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April 1, 2009

Dr. Joaquim Ribeiro - A Saga Continua

Muitos aqui vão lembrar da história do Dr. Joaquim Ribeiro, o médico que salvou a minha vida duas vezes e que vítima de perseguição política, em julho do ano passado saiu da própria casa algemado, fato que foi parar na primeira página dos jornais, já que por “coincidência” a imprensa inteira aguardava do lado de fora da casa dele. O engraçado é que ele mora numa rua residencial num bairro bem tranquilo do Rio. O que a imprensa fazia lá no meio do dia ninguém sabe explicar, a menos é claro, que alguém acredite que alguém da Polícia Federal possa ter vazado a informação para os repórteres. Mas peraí, isto é no mínimo anti-ético, ou não? Não bastava prender um homem de bem, médico conceituado, tinham que invadir a sua casa e humilhá-lo publicamente na primeira página dos jornais.

Passados mais de sseis meses, a luta do Dr. Joaquim para provar sua inocência e exercer sua profissão continua, mas seus inimigos são incasáveis e perversos demais. O que estas pessoas esquecem é que ao tentar destruir a reputação do Dr. Joaquim, algo que jamais vão conseguir, levam com eles vidas humanas. Será que eles conseguem dormir tranquilos? Como podem deixar que a inveja e a vaidade os tornem tão cegos e cruéis?

Não sei ao certo quantos pacientes foram perdidos durante esta perseguição infeliz, mas nunca vou esquecer uma das vítimas, que me era muito querida. O nome dela era Thalita, tinha 28 anos e terminava o mestrado na Uni-Rio. Era inteligente, determinada, gostava de viajar e tinha milhões de amigos. No começo do ano passado, reclamando de dores fortes no abdomen, foi ao hospital. Não foi a primeira vez, mas até então os médicos achavam que o mal estar poderia estar relacionado ao stress. Até que finalmente durante uma tomografia, descobriram uma massa enorme no fígado dela. Sim, era um hepatocarcinoma. De lá, ela foi encaminhada ao INCA onde foi tratada durante alguns meses.

Quando a minha amiga Cris me contou a história, eu que não sou médica, me perguntei imediatamente por que ela ainda não havia sido operada. A Cris nos colocou em contato e passamos a nos falar por telefone e email. Eu insistia para que a Thalita visse o Dr. Joaquim o mais rápido possível. Ela dizia que confiava no médico dela e que não tinha plano de saúde. Eu garantia a ela que o Dr. Joaquim não lhe cobraria a consulta, pois conheço muito bem o meu médico.

Os meses foram passando e a operação nunca acontecia. A Thalita foi ficando ansiosa. Até que em julho, durante a minha visita ao Rio, ela me ligou e me pediu para ver meu médico. Liguei para o Dr. Joaquim na mesma hora e marcamos a consulta para o dia seguinte.

Naquela manhã ensolarada de julho vi a minha amiga Thalita pela primeira e pela última vez. A consulta foi difícil, pois a doença já estava em estágio bem avançado e a aparência dela denunciava a gravidade da situação. Durante a consulta, o médico explicou que ela não teria outra alternativa que não fosse a cirurgia. Disse a ela que haveria riscos durante o procedimento, mas foi bem claro ao dizer que sem a cirurgia ela não teria chance alguma.

Quando a Thalita disse que não tinha plano de saúde, o Dr. Joaquim na mesma hora disse “Não tem problema. Eu dou um jeito. Provavelmente por questões políticas não vou conseguir operar você no Fundão, mas vou ver outro lugar. Pode ficar tranquila; ligo para você nos próximos dias.”

Uns dias se passaram e o Dr. Joaquim finalmente conseguiu um hospital e uma equipe para operar a Thalita de graça. Estava tudo encaminhado e a cirurgia aconteceria dentro de pouquíssimo tempo. O que ninguém poderia imaginar é que um ou dos dias antes da data marcada, o Dr. Joaquim fosse sair algemado de casa e que fosse ficar preso durante algumas semanas, semanas que a Thalita não tinha!

Aquela cena me abalou demais. Me revolta até hoje. Sinto profundamente pelo Dr. Joaquim e por sua família. Uma enorme injustiça com um homem que construiu uma reputação invejável (e invejada por muitos!) a custa de muito sacrifício e dedicação. Mas lá no fundo, o que mais me preocupou foi a situação da Thalita. Dali para frente, passei a temer pelo pior.

Eu e a minha família conhecemos bem o Dr. Joaquim e jamais tivemos dúvida do caráter e da competência dele. (Até hoje agradeço a Deus por ter encontrado o tumor seis meses antes de toda esta confusão.) Como a Thalita não podia esperar, foi encaminhada a outro hospital no Rio, onde infelizmente a equipe médica não tem nem a ética nem a competência do Dr. Joaquim. Em vez de realizarem a cirurgia o quanto antes – pois ela seria a única esperança da Thalita – ficaram mais preocupados em caluniar o Dr. Joaquim do que cuidar da paciente. Num português claro, colocaram uma moça de 28 anos com um tumor enorme em banho maria, adiando por uns meses a morte dela. Prometeram que iam ajudá-la, que o caso dela era de transplante, mas nada fizeram. E mais meses se passaram...

No final de setembro, trocamos a última mensagem por email e ela disse que os médicos teriam uma definição até o dia 15 de outubro. Outubro veio mas a definição não... A Thalita me mandou um recado no Orkut já demonstrando cansaço e temendo pelo pior.

Dois meses, depois meu telefone tocou. Era a Cristina. Ela estava emocionada e foi logo dizendo “Infelizmente não deu, Dani. A Thalita se foi. Ela foi tranquila e conformada. A família dela também está serena. Cumpriu sua missão aqui. Agora o sofrimento acabou.” Fiquei em silência por uns segundos. Era a confirmação do meu pior pressentimento. Sabia que o caso era grave, mas no fundo esperava por algum milagre que não aconteceu.

