Quando cheguei do Brasil em meados de janeiro já estava desanimada, com a entrada de fevereiro então as coisas só pioraram... o sentimento de aprisionamento era simplesmente insuportável e o as pessoas mais chegadas percebiam isto até pela minha voz.

Até que um belo dia, por puro desespero, resolvi tomar as rédeas da minha vida de uma vez. Mandei os loucos do meu emprego para PQP e me senti nas nuvens! Apesar de não ter nenhuma carta na manga ou outra oferta de emprego, o medo de ficar sujeita às loucuras de poucos incompetentes era maior do que o de ficar sem grana ou sem trabalho. A perspectiva de manter a minha sanidade era tentadora... (Claro que sabia que poderia contar com a minha família, mas convenhamos que na minha idade isto não seja motivo de orgulho para ninguém.) Cortei as amarras e me senti maior do que todos aqueles nanicos ignorantes. Mostrei a eles quem precisava de quem.

Como se num passe de mágica, no dia seguinte descobri o caminho do arco-íris. Fui chamada para uma entrevista, pouco depois recebi uma boa oferta e uma semana depois meu maior sonho se realizou: meu exame de sangue não deixava dúvidas -- finalmente estava grávida!

O tratamento tinha dado certo na primeira tentativa! Me lembro que custei a acreditar... Dias antes, conversava com Deus, meio incrédula, e pedia que ao menos um dos milagres se realizasse, que eu conseguisse um emprego bacana ou que eu engravidasse, pois pedir as duas coisas seria demais. Nas minhas barganhas divinas, pedia a Deus que se pudesse me conceder um desejo, então que fosse a gravidez, que com o trabalho eu me virava depois...

Mas ele deve ter ficado com muita pena de mim, pois resolveu que iria me ajudar 100% e cá estou eu hoje: num trabalho bacanérrimo e grávida de 35 semanas, curtindo uma gravidez que foi simplesmente perfeita, mesmo sendo eu uma “mãe em idade avançada”. Como o trabalho é muito legal e flexível, o plano é ficar por aqui até o Joaquim mandar parar... O melhor é saber que se eu precisar, posso trabalhar um pouco de casa ou tirar um dia ou outro para descansar. paz de espírito não tem preço; isto eu atesto!

Espero ter definitivamente deixado o inferno para trás, mesmo assim, estou decidida a seguir em frente...desta vez com menos pedras no caminho.

November 1, 2010

Aniversário

Desnecessário dizer que este está sendo o melhor aniversário do mundo... São dias assim em que a gente percebe que o que mais importa no mundo são as pessoas que nos cercam, mesmo de longe. Festa no trabalho, montes de emails, telefonemas e mensagens de amigos, alguns dos quais não tinha notícias há séculos, outros com quem falo sempre. Todos muito especiais!

O melhor presente ainda está dentro de mim e, mesmo correndo o risco de ser piegas, digo convicta que nada material pode se comparar a um sonho realizado.

Vou continuar festejando...por pelo menos mais cinco semanas...e depois pela vida inteira!

October 29, 2010

Joaquim Top Model






Ia falar de eleição, pois ando com tantas perguntas e tenho tanta coisa presa na garganta, mas decidi que tenho coisas mais interessantes para me ocupar.

Ontem, fomos a Hopkins para a última ultra antes do Joaquim nascer. Como diz o Blake, é tão bom ir até lá por um motivo feliz... Impressionante como muda tudo!

Esta ultra foi um pedido meu atendido pela minha médica, mas como não sou paciente de alto risco, precisava de um "motivo médico" e ela teve que citar "crescimento intrauterino abaixo do esperado". Mesmo me dizendo que o motivo era completamente forçado, a gente acaba ficanco um pouquinho preocupada. Eu já sou meio neurótica e meu ganho de peso reflete isto: passo um mês sem ganhar nada, depois engordo três quilos em duas semanas, para perder 300g na próxima consulta... A médica sempre me assegura que o que importa é o total e eu tenho me mantido dentro da meta.

Apesar de ter tido uma gravidez ótima, a gente sempre fica com uma pontinha de preocupação, então nada melhor que uma boa imagem, ou várias, para sanar qualquer dúvida.

Com 34 semanas e três dias, sabemos que o Joaquim pesava 2.7 kg (deve ter engordado mais um pouquinho nas últimas 24 horas!), tem bochechas enormes, cabelinho no topo da cabeça e boca grande... Hoje, pela manhã, quando veio me acordar, o Blake disse que ficou surpreso com a semelhança entre mim e o bebê. Será?

O negócio é esperar mais cinco semanas para conferir ao vivo!

October 27, 2010

Ultra

Tem muitos estudos aqui que dizem que pacientes encrenqueiros vivem mais e recebem melhor tratamento. Acho que por força das circunstâncias acabei me encaixando neste grupo.

