March 5, 2008

Opções Demais

Americanos têm verdadeira obsessão por opções. Eles querem sempre ter milhões de alternativas para escolher qualquer coisa, desde o tipo de cereal que comem de manhã -- quem já foi ao supermercado aqui sabe bem do que estou falando -- até o tratamento que será usado para combater o câncer.

Tudo aqui é mega. E eles adoram! A minha sogra quis me fazer uma surpresa no meu aniversário há uns dois anos. Advinhem onde ela me levou? Num super-ultra-mega-hipermercado que tem TUDO que alguém pode imaginar. Até suco de maracujá made in Brazil lá tem. Sem falar nos buffets espalhados pela loja imensa que têm todos os tipos de comida -- desde doces franceses a sushi, passando por lagosta, comida indiana e tudo mais. É um dois lugares preferidos dela. Já quanto a mim, bem, não entra muito na minha lista não, mas o passeio valeu como aventura antropológica. Saí dali com um pouco de dor de cabeça e acabei esquecendo de comprar o desodorante que queria, pois me perdi nos corredores sem fim.

Outro desafio é tentar escolher um plano de saúde aqui. No Brasil, se a gente tem sorte, o empregador oferece um plano de saúde X e a gente aceita ou não. Se não for bobo aceita, caso contrário a outra opção é a fila do SUS, e convenhamos isso não é das melhores opções. Aqui, há zilhões de alternativas para tudo. Depois de escolher entre trocentos concorrents e eleger a empresa X para ser seu plano de saúde, você precisa escolher entre PPO, PSO, HMO, e muitas outras siglas que sequer vou tentar lembrar. Além disso, tem que escolher se quer cobertura para medicamentos, de quantos porcento, antes ou depois dos impostos, etc, etc. É de enlouquecer qualquer um, ainda mais uma indecisa-mor como eu.

Não me entendam mal, sou contra o conceito de monópolio, gosto de me informar bem, saber o que estou comprando mas a idéia de ter que ler zilhões de manuais e folhetos para escolher qualquer coisa me dá até dor de cabeça. Fico muito confusa.

Mas a verdade é que todo este discurso aqui é para dizer que tive a maior dificuldade de desmarcar o médico que me tinha sido recomendado pela American Cancer Society. O médico é um oncologista/hematologista, então acho que seria só uma referência para me levar a um especialista. Mas até aqui eles têm sido tão bacanas e preocupados comigo que fiquei muito sem graça de desmarcar a consulta. Agora estou esperando o Dr. Pawlik ligar e caso possa vê-lo em breve, preciso ter todos os meus exames em mãos. A ligação ainda não veio, mas acho que até o fim da semana tenho notícias dele.

Enquanto isso, tenho outra decisão a tomar. O pessoal da American Cancer Society me convidou para ser chefe de um dos comitês deles: um de Corporate Sponsorship e outro de Mission Delivery. Ambos parecem interessantes e bem trabalhosos, então devo ficar bastante ocupada até junho. O comitê de Corporate Sponsorship parece menos intenso, mas por outro lado requer contato direto com as empresas da área em busca de patrocínio, ou seja, pedir grana, coisa que abomino e nunca fiz, então seria um baita desafio. O outro comitê é mais operacional e organiza atividades nas reuniões da ACS e nos dia de evento, então seria ao mesmo tempo mais trabalhoso e menos desafiador, pois falar em público e organizar eventos são duas coisas com as quais estou mais que acostumada.

Então vou dar uma pensada e tentar conversar melhor com o pessoal da ACS antes de me decidir por um, mas estou muito feliz de poder trabalhar com eles, me sentir útil e ocupada ao mesmo tempo.

1 comment:

Cristina said...

(Who I am I to tell you what to do?!)Eu sou a primeira a não ser muito fã da função de pedir dinheiro, vide a minha vida em 3 anos com os ingleses...Como RH, eu iria no primeiro comitê que vc já aproveita e vende seu potencial...ai ai pq eu só penso em retorno do investimento rsrs!!!