Eu sei que o sofrimento acabou e que a Thalita está agora junto ao Pai. Ela nunca teve dúvida disto, o que me conforta. Eu sei que todos temos a nossa hora, que a vontade de Deus prevalece sempre, mas fica uma pontinha de dúvida lá no fundo que incomoda e que volta e meia me pergunta “Será que se ela tivesse a mesma chance que eu tive de ser operada pelo Dr. Joaquim, esta história teria um final diferente?”

Jamais terei a resposta, mas o único alento que tenho é de que fiz o possível para ajudá-la e isto me deixa mais tranquila. Mas e quanto àqueles monstros, que por inveja insistem em perseguir o Dr. Joaquim e impedir que ele salve outros pacientes? Como eles conseguem dormir à noite? Como eles conseguem ter paz sabendo o tanto de sangue que tem em suas mãos? Ao meu ver são assassinos, que foram no mínimo cúmplices na morte de uma jovem brilhante de 28 anos que faz uma falta absurda. E tenho quase certeza que a Thalita não foi um caso único.

A morte da Thalita me abalou demais. Eu me via muito nela. Tínhamos a mesma idade quando adoecemos, filhas mais velhas, mesmo número de irmãos, mesmas idades, até o nome do pai dela é o mesmo do meu. A grande diferença também foi a maior crueldade: eu tive uma chance; a Thalita não.

October 9, 2008

Médicos de verdade

No meio desta confusão toda, esqueci de deixar registrados alguns fatos importantes. A minha ida ao Brasil foi um presente inesperado da minha chefe aqui, workholic total, mas que sempre coloca a família em primeiro lugar. Quando expliquei a minha situação a ela, sem nenhuma expectativa, ela olhou para mim e disse: "E o que você está fazendo aqui que ainda não foi pra casa? Se fosse a minha avó, eu já estaria lá." E no dia seguinte, às oito da manhã me ligou para saber o que eu fazia no trabalho e dizendo que esperava que eu estivesse de viagem marcada para aquela noite. Dito e feito e foi assim que acabei no Brasil. O sonho de ver a minha avó no quarto antes da minha volta, não foi concretizado, mas como diz a minha mãe, o nosso tempo não é o tempo de Deus, mas creio que ainda vou ter a notícia tão esperada ainda esta semana.

Assim que cheguei ao Rio, tive a notícia da embolia, quase fatal. Os médicos estavam assustados e hesitavam em nos dar prognósticos até porque a situação dramática mudava a cada minuto. Não tive dúvidas, liguei para o Dr. Joaquim Ribeiro para relatar o caso e pedir orientação, pois ele é o médico em que mais confio. Dei a minha versão dos fatos para ele que se ofereceu prontamente a visitar a minha avó, mesmo não sendo cardiologista ou pneumologista. Dr. Joaquim disse que veria a minha avó e depois se precisássemos de um clínico ou outro médico, ele nos recomendaria o melhor. E mais uma vez o Dr. Joaquim cumpriu a sua palavra e foi visitar a minha avó. No meio de tanto desespero, de tantas notícias ruins, ele foi sincero, mas como sempre otimista ao me dizer: "Danielle, o caso da sua avó é grave sim, por vários motivos. Ela teve uma embolia séria, mas não há nada de irreversível no quadro dela. Esta situação pode se resolver dentro de sete a dez dias." Aquelas palavras viraram um mantra para mim, pois a cada pancada, a cada notícia ruim, eu repetia para mim mesma "Não há nada de irreversível no quadro dela. Esta situação pode se resolver" e conseguia recobrar a pouca calma que me restava. Mais uma vez, desta vez sem saber, o Dr. Joaquim salvou a minha vida, ao me dar esperança de poder ver a minha avó viva.

O cardiologista da minha avó, Dr. Leonardo Arantes, também tem sido um herói. O jovem médico leva a sério mesmo o tal Juramento de Hipócrates e parte para o sacrifício o tempo todo. É incansável e dedicadíssimo, sempre disponível e paciente ao explicar quinhentas vezes prodimentos complicados para familiares leigos e ansiosos, sempre com humildade e carinho. A minha avó teve muita sorte. Ele tem sido um anjo, sempre ao lado dela. A minha família sempre fala que só de olhar para o Dr. Léo dá pra ver o estado de saúde da minha avó. Se ele está cabisbaixo e tristonho, a gente sabe que a coisa está feia, então quando o vemos sorrir, damos pulos de alegria. Desde a minha partida, andam me dizendo que o Dr. Léo está sorrindo mais.

O outro cardiologista da minha avó é praticamente o neto mais velho dela, o Filipe, que entrou na nossa vida por conta de um ex-namorado da minha irmã e foi ficando... Sobreviveu ao fim do namoro e virou padrinho de casamento dela e meu também. O Filipe também tem sofrido muito com a gente, pois além de médico dos meus avós e do meu pai, é praticamente da família, além de dar plantão nas residências dos Machados e dos Duran vinte quatro horas por dia, correndo de um lado para o outro sempre que a gente precisa de ajuda. A história da minha avó também foi um baque grande para ele.

Pois no meio de tantas notícias ruins, o consolo é saber que estamos cercados de gente boa -- de médicos competentes, dedicados e amigos e de amigos e familiares que têm se mostrado fenomenais. Minhas tias-avós têm dado plantão no hospital, meus primos, sobrinhos da minha avó, vieram de outroas cidades e outros estados e os parentes que moram no Rio vão freqüentemente ao hospital. Temos sorte, muita sorte, de estar cercados de pessoas iluminadas, mas as orações continuam até que a minha avozinha possa agradecer pessoalmente a um por um.

August 21, 2008

Nada como um dia apos o outro...

