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August 1, 2009

Do Luxo ao Lixo






Voltando à minha temporada no Rio, além de ficar com as minhas sobrinhas, tive uma outra tarefa para organizar. Uma grande amiga vai casar em setembro e, como infelizmente não tenho uma conta bancária do Bill Gates nem dias infinitos de férias, não vou poder comparecer à festança (estou arrasada!). Então o mínimo que eu poderia fazer nos meus 10 dias de Rio era dar uma força pra ela nos preparativos (fomos ao florista, ajuste de vestido, loja de sapatos), era ajudar o resto das nossas amigas a fazer uma despedida de solteira bem bacana pra ela. Obviamente ela teve que concordar em fazer a despedida seis semanas antes do casamento, mas pela farra, acho que valeu.

Como a festa era para ela, deixamos que ela escolhesse o restaurante onde jantaríamos. Dentre várias opções, ela escolheu o Gero. Para evitar qualquer problema, fomos até lá e conversamos com o maître uns dias antes. Nem adiantou muita coisa porque no dia, no final das contas acabamos sendo um pouco "limitadas" nas brincadeiras, mas tudo bem. Pelas fotos dá pra ver que a Michelle realmente ganhou um anel de noivado à sua altura: us 100 quilates de puro plástico que piscava em cores de neon! Ela adorou! Para completar o visual, também foi presenteada com uma tiara pisca-pisca e um baralho que ditava as tarefas que ela tinha que realizar. Para minha surpresa, ela levou numa ótima. Eu não teria tido coragem de executar nenhuma!

Saindo do Gero, foi a parte mais divertida e uma grande surpresa para ela, que recebeu a order de usar uma saia de noiva e sair vendendo balas em plena night de Ipanema! Detalhe: ela mora lá! Mas nem isto a deixou desanimada. Muito pelo contrário, marketeira do jeito que é, encarou a tarefa como um desafio e saiu a gritar pela Visconde de Pirajá "Bala americana, duas por R$1!" Inacreditável! Os personagens encontrados no meio do caminho iam de hermanos Argentinos en vacaciones, estagiário da empresa dela e até vendedores de bala na porta das boates temendo pela concorrência!

O saldo foi muito positivo e no final ela arrecadou o suficiente para todos os nossos taxis! Pois é, de Ipanema rumamos para a Help -- trono trash do Rio. Confesso que tentamos dissuadi-la da ideia, depois de ouvirmos reaçõesde taxistas e de qualquer ser humano que ficasse sabendo do nosso plano. Mas de nada adiantou, ela sempre quis saber o que tinha lá dentro e aquela noite era dela.

Pagamos para entrar, mass antes negociamos a entrada dela de graça e prendemos a respiração com medo do que nos aguardava. Chegamos a temer até pela nossa segurança. Mas ao entrar lá, fora a frequência (já esperada), o ambiente era muito tranquilo. Não fomos importunadas uma vez sequer. Acho que o grande segredo é que lá os homens não chegam nas mulheres, mas elas tomam a iniciativa (procurando clientela), sendo assim, ninguém foi falar com a gente.

A cafonice é de doer os olhos, mas fora isto, nada demais. Depois de algum tempo já estavamos cansadas (as músicas não são lá estas coisas) e resolvemos sentar. De repente vejo a Lenina falar alguma coisa, puxar a Michelle e as duas saem correndo! Peraí! O que está acontecendo? Na correria escuto a Lenina dizer que tinha visto um ator francês e que ia lá falar com ele. Ao chegar lá, vejo Lenina e Michelle num bate-papo com dois caras, em português. Viajaram, pensei eu, ator francês falando português sem sotaque! Mas quem estava engana era eu! O cara era uma simpatia mesmo e falava português superbem. Em vez de ser estrela e dizer que não era ele ou coisa e tal, ficou lá batendo papo com a gente. O cara, que na verdade se chama Vincent Cassel, foi tão gente boa, que por um instante a Michelle esqueceu onde estava e pediu pra tirar uma foto com ele. Imagina que lembrança de despedida de solteira dela?! Mas ele, que já é praticamente carioca, riu meio de lado e disse "Aqui não dá!" E a gente prontamente entendeu. Como ele, que é casado com uma das mulheres mais belas do mundo, a atriz italiana Monica Bellucci, vai explicar que foi fazer uma night na Help?

Bom, mas isto é problema dele, pois pra nós a night foi mais que divertida e bem inocente, então ninguém teve que dar satisfação em casa!

