February 11, 2008

Arrumando as malas

Este processo de arrumar as malas é terrível para mim. Eu gosto é de chegar nos lugares, com a mala cheia de coisas e a cabeça cheia de idéias e recordações. Esta história de partir não é comigo mesmo!

O clima aqui em casa já está meio triste. Fica todo mundo assim, desde sempre. Tem certas coisas que não mudam jamais. Os amigos e familiares começam a ligar para as despedidas, as malas estão espalhadas pela casa, eu ainda dou falta de algumas coisas e aquele frio na barriga vai ficando mais intenso. A esta hora amanhã já vou estar voando acomodada nas "confortáveis" poltronas da Delta Airlines.

Lembro bem da nossa chegada. Sou uma idiota! Toda vez que avisto o Rio da janelinha, o "Samba do Avião" começa a tocar na minha cabeça. Desta vez foi mais especial porque o Blake estava lá comigo e passava pelo mesmo tipo de metamorfose que eu. Esta estranha tranformação que ocorre há mais de 15 anos e que para mim sempre tinha sido solitária.

Saio dos EUA de um jeito sempre diferente: menina universitária da Virginia; aluna de mestrado da NYU; jornalista radicada em Nova York e desta última vez, esposa dos subúrbios de Maryland. Mas o engraçado é que chego ao Rio sempre igualzinha; a mesma Dani-menina, que parece até que esqueceu de crescer. Pois é aqui que me sinto em casa, que baixo a minha guarda, que deixo de me "virar sozinha" para poder ser cuidada. Uma sensação estranhíssima que nunca havia compartilhado com ninguém, até esta última visita.

Mas voltando ao comentário do Blake, ele disse que achava difícil esta viagem ao Brasil superar a última. Ele sempre conta que as viagens ao Brasil ficaram cada vez mais interessantes desde que me conheceu. As duas últimas até então tinham sido inesquecíveis. Em agosto de 2006, ele me pediu em casamento ao por do sol embaixo de um gazebo no Nannai. Tivemos uma festa linda na casa da minha irmã e dias maravilhosos que deram início aos prepartivos para o casamento. Melhores que estes dias de 2006, só em março de 2007, quando tivemos toda a família do Blake e muitos amigos para o nosso casamento. Eventos quase que diários no Rio e uma viagem superlegal a Paraty. Muita hist;oria para contar. Nossas fotos não me deixam mentir.
Então o comentário do Blake foi bem exato. Como iríamos superar as últimas férias no Brasil?

Como dizem os americanos, "be careful what you wish for!" E foi exatamente o que nos aconteceu... Mal sabia eu que as lágrimas que insistiam em brotar nos meus olhos durante o pouso daquele vôo no fundo tinham uma razão de exisitir. Sim, não deixava de ser a realização de um sonho: voltar para casa trazendo meu marido que além de ter tantas qualidades ainda é apaixonado pelo Brasil. E ele tinha entendido o meu conceito de "metamorfose ambulante"! Mas nada poderia me preparar para o que nos aguardava.

E como disse o genial Dickens, foi o melhor dos tempos e foi o pior dos tempos... A idéia da cirurgia, que sempre foi meu maior pesadelo, acabou me trazendo muitas coisas boas. Nunca pensei que morando longe e sendo estrangeiro o Blake pudesse se adaptar tão bem à minha realidade. Em dois meses ele realmente se tornou um filho para os meus pais e um irmão mais velho para a Andressa e o Rodrigo, o que me deixa muito feliz, pois mesmo sabendo que o Blake é uma pessoa mais que especial nunca pensei que ele fosse ganhar o coração de toda a minha família tão rápido. O meu pai ainda não desistiu de nos trazer para morar aqui de vez e vendo como o Blake se tranformou em "local"em tão pouco tempo não descarto esta hipótese...

Então mais uma vez saio dividida: parte de mim está triste de deixar o Rio outra vez, mas outra parte não poderia estar mais feliz por estar voltando aos EUA em perfeita saúde depois de ganhar dois meses de bônus com a família e com os amigos aproveitando o verão do Rio. Não posso mesmo reclamar da vida!

4 comments:

Cristina said...

Entrei uma palestra e uma reunião, usei seu blog de relax, Dani, confesso! Me emocionei falando com vc ontem ao telefone (sou uma das pessoas ligando rsrs!!) e mais ainda com seu texto. Acho que o "Samba do Avião" não está na sua cabeça à toa - a Varig sempre tocava nos vôos internacionais e pelo menos no meu vôo do ano passado na volta da Alemanha tb, acho que é padrão. Pq as empresas áreas americanas não tocam New York New Tork quando pousam na Big Apple? :-)

Malu said...

dani, boa viagem ! vá com deus e fique com ele.. e atualize o blog viu ?/
bjsssssssssssssss

Anonymous said...

Moro nos EUA e sei que aqui os planos de saude sao, alem de carissimos cheios de requisitos,sendo assim , no seu caso por ja ter tido a doenca anteirormente, vc encontrou problemas para se filiar nos planos de saude daqui?
Nao pergutno isso para ser indiscreta, mas o sistema de saude daqui sempre me assustou.
Angeles

Dani said...

Angeles,
Felizmente sou dependente do meu marido e não tive nenhum problema ao me filiar ao nosso plano. Meu marido inclusive trocou o plano antigo dele por um que tinha maior cobertura internacional. Na época da cirurgia, nosso maior medo era que eles dissessem que o tumor era "condição pré-existente" e não arcassem com nada. Ainda não tive o reembolso, mas olhei o contrato e me certifiquei por telefone que no nosso plano não há a cláusula sobre "condições pré-existentes", ou seja, eles cobrem tudo.
Já ouvi histórias horríveis de gente que pagou plano a vida toda e quando ficou doente, o plano não se resposabilizou, mas acho que de lá pra cá as coisas mudaram muito.
Boa sorte e, se tiver dúvidas é só falar.