Noticia que foi publicada nos jornais cariocas de forma estranhamente discreta...
A materia transcrita abaixo saiu na Folha de Sao Paulo ontem.

So no Brasil um medico e preso e humilhado publicamente sem ter cometido qualquer erro medico.

So no Brasil uma medica comete um erro que resulta na MORTE de uma paciente e "afastada por falhas admistrativas".

Nao acuso ninguem, mas acho que temos muito a refletir. O mais injusto de tudo isto e que inocentes paguem com a vida pela crueldade e pela incompetencia de outros.

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Quarta-Feira, 20 de Agosto de 2008
O Estado de São Paulo
Chefe de transplantes sai após erro

Rio afasta coordenadora porque paciente de 51 anos recebeu rim no lugar de mulher de 60; nome era parecido

Fabiana Cimieri, RIO

A Secretaria de Estado da Saúde do Rio determinou ontem o afastamento da coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Ellen Barroso, sob acusação de falha administrativa. Uma sindicância concluiu que ela teve responsabilidade no caso de um rim transplantado por engano, em março. De acordo com a apuração, teria havido falha na checagem dos dados das pacientes.

Além dela, uma outra funcionária foi afastada cautelarmente. Elas terão dez dias para apresentar suas defesas. Ellen estava no cargo desde o ano passado, quando sucedeu ao cirurgião Joaquim Ribeiro Filho, preso recentemente na operação Fura-Fila sob a acusação de desrespeitar a ordem dos transplantes de fígado.

O erro aconteceu em março, quando foi captado um rim que deveria beneficiar a doméstica aposentada Maria das Graças de Jesus, de 60 anos. O órgão foi transplantado para outra pessoa, de nome parecido, Maria das Graças de Jesus Araújo, de 51 anos, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão. Esta última morreu em maio.

O subsecretário jurídico e de corregedoria da Secretaria da Saúde, Pedro Henrique Di Masi, disse que o relatório do médico que realizou o transplante informou que a paciente morreu de causas infecciosas. "Se fosse por rejeição, provavelmente a morte teria acontecido mais rápido", avaliou a superintendente de Atenção Especializada, Hellen Miyamoto, que substituirá Ellen interinamente na Central de Transplantes. Em nota, a Coordenação de Transplante Renal do Hospital Universitário informou que a instituição agiu como órgão executor. "A Central de Transplantes determinou a realização do procedimento na paciente, que antes havia sido avaliada no Hospital-Geral de Bonsucesso."

De acordo com a sindicância, a paciente Maria das Graças de Jesus foi selecionada como a mais compatível para receber o rim. Mas a funcionária da central telefonou para Maria das Graças de Jesus Araújo. O HGB fez exames pré-operatórios e não percebeu que se tratava de outra paciente. O Hospital Universitário fez o transplante para uma paciente com o prontuário da outra. "Ninguém confirmou documento, nome e CPF. Houve falha na checagem, o que não quer dizer que houve má-fé", disse Di Masi, lembrando que uma mulher tem 60 anos e a outra 51. Maria das Graças de Jesus, que ocupava a 11ª posição na lista de espera por rim, era a mais compatível entre os selecionados. Ontem, passou o dia fazendo hemodiálise, procedimento que realiza três vezes por semana, há três anos. Um de seus rins não funciona; o outro filtra menos de 10% do que deveria. "Achei uma covardia muito grande o que fizeram com ela, que está sofrendo", disse a irmã de Maria das Graças, Rita Guilherme Amaro.

August 14, 2008

Panfletagem

Pois e, tem dias que so tenho falado na historia do Dr. Joaquim. Sei que ja devo estar me tornando ate chata, mas isto tudo me abalou demais.

Num pais onde a saude e uma questao tao problematica querem impedir que brilhantes profissionais exercam a medicina. A equipe do Dr. Joaquim e brilhante e honesta. Se fosse inescrupulosa ou comerciante -- como varios medicos que existem por ai -- poderiam ter tirado todo o dinheiro da minha familia. Nao tiveram uma, mas duas chances de nos explorar, quando dariamos tudo o que tinhamos e mais um pouco para que a minha vida fosse salva. Nao precisamos. Gracas a Deus e a consciencia dos medicos que me trataram, sempre preocupados com a minha saude e com o meu bem-estar em primeiro lugar. Nas duas vezes so discutiram preco depois de se certificar que meu plano de saude iria cobrir boa parte da cirurgia.

Eu tirei tres tumores do figado em cinco anos em duas cirurgias espetaculares e milagrosas. Poderia ter feito transplante? Sim, claro, imagino que muitos medicos carreiristas nao iriam pensar duas vezes antes de me sugerirem um transplante urgente, pois assim poderiam dizer que fizeram mais um transplante (ponto pro curriculo deles!) e ainda trocariam uma cirurgia cheia de incertezas por um "procedimento padrao".

Mas nao o Dr. Joaquim, que sempre seguiu sua consciencia defendendo o transplante como a ultima opcao. "Fora os tumores seu figado e muito saudavel. Voce tem muito figado para isso. Nao precisa de transplante," ele sempre me dizia.

Eu poderia ter feito o transplante no Brasil ou em qualquer lugar do mundo -- gracas a Deus tenho condicoes e conhecimento para isto. Mas nao fiz. Nao fiz porque o Dr. Joaquim, que poderia ter me vendido dois figados a peso de ouro (como a midia acusa), nao deixou. Ele disse que nao precisava. Eu acreditei na palavra dele. Estou viva ate hoje, mais viva e saudavel do que nunca.

Para quem nao sabe, os prognosticos para pacientes de hepatocarcinoma (meu caso) sao bem ruins, cerca de 20% tem sobrevida (detesto esta palavra!!) de ate cinco anos, mesmo depois da cirurgia. Eu ja estou viva ha quase seis e se Deus quiser vou viver muito mais. E ja que Deus me deu esta chance pelas maos da equipe do Dr. Joaquim, vou defende-los ate o final para que outros pacientes tenham a mesma chance que eu tive. So por isto.