Na consulta de ontem me queixei de câimbras fortíssimas que viram dores musculares e a minha médica me deu uma requisição para uma ultra com dopler na mesma hora. "Não deve ser nada, mas vamos tirar qualquer dúvida," me aconselhou. "Até lá, se sentir dor no peito ou dificuldade de respirar, me ligue e corra para o pronto-socorro." Graças a Deus não foi nada, mas confesso que gostei do zelo dela.

Quando pela trocentésima vez perguntei pela última ultra para ver o Joaquim, ela respondeu: "Você quer uma ultra mesmo, né? Vou conseguir uma para você." Explico: aqui nos States, para pacientes fora dos grupos de risco (euzinha, acreditam?!) o seguro só paga duas ultras, uma de 12 e outra de 20 semanas, então qualquer ultra extra, só por recomendação médica. Ela mediu minha barriga e disse que a barriga tinha crescido 1 cm em vez dos 2 cm de costume, então ela ia usar isto como motivo. "Nem se preocupe com isto, mas esta foi a única 'desculpa' que consegui para poder justificar sua ultra. Se você não quisesse a ultra, a gente nem media," me assegurou.

Então respirei mais aliviada...mas como sou encucada por natureza, fiquei um pouquinho tensa, até ler na minha Bíblia "O que esperar quando você esperando", que com 34 semanas sua barriga deve medir -- bingo! -- 34 cm!

Hoje fiz a tal ultra com dopler e deu tudo certo, graças a Deus. Só descobri, que as minhas veias são pequenas e finas nas pernas também...coisa maravilhosa!!! :)

Amanhã, vamos para Hopkins para ver o Joaquim. Se Deus quiser, vai dar tudo certo de novo e vamos conseguir vê-lo pela última vez antes de conhecê-lo ao vivo!

Felicidade...

October 25, 2010

Curso de Gestantes



Ontem passamos praticamente o dia inteiro no curso de gestantes e domingo que vem vai ser a mesma coisa: ficaremos trancafiados numa sala com mais uns casais. Como tudo por aqui, o curso parecia uma assembleia da ONU de tanta diversidade étnica. Os representantes de sempre: um casal indiano (ontem eram dois), um casal latino, um casal interracial/intercultural (ontem éramos nós!), um casal negro e um casal branco (ontem eram três). No nosso curso, só ficaram de fora os chineses, que são muitos por estes lados. Ah, ontem tinha também uma mulher sozinha, mas casada. Como moramos relativamente perto de Fort Meade, uma das maiores bases militares na Costa Leste, achei que o marido dela estivesse fora...

Estava achando que seria a mais barriguda do grupo, mas estamos todas mais ou menos esperando nossos bebês na mesma época – fim de novembro a início de janeiro. O curso em si é bem informativo e o legal é a chance de perguntar e ter as respostas ali, ao vivo e a cores. As instrutoras eram duas enfermeiras do próprio hospital que conheciam bem o riscado e, ao contrário do que ouvi dizer sobre alguns instrutores, eram bem abertas e nada xiitas.

Apesar da boa vontade delas, confesso que saímos de lá a ssustados. Não com as informações em si, mas com o tal filminho que elas botam para ilustrar as discussões. Socorro!!! Sabe aquela música, Eduardo e Monica, do Legião, que fala em “festa estranha com gente esquisita”? Então, nunca vi gente tão estranha na minha vida!!! Um povo que parecia ter saído de um filme de terror. Tudo bem que o filme era meio antigo – início dos anos 90 talvez – mas não me lembro de ter visto gente tão horrorosa na vida! Desde os crotes de cabelo – moicano, hello! – até o figurino do povo – mulheres de macacão jeans tipo overall OshKoshBegosh! – sem falar nos penteados e na maquiagem...

Podem me chamar de fútil ou preconceituosa, mas a aparência do elenco, sinceremante desviava minha atenção. E o fato do povo ficar urrando no hospital e contorcendo pelos corredores também não ajudou muito. Fora os detalhes gráficos demais pro meu gosto – e olhem que nem sou fresca! Teve umc asal que pediu para o médico/a parteira levar a placenta até a cama numa espécie de ritual... Negócio meio macabro! Bizonho!

Mas passando o susto, ficamos com boas ideias e sugestões. Além da consultora de amamentação que já estava nos planos, estou pensando em contratar uma doula, ou uma birthing coach, que é uma pessoa treinada que fica com a mãe durante todo o trabalho de parto. Já que ao que tudo indica que o parto vai ser normal, pois NÃO sou uma grávida de alto risco, já vi que vou entrar em trabalho de parto e como aqui nos States, o médico só dá as caras na hora de segurar o bebê e as enfermeiras se dividem entre pacientes, acho que é melhor cercar por todos os lados. Aqui, se a gente quiser ter atenção total, o melhor a fazer é contratar uma destas pessoas, normalmente mulheres, que têm experiência e podem dar toda assistência neste período delicado. Vou começar a buscar umas referências, pois desconfio que o Blake vai estar uma pilha na hora H...

