Muitos aqui vão lembrar da história do Dr. Joaquim Ribeiro, o médico que salvou a minha vida duas vezes e que vítima de perseguição política, em julho do ano passado saiu da própria casa algemado, fato que foi parar na primeira página dos jornais, já que por “coincidência” a imprensa inteira aguardava do lado de fora da casa dele. O engraçado é que ele mora numa rua residencial num bairro bem tranquilo do Rio. O que a imprensa fazia lá no meio do dia ninguém sabe explicar, a menos é claro, que alguém acredite que alguém da Polícia Federal possa ter vazado a informação para os repórteres. Mas peraí, isto é no mínimo anti-ético, ou não? Não bastava prender um homem de bem, médico conceituado, tinham que invadir a sua casa e humilhá-lo publicamente na primeira página dos jornais.
Passados mais de sseis meses, a luta do Dr. Joaquim para provar sua inocência e exercer sua profissão continua, mas seus inimigos são incasáveis e perversos demais. O que estas pessoas esquecem é que ao tentar destruir a reputação do Dr. Joaquim, algo que jamais vão conseguir, levam com eles vidas humanas. Será que eles conseguem dormir tranquilos? Como podem deixar que a inveja e a vaidade os tornem tão cegos e cruéis?
Não sei ao certo quantos pacientes foram perdidos durante esta perseguição infeliz, mas nunca vou esquecer uma das vítimas, que me era muito querida. O nome dela era Thalita, tinha 28 anos e terminava o mestrado na Uni-Rio. Era inteligente, determinada, gostava de viajar e tinha milhões de amigos. No começo do ano passado, reclamando de dores fortes no abdomen, foi ao hospital. Não foi a primeira vez, mas até então os médicos achavam que o mal estar poderia estar relacionado ao stress. Até que finalmente durante uma tomografia, descobriram uma massa enorme no fígado dela. Sim, era um hepatocarcinoma. De lá, ela foi encaminhada ao INCA onde foi tratada durante alguns meses.
Quando a minha amiga Cris me contou a história, eu que não sou médica, me perguntei imediatamente por que ela ainda não havia sido operada. A Cris nos colocou em contato e passamos a nos falar por telefone e email. Eu insistia para que a Thalita visse o Dr. Joaquim o mais rápido possível. Ela dizia que confiava no médico dela e que não tinha plano de saúde. Eu garantia a ela que o Dr. Joaquim não lhe cobraria a consulta, pois conheço muito bem o meu médico.
Os meses foram passando e a operação nunca acontecia. A Thalita foi ficando ansiosa. Até que em julho, durante a minha visita ao Rio, ela me ligou e me pediu para ver meu médico. Liguei para o Dr. Joaquim na mesma hora e marcamos a consulta para o dia seguinte.
Naquela manhã ensolarada de julho vi a minha amiga Thalita pela primeira e pela última vez. A consulta foi difícil, pois a doença já estava em estágio bem avançado e a aparência dela denunciava a gravidade da situação. Durante a consulta, o médico explicou que ela não teria outra alternativa que não fosse a cirurgia. Disse a ela que haveria riscos durante o procedimento, mas foi bem claro ao dizer que sem a cirurgia ela não teria chance alguma.
Quando a Thalita disse que não tinha plano de saúde, o Dr. Joaquim na mesma hora disse “Não tem problema. Eu dou um jeito. Provavelmente por questões políticas não vou conseguir operar você no Fundão, mas vou ver outro lugar. Pode ficar tranquila; ligo para você nos próximos dias.”
Uns dias se passaram e o Dr. Joaquim finalmente conseguiu um hospital e uma equipe para operar a Thalita de graça. Estava tudo encaminhado e a cirurgia aconteceria dentro de pouquíssimo tempo. O que ninguém poderia imaginar é que um ou dos dias antes da data marcada, o Dr. Joaquim fosse sair algemado de casa e que fosse ficar preso durante algumas semanas, semanas que a Thalita não tinha!
Aquela cena me abalou demais. Me revolta até hoje. Sinto profundamente pelo Dr. Joaquim e por sua família. Uma enorme injustiça com um homem que construiu uma reputação invejável (e invejada por muitos!) a custa de muito sacrifício e dedicação. Mas lá no fundo, o que mais me preocupou foi a situação da Thalita. Dali para frente, passei a temer pelo pior.