A esquizofrenia continua


Lendo esta materia no Estadao fiquei estupefata. As alegacoes sao de uma inconsistencia absurda.

Quem tiver curiosidade clique aqui. Para quem estiver sem tempo, selecionei os "melhores momentos" ou perguntas que nao querem calar.

Seria comico se nao fosse tragico.

Foi a primeira vez que o médico, que é uma referência em, transplantes de fígado, apareceu em público depois de ter sido preso pela Polícia Federal na Operação Fura-Fila. Ele demonstrou segurança nas respostas, contestando cada uma das acusações.

Como assim a primeira vez? O cara sai de casa escoltado por varias viaturas policiais, tem a vida devassada, passa uma semana na companhia do Cacciola e do Nadinho e so agora e ouvido??? Onde nos estamos? Em que seculo?


O Ministério Público afirmava que Arraes não poderia ter sido inscrito na fila de espera porque possuía um tumor maior do que cinco centímetros. Mas Ribeiro Filho disse que ele foi inscrito como portador de "cirrose hepática do tipo C Shield-Tugh, o que garante a sua inscrição independente de complicações" e, seguindo ele, o tumor é uma das complicações.

Agora sao os burocratas do MP que vao decidir quais sao os casos mais graves? Seriam Deuses os procuradores? So por passarem num concurso publico agora entendem de ciencia e saude publica?


No final do interrogatório, o juiz Lafredo Lisboa leu um ofício do delegado da Polícia Federal Giovani Agnoletto, ao Ministério Público Federal, de 15 de fevereiro de 2008, em que ele lista uma série de "fatos interessantes" que levaram a Justiça a pedir a prisão preventiva de Ribeiro Filho - já relaxada por habeas corpus - , considerando que ele tentou interferir no andamento das investigações.


Fatos interessantes para quem? Certamente nao para os pacientes que estao na fila do transplante! Estes correm contra o tempo e veem suas chances de cura se esvaindo rapidamente. Dr. Joaquim tentou interferir nas investigacoes? Como assim? Onde estao as explicacoes? A tal investigacao se arrasta por cinco anos e de repente, sem nenhum fato novo, o medico e preso? Quem e que esta interferindo no que?

No documento, Agnoletto afirma que um assessor pernambucano do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, estaria fazendo "gestões para abafar o caso", que o secretário Estadual de Saúde, Sergio Côrtes, teria se reunido com o governador Sergio Cabral e o diretor da TV Globo Guel Arraes, irmão de Carlos Augusto, para avisá-los das investigações. A TV Globo também teria sido avisada e estaria fazendo pressão para abafar o caso. Ainda segundo o ofício, um assessor do ministro da Justiça, Tarso Genro, estaria acompanhando de perto o desenrolar das investigações e a Polícia Federal estaria preparando um dossiê contra Agnoletto.

Agora o mais surreal! Uma teoria de conspiracao involvendo o Ministro Temporao, o Secretario Sergio Cortes, o Governador Sergio Cabral e ate a TV Globo!!! So faltou colocar a culpa no Bush!!! Gente, sera que alguem deste nivel acha que pode ser levado a serio??? Quem e o tal Agnoletto mesmo?

O procurador da República, Marcelo Muller, disse que as acusações são graves, "mas não há provas, por isso não me baseei nelas para fazer a denúncia".

Este ultimo trecho entao so serve para fechar com chave de ouro. O proprio procurador da Republica diz que NAO HA PROVAS!!! Nao sou eu quem esta dizendo isto, foi o proprio PROCURADOR, acrescentando que NAO se baseou nelas para fazer as denuncias!!! Onde e que este procurador aprendeu a trabalhar?! Sou eu ignorante ou o sujeito e considerado inocente ate que se prove o contrario? E aquela historia de que a prova e o onus de quem acusa? Sera que estou delirando ou este mundo esta perdido mesmo?

Mais uma vez digo, a verdade vai triunfar, mas ate la quem vai cuidar dos doentes que aguardam desesperadamente por uma cirurgia de figado. Todo dia agradeco a Deus por ter ficado doente em janeiro e nao em julho! So que infelizmente a gente nao escolhe a hora e tem muita gente boa e inocente pagando o preco da mediocridade de outros.

August 13, 2008

Vozes dissonantes numa midia esquizofrenica

Ate que enfim lucidez no pantano que se tornou o jornalismo brasileiro...

Mais uma vez no blog do Moreno, que por mais incrivel que possa parecer e postado no mesmo Globo Online que ja julgou e condenou o Dr. Joaquim.

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Enviado por Jorge Bastos Moreno - 13.8.2008| 9h30m

Transplante
Salvar vidas ou manter a ordem na fila das mortes?

Sob o título " O Silêncio dos inocentes", na edição da "Folha de S. Paulo" do domingo passado, 10 de agosto, o ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva escreveu um dos mais memoráveis artigos sobre a condenação de inocentes e alerta que o caso do médico Joaquim Ribeiro , acusado de manipular a lista de transplante de fígados, pode ser mais uma repetição da Escola Base, um clássico erro jornalístico que manchou a mídia brasileira. O texto do ombusdman da Folha deveria estar pregado em todos os murais das redações deste país, em todas as salas de aulas dos cursos de Jornalismo e, principalmente, em todos os gabinetes do ministério Público e da Polícia Federal.

E este belo artigo do autor, roteirista e diretor de cinema e tv, Jorge Furtado, sobre esse caso dá razão ao alerta do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva. E eu, mais uma vez reafirmo: a família de Augusto Arraes não furou a fila. Simplesmente resgatou um fígado cujo destino era o lixo, Repito também uma frase de Caertano Veloso sobre o caso: "Estão discutindo a fila e não soluções para a fila.

