May 9, 2008

Acharam meu tumor...pelo menos é o que me dizem

Depois de semanas tentando falar com as secretárias do Dr. Pawlik, que pelo jeito não sabem o significado da expressão retornar ligações, consegui entrar em contato com a Miss Simpatia esta semana. Não sei por que ainda me espanto com a falta de tato de algumas pessoas. Já passei por tanta coisa nesta vida que deveria estar acostumada. Não estou.

Depois de ligar para a criatura durante um mês -- mais de uma vez por dia -- finalmente a dita-cuja atendeu o telefone. Me identifiquei rapidamente e perguntei se ela já tinha achado meu tumor. Ela disse que sim e que o tinha encaminhado à patologia. O estranho é que um dia antes liguei para todas as "patologias" do Hospital Johns Hopkins, que não são poucas, e ninguém tinha nada meu lá. Agora é esperar para ver.

O engraçado era a reação dos funcionários do hospital: "Você é a paciente e está tentando achar o seu tumor?" Pois é, deve ter algum resquício de incompetência no caminho. Da minha parte é que não é.

Então vamos lá aguardar ansiosamente o dia 7 de julho, quando terei a minha próxima consulta com o Dr. Pawlik. Recebi uma carta ontem me informando que minha consulta tinha sido transferida do dia 30 de junho para a semana seguinte, dia 7 de julho. Não falei que estas secretárias tinham problema com telefone? Falei com as duas no mesmo dia e nenhuma me avisou da mudança. Vai entender...

May 7, 2008

Vizinha nobre

Acho que a nossa casa vai valorizar! Acabei de saber que Jenna Bush, que se casa este fim de semana no Texas, vai ser minha vizinha.

A filha de Bush dispensou o casamento na Casa Branca e optou por uma recepção ao ar livre no Texas, onde ela nasceu e cresceu. Com tanta gente que daria a vida por um casamento na Casa Branca, a americana de 26 anos disse que a Casa Branca é glamurosa demais para ela. Incrível.

Jenna vai casar com o filho do presidente do GOP ou Partido Republicano no estado da Virgínia e depois do casamento o jovem casal vai morar numa townhouse ao sul de Baltimore, pois ele vai trabalhar na Constellation Energy, a companhia de eletricidade de Maryland. Jenna vai lecionar nas escolas públicas de Baltimore. Boa sorte para ela!

O que gosto neste povo gringo é que os jovens começam onde jovens devem começar: do início. Se fosse brasileiro, a garota já ia ganhar do pai uma mansão na Quinta Avenida, ia virar consultora de algum negócio duvidoso ou então ia "fundar" uma empresa e vendê-la por zilhões de dólares depois de alguns meses.

Não sou nem um pouco fã do Bush e detesto as posições dele como presidente, mas parece que ao lado de Laura, conseguiu criar uma filha bem normal, sem afetações típicas de "crianças" ricas. Ou isso será coisa típica de pseudo-elite de Terceiro Mundo???

Mas só por via das dúvidas, eu que sou fanática por casamento, vou ficar de olho, pois acho que vai ser um luxo apesar da personalidade low-key da noiva.

May 5, 2008

Por que Nova York?

Casamento no Brooklin Botanical Garden - verão 2000 - Marisa e eu
Festa de Natal 1999 - James & Rich -- Na foto - Michele (a famosa noiva), eu e Ana.

Incríveis estas fotos. Parecem de uma outra vida... Flashback total!

Volta e meia me pergunto por que Nova York tem sempre um efeito diferente em mim. Além do encantamento que a cidade exerce sobre a maioria dos normais, Nova York me faz refletir sempre e perdida nos meus pensamentos, acabo me sentindo melhor. Acabo ficando mais próxima de mim mesma.

Esta última viagem a Nova York foi muito boa para mim. Aquela cidade me faz muito bem por vários motivos, por ser meu segundo lar, por ser lá onde está grande parte de meus amigos de longa data, por poder andar a pé e sem medo, por ser simplesmente o centro do mundo. (Sorry London, mas como Nova York não há!)

