March 18, 2008

Randy Pausch - Campanha do PanCAN



Este vídeo é de emocionar qualquer um. É uma versão reduzida da palestra que Randy deu em Carnegie Mellon, a "Última Aula", que o tornou mundialmente famoso. (O texto da "'Ultima Aula" é muito longo, passei quase duas horas sentada aqui no computador contendo, sem muito sucesso, as lágrimas, mas não tirei meu olhos da tela um instante sequer.) Este vídeo é curto e faz parte da campanha para pesquisa relativa ao câncer de pâncreas.

São depoimentos como este que fazem toda a diferença. Quando disse que o câncer de fígado precisava de uma celebridade, foi exatamente isto que eu tinha em mente. Alguém que possa levar nossa mensagem, alguém que possa convencer o público em geral de que há uma real necessidade de pesquisas, de investimento, de cérebros a serviço desta causa.

Uma das frases que mais me marcaram durante a minha jornada foi dita por um pneumologista que me acompanhou durante a minha primeira cirurgia. Sim, tive muitas complicações, inclusive derrame pleural. Sim, os médicos tiveram que fazer várias intervenções para retirar o líquido que se alojara na minha pleura. Depois de duas sessões com a agulha, retirando mais ou menos meio litro de cada vez, chegaram à conclusão de que seria melhor usar um catéter que foi colocado de forma cirúrgica. E lá fui eu pro centro cirúrgico de novo! Só neste procedimento, foram retirandos cerca de quatro litros da minha pleura. Mais ou menos duas garrafas de Big Coke.

Mas voltando ao médico, o nome dele era Renato e ele era simplesmente um amor. Ainda jovem, não tinha a arrogância nem a frieza de alguns médicos mais velhos e conversava com os pacientes de igual para igual. Foi ele então que me disse que eu era uma menina de sorte, pois se meu caso tivesse acontecido apenas cinco anos antes, minhas chances eram ínfimas se existentes. Durante cinco anos a medicina tinha evoluído tanto, tantos novos instrumentos, novas técnicas, novas descobertas, que tudo conspirava a meu favor, tudo isso aumentava as minhas chances de sobrevivência. Tenho certeza que os médicos usaram tudo que estava ao alcance deles, pois meu caso foi dos mais complicados já vistos.

Cinco anos depois, infeliz ou felizmente pude comprovar a veracidade das palavras daquele médico. Já na sala de exames, via coisas que sequer poderiam ser pensadas cinco anos antes, testes minuciosos, avançados, que me davam mais e mais confiança para seguir em frente. Os médicos diziam o mesmo, que eu ia sentir a diferença de tudo que poderia ser feito nos dias de hoje em compração com a minha primeira cirurgia.

Os médicos estavam certos. A cirurgia apesar de muito complicada foi um imenso sucesso e a recuperação foi maravilhosa, graças a Deus e ao talento dos médicos, mas também graças às novas tecnologias que resultaram de novas pesquisas que só foram possíveis porque houve financiamento. Imaginem vocês quantas vidas seriam salvas a cada dia se este investimento aumentasse! Quanto sofrimento seria abreviado.

Tive sorte, muita sorte de ter acesso aos melhores médicos do Brasil e do mundo, mas sou absoluta exceção. A questão da saúde é muito mais séria e infelizmente 90% dos pacientes de câncer não tem a mesma sorte. Não tem a menor chance não só no Brasil mas muitas vezes não têm chance nos EUA, país que apesar de rico não tem um sistema de saúde universal. Tremendo paradoxo.

Quando vejo histórias como a do Randy Pausch, fico triste de saber que o mundo perde alguém de um talento e de um carisma fenomenais, mas fico feliz e orgulhosa ao ver que ele escolheu passar seus últimos dias aqui lutando não só pela própria vida, mas pela vida de milhares de vítimas de câncer. Chamo isto de nobreza de caráter.

Se vocês assistirem o vídeo vão notar que apesar do triste prognóstico, Randy tenta levar uma vida muito normal. Gosto da passagem onde ele diz que um paciente de câncer não tem que ser frágil ou incapacitado. É assim que me sinto e sempre me senti. Jamais me senti doente ou fraca, nem mesmo depois das cirurgias e adoro a cara de espanto quando as pessoas me vêem. Parecem ter dado de cara com um fantasma! Comentários como "você nem parece doente" já passaram a fazer parte da minha vida, mas chego achar graça. Primeiro, porque não estou doente; segundo, porque vaso ruim não quebra!!!

Estou pensando em traduzir a "Última Aula", a palestra que citei no início deste post. O texto é imenso mas lindo, então vou fazer uma votação aqui. Se a maioria do pessoal tiver interesse em assistir o vídeo e depois ler o texto em portugês, eu traduzo. Se o pessoal conseguir ler em inglês e achar desnecessário traduzir, eu posto o texto original aqui. De qualquer forma, vale muito a pena ler/ver a palestra.

9 comments:

hperdoncini said...

Adoraria ler sua tradução. moro no interior do Paraná e descobri seu blog nem sei como, mas por ser muito bem escrito, me tornei assídua.
Beijos e que Deus a abencoe sempre.

Anonymous said...

Dani, já vi uma pna mostra da tradução do texto na revista época, há algum tempo atrás, mas adoraria leo texto na íntegra e e infelizmente não conseguiria ler em inglês. Otexto postado traduzido no seu blog é mais uma amostra da sua generosidade.
Um grande beijo.
Selma

Isabella said...

Oi Dani, moro "perto" de vc, em VA e tenho acompanhado seu blog.

No dia 18 de ABRIL vou fazer uma blogagem coletiva sobre o filho autista de uma amiga. Se vc quiser participar, é só passar lá no TQG.

bjs e obrigada!

binha.23 said...

Oi Dani,
Resolvi finalmente assumir que venho acompanhando diariamente seu blog.
Parabéns..sua narrativa é agradável e seus temas são sempre interessantes.
Quero entrar na lista de pedidos para você traduzir a palestra,infelizmente meu inglês ainda não me permite ler com tanta facilidade.
então..estarei sempre por aqui.
Bjos

Bruneca® said...

Eu quero!

Cristina said...

Não consigo carregar o vídeo em casa, Dani. E no trabalho não tenho a privacidade que gostaria para ler. Pode me incluir! :-)

Thais Aux said...

Aaaaah, traduza o texto sim! Ao menos a versão resumida!

Bjsssssssssssssss!

barbara said...

eu querooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!

Letícia said...

adoraria ler sua tradução também, por favor.
estou trabalhando no meu inglês, mas ainda tenho muito o que fazer para conseguir traduzir o texto, e minha avó quer que eu leia para ela.

você me mandaria por e-mail?
lelediniz@hotmail.com

obrigada