Leia então o artigo do cineasta JORGE FURTADO:



O médico Joaquim Ribeiro Filho foi preso no Rio de Janeiro acusado de fraudar a lista de prioridades nas cirurgias de transplante de fígado. A prisão foi registrada por várias equipes de telejornais. Jornais dizem que ele é "acusado de desvio de órgãos entre 2003 e 2007", mas esquecem de dizer que a acusação se refere a apenas três transplantes. O primeiro caso foi levado ao Conselho de Medicina, que o absolveu por 21 votos a zero. Um dos transplantes não aconteceu. No outro caso, ele é inocente. O fígado que ele transplantou, numa operação de alto risco e brilhantemente bem sucedida, iria parar no lixo de um hospital mineiro se a família do transplantado, no Rio de Janeiro, não tivesse enfrentado uma gincana para conseguir, no dia da queda do avião da TAM, um jatinho para decolar imediatamente, ir a Belo Horizonte e voltar para o Rio. O médico fez a cirurgia e tinha a obrigação de fazê-la, até porque o transplantado tinha um mandato judicial que lhe garantia prioridade. O médico fez muito bem, salvou uma vida, é disso que se trata no exercício da medicina.

O sistema nacional de transplantes tem uma tarefa fundamental, garantir a justiça na ordem de prioridades dos receptores dos órgãos doados, seguindo critérios técnicos: duração da vida útil dos órgãos doados, condições de transporte aos receptores, urgência da cirurgia. O sentido da coisa deve ser salvar vidas e não manter a ordem na lista dos mortos. Um órgão, antes de ir para o lixo, deve ser usado para salvar a vida de quem puder ser salvo, isso é o óbvio. No Brasil, cerca de 400 fígados doados vão para o lixo todos os anos por incapacidade do sistema público de saúde de fazê-lo chegar aos transplantados.

Será que os jornalistas que protestaram contra a "espetacularização" da prisão da quadrilha dantesca que tentava subornar um policial federal vão protestar contra a execração pública do médico que já salvou milhares de vidas com o seu trabalho?

Prender um médico cirurgião que, na pior da hipóteses - já que a presunção de inocência, no Brasil, foi substituída pelo mau jornalismo - representa zero de perigo para sociedade e ocupa desnecessariamente uma vaga na cadeia, é uma burrice. Prender e expor a execração pública uma pessoa inocente que exerceu com extrema eficiência a sua profissão e, assim agindo, salvou uma vida, é um crime. Quem são os autores? Serão punidos?

August 12, 2008

Daqui a pouco no Fundao...


"Queremos nosso médicos"

MANIFESTACÃO DE APOIO AO DR. JOAQUIM E AOS MÉDICOS DA EQUIPE DE TRANSPLANTES DO HOSPITAL DO FUNDÃO NESTA 3ª FEIRA (12/08) ÀS 11 HS.
Em frente ao hospital no fundão/UFRJ.
Qualquer contato conosco,ligue para nossa ONG: tel:25622571
Amigos do Transplante
"QUEREMOS NOSSOS MÉDICOS DE VOLTA"


Se eu estivesse no Rio, nao perderia esta, mas como estou bem longe, so vou poder estar la em pesamento.

A passeata esta sendo organizada pela Lilia. Quem le o blog ha tempos vai lembrar dela. A Lilia foi uma das ultimas pacientes a ser transplantada no Fundao, ha mais ou menos um mes. Lembram da paciente de 23 anos que tirou um tumor de 7 kg do figado e ganhou um orgao novo? Pois e, e a Lilia. Foi ela tambem que teve que apelar para a justica para conseguir realizar o transplante no Hospital do Fundao. Depois de ouvir que teria que fazer o transplante no Hospital de Bonsucesso, ja que o Hospital Clementino Franga Filho supostamente nao teria condicoes de realizar a cirurgia, Lilia entrou com um mandado de seguranca que garantiu que o transplante fosse realizado pela equipe do Dr. Joaquim.

Esta menina ainda tem muito o que fazer. Que garra!

O post esta sem acentos porque estou postando do trabalho novo, que alias, promete. Mas isto ja e assunto para outro post.

August 11, 2008

Por que so agora ouvimos outras versoes???

Tirei esta noticia agorinha da Radio do Moreno, no Globo Online, mesmo jornal que ja tinha julgado e condenado o Dr. Joaquim.

Aos poucos a verdade vem a tona...

Ja, ja vamos conhecer os verdadeiros mocinhos e bandidos nesta historia irresponsavel e leviana.


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polêmica do transplante
Mais uma vez as versões não correspondem aos fatos

Como prometi, leia aqui as explicações de Guel Arraes e José Almino sobre o transplante do irmão deles, Augusto Arraes:

"O que mais nos intriga nesta história do transplante de fígado de nosso irmão Carlos Augusto Arraes – que figura como um dos três casos pelos quais o Dr. Joaquim Ribeiro é denunciado por suspeita de irregularidades – é a enorme discrepância entre o que foi declarado diretamente ou através de simples insinuações pelas autoridades e publicado na imprensa por ocasião da sua prisão e o que nós vivemos efetivamente. Discrepâncias tão sérias que beiram a leviandade ou talvez mesmo a má-fé.

Desde então, tivemos ocasião de esclarecer as circunstâncias da cirurgia pelos jornais, mas é preciso dizer que há alguns meses atrás, Carlos Augusto Arraes e Guel Arraes já haviam dado os mesmos esclarecimentos tanto à Polícia Federal quanto ao Ministério Público e, em ambos os casos, suas declarações aparentementemente não foram tomadas em consideração. Algumas foram efetivamente distorcidas, como é o caso da quantia de noventa mil reais, declarada por eles como consta no inquérito e paga a toda equipe médica pelo tratamento e cirurgia – e que vem a público como uma suspeita de suborno, aumentada para duzentos mil reais). Além disso, até agora ninguém deu qualquer explicação sobre como o serviço público de saúde responsável evitaria que o órgão utilizado para o transplante fosse parar no lixo, caso não tivéssemos custeado um transporte particular para trazê-lo de Minas Gerais para o Rio de Janeiro.