Amo Nova York por muitos motivos, mas acho que acima de tudo porque é lá que me sinto mais viva. Sempre tenho uma sensação muito estranha quando estou lá: me sinto livre, feliz e a impressão que tenho é que a qualquer momento posso encontrar a Dani de 10 anos trás correndo pela rua. E a minha vontade é abraçá-la e dizer a ela que tudo vai ficar bem no final. Que nada destes problemas idiotas que ocupam a cabeça dela valem a pena. Gostaria que ela soubesse que a vida nos reserva umas surpresas, nem sempre boas, mas que todas elas nos transformam na pessoa que queremos ser. Diria para aquela Dani guardar as suas lágrimas, pois ela ainda vai ter muitas oportunidades de derramá-las, por coisas que realmente importam. Não perca seu tempo insistindo em apostas erradas, pois a vida é muito curta e os momentos felizes preciosos demais.

Lembro que as minhas preocupações naquela época, lá nos idos dos anos 90, eram bem diferentes: Será que o carinha da semana passada vai ligar? Qual das dez festas de sábado vou acabar indo? Preciso ligar para meus 500 amigos para marcar a festa-surpresa de aniversário de um deles. Onde está meu celular? Enfim, "preocupações" mais que normais e banais para uma jovem de 22 anos. Mas tinha meus momentos de crise também. Aquela cidade é tão louca e frenética que às vezes me perguntava se não ia acabar perdendo a minha essência. Me perguntava também se no meio daquela multidão desvairada conseguiria achar e, mais do que isso, enxergar o amor da minha vida. Estas eram as minhas dúvidas naquela época. Eram estes os pensamentos que me ocupavam a cabeça enquanto caminhava a pessos rápidos pela Sétima Avenida para pegar o metrô para o trabalho. Dúvidas e reflexões que me consumiam enquanto passava minhas tardes de sábado perambulando pelo meu bairro querido, o West Village, reduto de beatniks, artisitas, velhos hippies, escritores legendários (Robert Frost e e cunnings moraram na minha rua!!!!) e meu mundo do faz de conta também.

Então quando volto para lá, sinto um déjà-vu enorme. Tudo me é tão familiar e ao mesmo tempo tão fascinante. Gosto de parar, respirar um pouco e pensar na minha vida, no quanto caminhei e no quanto lutei para estar ali. Estas útlimas semanas têm sido um pouco isto para mim: uma volta ao começo, um mergulho na minha essência, uma reconciliação com quem eu sou.

E o que parecia uma viagem fadada ao fiasco e com um enorme gosto de fracasso, se transformou em uma das melhores experiências dos últimos meses. Para mim, Nova York é sempre Nova York. E o Rio? Ah, o Rio é sempre o Rio, mas isto já é uma outra história.

May 4, 2008

Proximidade da Morte

Me parece extremamente injusto que algumas pessoas tenham que tomar ciência da morte antes mesmo de poderem entender do que se trata a vida.

A morte não deveria sequer fazer parte do vocabulário de uma pessoa com menos de 50 anos. Doença, hospital, quimioterapia, transfusão, transplante...nada disso deveria ocupar os pensamentos de um jovem.

Está na Bíblia, "crescei e multiplicai-vos", então é somente este o desejo de 99% da população humana. Este é o plano de vôo de qualquer um de nós. E temos a certeza absoluta de que se deixarmos a vida seguir seu próprio rumo vamos conseguir que isso aconteça sem o menos esforço.

Talvez aconteça para a maioria de nós, mas não para todos. Alguns aprendem cedo demais que a única coisa certa na vida é a morte e que às vezes paga-se um preço muito alto para viver. Vida nem sempre é sinônimo de alegria. Muitas vezes viver dói. Viver pode ser também apavorante e extremamente solitário, mas faz parte do instinto humano. Por mais dura que a vida possa ser, ninguém parece estar pronto para desistir dela.

Quando somos acometidos por uma doença grave a parte mais dolorosa talvez seja a aceitação da nossa própria vulnerabilidade, da fragilidade da nossa vida. É a perda da inocência; a realização de que tudo é efêmero.

Logo depois de ter alta do hospital, no final de 2002, os médicos recomendaram que eu começasse a caminhar um pouco pelas dependências do meu prédio. Precisava recuperar minhas forças e minha capacidade aeróbica depois de um mês de internação.

Eu ainda andava bastante encurvada por conta da grande cicatriz que me tomava a maior parte do abdome. Sentia dor e medo, então andava pelo play com todo cuidado, observando e sendo observada. Foi ali, naquele dia de verão ensolarado que vi todas as minhas certezas desmoronarem. Vi casais na piscina e me lembrei que ainda não tinha encontrado a minha cara-metade e não sabia se ainda me restava tempo para isso. Vi as crianças nadando e correndo, então me perguntei se algum dia teria o privilégio de formar a minha própria família, de ter meus próprios filhos. Avistei casais mais velhos de mão dadas, apoiados um no outro, andando em direção ao elevador e naquela hora perguntei a mim mesma quais seriam as minha chances de um dia viver aquela situação.

