Showing posts with label vida. Show all posts
Showing posts with label vida. Show all posts

November 9, 2009

Vida de Commuter


Commuter e o termo usado para classificar o povo que mora nos suburbs e trabalha nas cidades, aqui nos EUA. Dizer que fulano e commuter quer dizer que ele leva em torno de uma hora pra chegar ao trabalho e que o percurso pode ser feito de carro, de trem, de metro, de onibus ou de uma combinacao de todos os meios de transporte. Perrengue mesmo!

Nao posso dizer que nao estivesse acostumada a transito caotico, afinal morando na Barra e trabalhando em Botafogo e no Flamengo, a situacao as vezes se complica e muito! Acidente, chuva, enchente, invasao da Rocinha, tiroteio no Vidigal, fechamento do Zuzu Angel...vale tudo! Mas dizer que transito nao me importa seria uma grande mentira. ODEIO! DETESTO!

Para comeco de conversa, nao gosto muito de dirigir. Nao gosto nada! No Rio, sempre que podia, fugia do volante, mas aqui nao tem escapatoria. Ate pra ir a padaria a gente precisa de carro. Ate para ir a casa do vizinho, as vezes. Carro e uma continuacao da gente, e como se fosse um quinto membro. Coisa esquisita mesmo!

Semana passada foi um inferno, pois houve pane nos computadores que sincronizam os sinais aqui na regiao onde trabalho e meu percurso que normalmente leva em torno de 50 minutos de manha, levou uma hora e quarenta e a noite, na volta, quase duas horas. Desesperador.

Tive ate pesadelo no fim de semana. Hoje acordei as 5.45 AM, sai de casa as 6.50 e cheguei aqui as 7.45. Agora ja sao 8.15 e o escritoria esta as moscas...mas pelo menos cheguei aqui sem me desesperar no transito, entao ja valeu.

Semana passada me vi como personagem principal daquele filme antigo, "Dias de Furia"...estava a propria psicopata no transito. Haja acupuntura e yoga para me manter calma... So espero que esta semana as coisas voltem ao normal.

September 30, 2009

Bolhas

Ontem tive que ir a Washington e não calculei que fosse andar tanto. Resultado: duas bolhas enormes nos pés como não tinha há anos. Doendo até agora. Acabo de ver que há uma terceira! A grande pergunta agora é como colocar sapatos para ir trabalhar.

O Blake acha que eu deveria trabalhar de casa e usar um sick day, mas eu morro de dor na consciência. E o pior é que amanhã tenho que voltar a Washington...não faço a menor ideia de como.

Desejem-me sorte. E se alguém souber de algum remédio milagroso para secar bolhas em menos de 24 horas e quiser dividir o segredo comigo, agradeço!

Depois volto para contar as novidades, que são interessantes.

September 22, 2009

Hipocrisia & Celebridade no Hospital

Ontem soube que um famoso jogador de futebol americano faria uma visita aos pacientes jovens to hospital aqui da universidade. Ao que parece, ele teve casos de câncer na família e se sensibilizou com o trabalho do Ulman Fund. Até aí, tudo bem, achei a atitude do cara bacana. Muito legal ele arrumar tempo na agenda no meio da temporada. E fiquei pensando no meu amigo Todd, que apesar de não ser torcedor dos Ravens, iria adorar conhecer um jogador de futebol americano, esporte pelo qual ele era apaixonado.

Então hoje na hora do almoço, e Elizabeth me chama para encontrar com ela e conhecer Todd Heap, o tal jogador dos Ravens. Como estava a caminho do hospital para o almoço e um pouquinho curiosa, fui ao encontro dela. Ao chegar lá, me deparo com a seguinte cena: Elizabeth, na frente, de guia, Todd Heap a seguindo e atrás dele um multidão de, como diria meu pai, "papagaios de pirata". Fiquei passada! Onde estão estes parasitas quando precisamos de ajuda com os pacientes?! Vejo uma câmera de TV, alguns rostos conhecidos e vários estranhos. Não são funcionários do hospital, não sei quem são.

