Saí do Rio ontem à noite, depois de visitar minha avó no hospital. Não foi o quadro que eu havia imaginado, pois queria muito ter saído de lá depois de vê-la no quarto, já fora de perigo. Mas infelizmente não foi possível.
Foi difícil sair de lá e deixá-la no mesmo CTI escuro e frio, mas ao mesmo tempo saí de lá em paz, pois algo me diz que ela vai ficar bem. Diante de cada obstáculo, por mais árduo que seja, ela demonstra força e coragem, sem nunca desanimar. Quando não está sob efeito de sedação dá demonstrações de que sua mente está como sempre esteve, 100%. Pede massagem na perna, reclama de sede e pergunta pela Chiara. Outro dia perguntei se ela estava me confundindo com a minha irmã, ela fez uma cara muito feia, como quem dissesse "sua pirralha, com quem você acha que está falando? Não sou nenhuma velha gagá!" Aliás, ela odeia que a chamem de velhinha...
Acabo de falar com a minha mãe e saber que a minha avó foi levada ao prédio ao lado para fazer uma tomografia computadorizada, pois está se queixando de dores no abdomem. Deus queira que não seja nada. Procuro manter a calma, mas os nervos realmente ficam à flor da pele.
Continuo as minhas orações e sei que muitos amigos por todos os cantos já nos incluíram em suas orações diárias. Peço que continuem, e se possível, que se unam a nossa corrente que acontece todos dos dias às 22h, horário do Brasil. Pedimos pela recuperação da minha avó e de seus companheiros de UTI e pela saúde dos que precisam.
A minha fé como sempre se mantém inabalável e acredito mais que nunca no poder da oração e do pensamento positivo. Sei que dentro em breve minha avozinha vai sair de lá.
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October 6, 2008
January 27, 2008
Decisões
Hoje li a entrevista da Letícia Sabatella no Globo. Lá pelo meio da matéria, ela falava do nascimento da filha Clara, há quinze anos. Para quem não lembra, a menina nasceu prematura e muito frágil e passou uns três meses na UTI neo-natal. Na época o nascimento foi amplamente noticiado porque a Letícia tinha acabado de fazer a novela O Dono do Mundo e todos tinham se apaixonado por aquela atriz novata e linda.
Ela disse que passou os primeiros dias junto à filha e escondida na UTI. Saía disfarçada parar não ser vista pela imprensa, mas depois que o fato veio à tona, resolveu abrir o jogo de vez e fez até coletiva. Para a surpresa dela, que no início não queria que ninguém soubesse do fato, a reação das pessoas foi incrível: demonstrações de carinho e afeto por todos os cantos.
Esta mesma decisão também pairou sobre mim, duas vezes. Em 2002, era tudo muito assustador e as notícias mudavam com uma velocidade absurda e geralmente iam de mal a pior. Ao mesmo tempo que tínhamos que processar tudo, nos víamos às voltas com perguntas de amigos e familiares que queriam saber exatamente o que acontecia comigo. Como responder a tantas perguntas se nem eu mesma sabia o que se passava? Obviamente a maioria das pessoas se importava comigo de verdade, mas uns poucos eram só mensageiros do Apocalipse que a cada chance decretavam minha morte. Como me proteger daquilo? Como separar o joio do trigo?
Meus pais mal podiam pronunciar o nome da doença, quanto mais falar sobre ela com outras pessoas. No fundo deviam achar que se fingissem que a doença não existia, mais cedo ou mais tarde ela me deixaria em paz. Eu, ao contrário, achava que se não conhecesse a fundo o inimigo não poderia vencê-lo, então fazia muita questão de chamá-lo pelo nome, como se fôssemos velhos conhecidos. Achava que só conhecendo a fundo meu inimigo teria chance contra ele e me fortaleceria para enfrentar comentários maldosos.
Depois de encontrar coragem para enfrentar meu inimigo, consegui falar sobre ele e decidi contar a minha história a todos que tivessem interesse. Não queria me transformar na chata panfletária, mas não julgava certo varrer toda aquela experiência para baixo do tapete.