June 7, 2009

Visita da Cris


O mais legal de morar em casa é o espaço para receber os amigos. Nada de gente dormindo na sala, colchonete e fila no banheiro de manhã cedo. Nestas horas me convenço que a vida nos burbs tem suas vantagens.

A Cris veio para um seminário em Washington e deu um jeito de passar uma noite aqui com a gente. Demos a maior sorte, pois depois caiu uma chuva da pesada, mas já tínhamos chegado e feito o tour no condomínio.

Esta é a foto que vai para o nosso "Hall of Fame".

March 20, 2008

Por que escrevo?

Hoje recebi não um, mas dois emails que me emocionaram demais. Estou eu aqui, mais uma vez segurando as lágrimas na frente deste computador. Este blog tem sido uma bênção na minha vida, pois parece que as pessoas mais bacanas e mais sensíveis acabam passando por aqui e me deixando mensagens lindíssimas. Eu, que depois da doença me tornei a maior manteiga derretida do mundo, volta e meia vou às lágrimas com as mensagens de carinho que recebo. Choro mesmo. Choro muito. Choro copiosamente. Choro de alegria. Choro de tristeza. Choro nem sem o porquê.

Nestas horas é que me cai a ficha e realmente entendo o motivo pelo qual escrevo. Se no início meu único objetivo era colocar para fora todas as emoções que estavam em ebulição na minha cabeça, na esperança de evitar a loucura, hoje escrevo para me conectar com um mundo maravilhoso que está ali fora e que eu jamais pensei que existisse. Graças a este blog já fiz tantas amizades legais e até estreitei laços que já existiam no mundo real mas que ficaram muito mais sólidos no mundo virtual.

Esta energia é uma coisa absurda e é dela que me alimento. Um dos grandes desafios ao me mudar para cá foi justamente o isolamento dos subúrbios americanos, a falta deste contato mais íntimo com as pessoas, a falta de calor humano. Nunca pensei que pudesse sentir isso através de uma máquina. Esta tecnologia que às vezes é tão fria e impessoal, ao mesmo tempo nos desperta sentimentos tão humanos e nos faz sentir tão próximos uns dos outros, apesar das imensas distâncias. Passo grande parte do meu tempo de frente para esta máquina que me traz tanta coisa boa, tanta informação, tantos amigos e – é verdade! – até o marido!!!

Sempre adorei escrever e muita gente me dizia que eu levava jeito para a coisa. Acho que foi acreditando nestas pessoas e seguindo a minha paixão que muito cedo decidi ser jornalista. Pensei em ser escritora, mas a idéia de expor meus sentimentos me deixava meio desconfortável, então a idéia de ser jornalista era perfeita, pois como jornalista a gente escreve mas nunca se expõe, pois as matérias têm que ser acima de tudo imparciais. Parecia o ideal para mim.

Ledo engano. Um de muitos. Depois de alguns anos, vi que o jornalismo também não era a minha praia. Não gosto de sensacionalismo e o bom jornalismo tem cada vez menos importância hoje em dia. Então fui ajustando meus planos e passei a escrever corporativamente: relatórios, palestras, discursos, briefings, etc. Tornei-me uma ghostwriter, sumi completamente na minha escrita, nem nos créditos meu nome aparecia mais, mas eu continuava escrevendo e isso já me bastava.

Mas na minha vida de montanha-russa tudo muda rapidamente. Mudei de casa, mudei de país, mudei de vida, mudei de rumo. Se eu já não precisava escrever para viver no sentido figurativo da palavra, continuava precisando escrever para me manter viva, no sentido mais real da expressão. Foi através da minha escrita que consegui expurgar a dor imensa que me devorava por dentro. Foi através dos meus posts diários que consegui entender o que se passava na minha cabeça e no meu coração. Colocando tudo por escrito, documentado, para que as palavras e as sensações não ficassem perdidas no tempo.

A experiência que tenho vivido nos últimos anos é muito rica e muito real, mas com o passar do tempo, ela fica meio desbotada, menos nítida e esta foi uma das razões pelas quais quis escrever este blog: para que daqui a algum tempo, quando toda esta tormenta tiver passado, eu possa olhar para trás e perceber que tudo tem um fim e o sofrimento não é diferente. Mas também não quero me esquecer de nenhuma lição aprendida ao longo do caminho, pois cada um dos meus tombos se tornou aprendizado. Também não quero me esquecer das pessoas maravilhosas que cruzaram o meu caminho e do quanto me fizeram feliz.