Correm todos para entrar no mesmo elevador, hipnotizados pelo ídolo do esporte. Ao me ver, Elizabeth sorri meio sem graça e me chama para entrar no elevador lotado com eles. Recuso imediatamente! Não tenho o menor interesse em fazer parte do circo. vejo ali que a visita não será exatamente como eu havia imaginado.

Sinto uma raiva enorme só de pensar na insensibilidade destas pessoas que caminham pelos corredores do hospital como se estivessem num parque de diversões, alheios ao sofrimento e à dor dos pacientes. Será que eles não entendem que apesar de seriamente doentes estas pessoas ainda tem dignidade e merecem ao menos um pouco de respeito?

Recebo outro torpedo da Elizabeth. "Estamos indo para a unidade de TMO. Você deveria vir conosco." Ao que respondo "Gente demais pode perturbar os pacientes." Decido ali mesmo que não quero ter nada a ver com a tal iniciativa.

É por estas e outras que sempre fui muito cética quando se trata de organizações de caridade. Por algum motivo, não sinto o engajamento esperado, não sinto esta autenticidade. Depois que fiquei doente e me curei, resolvi passar por cima deste meu sentimento de desconfiança (afinal sou escorpiana!) pelo que pensei ser uma causa maior. Na verdade, a causa é nobre, mas o modus operandi de algumas destas organizações deixa muito a desejar.

Olhar para uma ala de transplantados de medula como se fosse um passeio pelo zoológico é algo perturbador pra mim, me dá arrepios, me enoja. Me imagino ali, como paciente que fui, e penso na minha reação ao ver uma multidão de curiosos sem noção invadindo meu quarto e fingindo que se importam comigo. Uma mistura de desconforto e enjôo. Tudo para estar ao lado de um jogador de futebol -- muito bem intencionado, diga-se de passagem -- perseguindo seus 15 minutos (ou seriam segundos?) de fama.

Fiquei triste por perceber que pacientes foram usados como figurantes e cenário, numa visita que tinha tudo para ser bacana, mas que não passou de teatrinho infantil de quinta categoria. Todd Heap poderia mesmo ter visto o trabalho que é feito com os pacientes jovens, poderia ver que ainda há muito a ser desenvolvido e que ainda deixa a desejar. Mas no meio de tanta confusão, aposto que não viu nada disso.

Se estas mesmas pessoas que hoje escoltam Todd Heap em sua visita ao hospital, estivessem presentes pelo menos uma vez por semana visitando os pacientes, muitos deles não se sentiriam sós em seus momentos finais. Não posso deixar também de me perguntar quantos dos que estavam naquele elevador irão doar suas medulas este sábado...

September 8, 2009

História Americana







Tudo começou quando comecei a perguntar ao Blake por que cargas d'água americano adora se fantasiar. Aqui em Maryland, este mês tem o tal Renaissance Festival, ou Festival da Renascença, que é uma feira livre onde as pessoas se transportam no tempo e compram bugingangas, comem galinha com a mão e um ou outro maluco se veste nos trajes de época. Tipo um Medieval Times ao ar livre e mais interativo.
Acho engraçado porque obviamente por estas bandas não há absolutamente nada que remeta à esta época, então é tudo bem fake. Sempre achei que fosse coisa pra criança, mas fui dizer isto pra minha cunhada, ao revelar a minha total falta de interesse e vontade de me vestir a carater, e acho que ela deve ter ficado ofendida, pois depois disso não nos falamos mais. Diferenças culturais? Vai saber... Mas pra mim, fora desfile de escola de samba e baile a fantasia, adulto fantasiado é meio esquisito... Abro exceção para festas de Halloween, mas só.

Cansado de ouvir as minhas piadas sobre a mania americana de achar que tudo é história, o Blake resolveu me surpreender com uma viagem rapidinha para a Virginia, mais precisamente uma visita a Monticello, casa de Thomas Jefferson, e Williamsburg, uma cidadezinha histórica. O engraçado é que apesar de ter morado no estado durante a minha faculdade, nunca visitei a casa de Jefferson e sempre tive muita vontade.