Cenas extremamente normais que teoricamente fariam parte da vida de qualquer simples mortal. Tudo tão ordinário e rotineiro que a maioria das pessoas acharia completamente banal. Mas não para mim. Fechei meus olhos e procurei me imaginar vivendo cada um daqueles momentos e naquela hora pedi a Deus que deixasse que meu desejos se transformassem em realidade.

Naquela hora, ciente da minha mortalidade, todas as certezas que havia cultivado dentro de mim, tornavam-se dúvidas. Tudo que eu achava que era meu por direito, agora estava em questão. A única certeza que tive aquela hora era de que a morte viria. Meu único pedido: não agora. Quero viver para me casar. Quero viver para ter meus filhos. Quero viver para ser feliz e envelhecer ao lado do meu marido. Não quero muito. Só quero viver.

Errata - Randy Pausch


No meu último post, disse que o livro do Randy Pausch ainda não tinha tradução para o português. Estava enganada. Não é ele foi traduzido, como em breve será lançado no Brasil com o título A Lição Final. Já está em pré-venda nas Americanas.

O livro tem dado o que falar por aqui, pois há quem diga que o jornalista e co-autor do livro se aproveitou da desgraça do professor moribundo. Discordo. Acho que o livro merecia ser escrito e se o jornalista tem o talento e disciplina para tal empreitada, melhor para o leitor. Acho que deve ter feito um bem danado para o Randy, que conversou col ele durante seus passeios diários de bicicleta pelo bairro. Não precisou ficar preso à frente do computador, privando seus filhos o a si mesmo de prazer neste dias tão preciosos. Sou suspeita, pois acho a mensagem dele linda.

Não gosto muito desta história de livro de auto-ajuda por pensar que a maioria não passa de uma grande baboseira, nada mais que um caça-níqueis, pois falar é fácil, difícil é colocar em prática. Quando se tem um diagnóstico terminal pela frente, tudo muda completamente de dimensão e é por isso que o Andy tem meu absoluto respeito.

Criticar é fácil. Já ouvi gente dizendo que o discurso dele não passa de negação. Discordo. Acho que ele tem o cérebro matemático sim e teve que ser mais racional do que nunca. A morte é certa mas os dias que se antecedem a ela não. A morte é incontrolável, mas a vida a nossa frente não. Cabe a cada um de nós, sim, escolher ser Tigre ou Eeyore. Sei que tenho meus dias de Eeyore, mas na maior parte do tempo decidi ser Tigre.

May 2, 2008

Promessa é dívida - Randy Pausch


Sei que prometi traduzir a "Última Aula" de Randy Pausch, mas o tempo é escasso e o texto longo, então traduzi o resumo da palestra. O texto foi publicado pelo Washington Post, em 6 de abril de 2008.

Vou voltar aqui para editar melhor, mas queria dividir isto com vocês o quanto antes. Leiam com atenção. É um testemunho emocionante.

Beijos,

Dani

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As Lições que Estou Deixando para Trás

Por Randy Pausch

Em muitas universidades, professores são convidados a dar uma “última aula”. Nesta conversa, eles refletem sobre o que mais importa para eles. Enquanto eles falam, a platéia se faz a mesma pergunta: Que sabedoria você deixaria para o mundo se soubesse que esta seria sua última chance?

Ano passado, concordei em dar uma última aula na Universidade Carnegie Mellon, onde sou professor no departamento de ciências da computação. Algumas semanas mais tarde, soube que tinha apesas meses de vida – estava morrendo de câncer no pâncreas.

Sabia que podia cancelar. Tenho três filhos pequenos, sou casado com Jai, a mulher dos meus sonhos, e ainda há tantas coisas a fazer. Mas falando, sabia que poderia colocar a mim mesmo numa garrafa, que um dia poderia aparecer na praia para os meus filhos, Dylan, Logan e Chloe. Aqui vai o que quero compartilhar.


Divirta-se Sempre

Antes da minha palestra, o presidente da Carnegie Mellon, Jared Cohon, me disse, “Por favor conte a eles sobre diversão, porque é por isso que vou me lembrar de você”. Cheguei a uma conclusão rapidamente. Cada um de nós deve tomar uma decisão, melhor resumida nos personagens de A.A. Milne, em Winnie-the-Pooh. Sou o Tigre que adora se divertir ou sou uma tristonha Eeyore? Minha posição é bem clara.