Se no início meu desejo era que outros pacientes de câncer acompanhassem a minha história e pudessem perceber que mesmo depois de uma notícia terrível a vida continua e que vale muito a pena lutar por ela, hoje fico extremamente emocionada quando percebo que a minha história consegue tocar tantas outras pessoas que sequer tiveram contato com o câncer. Então percebo que consegui atingir meu maior objetivo que sempre foi não deixar a doença definir quem eu sou.


PS: Este blog é especial para Alana, Carol e Paula. Muito, muito, muito obrigada... vocês sabem bem o motivo.

February 28, 2008

Tentando entender o sentido...

Esta é uma das coisas que a gente mais faz quando do nada é abatido por uma tempestade em pleno vôo. Sim, quando só estava preocupada em viver a minha vida, um dia de cada vez, e de repente chego à dura conclusão de que o dia de amanhã não é tão certo assim. Parece coisa de filme, mas não é. De uma hora para outra muda tudo e não há outra saída a não ser seguir em frente. Até gostaria de ter outras opções para escolher, mas a verdade é bem diferente.

Depois de ouvir um diagnóstico assustador, tudo que queria fazer era ir dormir e rezar para que tudo não tenha passado de um pesadelo terrível. Mas quando acordei no dia seguinte e tudo estava no mesmo lugar, inclusive o bandido parasita que teimava em se alojar na minha barriga, bateu um desânimo terrível, mas ao mesmo tempo uma grande vontade de mudar o meu próprio destino.

E foi justo aí que pensei em Deus. Onde ele está numa hora destas? Será que ele está vendo todo o meu sofrimento? Será que ele não vai se compadecer? Logo eu, que tenho feito tudo que ele mandou, por que este castigo? Por que outra vez? Como faço para sair daqui? Será que vou conseguir sair daqui? São tantas perguntas, tantos questionamentos.

É verdade que nos últimos cinco anos fiquei muito mais próxima de Deus e de mim mesma. Nos piores momentos da minha vida, às vezes sentia uma paz inexplicável, uma mão carinhosa que me indicava o caminho a seguir e no meio do meu desespero sentia uma energia que me trazia de volta a tranquilidade. Sempre entendi que só poderia ser a presença de Deus. Durante aqueles últimos dias de 2007 e no início deste ano, estava tão perdida que sequer sabia o que pedir a Deus, então só implorava que ele aumentasse a minha fé e me desse coragem: aumentasse a minha fé que por vezes estava claudicante, e me desse coragem para enfrentar o meu destino, que me parecia assustandor. E ele me ouviu, mais uma vez. Passei pela prova de fogo e aqui estou contando a história.

Li os comentários anteriores da Fê França e da Andréa, amigas virtuais que estão sempre me dando injeções de ânimo e me fazendo seguir em frente, e fiquei pensando no que foi dito. Tenho uma fé ENORME em Deus e acho que estamos todos aqui na Terra não para sofrer, mas para aprender. Às vezes penso que tenho mais que aprender do que muita gente...Mas c'ést la vie.

A minha fé em Deus é inabalável, mas, por incrível que pareça, às vezes a fé das pessoas me incomoda, pois as deixa inertes. Óbvio que eu acredito em milagres divinos que acontecem todo o dia. Eu sou um deles! Mas acho que Deus deve ficar muito chateado de ter que fazer todo o trabalho sozinho. Se foi ele mesmo que nos deu o livre arbítrio, temos que usá-lo. Vamos rezar sim, mas vamos encarar a doença de frente! Vamos ter muita fé, mas também procurar os melhores médicos e tratamentos que possam prolongar nossa vida. Vamos orar contritos, mas também nos tornar senhores do nosso destino, pesquisando a doença, as alternativas e questionando os médicos. Sim, Deus é o regente, mas nós somos a orquestra e temos que fazer nosso trabalho! Sempre fui inconformada, e com tudo que tenho passado tenho mudado um pouco meus conceitos, mas uma coisa permanece a mesma -- sempre fui de arregaçar as mangas e por as mãos à obra, e numa situação destas não haveria de ser diferente. Aceito, mas custo a me conformar. Aceito a gravidade da doença, mas não me conformo com a sentença de morte. Não vou me conformar nunca. E graças a Deus existem outros inconformados por aí. Inconformados que buscam a cura do câncer, da aids e de tantas outras pestes do mundo moderno. Agradeço a Deus toda noite por estes espíritos inquietos.