E para acabar o dia, resolvemos tirar umas fotos da barriga pertinho de casa. Admito que tenho sido bem relapsa e ouvido muitas reclamações do pessoal aqui e no Brasil, então pra quem ainda não viu o Facebook, coloco umas fotos recentes no blog...

October 20, 2010

Pediatra

Hoje, o Blake e eu fomos conhecer o pediatra do Joaquim. Como a maioria das coisas na minha vida, devo agradecer à Santa Internet por mais este achado. Queria um médico que fosse humano, o que aqui é bem difícil de encontrar.

Quando liguei para marcar a entrevista – sim, aqui a gente entrevista o médico primeiro—conversei com a esposa dele que é enfermeira e trabalhou durante muitos anos na UTI neonatal do hospital aqui perto de casa. Simpática e atenciosa, marcou logo a reunião e hoje nos recebeu superbem.

Ficamos com ela uma hora na sala e eu chequei todas as perguntas da minha listinha de mãe de primeira viagem – e eram várias! Ela me respondeu com muito detalhe e, como disse o Blake, o que nos ganhou mesmo foi quando ela disse que todos os pacientes têm o celular deles e podem ligar a qualquer hora. E isto faz uma megadiferença! Eu que o diga...

Saímos de lá bem satisfeitos e cheios de informações úteis, bem mais tranquilos. Agora, se tudo correr bem, vamos ver o Dr. Ambush – sim, este é o nome dele – no início de dezembro, após o nascimento do Joaquim.

Mais tarde, hoje ainda, vamos ao open house da creche para o Blake conhecer... Ufa!

October 18, 2010

Reta final

Hoje completo 33 semanas, reta final! Vamos respirar muito aliviados quando completarmos 35 e mais ainda depois das esperadas 38, mas tudo vai caminhando muito normal.

Além da chegada do Joaquim, no início de dezembro o livro com as históras das pessoas que conheci durante a nossa viagem a Honduras vai ser lançado. Por motivos óbvios, não estarei presente na comemoração que vai acontecer em Tegucigalpa. O Hector, que organizou toda a viagem e nos acompanhou durante a temporada lá, sugeriu que dedicássemos o livro ao Joaquim, além das pessoas fenomenais que concordaram em dividir um pouco de suas vidas conosco. Fiquei bem emocionada. Ele me pediu que começasse a escrever a nota sobre a autora e a dedicatória... Ainda estou buscando as palavras.

É engraçado pensar que, assim como o Joaquim, o livro, que vai ser bilíngue (inglês e espanhol) é um projeto meu é do Blake, que ficou responsável pelas fotos (e cá entre nós, pela minha sanidade mental, pois ir para uma aldeia indígena, no meio do nada, grávida de cinco meses não é pra qualquer um não!) Então dezembro vai ser um mês muito bacana para a gente.

Acho que agora só me resta escolher uma mudinha para plantar, pois acho que até o fim do ano, o livro e o bebê já vão estar comigo...

October 14, 2010

Pensando alto...

Detesto cinismo. Mesmo gostando muito de sarcasmo e de humor negro, de piadas inteligentes, de língua afiada... Também sou altamente crítica e cheia de opinião, mas detesto ter que lidar com gente que insiste em ver o copo meio vazio. Este tipo me cansa, me entedia. De verdade.

Antes, ainda perdia tempo tentando enxergar o lado mais positivo destas pessoas, agora nem isto. Bom dia, boa tarde, boa noite. Fui! Não quero saber que o trânsito vai estar uma porcaria quando eu sair daqui, que a vida dos mineiros do Chile não vai ser um mar de rosas daqui pra frente ou que o mundo vai acabar em 2012.

Até lá, me deixem viver! Aliás, deixem os coitados dos mineiros em paz também e, aproveitando, deixem de encher o saco de Deus lá em cima, que sinceramente já não aguenta mais tanta gente discutindo se Ele existe ou não. Eu acredito e pronto, mas não fico querendo converter ninguém. Respeito quem não acredita e os motivos que possam existir. Agora não questionem minha habilidade intelectual que não tem absolutamente nenhuma relação com a minha fé.

Pronto falei.

October 12, 2010

Como Assim? Pesa de novo!

Depois de várias semanas sem ter muitas novidades, a consulta de hoje me deixou de queixo caído. Ultimamente, está todo mundo comentando que a minha barriga cresceu assustadoramente e eu mesma tenho notado, mas nada poderia ter me preparado para a surpresa de hoje.

Como toda mulher que foi adolescente gordinha, tenho trauma de balança. Nunca fui neurótica a ponto de me matar de fome – anoréxica – nem a ponto de colocar o dedo na goela para vomitar – bulímica – mas digamos que de resto, já apelei apra tudo. Desde as dietas mais malucas do mundo, até as simpatias mais ridículas, passando pelas famosas bombinhas de manipulação. Mas desde da minha primeira cirurgia de fígado, tomei jeito. Aprendi a me controlar e manter meu peso num patamar mais ou menos aceitável... Um fato digno de orgulho principalmente por estar nos States, onde quase 100% da população tem algum distúrbio alimentar ou compulsão.