Eu e a minha família conhecemos bem o Dr. Joaquim e jamais tivemos dúvida do caráter e da competência dele. (Até hoje agradeço a Deus por ter encontrado o tumor seis meses antes de toda esta confusão.) Como a Thalita não podia esperar, foi encaminhada a outro hospital no Rio, onde infelizmente a equipe médica não tem nem a ética nem a competência do Dr. Joaquim. Em vez de realizarem a cirurgia o quanto antes – pois ela seria a única esperança da Thalita – ficaram mais preocupados em caluniar o Dr. Joaquim do que cuidar da paciente. Num português claro, colocaram uma moça de 28 anos com um tumor enorme em banho maria, adiando por uns meses a morte dela. Prometeram que iam ajudá-la, que o caso dela era de transplante, mas nada fizeram. E mais meses se passaram...
No final de setembro, trocamos a última mensagem por email e ela disse que os médicos teriam uma definição até o dia 15 de outubro. Outubro veio mas a definição não... A Thalita me mandou um recado no Orkut já demonstrando cansaço e temendo pelo pior.
Dois meses, depois meu telefone tocou. Era a Cristina. Ela estava emocionada e foi logo dizendo “Infelizmente não deu, Dani. A Thalita se foi. Ela foi tranquila e conformada. A família dela também está serena. Cumpriu sua missão aqui. Agora o sofrimento acabou.” Fiquei em silência por uns segundos. Era a confirmação do meu pior pressentimento. Sabia que o caso era grave, mas no fundo esperava por algum milagre que não aconteceu.
Eu sei que o sofrimento acabou e que a Thalita está agora junto ao Pai. Ela nunca teve dúvida disto, o que me conforta. Eu sei que todos temos a nossa hora, que a vontade de Deus prevalece sempre, mas fica uma pontinha de dúvida lá no fundo que incomoda e que volta e meia me pergunta “Será que se ela tivesse a mesma chance que eu tive de ser operada pelo Dr. Joaquim, esta história teria um final diferente?”
Jamais terei a resposta, mas o único alento que tenho é de que fiz o possível para ajudá-la e isto me deixa mais tranquila. Mas e quanto àqueles monstros, que por inveja insistem em perseguir o Dr. Joaquim e impedir que ele salve outros pacientes? Como eles conseguem dormir à noite? Como eles conseguem ter paz sabendo o tanto de sangue que tem em suas mãos? Ao meu ver são assassinos, que foram no mínimo cúmplices na morte de uma jovem brilhante de 28 anos que faz uma falta absurda. E tenho quase certeza que a Thalita não foi um caso único.
A morte da Thalita me abalou demais. Eu me via muito nela. Tínhamos a mesma idade quando adoecemos, filhas mais velhas, mesmo número de irmãos, mesmas idades, até o nome do pai dela é o mesmo do meu. A grande diferença também foi a maior crueldade: eu tive uma chance; a Thalita não.
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April 1, 2009
March 7, 2009
Estadão
A Val me mandou o link para uma matéria publicada no Estadão que aborda a questão do diagnóstico tardio de câncer em pacientes jovens.
É a segunda vez que o jornal toca nesta questão e espero que ela volte à pauta outras vezes. Não se pode conceber que câncer seja a segunda causa mortis entre adolescentes e jovens.
No caso dos jovens adultos, acho a doença ainda mais grave, pois muitos de nós já não somos mais dependentes de nossos pais nos planos de saúde e por nos acharmos indestrutíveis ou por falta de rescursos financeiros acabamos descobertos. A Thalita foi um destes casos: trocou de emprego e trabalhando como pessoa jurídica nunca pensou que ficaria doente. Mas ficou, ficou e o diagnóstico demorou, o tratamento atrasou e ela não está mais aqui. Ela e muitos outros, porque muitos médicos ainda acreditam que câncer não aparece em jovem e que enjôos e mal estar devem ser coisa da nossa cabeça.
Espero que outros estudos comprovem o que todo mundo já sabe: que a cada dia mais jovens morrem de câncer e muitas vezes poderiam ao menos ter recebido um tratamento melhor, se tivesse descoberto a doença mais cedo.
É a segunda vez que o jornal toca nesta questão e espero que ela volte à pauta outras vezes. Não se pode conceber que câncer seja a segunda causa mortis entre adolescentes e jovens.
