February 5, 2008

Cadê o diafragma que estava aqui?

O título do post está engraçado mas não deixa de ter um fundinho de verdade. Quem pensa que estou me referindo ao método anticoncepcional, está enganado, estou falando do músculo principal para nossa respiração.

Pois é, ontem fui ao médico pegar os relatórios para o encaminhamento e fiquei sabendo de mais detalhes da cirurgia. Por causa da localização do tumor, bem junto ao diafragma, em vez de descolar o tumor do músculo, os médicos decidiram cortar um pedacinho de 3 ou 4 cm do meu diafragma só por via das dúvidas. Quando ouvi isso me assustei, mas o médico olhou para mim e disse: "Você não está viva e respirando? Então é sinal que deu tudo certo." É o que parece...

Esta situação me fez lembrar de uma outra cena digna de novela ou de comédia. Dias depois da minha primeira cirurgia fui fazer um ultrassom ainda no hospital. Os médicos queriam ver o crescimento do meu fígado. Começa o exame e o radiologista faz uma cara meio engraçada, de curiosidade até. Então ele olha para mim e fala: "Cadê sua vesícula?" Então há uma pausa e um certo desconforto, pelo menos para mim, mas ele logo emenda: "Ah é, eles devem ter tirado na cirurgia do fígado." Foi aí que me assustei: "Sim, a cirurgia foi de fígado, então o que a vesícula tem a ver com isso?" Lógico que nestes segundos aquelas matérias sensacionalistas me vieram à cabeça...tiraram a vesícula por engano?! Será que o meu rim rodou também? para sorte minha, os rins tinha sido poupados, pois estavam livres de qualquer doença ou complicação.

De lá pra cá já aprendi que em casos como o meu a vesícula tem que sair, pois ficou parada muito tempo e caso não seja retirada, é problema na certa. Mas que dá um frio na barriga, dá.

Durante esta consulta em plena segunda-feira de carnaval, aprendi muito sobre a cirurgia e a nova técnica usada desta vez. Aprendi sobre os riscos da primeira cirurgia e o porquê da segunda. Ao que tudo indica, ao manipular o tumor há uma possibilidade de contaminação, pois as células cancerígenas podem se espalhar facilmente.

A polêmica sobre a natureza do tumor continua, mas uma coisa é certa -- meu caso é raríssimo, nas duas hipóteses:
a) é muito raro um adenoma se transformar em hepatocarcinoma (informação nova para mim)
b) é muito raro um hepatocarcinoma demorar cinco ano para recidir
c) é ainda mais raro uma pessoa viver cinco anos com câncer no fígado

Pois é, quem mandou eu sempre querer ser diferente? Câncer de fígado é muito raro, ainda mais em ocidentais e o meu caso não está relatado em nenhum livro. Acho melhor ir começando a escrever o meu, só preciso ter cuidado para não virar enciclopédia médica porque isso ninguém merece!

O mais engraçado de tudo é que agora estou muito tranqüila, pois o que quer que tenha sido já foi! Agora mais do que nunca quero voltar a viver a minha vida e encontrar algo muito legal para fazer, algo que me traga satisfação e felicidade.

3 comments:

Fê França said...

Vc é uma exceção pro lado bom da coisa, então pode, né? ;o) Comece esse livro que todos estamos ansiosos para ler... Boa sorte! Beijos! Fernanda.

Andréa N. said...

Wow, adoro essa tua atitude diante das coisas que vai descobrindo sobre a doenca. E eh muito bom fazer piada, dar risada de coisas serias, senao nao da, ne? Continue sempre assim! E que tudo de certo, que vc nunca mais tenha problema nenhum com seu figado (nem com nenhum outro orgao). To torcendo por ti, sempre. Beijao.

Eulália(Lalinha) said...

Bom dia, querida!!
nunca mais havia aparecido por aqui...meio que nostálgica, sem vontade de ligar o computador....
Mas fico feliz por vc estar aqui e bem!
Tudo de bom!