Mas a verdade é que o trauma fica, sempre. Uma vez gorducha, sempre gorducha, pelo menos na cabeça. Quando vejo uma balança, já quero sair correndo… Nos últimos meses porém algo inimaginável aconteceu: eu não vinha ganhando peso esperado! A médica não viu muito motivo para alarme, mas a mãe de primeira viagem quase entrou em parafuso. Já pensou se meu filho nasce esquelético? Já pensou se ele nasce fraquinho antes da hora?

Então o que fiz eu? Comecei a comer feito doida! Claro que os três dias no resort foram a ocasião perfeita para comer tudo e mais um pouco...e o resultado, que informalmente já tinha sido observado por várias pessoas, hoje tornou-se oficial.
Ao chegar ao consultório, a recepcionista, já demonstrou espanto: “Uau!!! O que aconteceu com esta barriga para ela crescer tanto?”

E cinco minutos depois, ao subir na balança, ela anunciou minha sentença: “Nove pounds!” Eu me recusei a acreditar! “Nem vem! Pode ir medindo de novo!” Subi e desci da balança e ela me disse em tom mais camarada: “Tudo bem, são só sete...” Como é que é? “Só” sete?! Como assim, cara pálida?!

A médica, mais uma vez, não me pareceu preocupada... “É isto mesmo que acontece. Umas semanas, você não ganha nada; em outras você extrapola, mas seu ganho de peso e o tamanho do bebê estão absolutamente normais. Mas se voc6e chegar aqui na próxima consulta sete pounds mais gorda, aí nós vamos conversar. Em todo caso, vamos dar um tempo no sorvete e deixar o Toddinho de lado por uns tempos...”

Como é que ela advinhou?!

Por outro lado, só agora, entrando no oitavo mês é que a barriga se tournou óbvia! Vamos ver o que as próximas oito semanas reservam para mim?

October 8, 2010

Começando a pensar no que levar pra maternidade...


Pois é, agora começaram os sonhos malucos, o incômodo na hora de dormir e os preparativos finais para a chegada do Joaquim.

Conversando com uns colegas de trabalho, parece que todos os bebês aqui estão chegando antes da hora, então acho que devo começar a arrumar a malinha para maternidade de uma vez...

Espero que o Joaquim respeite o tempo regulamentar e não adiante muito, mas melhor estar preparada para qualquer surpresa.

Então a perguntas é para as mamães leitoras, principalmente as que tiveram bebê aqui: O que devo levar para a maternidade -- para mim, pro Joaquim e para o Blake?

Sugestões de todos são absolutamente bem-vindas!

October 6, 2010

Reta Final

Acho que agora, na 31a semana sinto que estou mesmo entrando na reta final. Na minha última ida à obstetra, ela me disse que eu não tinha ganho nenhum peso, assim como tinha contecido na vez anterior, ou seja, em seis semanas, nenhum quilinho ganho. Claro que uma parte de mim ficou feliz por não estar balofa, mas outra parte ficou muito preocupada com o desenvolvimento do Joaquim.

Então é claro que dali pra frente, desandei a comer. Abri a boca geral, ataquei os restaurants do resort em Atlantic City, e acho que o resultado veio mais rápido do que eu previa. Meu chefe ficou três dias sem me ver e ontem já estava comentando que a minha barriga tinha crescido... Hoje medi a altura do útero e, se meus cálculos estiverem certos, ganhei quase uns 2 cm... Not bad!

O mais engraçado é que esta noite tive um pesadelo de que estava uma baleia – e o sonho não fazia nenhuma referência à gravidez. Confesso que acordei meio perdida e paranóica e nestas últimas semanas tenho pensado mais nas semanas que ainda estão por vir. Quando acho que está tudo sob controle, lembro que ainda há zilhões de coisas a fazer...

October 2, 2010

Eleiçoes - Por que me importo?

Não gosto de política e evito falar no tema aqui, simplesmente porque respeito a opinião alheia e, mais do que isto, detesto comprar briga desnecessária, principalmente via internet. Não gosto de política, mas não sou indiferente. Tenho minhas convicções e posicionamentos e não tenho motivos para deixar de expô-los quando julgo necessário.

Volta e meia, quando digo que estou decepcionada com a política brasileira e entristecida com as opções que nós eleitores temos, alguém me pergunta por que eu ainda me importo, afinal moro nos Estados Unidos, sem previsão de volta e tenho cidadania espanhola que me permite morar e trabalhar não só na Espanha mas praticamente em toda a Europa. Em poucos meses também terei meu passaporte americano. Sendo assim, "sem pátria não fico," me garantem eles.