O fim de semana foi bacanérrimo. Monticello é um lugar belíssimo e vale uma visita. Aliás, só o site deles já é superinteressante. Jefferson era mesmo um cara fascinante além de inteligentíssimo, interessado em tudo, desde jardinagem até agricultura, pasando por relógios e metereologia!

O Blake sempre morre de rir comigo quando digo a ele que não gosto de assistir programas de TV ou documentários sobre viagem. Também não curto muito escrever sobre lugares que visitei. Para mim viagem não é algo que se descreve, é algo que se sente e frequentemente tantas sensações ficam meio perdidas quando passadas para o papel. Acho dicas e roteiros superúteis, mas uma viagem nunca é igual a outra. O roteiro pode até ser o mesmo, mas viagem, cada um faz a sua e é isto que torna esta experiência tão especial.

Williamsburg foi um pouco decepcionante. Apesar de já ter visitado a cidadezinha várias vezes, acho que fui enganada pelas minhas próprias lembranças, pois esperava mais. As casinhas são fofas, as lojinhas também, mas numa tarde dá pra conhecer tudo. As tavernas são o melhor do lugar.

O melhor foi a preparação para a viagem do mês que vem. Testamos sapatos, câmeras e outros apetrechos que vamos levar. Como diz a minha avó, seguro morreu de velho.

August 13, 2009

Competências Adquiridas...

Semana anda agitada. Ontem fui a Washington depois do trabalho para uma reunião com o cliente do meu projeto voluntário. Pois é, muito bacana, é como se os caras tivessem contratado uma agência de comunicação e marketing para fazer um plano estratégico, mas a agência somos nós: cinco voluntárias com conhecimentos de marketing e comunicação que nos dispomos a durante seis meses trabalhar no projeto de graça!

Como no meu trabalho, o treinamento é mais ou menos como na PM do Rio – inexistente, você vai aprendendo a dar tiro no meio da guerra – vi no trabalho voluntário uma chance de aprender alguma coisa com meus pares, já que por aqui a equipe de web, comunicação, assessoria de imprensa, eventos e marketing é formada por esta que vos fala! Sendo assim não há troca nem diálogo entre mim e eu mesma!

Volta e meia, consigo contratar uns consultores para projetos especiais, mas o dia a dia é comigo mesmo e como ninguém entende lhufas de coisa nenhuma, vale o que eu acho – a não ser que a minha chefe abra para debate, aí a coisa ainda fica mais complicada porque nestas horas todo mundo é jornalista, todo mundo é designer e todo mundo é marketeiro! Aliás, às vezes me dá uma raiva quando veem que a pessoa não tem qualificação nenhuma e aí dão um título de coordenadora de marketing ou coisa parecida!!! Mas isto é assunto para outro post!

Mas voltando ao projeto, ele está ficando muito bacana, mas está dando um trabalho ENORME já que a organização é um guarda-chuva (ainda tem hifem?) que engloba várias creches, escolas, programas extra-curriculares e de educação adulta, em Washington e Maryland. Já pensou fazer um ten second elevator pitch para isso? Pois é, nós fizemos! Parece fácil, mas é dificil pacas condensar tudo isto em duas frases de efeito. Mas no final valeu! Cheguei em casa às dez da noite, mas feliz da vida. As meninas do projeto são muito profissionais e inteligentes e o pessoal do cliente é o máximo. Sem falar que o trabalho que eles fazem numa das comunidades mais carentes de Washington é fenomenal!

Hoje à noite é a recepção que organizei para a American Cancer Society e nas próximas duas semanas as coisa devem se acalmar. Graças a Deus. Além de fazer eventos, agora estou fazendo fundraising, que sempre detestei, mas tenho me saído melhor do que eu esperava... Nesta Terra do Tio Sam todo mundo faz fundraising para tudo, ainda bem que as minhas causas são bacanas. Parando para pensar, apesar de detestar pedir dinheiro (prefiro quase tudo, menos a morte!), tenho que admitir que é mais uma competência adquirida. Vivendo e aprendendo...

