June 9, 2009

Reflexões

Uma vez li num livro que os pacientes de câncer eram os mais temidos pelos médicos, principalmente aqueles que haviam chegado ao estágio avançado da doença, o dito estágio terminal. O motivo é muito simples, estes pacientes aos quais resta muito pouco a fazer são a prova concreta de que médicos não são deuses, de que apesar dos enormes avanços da medicina, ainda há muitas perguntas sem resposta e muitos casos sem explicação. E quando confrontados com estes pacientes para os quais todos os tratamentos já foram esgotados, a estes médicos que se julgam deuses, só lhes resta fugir. O confronto com sua impotência e até vulnerabilidade dói demais. É um golpe duro demais para o ego de alguns.

Médicos entram e saem do quarto do Todd. Munidos de máquinas, pranchetas e agulhas falam entre sim, como se tivessem esquecido que naquele leito, muito além de um corpo frágil existe um ser humano. Os internistas não concordam com os pulmologistas que discordam dos hematologistas. Mas ninguém tem a solução...e o tempo passa.

A última coisa que escutei foi que o Todd seria transferido de volta para a Unidade de Transplante de Medula, onde passou a maior parte do tempo, para que pudesse partir em paz de lá.

Ele tem se mostrado mais irritado do que o normal. A irmã dele diz que é o jeito dele de fazer com que o sofrimento dos entes queridos seja menor depois da partida... Ele diz que só não quer que eles sofram. Vai ser difícil não sentir saudade de uma pessoa assim, que à beira da morte ainda pensa nos outros.

4 comments:

paula said...

Dani,

Estou impressionada!! A forma com que ele se preocupa com os outros no momento da partida...
Como é triste isso, Meu Deus!!
Você imagina para mim que sou transplantada acompanhar de novo, como já ví inúmeras vezes pessoas muito, muito jovens irem embora...é duro.
Por qual motivo eles querem transferí-lo? O que vc cita dos médicos não se entenderem entre sí eu ví várias vezes e quando a gente questiona, eles não gostam, eu sou a típica paciente que os médicos odeiam, quero saber tudo nos mínimos detalhes e não aceito enrolação, tem gente que prefere não saber nada, tipo minha mãe, mas eu não, por pior que seja quero saber.
Mas os médicos falaram para ele que não há muito mais o que fazer?
Sempre achei isso horrível, apesar que o paciente sabe quando a situação está grave, ou melhor o nosso organismo tem um mecanismo muito inteligente que se encarrega disso.
Sinto imensamente pela mãe dele, muito mesmo pode acreditar e mais ainda por ele mesmo, uma vida interrompida tão prematuramente.
Estou triste, muito triste, nesses momentos me questiono de novo, de muita coisa na vida. E sabe,´não tem como não sentir uma certa culpa de ter vivido e tanta gente morreu!! Pode parecer loucura minha, mas tenho esse sentimento.
Bem, acho que nessa hora não há muito o que falar, só sentir e lamentar, lamentar muito.

Bjs Querida,
Paula

Isabella said...

Deve estar sendo difícil mesmo, Dani! Mas acredito que esse tempo que vc dedica a ele e a família dele devem fazer a maior diferença!

bjs

Thata said...

Só pra vc saber que sempre passo aqui e adoro ler o que escreve. bjs, Thataca

Cristina said...

É duro Dani mas como eu agradeço ter tido a chance de me despedir do meu pai qdo fui a Londres da 1a vez, e ao voltar ele não estava aqui. O Todd tá tendo a chance de ouvir e falar tudo que todo mundo deveria ouvir nesse momento, que esse pensamento conforte a sua dor e a da família dele, de alguma forma!