Só que na prática a coisa não é bem assim. Ao contrário de alguns brasileiros que não sentem a menor ligação com o país onde nasceram, tenho um laço muito forte com o Brasil e rezo sempre para que nosso país se torne cada vez mais um lugar melhor para todos os brasileiros. Me importo com o que acontece lá sim; tenho família e amigos lá, tenho investimentos lá, e acima de tudo, acredito no Brasil. Tenho sorte de ter um marido que compartilha destes planos, que ama meu país, aprende português e acha o máximo batizar o filho de Joaquim!

Quando vejo um cenário político nebuloso, quando candidatos mostram claramente que têm planos de poder e não de governo, fico muito preocupada. Quando vejo campanhas políticas pautadas em demagogia e ausentes de conteúdo, fico desanimada. Quando vejo debates fracos e candidatos despreparados, fico descrente. E é isto que tenho visto ultimamente...

Apesar de tudo, sou contra o voto de protesto, pois apesar de ser o caminho mais fácil, nos torna cúmplices do desrespeito à cidadania no nosso país. As opções atuais ficam longe de ideais, mas nem por isto pregaria a alienação. Em vez disto prego o voto consciente, pois só assim ficaremos livres de Tiriricas, Rorizes, Netinhos, Romarios e tantos outros, que já provaram não honrar o papel de representantes do povo. São desqualificados. Há uma linha tênue entre a democracia e o deboche, e o último jamais deve ser tolerado.

Espero que amanhã o povo compareça em peso às urnas e exerça seu direito de voto. Este ano infelizmente vou ter que justificar o meu, pois por conta dos enjoos dos primeiros meses de gravidez perdi o prazo de transferência do título para Washington.

Ao contrário do que muita gente que se esquiva deste dever, estou triste. Nos meus últimos anos no Brasil, não só votei, mas presidi sessões eleitorais em cada eleição. E depois de cada dia de votação, sentia uma estranha sensação de dever cumprido, de pelo menos estar fazendo a minha parte, por menor que ela fosse. Então amanhã vai ser um dia triste para mim, simplesmente por não estar exercendo plenamente meu papel de cidadã brasileira, do qual sempre me orgulhei.

Aos que me perguntam por que eu ainda me importo, a resposta é simples: quero poder sempre voltar para casa, um luxo que meus amigos venezuelanos, iranianos e cubanos, por exemplo, hoje não têm.

September 29, 2010

Decisões…

Nunca imaginei que fosse ter que tomar tantas decisões antes mesmo de ser mãe. A primeira, e provavelmente a mais importante de todas, foi decidir que realmente queríamos um filho. Queríamos tanto que decidimos ignorar os obstáculos e partir em busca de nossos objetivos. E os obstáculos não foram poucos nem pequenos: a espera, primeiro pela “permissão médica” depois pela gravidez propriamente dita. Dois anos que são como uma eternidade para quem deseja ser mãe e já passa dos 30 e poucos anos. Depois os exames, as buscas pelos motivos da nossa “infertilidade”, que ninguém nunca descobriu, já que os resultados todos foram ótimos. E enfim o tratamento, que mais parecia uma missão de CIA, com instruções em código que mudavam a cada dia e telefonemas diários, sempre às 4.30 da tarde. Mas valeu, e como!

Depois a busca de um obstetra que pudesse me guiar durante todo este processo tão novo quanto excitante. Agora a busca de uma creche que possa cuidar bem do nosso maior tesouro. Já revirei quase 10 e ainda não consegui me decidir, mas acho que estamos próximos... Presto atenção a todos os detalhes e aos poucos vou me tornando “expert”, tudo para compensar a falta de experiência.

Agora a decisão que nunca havia passado pela minha cabeça e que jamais precisaria ser tomada se tivessemos uma menina: a circuncisão. Também provavelmente não seria abordada se o Joaquim nascesse na Europa ou no Brasil. Tradicionalmente, a maioria dos meninos americanos passa pelo procedimento antes mesmo de deixar a maternidade, mas atualmente este número vem caindo bastante e a questão virou uma polêmica enorme com xiitas dos dois lados. Os grandes jornais americanos volta e meia publicam grandes matérias sobre o assunto e os comentários dos leitores são dos mais inflamados possíveis. Há evidências e estudos que defendem os dois lados, mas a situação chegou a um nível tão louco que nenhum médico aqui ousa aconselhar seus pacientes a fazer ou não o procedimento.

Sempre achei que o Blake fosse ser favorável, sendo ele americano e bem mainstream, mas fiquei mais que surpresa,quando ele disse que estava se informando melhor sobre o assunto e não tinha chegado ainda a uma conclusão. “É um procedimento invasivo. Não é porque ele não vai lembrar que ele não vai sofrer,” o futuro pai me disse. “Detesto pensar que vamos mexer em algo completamente normal e sadio por uma questão cultural ou de gosto pessoal. Acho ridículo esta história de que vão implicar com ele no vestiário. Até lá muita coisa vai mudar ,” ele concluiu. É verdade. Uma amiga minha disse que eu deveria fazer a circuncisão porque quando ele crescer as meninas vão olhar e ficar com nojo dele. Juro que não é mentira! Quase caí para trás. E se fosse assim, os europeus e latino-americanos iam morrer em celibato. A gente sabe que não é bem assim...