E vocês, qual é a parte do trabalho que vocês mais odeiam? Já aprenderam a lidar melhor com ela?

August 12, 2009

Quer Dançar Comigo?

Quem acha meu trabalho voluntário uma deprê danada (Oi, Mãe!!!) vai gostar deste post.

Em março fui convidada para ir a um evento do Ulman Fund. Na época, tinha começado a participar da organização e não conhecia muita gente ainda, mas num acesso louco de coragem e cara de pau, resolvi ir ao evento sozinha. Ganhei o convite que cista US$75 na condição VIP de ex-paciente jovem. O Blake não quis ir e lá fui eu solita.

Claro que chegando lá me senti o prórpio peixe for a d’água já que as pouquíssimas pessoas que eu conhecia mais ou menos estavam todas ocupadas trabalhando no evento. Então para resumir a história, apesar da festa ter sido muito bacana, vaguei sozinha por umas quatro horas! Pois é, não sou muito boa puxando papo assim do nada…

A maior parte do tempo, fiquei olhando os itens da silent auction, ou leilão silencioso, um negócio muito comum por aqui. Os organizadores colocam todos os itens a mostra e junto de cada um fica uma folha com o lance mínimo onde as pessoas podem dar outros lances para arrematar o prêmio. Tinha muita coisa interessante: pacotes de spa, certificados para restaurantes, pacotes de resorts de golfe, tratamentos de beleza, etc… Fiquei em dúvida entre um dia num campo de golfe para o Blake, um tratamento de corte e luzes para mim e aulas de dançade salão para nós dois – todos na faixa de preço que eu queria.

Como não entendo nada de golfe e o ingresso tinha lá umas informações específicas, achei melhor deixar pra lá. Vai que gasto uma grana e o Blake só tem direito a acertar um buraco?! Sei lá! Pensei melhor e como nunca tinha ouvido falar no tal salão, fiquei com medo deles detonarem minhas longas e loutas madeichas. A velha máxima do barato que sai caro… Acabei desistindo! Então me restaram as aulas de dança de salão. Fiz lá o meu lance modesto e resolvi deixar pra lá, afinal apesar de ser para caridade, não queria entrar no vermelho no banco.

No final da festa, para minha surpresa, o lance maior tinha sido o meu e saí de lá de posse do meu certificado que dava direito a oito aulas no famosos estúdio de Arthur Murray, o pai da dança de salão moderna! Abro um parêntesis aqui: “Moderna” em termos, pois ele abriu o primeiro studio em 1912 e os pais do Blake se conheceram num studio dele em Washington há apenas 50 anos!!!!!

Cheguei em casa, contei para o Blake e guardei o papel no fundo de uma gaveta. Meses se passaram e nunca mais tocamos no assunto. Até que mês passado, revirando as minhas coisas, encontrei o tal certificado e me dei conta que o prazo de validade era setembro de 2009! Passei a mão no telefone na hora e marquei nossas aulas!

Lembram daquele filme muito legal da Jennifer Lopes e do Richard Gere, Vem Dançar Comigo/Shall We Dance? Então, claro que não sou J Lo nem o Blake parece o Richard Gere, mas a atmosfera no studio é bem legal e até lembra um pouco o filme…superdivertido! As músicas, os personagens, as salas. Me fazem lembrar até a minha infância passada na academia e, volta e meia, percebo que já sei alguns passos, que até estão estavam perdidos na minha memória.

Não tenho nenhuma intenção de me tornar profissional ou de competir, mas as aulas são um barato! O Blake se recusa a admitir, mas faz várias perguntas durante as aulas e demonstra um interesse quase suspeito. Acho que no fundo está adorando.

Para quem não viu o filme, meu conselho é que assista! É muito bonitinho. Para quem quer ir mais além, meu conselho é que procure umas aulas de dança agora mesmo!

