September 22, 2010

Sobre Maternidade

Quanto mais reflito, percebo que a questão da maternidade está muito mais ligada ao desejo de criar um filho de que a gerá-lo propriamente. O velho ditado, “mãe é quem cria” para mim é muito certo.

Engraçado é que, durante a minha gravidez, tenho acompanhado de perto a trajetória de uma amiga que está em precesso de adoção de duas crianças da Etiópia. Ao contrário de nós, quando descobriram que a gravidez seria difícil, ela e o marido não quiseram partir para a reprodução assistida e se decidiram pela adoção. Depois de pesaram os prós e os contras, optaram pela adoção internacional, que é um processo bastante diferente, mas não menos complexo que a adoção doméstica. Volta e meia conversamos sobre o assunto "filhos" e 'e interessante ver a perspectiva dela. Comparamos notinhas sobre imigração também -- eu no meu processo de cidadania e ela garantindo o visto dos futuros filhos.

Apesar de não ter nenhum problema em assumir meu tratamento – acho que anos de terapia (Oops, assumi a terapia! ) surtiram efeito – confesso que algumas vezes me achei egoísta por querer gerar um filho meu em vez de adotar uma criança que precisasse de um lar. Outro dia, conversando com esta minha amiga que está adotando as crianças e explicando a ela como eu me sentia, ele me deu uma resposta que me deixou de queixo caído.

“Quando as pessoas dizem admirar a minha generosidade, eu fico espantada, pois no fundo me vejo como uma grande egoísta. Com a grana que estamos gastando para trazer estas duas crianças para cá, poderíamos estar ajudando centenas delas na África, poderíamos estar colaborando com orfanatos, e beneficiando muitas pessoas. Se fôssemos tão desprendidos, não pediríamos para adotar crianças pequenas, serviríamos como foster parents para adolescentes vulneráveis em Washington, pois destes ninguém quer saber. Mas não, queremos os NOSSOS filhos, porque no final das contas achamos que somos bons o suficiente e merecemos filhos para chamar de NOSSOS,” ela me disse muito diretamente.

Nunca tinha olhado para a questão sob este ângulo, mas o ponto de vista dela realmente me surpreendeu e me fez pensar...apesar de citarmos as razões mais profundas, talvez no fundo o desejo da grande maioria – ou talvez de todos nós – seja mais egoísta do que magnânimo. Não deveria me causar espanto, pois afinal de contas somos humanos. Então isto pouco importa.

4 comments:

no estrageiro said...

Muito lucido o que a sua amiga pensa. De certa forma eh egoismo mesmo mas qual o pecado de se querer um filho para amar e cuidar? Talvez nem seria egoismo, seria mais uma necessidade de repassar as suas caracteristicas para a humanidade ainda que nao seja em forma de genes mas sim de valores e tradicoes.
Bj
Tata

Dani said...

Tata,
Nunca tinha pensado neste ponto, mas acho que passa por ai mesmo...vai alem dos nossos genes e atributos fisicos e tem mais a ver com nossos valores e ideais...
Bjs

Debora Rocha Muscutt. said...

Ah, Dani...que bom ler isso hoje e agora. Eu estava precisando.
Então, muito obrigada!
Beijos

Dani said...

Debora,
Que legal ver voce por aqui! Fico feliz por voce ter gostado do post!
Bjs