Muitos dizem que a circuncisão tem mais a ver com fatores religiosos ou culturais, e sendo assim, no nosso caso, fica difícil mesmo impor este procedimento a um recém-nascido. Ainda vamos fazer mais pesquisas e falar com mais médicos, mas nunca pensei que antes mesmo do bebê nascer já tivesse que tomar uma decisão tão séria por ele...

September 28, 2010

Tudo bem...

O dia de ontem foi ótimo. Tenso, é verdade, mas tudo correu perfeitamente bem e lá para as 2.30 PM estávamos saindo do hospital. Nunca é fácil, mas aos poucos parece que vamos pegando o espírito da coisa.

Saímos de casa cecdo, chegamos com tempo para resolver toda a papelada, fazer o exame de sangue e depois a ultra. Sem correria. Já é estressante pensar em passar o dia todo no hospital, mais ainda se pensarmos que estamos no "melhor hospital dos Estados Unidos", num dos "maioires centros de pesquisa do mundo" esperando que ninguém encontre NADA de errado conosco. Se disser que com o tempo a gente acostuma, estarei mentindo, pois o tempo até atenua um pouco, mas jamais apaga.

Se há coisa que fogem completamento do nosso controle, há alguns fatores que podemos controlar: o tempo e o stress são dois deles. E ontem, com menos correria, me senti menos nervosa. Saímos do exame de samgue, fomos para a ultra, onde conseguimos da uma olhada rápida no Joaquim e ver que ele está na posição correta, e depois rumamos para o consultório médico.

Isto é o que eu mais gosto em Hopkins. A gente passa o dia internada lá, um dia sempre tenso e difícil, mas sai de lá com o resultado, podendo dormir à noite. É verdade que sempre que saio de lá me sinto como se tivesse acabado de lutar com o Mike Tyson, mas pelo menos não fico em suspense, saio de lá aliviada.

É claro que ontem eles pouco puderam ver algo, mas pelo que foi visto na ultra, não houve mudança no fígado, que é tudo que nos importa, mas como o Joaquim já está bem grandinho, todos os meus órgãos estão empurrados para algum canto da barriga. O fígado está quase no peito e os rins, bem os rins, ninguém conseguiu enxergar direto, mas calcula-se que eles ainda estejam lá. Por estas e outras, temos uma ressonância marcada para o final de janeiro, para ver tudo direitinho...

Até lá muita coisa vai rolar...inclusive a chegada do Joaquim, mas o que importa é que hoje eu e ele estamos ótimos e, se Deus quiser, vamos continuar assim...

September 26, 2010

Mais um dia em Hopkins

Amanhã é dia de mais uma visita a Johns Hopkins e é claro que me dá uma pontinha de medo... Tenho muita fé em Deus e sei que Ele vai estar ao meu lado. Agora afinal de contas são duas vidas em jogo, a minha e a do pequeno Joaquim, que ainda nem chegou, mas a cada dia que passa se faz mais presente e é mais amado.

September 23, 2010

Quartinho do Joaquim





Ainda não está pronto, mas como está todo mundo morrendo de curiosidade, aqui vão umas fotos tiradas ontem a noite com meu telefone celular. Prometo colocar outras de melhor qualidade, além das famosas antes e depois.

Mama Spanx


Quem mora por aqui deve conhecer o famoso Spanx, que nada mais é do que aquilo que no Brasil chamamos de "shortinho da Trifil" e que muito antes era a nossa famosa meia-calça cortada que usávamos por baixo de roupa transparente...

Aqui nos EUA, terra das oportunidades do do American Dream, uma garota ficou milionária ao patentear a "invenção." (Ainda não me conformo de não ter tido a ideia de fazer isto antes!)

Mas o fato é que agora, no setimo mês, a barriga começa a pesar, então resolvi experimentar o tal produto que nove entre dez gringas usam. Para minha surpresa, adorei! É confortável e não aperta tanto quanto imaginei, então acho que vou até comprar mais uns outros pares. Fica a dica para outras gravidinhas...

Como as minhas calças estão ficando muito estranhas em mim, resolvi que vou enfrentar o outono e um pouco do inverno de vestido mesmo. Vou apelar para as leggings e tights porque as batinhas mais curtas agora estão ficando megaestranhas.

A gravidez continua indo bem, mas agora a azia começou a dar o ar da graça e a insônia volta a aparecer...mas tudo bem. O quartinho do Joaquim está quase pronto e segunda eu completo 30 semanas. Nem dá para acreditar que em menos de três meses ele vai estar por aqui...