August 3, 2009

Melting Pot

Uma das coisas mais fascinantes de morar nos EUA é a mistura de culturas que a gente vê em qualquer esquina. Como se diz por aqui, este país é o verdadeiro melting pot, não tem pra ninguém quando o assunto é diversidade. Aqui tem de tudo! E cada vez mais!

Lembro que quando cheguei aqui para fazer faculdade em 1992, quase caí pratrás ao perceber que simplesmente mais de 40 nacionalidades estavam representadas numa faculdade minúscula que só tinha umas 700 e poucas alunas e ficava no meio do nada num dos estados mais conservadores dos EUA. Claro que hoje a situação na Virginia é completamente diferente, principalmente nos arredores de Washington, DC, mas se alguém se atrever a pegar a 95 e dirigir umas quatro horas no sentido sul, vai encontrar uma realidade completamente diferente, sem contar um sotaque muito, muito sulista!

O bacana daqui é que em qualquer meomento você pode ser transportado para um outro mundo. Sábado, por exemplo, tínhamos um monte dependências pra resolver. Fomos primeiro ao banco onde o Blake tem conta e fomos atendidos pela Corinne, do Quênia. Depois fomos resolver uma outra coisano meu banco e quem nos ajudou foi o Lawrence, de Camarões. Saindo de lá, começamos a busca interminável por um sofá grande e mega-confortável para a sala de cinema lá de casa. Ao entrarmos na primeira loja, fomos saudados por Nana, de Gana, um senhor muito simpático que abriu um sorriso enorme ao avistar a Medalha Milagrosa que levo no meu pescoço. "Você é católica!," foi a primeira coisa que ele disse. Fiquei tão surpresa que custei a entender. Ele me disse que tinha deixado o seminário na terra natal, mas que agora estava feliz porque o filho seguiria a vocação. Ser padre na África, tem que ter memos vocação, pensei eu. Mas como bom africano, Nana também adora futebol e logo engatou uma conversa animada com o Blake.

Sei que reclamos bastante daqui, mas são dias como estes, completamente corriqueiros e comuns que dão graça à vida. É quanbdo a gente sai de casa pra resolver pepinos e acaba dando uma volta ao mundo sem sair do lugar. Cada uma daquelas pessoas que encontrei naquela manhã tinha uma história tão diferente da minha, trazia consigo uma bagagem tão rica e tão cheia de experiências diferentes das minhas que fiquei imaginando o Nana jogando futebol num seminário em Gana, o Lawrence andando pelas ruas de Camarões e a Corinne numa roupa bem colorida tipicamente do Quênia. E pensar que agora todos estão por aqui, em busca de uma vida melhor.

Num período turbulento por aqui, com tantos debates sobre imigração, quando tantos imigrantes são acusados de tantas coisas ruins, é bom ver que tem muita gente longe de casa trabalhando duro para viver o tal American Dream.

June 20, 2009

Chuva

Mais um fim de semana chuvoso por aqui... Em pensar que um dos requisitos para a compra da casa era ser localizada num condomínio com piscina para eu ir TODO o fim de semana. Acreditem se quiser, mas desde que a piscina abriu (sim, aqui nos States tem data para a piscina abrir e fechar!), só coloquei os pés lá uma mísera vez e por uma horinha apenas!

Passei o inverno todo me imaginando lendo um livrinho no sol e aproveitando o dia...Doce ilusão! Acabei de ler (finalmente!) Eat, Pray, Love, com um ano de atraso(!) e descobri que uma das personagens foi minha professora de Sociologia na UFRJ, mais precisamente no IFCS do Largo de São Francisco, aquela fábrica de doidões! Quase caí pra trás, pois a autora fala de uma mulher brasileira supersexi, que eu imaginava, magra, alta e elegante...quando na verdade a minha antiga professora era baixinha e nada magra! É por isto que eu gosto de ler, a gente sempre acaba sendo co-autor da história que se passa na nossa cabeça.