Foi um alívio imenso quando enfim pude entender o que me acontecia e falar abertamente sobre um assunto tão angustiante. Mas o melhor de tudo foi poder receber. Logo eu, que não consigo receber nada naturalmente, que tenho uma imensa dificuldade em ficar num lugar "passivo"... Mas a experiência foi maravilhosa. Perceber que você é importante para outras pessoas é uma descoberta e tanto. Saber que muita gente que você ama retribui este afeto na mesma intensidade e descobrir que há pessoas que você nem conhece e que se importam com você... é uma sensação indescritível!
Foi por isso que desta vez, logo que soube do tumor, não tive dúvidas: disparei um email (em inglês e português! ) para todos os meus amigos explicando tintim por tintim tudo que tinha acontecido e pedindo muito para que todos torcessem por mim. E mais uma vez fui inundada por demonstrações e mensagens de carinho e apoio vindas de todos os lugares. Uma corrente ainda maior e mais forte! Eu, que acredito mais que tudo no poder da fé, da oração e do pensamento positivo, não tenho dúvidas que acertei em cheio quando em vez de me fechar com os meus problemas, me abri para o mundo e para as pessoas que sempre torceram por mim. A temporada relâmpago no hospital e a recuperação fantástica não me deixam mentir.
Ela disse que passou os primeiros dias junto à filha e escondida na UTI. Saía disfarçada parar não ser vista pela imprensa, mas depois que o fato veio à tona, resolveu abrir o jogo de vez e fez até coletiva. Para a surpresa dela, que no início não queria que ninguém soubesse do fato, a reação das pessoas foi incrível: demonstrações de carinho e afeto por todos os cantos.
Esta mesma decisão também pairou sobre mim, duas vezes. Em 2002, era tudo muito assustador e as notícias mudavam com uma velocidade absurda e geralmente iam de mal a pior. Ao mesmo tempo que tínhamos que processar tudo, nos víamos às voltas com perguntas de amigos e familiares que queriam saber exatamente o que acontecia comigo. Como responder a tantas perguntas se nem eu mesma sabia o que se passava? Obviamente a maioria das pessoas se importava comigo de verdade, mas uns poucos eram só mensageiros do Apocalipse que a cada chance decretavam minha morte. Como me proteger daquilo? Como separar o joio do trigo?
Meus pais mal podiam pronunciar o nome da doença, quanto mais falar sobre ela com outras pessoas. No fundo deviam achar que se fingissem que a doença não existia, mais cedo ou mais tarde ela me deixaria em paz. Eu, ao contrário, achava que se não conhecesse a fundo o inimigo não poderia vencê-lo, então fazia muita questão de chamá-lo pelo nome, como se fôssemos velhos conhecidos. Achava que só conhecendo a fundo meu inimigo teria chance contra ele e me fortaleceria para enfrentar comentários maldosos.
Depois de encontrar coragem para enfrentar meu inimigo, consegui falar sobre ele e decidi contar a minha história a todos que tivessem interesse. Não queria me transformar na chata panfletária, mas não julgava certo varrer toda aquela experiência para baixo do tapete.
Foi um alívio imenso quando enfim pude entender o que me acontecia e falar abertamente sobre um assunto tão angustiante. Mas o melhor de tudo foi poder receber. Logo eu, que não consigo receber nada naturalmente, que tenho uma imensa dificuldade em ficar num lugar "passivo"... Mas a experiência foi maravilhosa. Perceber que você é importante para outras pessoas é uma descoberta e tanto. Saber que muita gente que você ama retribui este afeto na mesma intensidade e descobrir que há pessoas que você nem conhece e que se importam com você... é uma sensação indescritível!
Foi por isso que desta vez, logo que soube do tumor, não tive dúvidas: disparei um email (em inglês e português! ) para todos os meus amigos explicando tintim por tintim tudo que tinha acontecido e pedindo muito para que todos torcessem por mim. E mais uma vez fui inundada por demonstrações e mensagens de carinho e apoio vindas de todos os lugares. Uma corrente ainda maior e mais forte! Eu, que acredito mais que tudo no poder da fé, da oração e do pensamento positivo, não tenho dúvidas que acertei em cheio quando em vez de me fechar com os meus problemas, me abri para o mundo e para as pessoas que sempre torceram por mim. A temporada relâmpago no hospital e a recuperação fantástica não me deixam mentir.
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