Finalmente (e as incoerências não se esgotam por aqui), diante da enxurrada de declarações publicadas contra o Dr. Joaquim Ribeiro sem qualquer verificação prévia, achamos ser nosso dever dar um testemunho que obviamente só tem valor para os que têm fé em nossa palavra: os honorários de 90 mil pagos à equipe de médicos foram acertados com o Dr. Joaquim somente após duas semanas da cirurgia."

Guel Arraes e José Almino de Alencar

August 9, 2008

De volta


Estou de volta finalmente e cheia de novidades para contar. Na verdade não são tantas novidades assim, mas tenho muito, muito o que colocar para fora. Justo na semana das minhas merecidas férias com o Blake, recebo a notícia da prisão do meu médico e amigo Dr. Joaquim Ribeiro Filho, vítima de gente ardilosa e de mentes perigosas e mesquinhas que manipulam a opinião pública de forma irresponsável e impressionante.

Como o acesso à internet era quase inexistente no navio, fui tomada por uma enorme sensação de impotência. Não que eu achasse que as minhas palavras tivessem o poder de solucionar ou sequer ajudar de alguma forma a equipe médica que salvou a minha vida mais de uma vez, mas a idéia de ficar calada perante uma situação tão absurda quase me enlouqueceu. Me senti amordaçada, presa e completamente impotente.

Amanhã posto com mais calma. Quem conhece a minha história sabe o quanto eu devo ao Dr. Joaquim Ribeiro Filho, médico excepcional e das melhores pessoas que já cruzaram o meu caminho. Devo a minha a vida a ele, aos jovens médicos Eduardo Fernandes e Samanta Basto e ao Dr. João Ricardo, que estiveram sempre ao meu lado, nos piores e nos melhores momentos da minha vida. Estes mesmos médicos que o MP acusa de peculato. Nunca vi coisa mais louca!

Esta investigação de araque não é de hoje, conheço esta história desde o início e vou contar para vocês tudo que sei. A verdade precisa ser dita e os justos não podem calar. Neste imbroglio surreal os grande prjudicados não são os pacientes ricos que podem arcar com custos da cirurgia ou do transplante em qualquer lugar do Brasil ou do mundo, mas sim os menos favorecidos que contavam com o talento e bondade do Dr. Joaquim para sobreviver. Este mesmo médico acusado de "vender órgãos" (expressão igualmente absurda) atendia e operava muita gente de graça, mas isto não rende pauta para a mídia medíocre e sensacionalista.

Fico feliz de saber que o Dr. Joaquim foi colocado em liberdade, mas confesso que muito me preocupa o fato de ele estar impossibilitado de exercer sua profissão, de salvar vidas! Vidas como a minha e tantas outras que foram salvas pelas mãos firmes e pela competência de um dos melhores cirurgiões do mundo. Tive sorte de ter ficado doente no início do ano, muita sorte. Mas ainda assim fico indignada de pensar naqueles que não tiveram a mesma sorte que eu. Só no Brasil alguém é impedido de salvar vidas. Só no Brasil.

Mas como sei muito mais do que a maioria das pessoas que insistem em fazer comentários mentirosos nos sites dos grandes jornais, não posso ficar calada, pois conheço a verdade. Não posso permitir o linchamento moral da equipe que por duas vezes salvou a minha vida.

Fico triste de ver uma polícia política no Brasil. Também morro de medo e percebo que capítulos tristes da história humana teimam em se repetir. A situação atual é no mínimo perturbadora e por isto uma citação que vi há tempos no Museu do Holocausto me veio à cabeça:

"In Germany, they came first for the communists, and I didn't speak up because I wasn't a communist. Then they came for the Jews, and I didn't speak up because I wasn't a Jew. Then they came for the trade unionists but I didn't speak up because I was not a trade unionist. Then they came for the Catholics, and I didn't speak up because I was a Protestant. Then they came for me, and by that time nobody was left to speak up."

Martin Niemoeller, Dachau, 1944


Na minha tradução livre:

"Na Alemanha, eles vieram primeiro atrás dos comunistas, e eu não me manifestei porque eu não era comunista. Então eles vieram atrás dos judeus, e eu não me manifestei porque eu não era judeu. Depois eles vieram atrás dos sindicalistas, e eu não me manifestei porque eu não era sindicalista. Então eles vieram atrás dos católicos, e eu não me manifestei porque eu era protestante. Então vieram atrás de mim, e a esta hora não havia mais ninguém para se manifestar."


Martin Niemoeller, Dachau (campo de concentração próximo a Munique), 1944

August 8, 2008

ALERTA URGENTE - SOLIDARIEDADE AO DR JOAQUIM RIBEIRO FILHO

Ainda bem que tem gente indignada no Brasil!

Abaixo o Macartismo as avessas!