Mas apesar do tempo não colaborar, vou continuar firme nas minhas leituras. Meu primo Odon, lendo meus pensamentos, resolveu me fazer uma surpresa e me enviar dois livros pela Amazon: The Shack, que estava louca pra ler, e 100 Great Operas and Their Stories, uma enciclopédia sobre as mais famosas óperas e seus enredos. Perfeito para mim que sempre bisbilhoto a internet antes assistir qualquer ópera para saber direitinho o enredo.

Pensando bem, nada como uma chuvinha para colocar a leitura em dia...

June 1, 2009

Passada

Estou passada com o desaparecimento do voo da Air France. Depois de uma noite chata cheia de insônia, acordei atrasada e saí correndo do banho para atender o telefone. Era o Blake. "Acabei de escutar no rádio que tem um voo Rio - Paris que está sumido no Atlântico. Liguei para te avisar," ele termina. "Oh my God, oh my God!," sei que é ridículo mas foram as primeiras palavras que saíram da minha boca. Acho acidente aéreo o fim! Podem dizer que morre muito mais gente de carro de que em desastre de avião, as só a notícia já é uma catástrofe. Me deixa meio sem chão, talvez porque eu ache o avião um lugar tão seguro. Quando todo mundo morre de medo em turbulência, eu sou aquela que está sempre calma. Quando meus companheiros de viagem fecham os olhos e apertam a minha mão, sou a passageira que diz com segurança que vai ficar tudo bem. Nem conto as tempestades e turbulências que já enfrentei nos tantos anos de voos...para mim tudo muito normal. Talvez seja até mecanismo de defesa.

Nunca tive medo de voar e desde muito jovem encaro voos transatlanticos sozinha, sem o menor problema. Quando mais nova, sempre dizia, "pelo menos a gente morre rápido". Mas com a idade, percebo que os tais segundos finais devem durar uma eternidade. Mudei de opinião, a melhor morte é a do coração, de preferência dormindo. Sou covarde mesmo, não quero saber de nada. Não quero ver a cara da morte nem um segundo antes do programado.

Ainda não divulgaram a lista de passageiros do voo. Imagino a dor destas famílias. Estou aqui roendo as unhas e morrendo de medo de ver algum nome conhecido, pois por maior que seja o Brasil, a gente sempre conhece alguém que perdeu alguém. Ainda mais no Rio, a minha cidade, que eu vivo dizendo que apesar de grande metrópole é no fundo uma aldeia, onde todo mundo se conhece. Que Deus console estas famílias... Parece que havia várias crianças e um bebê a bordo, o presidente da Michelin para América do Sul também estava no voo, assim como D. Pedro de Orleans. E tantos outros que seguiam desavisadamente o seu destino e que tiveram suas vidas tão tragicamente abreviadas.

Detesto acidente. Detesto morte.

May 4, 2009

Quando Imagens Dizem Mais que Mil Palavras...II





Para quem duvidava que a megera indomável aqui poderia ser domesticada, as fotos dizem tudo. Acreditem se quiser, fiz uma festinha da Pampered Chef aqui em casa ontem. Para quem não conhece, The Pampered Chef é uma linha de produtos de cozinha muito legais. Tem cada coisa fofa e de ótima qualidade.

Sem querer acabei fazendo um experimento científico e comprovei. Como comemos muito tofu, sempre tento deixar os pedacinhos tostadinhos e crocantes na panela, mas nunca havia conseguido. O tofu não doura e ainda por cima gruda todo na panela, de Teflon e tudo. Comprei uma frigiderinha bem pequena da Pampered Chef para experimentar e como não pude colocar todos os cubinhos de tofu, dentro dela, acabei colocando parte na minha firgideira antiga. Então elas ficaram lado a lado fritando os cubinhos. A diferença foi tão grande que acabei passando tudo para a firgideira menor da Pampered Chef, e pela primeira vez meus cubinhos de tofu ficaram supercrocantes, parecendo até de restaurante! Nem precisa dizer que já comprei a frigideira maior!

