October 8, 2008

A minha avozinha que não me sai da cabeça...



Prometo que quando isto tudo passar e a minha avozinha estiver fora de perigo volto a falar de outros assuntos bem interessantes por aqui. Mas agora todos os meus pensamentos e orações estão com ela e com a minha família no Brasil. Estas últimas três semanas têm sido certamente um dos piores períodos da minha vida e quem me conhece sabe que já passei por poucas e boas. As notícias das últimas 24 horas t6em sido mais positivas, mas os próximos três dias são extremamente importantes, então agradeço muito as orações e o carinho que temos recebido de tantos amigos.

Nestas horas, às vezes volto no tempo e vejo uma época ruim que já passou... Isto me dá mais coragem para seguir em frente. Uma lembrança que ficou muito viva na minha cabeça foi um fato que aconteceu durante a minha primeira cirurgia. Quando a operação acabou, sabíamos que as próximas 48 a 72 horas seriam cruciais. Eu havia perdido muito sangue e o procedimento tinha sido altamente invasivo, os médicos tinham feito tudo o que podiam mas a minha vida mais do que nunca estava nas mãos de Deus.

Na manhã seguinte, a minha tia-avó ligou para o hospital para ter notícias minhas e ouviu o seguinte “O estado da paciente é gravíssimo.” Acho que outras pessoas que ligaram receberam a mesma notícia. Ao saber disto, a minha avó atirou-se no chão e implorou a Deus que se tivesse que levar alguém que a levasse em meu lugar. Se a doença tivesse que atacar alguém, que a atingisse. Não me lembro muito bem, mas todos até hoje comentam que nas semanas que se seguiram a minha cirurgia a minha avó envelheceu anos em dias. Depois fui melhorando e aos poucos tudo voltou ao normal, inclusive a aparência da minha avó.

Um ano mais tarde, esta minha mesma avó decobriu sofrer de um linfoma não-Hodkins, mas enfrentou a doença com uma força e uma coragem fora do normal. Fez químio, fez rádio, ficou com o cabelo ralinho, mas nunca reclamou. Enfrentou o câncer como quem enfrenta uma gripe e apesar de uma seqüela na perna que nunca mais desinchou, recuperou-se rapidamente e continuou sua vidinha de sempre.

Durante a minha breve estada no Rio, ouvi de uma outra tia-avó que a minha avó Rutinha tinha conseguido uma façanha antes só conseguida pela sogra dela, D. Ermelinda, minha bisavó, que consegui apesar de todos os pesares e dificuldades manter a família reunida em torno dela até a morte, aos 94 anos.

A minha avó, sem querer, segue os passos da sogra, e mantém todos os filhos, netos, imãos, cunhados, sobrinhos e agora bisneta bem pertinho. Ela nunca se deu o crédito merecido, nunca disse que o resultado se devia a ela, mas ninguém tem dúvidas de que ela é a maior responsável por isto.

Falo por mim, que cresci ao lado dela. Minha avó me ensinou a ler antes de eu ir à escola. Foi ela que me deu o primeiro livro quando eu deveria ter um ano mais ou menos. Se hoje há livros até para bebês, nos anos 70 a coisa era bem diferente, mas a minha avó era mesmo pioneira e sabia das coisas. Foi nos introduzindo à leitura desde cedo e nos incutindo a paixão pelos livros.

Algumas receitas dela também passam de geração em geração, mas ninguém faz os pratos tão bem quanto ela. Tudo que ela toca tem um sabor especial...mesmo que ela sempre diga que detesta cozinhar. Pelo menos nisto puxei a ela...não tenho muita afinidade com o fogão não...

No meio de tanta dor e de tanta preocupação estas imagens bonitas agora começam a aparecer com mais intensidade na minha cabeça. Tenho fé e peço a Deus que isto seja um sinal...

2 comments:

Ana Claudia Lintner said...

Dani,
tenhamos Fe porque somos todos filhos de um Pai misericordioso.Para Ele, nada e impossivel.
Espero que em breve voce tenha boas noticias da sua avo linda.
Um abraco,
Ana

Luciana Misura said...

Dani, nem se preocupe em ter outro assunto, nessas horas a gente nao tem cabeca para nada mesmo. Continuo torcendo pela sua avo! Beijos!