Quando a Carla, minha amiga e companheira de batalha e ex-colega de trabalho, foi me visitar em casa depois da cirurgia, ela me disse que entendia a doença como um ritual de purificação. (Engraçado é que outra amiga messiânica tinha me dito a mesma coisa, que a doença servia para expurgar o que há de ruim em nós). Não é muito fácil encarar uma doença destas, aliás doença nenhuma, como algo positivo, ainda mais quando se está no meio da luta. Mas sempre encarei a minha experiência como aprendizado, pois descobri muitas coisas sobre mim que provavelmente ficariam esquecidas ou enterradas nas profundezas da minha alma se eu tivesse sido contemplada com uma vida mais ordinária. Então talvez o bandido (não quero mais falar em tumor, ficou chato!) tenha sido, como se diz aqui, "a blessing in disguise." Mas agora já chega, estou confiante que posso completar o resto da lição sozinha!

February 25, 2008

Matron of Honour


Enfim chegou o dia do casamento da Michele. Um dia que se transformou num marco para mim, pois como lembrou o Blake, assim que recebi o diagnóstico bombástico em dezembro, a primeira pergunta que fiz ao médico foi: "Vou estar boa para ir a um casamento em Nova York no dia 23 de fevereiro?" Não perguntei dos riscos da cirurgia, do prognóstico, do preparatório...nada! Só queria saber se poderia estar fabulosa dentro do meu vestido uva indefectível. E a resposta veio este fim de semana.

Esta foi a meta que tive comigo este tempo todo: ao entrar na sala de cirurgia, a passar meus dias no CTI e no hospital. Para fugir da minha realidade, que por vezes pode ser bastante dura, me fixo em pontos no futuro, ocasiões esteticamente bonitas que me tragam prazer. Foi assim em 2002 com o Natal e foi assim em 2008 com o casamento da Michele. Afinal de contas eu comecei a história dela e do Max, então nada mais justo que eu terminasse também! Terminasse no bom sentido, é óbvio, nada como um belo casamento para trazer o final feliz que todos esperamos.

Para quem não está acostumado,a matron ou maid of honour é uma figura muito importante nos casamentos americanos. Nos EUA, não existem os pares de padrinhos de casamento. O noivo escolhe o best man e os groomsmen e a noiva a matron/maid of honour e as bridesmaids. A maid, se for solteira, ou matron, se for casada, of honour é quem abre o cortejo e ajuda a noiva com todos os detalhes do casamento. Fica ao lado dela durante a cerimônia, arruma o véu na igreja e segura o bouquet na hora da troca das alianças.

Confesso que fiquei muito honrada com o convite, afinal coroaria a minha carreira de matchmaker ou cupido profissional, mas como boa brasileira que sou, não fazia idéia da importância do papel. Pois é, sábado para mim parecia uma noite do Oscar! Foi o climax de uma semana maravilhosa. A minha temporada no hospital e a minha peregrinação por consutórios médicos e laboratórios me pareceram tão distantes. Parecia coisa de outras vidas...

Adoro casamento, para mim não há ocasião mais linda e foi justo por isso que me prendi tanto a esta data, mas nem nos meus sonhos mais otimistas pensei que fosse estar lá em perfeita saúde, como se nada tivesse acontecido. Me senti tão bem ao ver a noiva linda e clássica, o noivo nervoso, os pais muito felizes e os amigos prontos para festejar. Foi engraçado ver tudo de um outro ângulo, um ângulo bem próximo, pois a Michele é como se fosse uma irmã para mim, mas ainda assim eu não era a noiva. O que por um lado é ótimo, pois a gente aproveita ao máximo sem ter tanto stress.

A saída das bridesmaids do Waldorf=Astoria não poderia ter sido mais Sex and the City. Fazia um frio desesperador, a neve da véspera ainda estava pelas ruas e nós não conseguíamos achar a nossa limousine. Os vestidos longos se arrastando nas calçadas sujas de Manhattan, o vento, que não dava trégua, cortava nossas costas quase nuas, as mãos ocupadas por lindos bouquets (sim, aqui as bridesmaids usam bouquets!), bolsas, estolas, etc... e o carro que não chegava. Verdadeiro caos. Não pensamos duas vezes, fizemos sinal e entramos num taxi, sim, num famoso yellow cab de Nova York, que ainda por cima estava cheio d'água no chão... Fomos correndo para a igreja. Atrás do nosso simpático e imundo taxi, o carro da noiva, um Rolls Royce branco cuja buzina era, acreditem se quiser, a Marcha Nupcial!!!! Ainda bem que as câmeras estavam lá e não me deixam mentir.