Carta de apoio:

O GRUPO TORTURA NUNCA MAIS/RJ vem a público denunciar a truculência do Estado brasileiro contra o cirurgião Joaquim Ribeiro Filho, chefe da equipe de transplantes do Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição de referência internacional em transplantes de fígado. Acusado pelo Ministério Público de desrespeitar a fila dos transplantes no Rio de Janeiro, Joaquim Ribeiro Filho foi preso no último dia 30 de julho, pela Polícia Federal, que protagonizou um lamentável espetáculo midiático, para o qual a imprensa brasileira foi convocada a acompanhar e registrar, iniciando campanha difamatória, destinada a transformar uma acusação em condenação, pelo tribunal da opinião pública.
Condenado a priori pela operação policial, denominada "Operação Fura-Fila", o médico pioneiro na realização de transplantes de fígado no Rio de Janeiro, doutor pela Universidade de Paris, foi mantido preso e incomunicável por oito dias no presídio Bangu 8, sob a alegação de que poderia prejudicar as investigações, quando, na verdade, tenha manifestado, todo o tempo, por meio de seus advogados, a disposição de colaborar com as investigações em curso, respondendo às acusações que pesam sobre ele.
O GRUPO TORTURA NUNCA MAIS/RJ repudia esta demonstração de flagrante arbítrio e desrespeito à honra e à dignidade do Dr. Joaquim Ribeiro Filho, a quem hipoteca inequívoca solidariedade. Sua prisão ocasionou o desmonte repentino do serviço de transplantes no Hospital Clementino Fraga, onde centenas de pacientes esperam por uma chance de vida. O expediente da prisão preventiva contra o Dr. Joaquim Ribeiro Filho fortalece e banaliza um modelo de Estado penal e punitivo, no qual o libelo acusatório da imprensa substitui o processo e as garantias de defesa, os direitos humanos são ignorados e as práticas repressivas de exceção são naturalizadas. Solicitamos que este alerta seja amplamente divulgado e que mensagens de apoio sejam enviadas para o blog:
http://transplantevida.blogspot.com/

PELA VIDA PELA PAZ TORTURA NUNCA MAIS!
www.torturanuncamais-rj.org.br/
Rio de Janeiro, 06 de agosto de 2008

August 4, 2008

Injusto

Acompanhando de longe a saga do Dr. Joaquim, me revolto. Como pode algo assim acontecer em pleno seculo XXI?! Tenho vergonha de um país que vive na era do macartismo e se julga democrático. Como prendem alguém sem provas e usam de forma irresponsável pessoas humildes e ignorantes como massa de manobra?

Estou chocada e entristecida. Sinto pelo Dr. Joaquim, por sua família e por seus amigos. Mas sinto mais, muito mais por pacientes inocentes que perdem tempo valioso e que por questões absurdas não vão ter acesso aos cuidados e a competência do maior cirurgião hepático do Rio de Janeiro.

Hoje houve missa em apoio ao Dr Joaquim Ribeiro Filho. Eu, de longe, não pude participar, mas deixo aqui todo meu apoio a quem me devolveu a vida.

Em apoio ao Dr. Joaquim.

July 31, 2008

Tristeza e protesto



A foto, que passou grande parte do dia de ontem na página de abertura do Globo Online choca. Choca, revolta e machuca demais. A que ponto chegamos? A que ponto a politicagem tomou conta do meu país? Será mesmo que ele ainda é meu? Às vezes é difícil acreditar que em pleno século XXI a Inquisição ainda existe. Não a religiosa, mas a política.

Logo depois de chegar aos EUA e ser recebida pelo Blake no aeroporto, recebi um telefonema do Brasil que me pareceu surreal. Minha irmã e minha mãe estavam nervosíssimas ao telefone me dizendo que o médico que salvou minha vida duas vezes tinha sido preso naquela manhã.

Por alguns instantes fiquei paralisada e incrédula, só podia ser um triste engano. Como podem prender um dos maiores cirurgiões hepáticos do mundo assim do nada? Usando provas mais que capengas e acusações injustas e sórdidas? Não é possível! Como podem invadir a casa de um indivíduo a quem muitos outros (eu inclusive) devem a vida e escoltá-lo como se fosse um marginal?

O pior de tudo é ler a matéria publicada no Globo: exemplo de jornalismo da pior qualidade, altamente tendenciosa, sem nenhuma apuração decente ou original. É nestas horas que me dá vergonha de ser jornalista. O que mais me revolta é ver os comentários dos leitores que desconhecem a verdade, mas baseados numa reportagem mal feita (pois o dever do jornalista é manter a imparcialidade e ouvir os dois lados, conceito que os repórteres do Globo desconhecem) tecem os comentários mais esdrúxulos e absurdos. A mídia é mesmo poderosa e quanta gente é usada como massa de manobra, vítima da própria ignorância e de enorme arrogância. Incrível como todo mundo acha que pode falar de tudo, sem ter conhecimento ou provas.

Mal dormi esta noite ao imaginar o Dr. Joaquim, um cirurgião cujo trabalho é respeitado mundialmente, e uma pessoa extremamente idealista, preso ao lado de verdadeiros criminosos. Sinto muito por ele, que é inocente, e por sua família, mais inocente ainda, mas sinto muito mais pelos pacientes que aguardam desesperadamente por uma cirurgia hepática, sua única chance de permanecer vivos.

Se para o Dr. Joaquim e sua família o consolo é que a justiça tarda mais não falha (mesmo que esta justiça seja a justiça divina), para os pacientes hepáticos o tempo é um luxo ao qual eles não têm direito. Os pacientes que esperam uma cirurgia hepática ou um transplante de fígado não podem esperar que tudo seja esclarecido. Eles não têm tempo, pois estão MORRENDO um pouco a cada dia. Eles precisam de atendimento hoje!

Quem é o verdadeiro criminoso aqui, o Dr. Joaquim, contra quem não existem provas convincentes, ou a mídia e a Polícia Federal, que invadem a casa de um cidadão de bem, devassam sua vida e o jogam na cadeia e lincham sua reputação enquanto seus pacientes aguardam desesperados por uma cirurgia que poderá salvar suas vidas? Quem será o culpado por estas mortes? Todos sabemos que negligência também é crime, então o que a PF vai dizer à família de um destes pacientes cujas vidas dependem de uma cirurgia complexa que poucos podem realizar quando não houver mais tempo? Alguém já pensou nisso?

