February 19, 2009

Crazy Hour

Apesar das dúvidas do Blake, decidi ouvir minha intuição e repetir a dose do Happy Hour da Ulman Foundation, aqui em Columbia. Mas como a minha vida é sempre uma novela, até chegar ao tal bar, tive que fazer um pit-stop mais do que sinistro.

Toda vez que conto alguma coisa sobre o meu trabalho para alguém, a pessoa arregala os olhos e me diz: "Nossa, parece até aquele filme O Diabo Veste Prada." Mas é a mais pura verdade, eu poderia muito bem ter escrito aquele livro baseado em histórias pessoais. A priemira parte falaria sobre meus estágio na NBC, maior rede de TV americana, fazendo o telejornal de maior audiência por aqui, cujo apresentador/editor-chefe era o Tom Brokaw, jornalista famosíssimo por estas bandas. Mas meu emprego atual não fica muito atrás não -- seria trágico se não fosse cômico.

Ontem as coisa aqui estavam uma loucura... Então as secretárias perceberam que tinham esquecido de mandar um envelope com documentos importantes para minha chefe, que estava trabalhando de casa. Já eram cinco da tarde quando isto aconteceu. A chefe berrava ao telefone e as coitadas desesperadas já tinham decidido pagar o courrier do próprio bolso para salvar a pele. Foi então que lembrei que a meu happy hour era perto da casa da chefona e disse que não me custaria nada fazer a entrega. Elas agradeceram muito e pularam de felicidade, até se darem conta de que NINGUÉM pode saber onde a chefe mora. Me fizeram prometer que ia levar o segredo para o túmulo. Topei. E elas me deram milhões de instruções:
"Não deixe que ela veja você em hipótese alguma!"
"Não estacione na entrada da garagem dela!"
"Deixe o envelope entre a porta de vidro e a porta principal."
"Faça tudo o mais rápido possível e saia de lá o quanto antes!"

Qualquer semelhança com algum conto de fadas maluco não seria mera coincidência.

Peguei a estrada, já era noite. Melhor, pensei, assim fica mais difícil de me ver. Ainda bem que ela não conhece meu carro. Vou me aproximando do condomínio dela e vejo que as ruas são muito escuras. Graças a Deus, comemoro, assim fica mais fácil de fazer o serviço.

Quando estou quase chegando, meu blackberry toca, vejo o número dela. Fico gelada! Era a minha amiga secretária ligando do escritório, da linha dela. "Cuidado," ela me avisa, "a chefe está em casa. Pior, está esperando a encomenda, pois ligou para cá e a outra secretária disse que o portador estava a caminho. Seja rápida, não faça barulho e saia daí o quanto antes. Se ela vir você, estamos fritas e provavelmente sumariamente demitidas. Saia daí logo!," ela implorava.

"OK, Ok..." meu telefone toca, é a minha mãe do Brasil! "Mãe, não posso falar agora, te ligo depois. Beijos!" A coitada da minha mãe ficou sem entender nada. A rua é muito escura, mal posso ver o número das casas... mas preciso terminar o serviço logo.

Finalmente avisto o meu destino. O carro dela está lá fora. A luz da cozinha acesa. Ai meu Deus, me ajude!!! Paro em frente à casa do vizinho, ainda há neve na grama, está tudo escuro e eu toda vestida de preto da cabeça aos pés (pura coincidência!) me aproximo com cuidado do portão dela. Lembro que esqueci a minha bolsa no carro. Não tem ninguém aqui, que mal faz? Vai saber, de repente aparece um maluco do nada, leva meu carro e minha bolsa?! Nada disso! Volto para buscar a dita cuja.

Saio do carro correndo, equilibrando a bolsa, o envelope, o telefone e o Blackberry... Nesta hora qualquer deslize pode ser fatal. Meu Deus, me ajude! Rápido, corre, cuidado, vou dizendo para mim mesma. Não deixe o envelope cair por nada! Não faça barulho!

Finalmente avisto uma porta de vidro antes de uma porta vermelha. As instruções diziam para deixar o envelope entre as duas. Abro a porta com cuidado e deixo o bendito lá. Volto para o carro correndo, acelero e saio de lá o mais rápido possível. Ligo para o escritório: "Missão cumprida. Entrega feita." Todas nós respiramos mais que aliviadas. Ufa!

Durante aqueles poucos minutos me senti uma criminosa total, uma gatuna, uma ladra de verdade! Invadindo a casa dos outros, fazendo algo contra lei!!! Que rush de adrenalina! E tudo isto porque estava fazendo o favor de entregar um envelope na casa da chefe. Vai entender uma coisa destas...

Ao chegar atrasada ao happy hour, já fui dizendo que tinha uma desculpa tão boa quanto louca e contei a todos a história. Todo mundo morreu de rir e alguém disse "Nossa, parece aquele filme..." Respondi "O Diabo Veste Prada? Sim, mas no meu caso, o diabo veste é jaleco mesmo!" E todo mundo caiu na gargalhada... "Parece que você merece um drink, alguém lembrou. E lá fui eu em direção ao bar pegar um suco de cranberry!

Que dia! O happy hour foi o máximo e ontem tínhamos três homens e três mulheres. Conversamos mais sobre livros e negócios e cooperações... Amei! mas isto é assunto para outro post.

5 comments:

Leoraineiziel said...

Hahahahaha... que coisa louca! Mas caindo na realidade, deve ser tenso trabalhar com alguem assim, nao? bjs

paula said...

Oi Dani!!

Nossa que loucura é essa? Rsrsrsr!
Sabe, vou falar uma coisa que pode até soar irresponsável, mas não é, e tenho certeza de que VOCÊ vai entender.
Depois do cancêr passei a achar essas pessoas com suas arrogâncias e prepotências, simplesmente ridículas,é como se eu me disesse Vencí a maior batalha e o maior inimigo que alguém pode ter, vou ter medo desta criatura? Sei que se tratando de trabalho, existem hierarquias, a gente engole alguns sapos, alguns não, muitos, mas pensa bem, você, já não enfrentou várias situações limite? Então o que esta mulher pode ser? Nada, absolutamente nada.
Você pode tudo!!
Nossa, desculpe o desabafo (rsrsrs), essas coisas me deixam louca da vida!! Fazer um terrorismo destes com as pessoas!!

Bjs,

Paula

Dani said...

Meninas,
Pois é aqui o stress é grande e contínuo, mas aos poucos a gente se adapta.
No início entrava em crise todo o dia, achando que ela me odiava e que eu ia ser demitida. Cada vez que o telefone tocava eu tremia de medo. Hoje já estou mais relax...mas sei que depois da bonança vem sempre uma tempestade daquelas. É só esperar! Mas como dizia Nietszche, aquilo que não me mata me faz mais forte... :) Fora que dá um baita enredo!
Bjs

Silvia said...

Nossa, realmente parece coisa de filme! Ainda bem que correu tudo bem!
Beijocas!

Cristina said...

KKK resta saber se vc estava com algum item Prada - adorei, to rindo sozinha agora depois das lágrimas nos olhos! É ótimo ler do último para o mais antigo que eu ainda não li :-)