September 22, 2010

Sobre Maternidade

Quanto mais reflito, percebo que a questão da maternidade está muito mais ligada ao desejo de criar um filho de que a gerá-lo propriamente. O velho ditado, “mãe é quem cria” para mim é muito certo.

Engraçado é que, durante a minha gravidez, tenho acompanhado de perto a trajetória de uma amiga que está em precesso de adoção de duas crianças da Etiópia. Ao contrário de nós, quando descobriram que a gravidez seria difícil, ela e o marido não quiseram partir para a reprodução assistida e se decidiram pela adoção. Depois de pesaram os prós e os contras, optaram pela adoção internacional, que é um processo bastante diferente, mas não menos complexo que a adoção doméstica. Volta e meia conversamos sobre o assunto "filhos" e 'e interessante ver a perspectiva dela. Comparamos notinhas sobre imigração também -- eu no meu processo de cidadania e ela garantindo o visto dos futuros filhos.

Apesar de não ter nenhum problema em assumir meu tratamento – acho que anos de terapia (Oops, assumi a terapia! ) surtiram efeito – confesso que algumas vezes me achei egoísta por querer gerar um filho meu em vez de adotar uma criança que precisasse de um lar. Outro dia, conversando com esta minha amiga que está adotando as crianças e explicando a ela como eu me sentia, ele me deu uma resposta que me deixou de queixo caído.

“Quando as pessoas dizem admirar a minha generosidade, eu fico espantada, pois no fundo me vejo como uma grande egoísta. Com a grana que estamos gastando para trazer estas duas crianças para cá, poderíamos estar ajudando centenas delas na África, poderíamos estar colaborando com orfanatos, e beneficiando muitas pessoas. Se fôssemos tão desprendidos, não pediríamos para adotar crianças pequenas, serviríamos como foster parents para adolescentes vulneráveis em Washington, pois destes ninguém quer saber. Mas não, queremos os NOSSOS filhos, porque no final das contas achamos que somos bons o suficiente e merecemos filhos para chamar de NOSSOS,” ela me disse muito diretamente.

Nunca tinha olhado para a questão sob este ângulo, mas o ponto de vista dela realmente me surpreendeu e me fez pensar...apesar de citarmos as razões mais profundas, talvez no fundo o desejo da grande maioria – ou talvez de todos nós – seja mais egoísta do que magnânimo. Não deveria me causar espanto, pois afinal de contas somos humanos. Então isto pouco importa.

September 21, 2010

Tabu II

Sinceremente não entendo o motivo que leva tanta gente a esconder as coisas. Mais, não consigo entender o motivo que leva muita gente a mentir quando o assunto envolve filhos e gravidez. Pelo amor de Deus, estamos no século XXI!

Eu odeio segredos na mesma intensidade que odeio mentiras pois acho que ambos nos tornam prisioneiros de nós mesmos e reféns de nossos medos. Aprendi a duras penas que a dor dimunui e a alegria aumenta quando são compartilhadas, e desde então minha vida tornou-se um livro aberto. Acho que as pessoas respeitam quem tem coragem de mostrar não só suas vitórtias, mas principalmentes seus desafios e suas fragilidades. Acho importante falar sobre dificuldades para que as pessoas que talvez atravessem situações semelhantes saibam que não estão sós, que existe alguém que provou que isto pode ser feito.

A fertilização in-vitro ainda é tabu para muitos e condenada pelas alas mais radicais da Igreja Católica, mas graças a Deus não faço parte delas. Quando toquei no assunto com o padre amigo da nossa família, a resposta foi: “Isto é entre seu marido, você e Deus.” E como acredito num Deus piedoso, e levando em consideração que tudo correu as mil maravilhas, acho que realmente Ele está do nosso lado.

É por estas e outras que não entendo quando alguém mente sobre a concepção de seu bebê. Respeito a privacidade alheia, mas não sou idiota. Uma mulher de 53 anos não engravida naturalmente. Obviamente existem milagres e casos extremos, mas apesar dos avanços da medicina, isto é quase impossível. Mesmo que a mulher em questão não tenha entrado na menopausa ainda, a qualidade de seus óvulos é baixíssima e as chances de sucesso quando não se usam os óvulos de uma doadora mais jovem são mais do que ínfimas. Tantas estrelas de Hollywood sendo mães às vesperas dos 50...no mínimo estranho.

Mas nada me irrita mais do que a JLo (Jennifer Lopez) dizendo ser contra fertilização in-vitro por ser muito conservadora. Então vou acreditar que aos 38 anos ela teve gêmeos fraternos do nada?! Sem ter outros gêmeos na família. Faça-me o favor. Dizer que ninguém tem nada a ver com o modo que os filhos foram concebidos é uma coisa, anunciar na capa da Elle e para quem quiser ouvir que é contra métodos de reprodução assistida é ridículo.