No caso dos jovens adultos, acho a doença ainda mais grave, pois muitos de nós já não somos mais dependentes de nossos pais nos planos de saúde e por nos acharmos indestrutíveis ou por falta de rescursos financeiros acabamos descobertos. A Thalita foi um destes casos: trocou de emprego e trabalhando como pessoa jurídica nunca pensou que ficaria doente. Mas ficou, ficou e o diagnóstico demorou, o tratamento atrasou e ela não está mais aqui. Ela e muitos outros, porque muitos médicos ainda acreditam que câncer não aparece em jovem e que enjôos e mal estar devem ser coisa da nossa cabeça.
Espero que outros estudos comprovem o que todo mundo já sabe: que a cada dia mais jovens morrem de câncer e muitas vezes poderiam ao menos ter recebido um tratamento melhor, se tivesse descoberto a doença mais cedo.
December 15, 2008
Câncer, Jovem e Pesquisa
Como todos podem imaginar, a notícia da morte da Thalita me deixou bem triste por vários motivos. Em primeiro lugar, porque ela era uma menina brilhante e especial. Em segundo lugar, porque sempre tive muita esperança de que ela pudesse se salvar, apesar dos pesares. E em terceiro, e talvez mais importante, lugar, até o final do ano passado, a minha experiência e conseqüentemente a minha visão sobre o câncer eram completamente diferentes.
Por mais que eu tenha sofrido e visto amigos sofrerem por causa desta doença, nunca tinha visto de perto alguém jovem perder a batalha. Não sabia que poderia acontecer assim, em tão pouco tempo. Na minha inocência, acreditava que a medicina tinha avançado tanto nos últimos anos que os índices de sobrevida entre jovens também tinham aumentado bastante. Apesar de todo o estigma em torno da doença, na minha cabeça o câncer era uma doença terrível, mas que hoje em dia podia ser tratada e na maioria dos casos vencidas. Também pensava que a juventude e o pensamento positivo pudessem vencer tudo.
Mas eu não sabia de nada. Este ano, acompanhei de perto os casos do Felippe e da Thalita e confesso que ainda não digeri a morte dos dois – tão jovens, tão inteligentes e tão valentes. Acho que não vou digerir nunca, vou ficar para sempre com algo entalado na garganta, com um gosto amargo na boca. Vou lembrar dos dois para sempre e levar um pedacinho deles dentro de mim.
O caso deles, entretanto, ilustra muito bem o maior problema enfrentado pelos pacientes de câncer mais jovens: o diagnóstico tardio e/ou errôneo. Não sou Deus para saber se o resultado teria sido diferente caso o Felippe tivesse descoberto o tipo raro de linfoma que ele tinha logo de saída. Também não vou saber nunca se a hepatectomia salvaria ou não a vida da Thalita. Ninguém nunca vai poder me dar estas respostas... Talvez tenha sido mesmo o destino. Talvez Deus os quisesse lá em cima com Ele o quanto antes. Não vou saber nunca.
Só sei que ficaria bem mais tranqüila se o diagnóstico do Felippe tivesse sido mais rápido e se a Thalita conseguisse ter feito a cirurgia no início do ano. A doença não espera e não tem piedade, ela avança rapidamente, principalmente no caso dos mais jovens. Não sou eu que digo isto, mas os médicos e cientistas.
O Felippe e a Thalita partiram, infelizmente, mas eu fiquei aqui para contar a nossa história e não vou me calar enquanto algo não for feito. Ouvi da mãe da Thalita que no início os médicos creditavam os sintomas da doença que acabou matando a filha dela a uma crise de stress. Eu ouvi isto também durante dois anos de inúmeros exames de sangue e visitas a mais de 15 médicos no Brasil e nos Estados Unidos. Todos me diziam que eu era muito jovem para ter algo mais grave... A minha anemia, apesar de aguda, não devia ser nada... Devia estar tudo na minha cabeça. Uma pena que durante dois anos ninguém pensou em olhar para o meu umbigo!!! Pois era lá, bem pertinho dele, que um tumor imenso de 18 cm se escondia!!!
Aqui nos EUA, há uma infinidade de fundações e organizações que militam em diferentes causas. Já escolhi as minhas, mas agora mais do que nunca vou me envolver com as que cuidam de pacientes jovens. Não me canso de dizer que, entre pacientes de câncer, esta é a ÚNICA faixa etária que não viu NENHUM aumento na taxa de sobrevida. (Eu odeio esta palavra sobrevida!!!)