Pois é, meus pais que voltaram hoje para o Rio saíram daqui boquiabertos, pois a filha que nem um copo lavava, hoje, lava, passa, limpa e cozinha. E eu juro que não é piada, mas a minha mãe teve que me implorar para eu parar de passar roupa. A veia de Maria atacou e passei quase toda a minha coleção (que é enorme!)de camisas sociais. Não sei qual foi o espírito que baixou, mas deve ter sido o "caboclo trabalhador", mas fiquei mais de duas horas com a barriga grudada na táboa. Resultado: terminei a noite com uma baita tendinite mas com toda a roupa passada.

Quem me viu...quem me vê...

May 3, 2009

Viva La Juicy



Acabei pagando a língua! Quem me conhece sabe que adoro um perfuminho. Não sou muito consumista, mas perfumes (e principalmente frascos lindos!) são meu ponto fraco, o que só piorou depois que casei, já que minha sogra e minha cunhada trabalham para um grande distribuidor de perfumes e cosméticos. Por conta do trabalho delas, acabo conhecendo todos os lançamentos de perfume antes que eles cheguem ao mercado.

Adoro florais, mas são raras as fragrâncias que me desagradam. Só tem uma regra que não abro mão: Não uso em hipótese alguma perfume com nome de celebridade! Por mais cheirosos que possam ser, Britneu Spears, Jennifer Lopez, Kimora Lee Simmons (eca!), Mariah Carey ou sei lá mais quem, estou fora!!! Paris Hilton então nem me pagando! Continuo firme nas tradicionais marcas de couture ou de cosméticos, mas fazer propaganda de artista, nem pensar! No máximo, aturo as ditas cujas como garotas-propanga, mas só.

Tem também umas marcas que ganham minha antipatia por serer associadas a justamente estas figurinhas... E Juicy Couture sempre foi uma destas...apesar de rosa ser minha cor favorita, só de imaginar a raquítica da Paris Hilton nos moletons fúcsia da marca me dá ânsia de vômito. Sei que não é bom pro karma falar mal dos outros, mas não tenho a menor admiração por gente do naipe dela, que poderia usar o dinheiro para fazer coisas boas, mas só consegue pensar em aparecer.

Bom, voltando a história do perfume, então quando a minha cunhada me mostrou o novo perfume da Juicy Cuture, nem experimentar eu queria, mas achei o frasco tão lindo que não resitsi!!! E para minha surpresa, adorei o aroma flora (com traços de baunilha) do lançamento deles. Resultando: acabei comprando e agora ele está lá na minha cômda fazendo companhia aos meus outros favoritos, como Daisy, de Marc Jacobs (que é outro que tem um frasco lindo e um cheiro delicioso!), Chance - Eau Fraiche, da Chanel, e Euphoria, da Calvin Klein, que são os que tenho usado mais ultimamente. Também sou louca por Flower by Kenzo, mas gosto mais de usá-lo no verão.

E vocês? Quais são seus perfumes favoritos?

March 4, 2009

Desperate Housewife -- real ou ficção?



A minha vida nos suburbs não estaria completa sem que eu aceitasse o convite para uma reunião do The Pampered Chef. Relutei um pouco, mas o convite veio da Carolina, uma amiga nossa muito gente boa, então acabei topando. Para simplificar a história, digamos que o público alvo das reuniões do The Pampered Chef são as filhas das mulheres que nos anos 80 encaravam as famosas Tupperware Parties. Acho que ainda não tem Pampered Chef no Brasil, mas daqui a pouco chega aí, do mesmo jeito que os agora indispensáveis tupperwares, cuja patente já deve ter vencido, pois o que se vê de genérico por aí...

Mas voltando à história, aceitei o convite já na intenção de comprar um abridor de lata legal já que o Blake quebrou o nosso, que já não era estas coisas e eu também não quero mais usar aquele pequenininho do tempo do onça, que aliás ninguém nem conhece aqui nos EUA.