É claro que durante o tratamento, muita gente prefere manter segredo para evitar decepções. Eu mesma restringi os detalhes do tratamento em si a um seleto grupo. Não por achar que as outras pessoas fossem me criticar, mas para evitar as perguntas para as quais muitas vezes não se tem resposta, tipo “Deu certo?” A torcida é sempre positiva, mas às vezes tanta atenção gera ansiedade. Mas uma vez que a gravidez foi confirmada, que o período crítico passou, fiz e faço questão de dizer que mais uma vez, Deus e a ciência juntaram forças e me deram mais um presente, mais uma milagre, que em breve vai atender pelo nome Joaquim, que quer dizer “aquele que Deus elevou”.

É por estas e outras que admiro muito a Fatima Bernardes, que sempre foi muito franca e falou abertamente dos obstáculos que encontrou e do tratamento ao qual foi submetida para ter seus trigêmeos. Quem dera que mais gente fosse assim...

September 20, 2010

Tabu

Agora que estamos entrando na reta final, os detalhes passam a ser mais importantes. A primeira pergunta que o pessoal começa fazer é: “E o parto? Vai ser normal?” A resposta, para espanto da maioria, é “Até que se prove o contrário, vai ser normal sim.” Eu, que achava que teria uma gravidez de alto risco e indicação para cesariana, aparentemente sou uma paciente absolutamente normal. Mas claro que isto pode mudar até o dia do parto. Aqui, eles normalmente indicam cesariana para bebês muito grandes ou fora da posição desejada, então muita água pode rolar. E eu pretendo manter a cabeça aberta.

Semana passada, comecei as minhas aulas de yoga prenatal, então a professora pediu para todo mundo se apresentar, dizer a data provável do parto, hospital onde terá o filho, etc. Eu sou a mais avançada – 29 semanas hoje! A maioria das futuras mamães vai ter o filho em hospital – aqui nos EUA o povo escolhe se quer ter bebê em hospital, birthing centers (onde os partos são normalmente feitos por obstetrizes/parteiras e sem nenhuma intervenção cirúrgica) ou em casa mesmo, também com parteiras/obstetrizes ou com as chamadas doulas, que são coaches de nascimento e não necessariamente profissionais de saúde.

As mulheres da minha aula de yoga, apesar de terem optado por ter o bebê em hospital, são contrárias a qualquer intervenção durante o parto, ou seja, vão ter os bebês de parto normal e sem anestesia! Vão levar suas doulas para o hospital e já estão fazendo um plano de parto, que estipula tudo que deve ou não ser feito uma vez que se dá entrada no hospital.

De tanto ouvir opiniões de tanta gente, resolvi começar a pensar no assunto e rapidinho tomei a minha decisão: vou querer a tal anestesia peridural, que aqui se chama epidural, porque já tendo passado maus pedaços nesta vida, não quero saber de dor quando ela pode ser evitada.

Conversando com a médica, cheguei à conclusão que já fiz uso da peridural e graças a ela a minha segunda operação de fígado foi uma maravilha, já que passei 72 horas, que da primeira vez tinham sido de inferno, sem nenhuma dor. Ninguém no mundo vai entender a diferença que atal agulhinha fez na minha vida. Depois da primeira cirurgia, passei três dias urrando de dor, sem poder me virar, ou sequer respirar direito. Nenhum remédio fazia efeito. Então para mim, não tem nem o que pensar. O mais importante é um bebê sadio e, ao contrário de muita gente, não acho que uma dor absurda de parto seja pré-requisito para a maternidade. Os puristas que me desculpem, mas parto natural é para quem pode, não para quem quer.

Aceito de braços abertos os avanços da tecnologia e da medicina e acho difícil imaginar que se a minha bisavó tivesse tido as mesmas escolhas, ela pudesse discordar de mim. Então apesar dos olhares de desaprovação de muita gente por aqui, se tudo correr como esperado, vou fazer uso da tal anestesia sim. E de tudo que estiver ao meu alcance para tornar o parto uma experiência positiva. Já sofri muito nesta vida e acho que o Joaquim não vai ser revoltado por ter uma mais fracota. A minha mãe sofreu horrores no meu parto e no auge da minha adolescência, nos meus raros momentos de rebeldia, quando tinha que dizer horrores para ela, nunca levei em consideração tudo que ela tinha sofrido só para me colocar no mundo... fora isto, ser mãe vai muito além do parto.

Não acho que a esta altura do campeonato eu tenha alguma coisa para provar a álguem. E digo mais, se na hora, houver indicação de cesariana, obviamente vou aceitar. Como diz a minha médica no Brasil, parto quem escolhe é o bebê. No fundo, sou um monte de contradições: ao mesmo tempo que sou granola, adoro yoga e acupuntura, entro na faca sem medo se preciso for. Ao mesmo tempo que procuro me informar sobre as questões médicas, estou disposta a me manter flexível o tempo todo, pois como boa paciente profissional, já aprendi que planos são feitos para serem desfeitos.