A chegada na igreja foi um pouco tumultuada, mas em pouco tempo já estávamos lá prontos para entrar. E advinhem quem abriu o cortejo? Sim, euzinha que vos fala! Pois aqui nos EUA, os groomsmen entram pela lateral, assim como o celebrante e o noivo. As mães dos noivos entram antes e sentam-se nas primeiras filas e só depois entra a wedding party, ou seja, a matron of honour, as bridesmaids, as crianças, a noiva e o pai.

Então lá entrei eu: sorridente e triunfante no meu vestido uva, que depois do da noiva foi o mais comentado da festa! Sério!!! Sei que estou meio over hoje, mas deve ser de felicidade, pois fazia tempo que não via tanta gente querida numa ocasião tão feliz. Como entrei sozinha e de bouquet na mão, foi como se fosse uma reprise do meu casório, 11 meses depois! Fiz minha entrada e depois fiquei lá quietinha no altar vendo o resto do pessoal chegar.

A porta se fecha de novo, há um silêncio solene e eis que avisto a noiva: linda, sorridente e muito elegante... Elegante demais, cheia de charme, parece que está na passarela. Então me vem a cabeça que algo está faltando... Penso e em alguns segundos, me chega a realização de que a noiva está entrando sem bouquet!!!! Como assim se eu dei o bouquet para ela antes de sairmos da sacristia?! Pois é...foi exatamente lá que achei o lindo arranjo de flores...depois do casamento!

A cerimônia foi simples e bonita, bem ao estilo dos noivos. Sou fã de casamento na Igreja, acho que fica muito mais especial. O sermão foi bem moderno e até eu fui mencionada!!! Afinal quer história melhor do que encontrar um carinha numa boate no Rio e organizar um blind date com a sua melhor amiga em Nova York que termina em casamento?!

A festa foi muito legal, os discursos engraçados e bonitos. O Max me agradeceu mais uma vez por ter propiciado o encontro que mudou a vida dele. (Não falei que foi minha noite de Oscar?!) Hoje vou mandar um email para eles, pois tenho muito que agradecer também. Esta semaninha em Nova York me renovou os ânimos e tantos discursos e agradecimentos deixaram meu ego mais que inflado.

Que a Michele e o Max sejam muito felizes e que esta felicidade comece agora na lua de mel na Tailândia!

Ah, hoje estou me sentindo a própria fada madrinha...

February 3, 2008

Mais Surpresas

Ontem fui dar uma olhada na caixinha do correio aqui do prédio. Como não moro mais aqui, meus pais normalmente abrem a caixinha de vez em quando só para pegar uma conta ou outra, mas como estou aqui este tempo, ontem resolvi olhar.

Achei um envelope cujo destinatário era "Dani Baron". Imediatamente vi que não podia ser de nenhum dos meus amigos aqui que por força do hábito só me chamam de "Dani Duran". O carimbo do correio não deixou dúvida: "Baltimore, MD" Abri o cartão lindo que dizia "Wishing you well again" e não reconheci a assinatura: "Bob Balassone". Quem seria esta pessoa tão gentil cujo nome eu sequer havia reconhecido.

E conversando com o Blake, lembrei-me que uma única vez encontrei alguns colegas de trabalho dele para um almoço. Bob era de um deles! Inacreditável que alguém que só tinha me visto uma vez se importava comigo o bastante para descobrir meu endereço aqui no Brasil e me mandar um cartão e "get well wishes." Quando eu digo que tem muita gente boa neste mundo....

É por estas e outras que continuo otimista. Enquanto houver gente bacana e solidária por aí, vou lutando para ficar aqui e fico feliz feliz.

E por falar em felicidade, hoje por acaso achei o laudo da biópsia da primeira cirurgia e confirmei a informação de que havia dois tumores em 2002: um pequeno, de cerca de 2 cm de diâmetro e outro imenso de 18 cm. O pequeno era mesmo adenoma (tumor benigno) e o maior era hepatocarcinoma (câncer). A boa notícia, que confirma o que o Dr. Joaquim vem dizendo, é que o tumor menor e portanto benigno foi retirado a 0,01 mm da linha de resecção, ou seja, muito próximo do corte, sendo assim é muito provável que alguma parte (minúscula) dele tenha ficado e crescido nestes últimos cinco anos e se transformado neste tumor de 7 cm que acabei de retirar.

