August 28, 2008

O preconceito, a minoria e eu


Este emprego está sendo uma experiência completamente diferente para mim, pois vivo aqui como "minoria", já que sou considerada "Latina." Este debate é velho (escrevi até um artigo para o jornal da minha faculdade em 1993 sobre o assunto!!!), mas de tempos para cá resolvi abraçar qualquer rótulo que queiram me dar, qualquer coisa para me tornar ao mesmo tempo única e parte de um grupo... Coisa paradoxal. Coisa de gringo mesmo. Não estou nem aí! Eu sou eu e é isto que importa! Sou Danielle, brasileira, carioca, mulher, jornalista, ativista, esposa, filha, irmã, neta, prima, sobrinha, madrinha, amiga, paciente profissional, etc.

Mas tenho que confessar que das coisas que mais me machucam é a injustiça. Nunca fui muito ligada a preconceito apesar de já tê-lo visto de perto várias vezes -- por ser mulher, por ser latina e por ser ex-paciente de câncer. O preconceito não me intimida, ele me instiga e me desafia a mostrar ao outro o quão idiota ele é. Na maioria das vezes perfiro ignorá-lo, fazer de conta que não é comigo, que não me atinge, mas quando a situação é descarada, aí enfrento mesmo e coloco quem quer que seja no lugar, sem sair do salto.

De certa forma, a gente até pode evitar o preconceito, tentando passar longe daqueles que têm mente tacanha. O problema é que muitas vezes o preconceito leva à injustiça e aí a natureza do problema muda completamente.

A injustiça é por si só aviltante e quando se trata de saúde ela é mortal. Saúde é questão polêmica nos quatro cantos do planeta, mas enquanto não se encontra a solução para o problema será que a gente consegue achar normal que uma pessoa pobre morra muito mais rápido que uma pessoa abastada quando elas têm a mesma doença? Não posso me conformar com isto. Aliás espero que nunca consiga, sinceramente espero que o cinismo e a falta de esperança nunca mudem quem eu sou.

O nosso trabalho aqui é identificar a raiz das desigualdades na saúde e a longo prazo fazer com que estas disparidades desapareçam. Parece tarefa hercúlea. E é.

1 comment:

Cristina said...

Boa sorte nesse desafio! Se o mal abate independente de classe social, o bem tb tem que incindir!