No meu último Halloween, Jai, nossos filhos e eu nos fantasiamos de “Os Incríveis”. Coloquei uma foto nossa no meu site e expliquei que a químio não tinha afetado meus superpoderes. Recebi emails com sorrisos como resposta.

Não vou desistir do Tigre dentro de mim. Alguém me perguntou o que quero escrito na minha lápide. Eu disse: Randy Pausch: Viveu 30 Anos Após um Diagnóstico Terminal”. Eu poderia encaixar muita diversão em 30 anos. Mas se não tiver que ser assim, vou encaixar muita diversão no tempo que tenho.


Sonhe alto

Tinha oito anos no verão de 1969, quando o homem chegou à lua. Estava na colônia de férias, nós crianças fomos levados até a casa principal para ver aquele momento na TV. Mas os astronautas estavam demorando, e estava ficando tarde. Os orientadores nos mandaram de volta às nossas barracas para dormir, e nós perdemos os primeiros passos.

Fiquei possesso. Pensei: “Minha espécie sai deste planeta e há um mundo novo pela primeira vez, e vocês aí acham que a hora de dormir ter importância?”

Quando cheguei em casa, meu pai me deu uma foto que ele tinha tirado da TV no segundo exato em que Neal Armstrong pisou na lua. Ainda temos esta foto.

Dê a si mesmo permissão para sonhar. Incentive o sonho de seus filhos também. De vez em quando, isso pode significar deixá-los acordados depois da hora.


Peça o que deseja

Numa viagem à Disney World, meu pai e eu estávamos no monorail com meu filho Dylan, então com quatro anos. Dylan queria sentar na cabine da frente com o motorista, e meu pai achou que seria legal também.

“Pena que eles não deixam qualquer pessoa sentar lá,” meu pai disse.

“Na verdade, aprendi que há um truque para se sentar lá na frente,”eu disse. “Quer ver?”

Caminhei até o atendente e disse: “Com licença. Será que poderíamos sentar no carro da frente, por favor?

“Certamente,” disse o atendente. Ele nos levou até a cabine da frente. Foi uma das únicas vezes que vi meu pai sem palavras. “Falei que era um truque,” disse a ele. “Não falei que era um truque complicado”.

Agora me tornei melhor ainda em “só pedir”. Como todos sabemos, pode-se levar dias para receber resultados de exames médicos. Não quero passar meu tempo esperando, então pergunto: “Quanto antes posso receber estes resultados?”

“Oh,” eles normalmente respondem, “talvez possamos dá-los a você em uma hora”.

Peça. Mais do que você imagina, a resposta que você vai ouvir é “Claro”.


Ouse arriscar

Num curso de realidade-virtual que ministrei, encorajava os alunos a tentar coisas difíceis sem se preocupar com fracasso. No final do semestre, dei um pingüim de pelúcia – “O Primeiro Prêmio Pingüim”— à equipe que apostou mais alto sem alcançar seu objetivo. O prêmio veio da idéia de que quando os pingüins pulam na água onde pode haver predadores, bem, um deles tem que ser o primeiro pingüim. Essencialmente, foi uma prêmio por um “glorioso fracasso”.

Experiência é o que você ganha quando não consegue o que quer. E isto pode ser a coisa mais preciosa que você tem a oferecer.


Procure o melhor em todo mundo

Recebi este conselho de Jon Snoddy, meu herói na Disney Imagineering. “Se vicê esperar o bastante,” ele disse, “as pessoas vão surpreender e impressionar você”. Quando você fica frustrado com as pessoas, quando você está zangado, pode ser porque você ainda não os deu tempo suficiente. Jon me alertou que isto necessitava de muita paciência, talvez anos. “No final,” ele disse, “as pessoas vão te mostrar o lado bom delas. É só ficar esperando. Ele aparece.”


Encontre tempo para o que importa

Quando Jai e eu saímos em lua-de-mel, queríamos ficar sozinhos. Como meu chefe exigia uma forma que as pessoas pudessem entrar em contato comigo, gravei este recado. “Oi, aqui é o Randy. Esperei até os 39 anos para casar, então minha esposa e eu vamos viajar por um mês. Espero que isso não seja um problema para você, mas é para o meu chefe. Aparentemente, tenho que estar disponível”. Então dei os nomes dos pais da Jai e a cidade onde eles moravam. “Se você ligar para a operadora, você consegue o telefone deles. E então, se você conseguir convencer meus sogros de que a sua emergência merece interromper a lua-de-mel da única filha deles, eles têm nosso telefone”. Não recebemos nenhum telefonema.