Será que estes repórteres inescrupulosos e esta polícia política dormiram esta noite? Será que vão dormir para o resto de suas vidas? Eu não consegui, só de pensar que tem gente que conheço e gosto aguardando que o Dr. Joaquim seja solto e que consiga realizar uma cirurgia.

Estou triste, muito triste.

July 21, 2008

Relação Paciente - Médico

Esta é uma relação pra lá de importante, mas não fazemos muita idéia até nos tormarmos "pacientes profissionais", um termo que inventei para uma médica americana e ela adorou. Paciente profissional para mim é qualquer um que ao visitar o médico uma vez já tenha que deixar agendada a consulta para o próximo ano. Paciente profissional é aquele que vai ao médico só para saber que não tem nada e que sai de lá dando pulos de alegria, ao contrário da maioria dos mortais que não fica satisfeita se o médico não receitar nem que seja um remedinho...

Os pacientes normais estão mais preocupados com as outras relações que ocupam lugar importante em suas vidas: relação com a família, relação com o chefe, com os colegas de trabalho, com os vizinhos ou com quem quer que seja, afinal só vêem a cara do médico esporadicamente, ao contrário dos pacientes profissionais que sabem que t6em quase um casamento com o médico, que muitas vezes os irá acompanhar a vida toda.

E como em todo casamento um ingrediente é fundamental nesta relação: a confiança. Na relação paciente-médico ela ocupa um lugar ainda mais importante, pois pode significar vida ou morte em casos mais graves.

Infelizmente nem todos os médicos são iguais e muitas vezes achar o médico perfeito, assim como achar a cara-metade, acaba sendo questão de sorte. Mas não pode, pois se nunca é tarde para ser feliz, pode ser tarde demais parar se manter vivo, principalmente quando o assunto é câncer, uma doença maligna que se espalha pelo corpo humano às vezes com uma velocidade assustadora. Nestas horas, cada minuto conta e muito.

O meu problema com alguns médicos é que eles gostam de brincar de Deus. Não sei o que acontece, mas parecem que se esquecem do tal juramento de Hipocrátes e acabam usando os pacientes e conseqüentemente suas vidas para satisfazer as próprias vaidades absurdas.

O meu problema com estes médicos -- que graças a Deus não são todos -- é a impossibilidade que eles têm em dizer só duas palavrinhas "não sei", o que é perfeitamente normal e aceitável para a maioria dos seres humanos, para alguns médicos parece ser palavrão. Não há nada demais em admitir o não saber, especialmente se isto for ajudar o paciente a encontrar alguém que saiba e o possa ajudar de forma mais rápida. "Não sei", "não posso operar, mas sei quem possa". É só isso que um paciente que luta desesperadamente gostaria de ouvir, mas em vez disso, muitas vezes é inundado por promessas vazias e falsas esperanças que comprometem seriamente sua sobrevivência. É duro saber que a diferença entre viver e morrer às vezes fica presa em meio a vaidades e politicagens. É injusto! É criminoso!

E são justamente os mais necessitados e desassistidos que acabam pagando por isto, pois não têm condições de financiar tratamentos caríssimos, não têm como arcar com outra consulta cara para oiuvir uma segunda opinião, e acabam ficando nas mãos de médicos egoístas e irresponsáveis.

Muitas vezes a única solução é acionar a justiça, mas convenhamos que para quem está em situação gravíssima esta pode ser uma solução um tanto quanto inverossímil. Quantos pacientes que mal podem sair da cama têm como apelar para o Ministério Público? (Sim, pois se não podem se tratar, certamente não têm condições financeiras de contratar um advogado.)

Inverossímil e improvável, mas não impossível, como provou Lília Maria de Souza Borges, uma jovem de 23 anos que morria de câncer no fígado e garantiu na justiça não só o direito de ser operada mas também escolher a equipe que realizaria o transplante que salvou sua vida há pouco mais de dez dias. Mérito dela, que com apenas 23 anos e de saúde mais que debilitada não desistiu. Lutou até o final e venceu. Se a Lília venceu a burocracia brasileira, o câncer para ela é fichinha! Depois de ganhar um fígado novo e tirar um tumor de 7 kg do abdomem, Lília tem tudo para viver uma vida absolutamente normal. Ela, mais do que ninguém, merece isso.

Não a conheço pessoalmente, mas adoraria encontrá-la parar dar um abraço apertado nela e dizer que ela é exemplo de coragem para todos nós. Lília é brasileira das boas, não desiste nunca.

Além de um tumor que tínhamos no fígado, a Lília e eu temos outras coisas em comum. Crescemos no mesmo bairro na Zona Norte do Rio, onde meus tios e avós ainda moram, e tivemos a sorte (em meio a falta dela!) de cair nas mãos mais que competentes do Dr. Joaquim Robeiro, da UFRJ, que me operou com grande sucesso as duas vezes e também salvou a vida da Lília.

No meu caso, no caso ainda mais dramático da Lília e em muitos outros casos, a diferença entre vida e morte pode estar na escolha de um médico capacitado para fazer esta cirurgia extremamente delicada. Nós duas tivemos muita sorte. A Lília então fez acontecer a sua sorte ao jamais desistir de lutar pelos seus direitos. Mas quantos pacientes infelizmente não tem o mesmo destino por diversos motivos?

É por estas e outras que um estatuto que venha garantir os direitos de jovens mortadores de câncer é essencial para que os direitos de todos os pacientes, não só os meus ou os da Lília, sejam sempre garantidos e respeitados. Acesso à saúde não pode ser questão de sorte.

Pelo que li nos jornais, a Lília está ansiosa para voltar a rotina e sonha em estudar Direito. Alguém duvida que ela será excelente advogada?

Quem quiser ler a matéria, basta clicar aqui ou aqui sobre a luta dos pacientes do Hospital Fundão que permaneceu fechado por um bom tempo.
E aqui a boa notícia.