Acho que o primeiro passo deve ser tomado através da educação. Enquanto nós jovens não tivermos noção de que somos também vulneráveis a este tipo de doença e exigirmos dos nossos médicos mais exames, mais respostas, mais atenção, a situação não vai mudar. Por outro lado, é essencial que os profissionais de saúde estejam atentos e cientes de que o câncer não escolhe ninguém por idade. Se há 20 anos se diziam que câncer era doença de velho, hoje esta afirmação é mentirosa e irresponsável. Queria eu que juventude fosse garantia de saúde. Deveria ser, mas infelizmente em muitos casos não é.
Parte do meu trabalho aqui em Baltimore é educar a população de baixa renda sobre programas existentes na área de saúde, sobretudo em câncer. A nossa missão é fazer com que populações rurais e de baixa renda tenham acesso aos tratamentos e aos cuidados básicos de saúde. Semana passada fizemos dois eventos para educar a população de Maryland sobre teste clínicos e pesquisa. Apesar da desconfiança da população, às vezes estes testes podem oferecer novas opções de tratamento ou de gerenciamento da doença para o paciente. Obviamente há riscos, mas também há benefícios, então é importante que a população saiba disso para tomar uma decisão bem informada.
Para quem tiver interesse e dominar a língua inglesa, o governo americano criou uma lista de todos os teste clínicos disponíveis: www.clinicaltrials.gov
Aqui na Universidade, estamos lançando um programa específico para o Estado de Maryland www.medschool.umaryland.edu/mpact
Assim como o nosso Vice-Presidente, José Alencar, rezo para estar viva no dia em que os jornais trouxerem a manchete: “Encontrada a Cura para o Câncer” Mas enquanto este dia não chega, vou fazendo a minha parte, por menor que ela seja.
Por mais que eu tenha sofrido e visto amigos sofrerem por causa desta doença, nunca tinha visto de perto alguém jovem perder a batalha. Não sabia que poderia acontecer assim, em tão pouco tempo. Na minha inocência, acreditava que a medicina tinha avançado tanto nos últimos anos que os índices de sobrevida entre jovens também tinham aumentado bastante. Apesar de todo o estigma em torno da doença, na minha cabeça o câncer era uma doença terrível, mas que hoje em dia podia ser tratada e na maioria dos casos vencidas. Também pensava que a juventude e o pensamento positivo pudessem vencer tudo.
Mas eu não sabia de nada. Este ano, acompanhei de perto os casos do Felippe e da Thalita e confesso que ainda não digeri a morte dos dois – tão jovens, tão inteligentes e tão valentes. Acho que não vou digerir nunca, vou ficar para sempre com algo entalado na garganta, com um gosto amargo na boca. Vou lembrar dos dois para sempre e levar um pedacinho deles dentro de mim.
O caso deles, entretanto, ilustra muito bem o maior problema enfrentado pelos pacientes de câncer mais jovens: o diagnóstico tardio e/ou errôneo. Não sou Deus para saber se o resultado teria sido diferente caso o Felippe tivesse descoberto o tipo raro de linfoma que ele tinha logo de saída. Também não vou saber nunca se a hepatectomia salvaria ou não a vida da Thalita. Ninguém nunca vai poder me dar estas respostas... Talvez tenha sido mesmo o destino. Talvez Deus os quisesse lá em cima com Ele o quanto antes. Não vou saber nunca.
Só sei que ficaria bem mais tranqüila se o diagnóstico do Felippe tivesse sido mais rápido e se a Thalita conseguisse ter feito a cirurgia no início do ano. A doença não espera e não tem piedade, ela avança rapidamente, principalmente no caso dos mais jovens. Não sou eu que digo isto, mas os médicos e cientistas.
O Felippe e a Thalita partiram, infelizmente, mas eu fiquei aqui para contar a nossa história e não vou me calar enquanto algo não for feito. Ouvi da mãe da Thalita que no início os médicos creditavam os sintomas da doença que acabou matando a filha dela a uma crise de stress. Eu ouvi isto também durante dois anos de inúmeros exames de sangue e visitas a mais de 15 médicos no Brasil e nos Estados Unidos. Todos me diziam que eu era muito jovem para ter algo mais grave... A minha anemia, apesar de aguda, não devia ser nada... Devia estar tudo na minha cabeça. Uma pena que durante dois anos ninguém pensou em olhar para o meu umbigo!!! Pois era lá, bem pertinho dele, que um tumor imenso de 18 cm se escondia!!!