Vou juntar estes laudo ao resto da documentação e mostrar aos médicos em Hopkins. Acho que se trata de uma informação importante...e que pode jogar muito a meu favor. Como diz a Claudia, vou manter os dedinhos cruzados mais do que nunca.

January 27, 2008

Decisões

Hoje li a entrevista da Letícia Sabatella no Globo. Lá pelo meio da matéria, ela falava do nascimento da filha Clara, há quinze anos. Para quem não lembra, a menina nasceu prematura e muito frágil e passou uns três meses na UTI neo-natal. Na época o nascimento foi amplamente noticiado porque a Letícia tinha acabado de fazer a novela O Dono do Mundo e todos tinham se apaixonado por aquela atriz novata e linda.

Ela disse que passou os primeiros dias junto à filha e escondida na UTI. Saía disfarçada parar não ser vista pela imprensa, mas depois que o fato veio à tona, resolveu abrir o jogo de vez e fez até coletiva. Para a surpresa dela, que no início não queria que ninguém soubesse do fato, a reação das pessoas foi incrível: demonstrações de carinho e afeto por todos os cantos.

Esta mesma decisão também pairou sobre mim, duas vezes. Em 2002, era tudo muito assustador e as notícias mudavam com uma velocidade absurda e geralmente iam de mal a pior. Ao mesmo tempo que tínhamos que processar tudo, nos víamos às voltas com perguntas de amigos e familiares que queriam saber exatamente o que acontecia comigo. Como responder a tantas perguntas se nem eu mesma sabia o que se passava? Obviamente a maioria das pessoas se importava comigo de verdade, mas uns poucos eram só mensageiros do Apocalipse que a cada chance decretavam minha morte. Como me proteger daquilo? Como separar o joio do trigo?

Meus pais mal podiam pronunciar o nome da doença, quanto mais falar sobre ela com outras pessoas. No fundo deviam achar que se fingissem que a doença não existia, mais cedo ou mais tarde ela me deixaria em paz. Eu, ao contrário, achava que se não conhecesse a fundo o inimigo não poderia vencê-lo, então fazia muita questão de chamá-lo pelo nome, como se fôssemos velhos conhecidos. Achava que só conhecendo a fundo meu inimigo teria chance contra ele e me fortaleceria para enfrentar comentários maldosos.

Depois de encontrar coragem para enfrentar meu inimigo, consegui falar sobre ele e decidi contar a minha história a todos que tivessem interesse. Não queria me transformar na chata panfletária, mas não julgava certo varrer toda aquela experiência para baixo do tapete.

Foi um alívio imenso quando enfim pude entender o que me acontecia e falar abertamente sobre um assunto tão angustiante. Mas o melhor de tudo foi poder receber. Logo eu, que não consigo receber nada naturalmente, que tenho uma imensa dificuldade em ficar num lugar "passivo"... Mas a experiência foi maravilhosa. Perceber que você é importante para outras pessoas é uma descoberta e tanto. Saber que muita gente que você ama retribui este afeto na mesma intensidade e descobrir que há pessoas que você nem conhece e que se importam com você... é uma sensação indescritível!

Foi por isso que desta vez, logo que soube do tumor, não tive dúvidas: disparei um email (em inglês e português! ) para todos os meus amigos explicando tintim por tintim tudo que tinha acontecido e pedindo muito para que todos torcessem por mim. E mais uma vez fui inundada por demonstrações e mensagens de carinho e apoio vindas de todos os lugares. Uma corrente ainda maior e mais forte! Eu, que acredito mais que tudo no poder da fé, da oração e do pensamento positivo, não tenho dúvidas que acertei em cheio quando em vez de me fechar com os meus problemas, me abri para o mundo e para as pessoas que sempre torceram por mim. A temporada relâmpago no hospital e a recuperação fantástica não me deixam mentir.

January 23, 2008

Visita de Amigas

Hoje tive duas visitas especiais; duas amigas das quais já falei aqui no blog. O mais engraçado é que nos unimos por um motivo muito SuiGeneris: nós todas já tivemos câncer e mais ou menos na mesma época.