Tempo é tudo que você tem. E você pode descobrir um dia que você tem menos do que imagina.


Deixe as crianças serem elas mesmas

Por eu ser tão franco sobre meus sonhos de infância, as pessoas me perguntam sobre os sonhos que tenho para os meus próprios filhos. Como professor, já vi como pode ser perturbador quando os pais têm sonhos específicos para seus filhos. Minha tarefa é ajudar meus filhos a cultivar uma alegria de viver e desenvolver mecanismos para satifazer seus próprios desejos. Meus desejos para eles são bem exatos e, considerando que não vou estar presente, quero ser bem claro: Filhos, não tentem descobrir o que eu queria que vocês fossem. Quero que vocês sejam o que vocês quiserem. E quero que vocês sintam como se eu estivesse aí com vocês, qualquer que seja o caminho escolhido.

Tradução livre do texto publicado na revista Parade, do Washington Post, em 6 de abril de 2008. O artigo em inglês é uma adaptaçao do livro The Last Lecture, de Randy Pausch e Jeffrey Zaslow, recém-lançado nos EUA e ainda sem tradução para o português.

Minha nova rotina






Olhando a foto aí de cima já dá para ter uma idéia da minha nova "vida corporativa". O Blake, organizado que só, já montou um escritório para mim no andar de cima, mas nos meus primeiros dias, a minha cozinha acabou virando local de trabalho.

Hoje completo uma semana na minha nova rotina. Além de ser repóter financeira, agora trabalho de casa. Isso mesmo, meu escritório fica a uns 20 passos da minha cama! Brinco com o Blake que sou a única executiva que se apronta para o trabalho na véspera, quando saio do banho e coloco um pijama cheirosinho, antes de dormir. Como a Jackie bem disse, sou mais uma executiva de pijama! Meu ternos são bem comfortáveis, de flanela, de oncinha, verdinho, rosinha... Uma maravilha.

Sei que só faz uma semana, mas até que estou gostando, tenho que admitir. Cold calling, ou seja, ligar para estas empresas do nada, ainda me deixa um pouco apreensiva, mas é só conseguir o CEO na linha que tudo fica ótimo. Coversar com gente inteligente sempre me faz bem e aos poucos vou desenvolvendo minha metodologia própria. Por enquanto já inventei a minha primeira regra: jamais entrevistar CEOs com menos de 45 anos. Estes caras são simplesmente insuportáveis. A grande maioria é estressadíssima, egocêntrica e pedante. Eu, sinceramente, não tenho paciência para isso. Prefiro os CEOs/CFOs mais velhos e mais experientes que sabem exatamente o que estão falando. Menos trabalho pra mim, que não preciso tentar tirar leite de pedra.

Comecei este trabalho com os dois pés atrás, já que detesto finanças e sempre tive verdadeiro desprezo por estes "tipos". (É claro que sempre há exceções e alguns grandes amigos meus habitam este mundo, mas a maioria deste povo não me interessa nem um pouquinho.) Gosto de conversar com o pessoal de biotecnologia, cientistas e empresários que além de superinteligentes têm um ideal que não serve apenas o prórpio bolso, então sempre que posso, vou atrás deles. Gosto de gente que me serve de inspiração.

Este novo "gig" (que é a gíria americana equivalente à brasileira "trampo") tem me surpreendido bastante, pois depois de tanto tempo acabei descobrindo que ainda existe uma repórter xereta dentro de mim. Meus texto têm saído muito bons e feito meus editores felizes, uma boa massagem no meu ego, que estava mais que necessitado.

Bom, fico por aqui, pois tenho que acabar outra matéria. Hoje entrevistei o CEO e fundador da Neat Receipts, uma empresa superbacana que desenvolveu um scanner "inteligente" que transfere toda a informação das suas notas fiscais para uma planilha excel. Não é o máximo? Até eu estou pensando em virar cliente.

Como diz o Blake, que sabe não consigo tirar ainda mais vantagem deste emprego... Trabalhar de pijama, comer em casa e economizar o dinheiro da gasolina -- nada mal.