Aqui nos EUA, há uma infinidade de fundações e organizações que militam em diferentes causas. Já escolhi as minhas, mas agora mais do que nunca vou me envolver com as que cuidam de pacientes jovens. Não me canso de dizer que, entre pacientes de câncer, esta é a ÚNICA faixa etária que não viu NENHUM aumento na taxa de sobrevida. (Eu odeio esta palavra sobrevida!!!)
Acho que o primeiro passo deve ser tomado através da educação. Enquanto nós jovens não tivermos noção de que somos também vulneráveis a este tipo de doença e exigirmos dos nossos médicos mais exames, mais respostas, mais atenção, a situação não vai mudar. Por outro lado, é essencial que os profissionais de saúde estejam atentos e cientes de que o câncer não escolhe ninguém por idade. Se há 20 anos se diziam que câncer era doença de velho, hoje esta afirmação é mentirosa e irresponsável. Queria eu que juventude fosse garantia de saúde. Deveria ser, mas infelizmente em muitos casos não é.
Parte do meu trabalho aqui em Baltimore é educar a população de baixa renda sobre programas existentes na área de saúde, sobretudo em câncer. A nossa missão é fazer com que populações rurais e de baixa renda tenham acesso aos tratamentos e aos cuidados básicos de saúde. Semana passada fizemos dois eventos para educar a população de Maryland sobre teste clínicos e pesquisa. Apesar da desconfiança da população, às vezes estes testes podem oferecer novas opções de tratamento ou de gerenciamento da doença para o paciente. Obviamente há riscos, mas também há benefícios, então é importante que a população saiba disso para tomar uma decisão bem informada.
Para quem tiver interesse e dominar a língua inglesa, o governo americano criou uma lista de todos os teste clínicos disponíveis: www.clinicaltrials.gov
Aqui na Universidade, estamos lançando um programa específico para o Estado de Maryland www.medschool.umaryland.edu/mpact
Assim como o nosso Vice-Presidente, José Alencar, rezo para estar viva no dia em que os jornais trouxerem a manchete: “Encontrada a Cura para o Câncer” Mas enquanto este dia não chega, vou fazendo a minha parte, por menor que ela seja.
December 12, 2008
Adeus Thalita
Estou muito triste para escrever. Qualquer coisa que eu disser agora vai ser pouco diante da minha dor, da minha sensação de impotência, e da tristeza profunda que sinto neste momento.
Esta doença maldita ceifa mais uma vida cheia de promessas e castiga mais uma família. A Thalita tinha 28 anos, fazia mestrado na UniRio e hoje encerrou a sua jornada por aqui. Motivo: um velho conhecido meu - hepatocarcinoma fibrolamelar.
Ela também sempre foi 100% saudável, não tinha histórico familiar e só estava preocupada em viver a vida, terminar o mestrado, viajar o mundo e os realizar sonhos que todos os jovens acalentam. Mas infelizmente não teve tempo para isso.
Não adianta tentar fazer sentido, tentar entender como uma pessoa tão jovem, brilhante, carismática e cheia de vida pode partir assim de repente deixando um buraco enorme no coração de tanta gente. Muito difícil aceitar, mesmo para quem acredita em Deus, como eu.
A Thalita era muito especial e tinha uma espiritualidade muito desenvolvida; tinha um discernimento que poucos têm. A fé dela era enorme e tenho certeza que agora ela está em paz e já não sofre mais.
Thalita, eu queria tanto que esta história tivesse um fim diferente, querida. Queria tanto que você pudesse ter ficado aqui para me fazer companhia. Quanto egoísmo meu! A sua missão era outra.
A minha continua aqui, mas pode estar certa que vou levar um pedacinho de você no meu coração para sempre. Vou levar comigo sua serenidade, sua força e a sua fé. E vou me lembrar de você exatamente como na foto acima, linda, radiante e feliz, muito feliz.
Siga em paz, minha amiga, você deixa muita saudade.
June 3, 2008
Thalita
Se tem uma coisa que o câncer nos ensina é a humildade. A doença derruba qualquer vestígio de arrogância que pode ter existido dentro de nós.
E nesta jornada solitária conhecemos das formas mais absurdas possíveis pessoas simplesmente impressionantes.
Depois de me ver no jornal e tentar digerir um pouco a minha história que às vezes me parece surreal, "conheci" a Thalita. O "conheci" está entre aspas porque ela está no Rio e eu em Maryland, mas ficamos horas no MSN batendo papo e contando as coincidências que nos unem. A começar pela natureza e pelo tamanho do problema -- tumor no fígado, de tamanho grande. Acabamos descobrindo também que temos amigas em comum e até o Padre Sergio entra na equação louca.