Em 2002 eu trabalhava num escritório de propriedade intelectual onde a incidência de câncer por algum estranho motivo era muito alta. E por incrível que possa parecer, praticamente todos ali tinham histórias de vitória.

Entre uma visita e outra à gerente de Recursos Humanos, fiquei sabendo que eu não era a única com aquele problema. A própria gerente, D. Marli, tinha vencido um câncer de mama havia alguns anos e de lá para cá tinha visto tantos outros casos. Ela me falou da Lucianne, que tinha vencido um linfoma uns anos antes, e da Carla, que tinha descoberto um nódulo na mama mais ou menos na mesma época que eu lutava contra o meu câncer no fígado.

Conhecia as duas de vista, pois a empresa era grande e nós trabalhávamos em departamentos diferentes, mas depois de saber da história delas era como se já as conhecesse há séculos, afinal tínhamos muito em comum. Elas e eu tínhamos o que todo o sobrevivente de câncer tem: uma vontade imensa de viver e a certeza de que tudo é incerto. E uma experiência destas aproxima muito as pessoas que já passaram por ela. Elas também tinham ficado com o papel principal na tragédia grega.

Mas é justo nesta hora que entra o talento para transformar a tragédia em epopéia ou às vezes até em comédia. E isso elas têm de sobra.

A visita de hoje foi ótima. Falamos de amenidades, mas também conversamos sobre os períodos difíceis que atravessamos. Falamos de coragem, mas também falamos de medo. De força e de fragilidade, mas acima de tudo falamos sobre o laço que nos une. Quem diria que de uma doença tão horrível pudesse surgir algo tão forte e duradouro? Bem que dizem que na vida tudo tem seu lado positivo... Esta amizade sincera e enriquecedora foi uma das heranças que a doença me deixou. Quer maior prova do que isso?

January 10, 2008

Meus heróis e amigos -- conhecidos ou não

Acabei de receber a lista do banco de sangue e fiquei muito emocionada ao perceber que em pouquíssimo tempo 23 pessoas se dispuseram a atender a um pedido tão especial.


Na lista, alguns nomes bem conhecidos, que já deveriam estar até cadastrados lá desde a última cirurgia. Outros nomes eram familiares, amigos de amigos, parentes de amigos, mas que agora têm lugar cativo no meu coração e no da minha família. E na mesma lista ainda há nomes completamente desconhecidos, meus heróis completamente anônimos, gente que nunca me viu nem conhece a minha história mas que mesmo assim se dispôs a doar o que tinha de mais precioso (o sangue bom que corre em suas veias!) para uma ilustre desconhecida.

A parte frustrante é que talvez eu jamais possa agradecer ou retribuir este ato de amor tão sublime, mas como acredito num Deus maior, tenho certeza que Ele vai se encarregar disto.


Resolvi divulgar a tal lista na esperança de que talvez meu carinho chegue até eles. Aproveito para desejar tudo de melhor para cada um de vocês. Sei que é o maior clichê do mundo, mas só posso pedir a Deus para que ele multiplique as bênçãos sobre vocês e suas famílias.

Aqui vão os nomes que passam a constar na minhas orações diárias junto ao de tantas outras pessoas mais que especiais:



Wagner de Souza Aguiar

Sara Fontenelle Pereira

Marcos André Costa Gaspar

Vinicius Araújo Pimenta

Priscila Monteiro Fernandes Passos

Cristiane Petrosemolo Cola

Amauri Pereira Passos

Silvia Santos Rios de Mello

Severina Ramos de Oliveira Lima

Luiz Carlos Brito Souza

Edimilson Soares Feitosa

Alex de Ribamar Rodrigues Cordeiro

Aristides de Oliveira Ribeiro

Jarbas Candido Neto

Andre Silva de Aguiar

Joao Carlos Marques Maia

Marcelo Nunes Batista

Tarcisio Marcos Andrade Caminha Barros Junior

Luciana Avanci Pereira

Antonio Carlos de Miranda

Jaqueline Carvalho de Araujo

Marcos Santana Bahia

Daniela Mirella Mendoza Espejo


Agradeço também a todos aqueles que vem orando e torcendo por mim e digo que é a força da fé destas pessoas que tem me mantido de pé e a cada dia melhor.

Agora a cicatriz já começa a incomodar um pouquinho, então vou me recolher, mas amanhã volto para fazer mais reflexões sobre o meu breve tempo no cativeiro.