Chegando lá vi uns rostos conhecidos e outros nem tanto... O legal é que a maioria das cozinhas americanas é enorme então parece até que estamos num programa de TV! A menina se apresentou e deu o rundown do dia, coisa bem americana, e depois pediu para que as convidadas se apresentassem e falassem sobre seu produto preferido da linha deles. Claro que chegou a minha vez e fui logo dizendo “Olha, estou longe de ser chef de cozinha, aliás minha intimidade com ela é quase nula. Não conheço os produtos de vocês, mas estou curiosa.” Eis que a minha amiga e anfitriã Carolina entra para salvar a pátria “Mas a Danielle adora receber e tem sempre visita em casa!” Bom, esta parte até que é verdade, mas se pudesse chamaria um buffet cada vez que recebesse mais de quatro pessoas no cafofo! Mas como não posso...vou à reunião do Pampered Chef para aprender truques de como tornar a minha vida mais fácil. Oh well!

Confesso que fui mais numa experiência antropológica, no mesmo espírito que visitei a Feira de São Cristóvão quando ela ainda era ao ar livre e muito antes de ter virado cult. A idéia era observar de longe e preparar relatório... Mas depois que provei uma pasta de alcachofra e uma sobremesa maravilhosa que ela preparou na nossa frente, me rendi! Comprei o tal abridor hight-tech, uma frigideira muito fofa e mais uma coisa que não consigo me lembrar...mas juro que estava precisando!

Enfim, no final das contas a reuniãozinha foi bem agradável e deliciosa e acho que vou topar fazer uma lá em casa. Sintam-se convidadas!!! Às vezes nem eu mesma me reconheço....

October 18, 2007

O livro está começando...

Durante cinco anos não chorei. Acho que por falta de tempo...ou por falta de coragem. Depois do choque inicial e de algumas poucas lágrimas derramadas, simplesmente mergulhei de cabeça na cura da minha doença. Não tive tempo de discutir, de duvidar, de questionar. Todo tempo que me restava era investido na minha recuperação. Para frente é que se anda, era o que eu dizia a mim mesma todos os dias.

Por incrível que possa parecer, em nenhum momento sequer me perguntei por que tal coisa tinha acontecido comigo. Também não tive chance de me revoltar e ou encontrar culpados. Tudo que eu queria era que aquela tempestade passasse e que eu pudesse voltar a viver a minha vida como se nada tivesse acontecido. Mal sabia que nada jamais seria como antes. Melhor assim.

Fazia algum tempo que me sentia um pouco fraca e cansada, mas achava que tudo era conseqüência da vida atribulada em Nova York no final da década de 90. Estava realizando o meu sonho, vivendo na cidade mais importante do mundo, conhecendo pessoas e lugares fascinantes e tentando aproveitar ao máximo aquela experiência única. Devia ser pressão baixa ou stress, nada preocupante.

E os anos foram passando e o cansaço aumentando...mas eu continuava achando que era a vida de trabalho e compromissos sociais que estava afetando o meu corpo. No final de 2000, fui ao Brasil visitar a família e esperar a minha troca de visto. Foi aí que comecei a prestar mais atenção à minha saúde, muito mais por necessidade que por escolha.

Acabei decidindo não voltar mais a Nova York e aceitando uma proposta de trabalho no Rio para ficar mais perto da família. Meus amigos e meu coração ficaram em Nova York, mas algo me dizia que a festa tinha chegado ao fim e era chegada a hora de voltar para casa.

A adaptação ao Brasil foi difícil, mais difícil do que havia imaginado, mas a minha decisão já tinha sido tomada e eu nunca fui daquelas pessoas que ficam se lamentando pro resto da vida. Esperneei um pouco no início e custei a achar a minha turma, mas aos poucos ia entendendo que precisava fechar um capítulo da minha história de uma vez por todas.

E o tempo foi passando, minha saúde parecia ter melhorado, não me sentia já tão cansada, mas a minha anemia teimava em não me abandonar. Devo ter ido a mais de 15 médicos e feito milhares de exames. Já não aguentava levar mais agulhada! A conclusão, ou melhor, inconclusão era sempre a mesma: stress. Mas eu sabia que havia mais ali...meu corpo dava sinais que ninguém parecia entender, nem eu mesma.

Dica: ESCUTE SEU CORPO