Para resumir a história, a Thalita disse que a prima de um amigo dela tinha passado "meu blog para ela depois da descoberta do tumor no fígado. Acontece que a prima do Leandro, amigo da Thalita, não é ninguém menos do que a Clarice, irmã da Cristina, que é minha amiga e estava aqui na minha casa em Maryland até semana passada. Este mundo não é mesmo um ovo?
Mas além das coincidências (ou como a Thalita e a minha mãe dizem, providências), o que mais me impressionou na Thalita foi a atitude dela. Ela tem um astral maravilhoso e está tranqüila e feliz por ter descoberto a doença a tempo e ter tido tanto apoio da família e dos amigos.
Dizer isso é fácil. Sentir isso são outros quinhentos. Mas o sentimento dela é genuino. Fica muito claro que ela não fala da boca pra fora, é fácil perceber que ela sente isso. Que apesar de todos os problemas e pedras no caminho dela, seu foco é o horizonte e é lá que ela vai chegar. Isso me impressiona demais.
Como disse à Thalita, fiquei muito triste quando soube do problema dela, pois sei da gravidade dele e rezo sempre para que ninguém tenha que enfrentá-lo, pois a batalha é dura. Mas depois de falar com ela, me senti mais tranqüila. A atitude e o otimismo dela são contagiantes. Ela é inteligente e sabe do que se trata, mas ao mesmo tempo é sábia e percebe que nestas horas a serenidade é nossa maior aliada.
Desejo tudo de bom para a Thalita e já incluí o nome dela às minhas orações daqui para frente. Sempre pedi a Deus que me mostrasse um outro sobrevivente de câncer hepático, acho que já deve ter chegado a hora.
O engraçado é que quando recebi o email da Thalita, queria logo entrar em contato com ela para "encorajá-la", mas depois de falar com ela, percebi que quem tinha saído daquela conversa encorajada tinha sido eu.
E nesta jornada solitária conhecemos das formas mais absurdas possíveis pessoas simplesmente impressionantes.
Depois de me ver no jornal e tentar digerir um pouco a minha história que às vezes me parece surreal, "conheci" a Thalita. O "conheci" está entre aspas porque ela está no Rio e eu em Maryland, mas ficamos horas no MSN batendo papo e contando as coincidências que nos unem. A começar pela natureza e pelo tamanho do problema -- tumor no fígado, de tamanho grande. Acabamos descobrindo também que temos amigas em comum e até o Padre Sergio entra na equação louca.
Para resumir a história, a Thalita disse que a prima de um amigo dela tinha passado "meu blog para ela depois da descoberta do tumor no fígado. Acontece que a prima do Leandro, amigo da Thalita, não é ninguém menos do que a Clarice, irmã da Cristina, que é minha amiga e estava aqui na minha casa em Maryland até semana passada. Este mundo não é mesmo um ovo?
Mas além das coincidências (ou como a Thalita e a minha mãe dizem, providências), o que mais me impressionou na Thalita foi a atitude dela. Ela tem um astral maravilhoso e está tranqüila e feliz por ter descoberto a doença a tempo e ter tido tanto apoio da família e dos amigos.
Dizer isso é fácil. Sentir isso são outros quinhentos. Mas o sentimento dela é genuino. Fica muito claro que ela não fala da boca pra fora, é fácil perceber que ela sente isso. Que apesar de todos os problemas e pedras no caminho dela, seu foco é o horizonte e é lá que ela vai chegar. Isso me impressiona demais.
Como disse à Thalita, fiquei muito triste quando soube do problema dela, pois sei da gravidade dele e rezo sempre para que ninguém tenha que enfrentá-lo, pois a batalha é dura. Mas depois de falar com ela, me senti mais tranqüila. A atitude e o otimismo dela são contagiantes. Ela é inteligente e sabe do que se trata, mas ao mesmo tempo é sábia e percebe que nestas horas a serenidade é nossa maior aliada.
Desejo tudo de bom para a Thalita e já incluí o nome dela às minhas orações daqui para frente. Sempre pedi a Deus que me mostrasse um outro sobrevivente de câncer hepático, acho que já deve ter chegado a hora.
O engraçado é que quando recebi o email da Thalita, queria logo entrar em contato com ela para "encorajá-la", mas depois de falar com ela, percebi que quem tinha saído daquela conversa encorajada tinha sido eu.
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