September 10, 2010

O Dilema da Creche

Ao mesmo tempo que a barriga fica mais evidente, a chegada do Joaquim se torna mais real e os preparativos para ela mais intensos. Comecei a procurar creche há umas poucas semanas, e para minha surpresa, já encontrei duas que não têm mais vagas para meu bebê que só nasce em três meses! Ao que parece, os coleguinhas dele já começaram a nascer e já levaram as vagas! O Joaquim fica no berçário das crianças nascidas entre setembro e dezembro, e como ele é de dezembro, leva uma pequena desvantagem...

Aqui nos Estados Unidos as mães têm basicamente quatro alternativas quando se trata de cuidar do filho:

* a primeira é parar de trabalhar, o que é a mais comum no condomínio onde moro. A mulherada vira mãe em tempo integral para se dedicar ao bebê nos primeiros anos e, pelo que pude perceber, não volta ao trabalho nem tão cedo, quando volta. Não gosto de dizer que desta água não beberei, mas ao menos que a minha vida dê uma reviravolta muito grande, acho que esta opção está fora de cogitação para mim.

* a segunda é colocar numa creche grande, como a maior parte das creches no Brasil, normalmente em período integral. Muitas creches aqui ficam abertas de 6.30 AM a 6.30 PM para os pais que trabalham. O grande problema aqui é que o preço é normalmente equivalente à qualidade dos estabelecimentos. Quer creche cinco estrelas? Vai pagar os tubos! E ao contrário do que acontece no Brasil, aqui a criança volta para casa sem banho e sem jantar! A grande maioria das empresas -- todas as que conheço -- também não tem auxílio-creche, o que quer dizer que os pais pagam 100% ao menos que tenham ajuda do governo, o que também não é o nosso caso. Algumas empresas têm uma creche conveniada que fica no mesmo prédio ou muito próxima, como é o caso do Blake. A desvantagem? Dependendo de onde mora, o bebê fica um tempão no carro e, no nosso caso, a responsabilidade de levar e pegar seria 100% do Blake, já que eu trabalho em Silver Spring/Washington, 50 km dele, em Baltimore.

* a terceira opção, que não existe muito no Brasil, é o in-home daycare, que é uma creche na casa de uma pessoa da comunidade. Esta pessoa recebe treinamento e fiscalização do Estado de Maryland (ou de qualquer outro estado que atue)e tem uma pequena creche em sua casa. Pode ter no máximo oito crianças, sendo somente dois bebês. Tenho amigas que usam este tipo de serviço e amam, mas tudo depende da sorte. Se a pessoa é caprichosa, se realmente gosta de crianças, de quantas crianças ela toma conta, quais as idades, etc. Eu particularmente só acho que é muita criança para uma pessoa só e a pergunta que sempre me vem à cabeça é: no caso de um acidente com uma criança -- que sempre pode acontecer -- o que ela faz com as outras sete, se estiver sozinha? Tudo bem que ela tem que ter um back-up, ou alguém em caso de emergência, mas até a tal pessoa chegar? Sei lá... O preço destas creches é obviamente bem mais em conta...mas como ainda não visitei nenhuma assim, não posso emitir opinião.

* a quarta opção, também bem comum no Brasil, é a famosa babá, mas o grande problema aqui é a mão-de-obra escassa. Encontrar gente que faça serviços domésticos aqui é um perrengue, sem contar com o preço, que costuma ser absurdo. Além disto, a gente precisa encontrar "aquela babá" em quem possa confiar plenamente, principalmente no meu caso, que trabalho fora o dia todo e não tenho família por perto. É claro que fica muito mais fácil quando a mãe pode trabalhar de casa, mas este não é meu caso, então tenho medo da falta de supervisão...Fora isto, acho que é muito bem para a criança estar exposta a outras crianças e aprender a se socializar desde cedo, e com a babá a interação com outras crianças obviamente é bem menor. Acho que desta forma elas se tornam mais independentes e simpáticas.

Ontem visitei duas creches perto de casa, localização ideal para nós, e adorei uma delas, a mais cara obviamente. Gostei tanto que fiquei surpresa. Passei uma hora com os bebês do berçário e só fui embora porque tinha que trabalhar. Achei as crianças lindas e felizes e conheci uma menininha portuguesa de três anos (numa outra classe) que falava português fluentemente, e para surpresa de todos ela não se intimidou nem um pouquinho quando puxei assunto com ela. Gostei das instalações, do staff e das atividades propostas. Tudo muito organizado.

Ainda tenho outras visitas marcadas, mas temos que tomar nossa decisão em breve. Claro que com base nas experiências da minha irmã e de várias amigas, sei que planos e ideias se desfazem com o vento. A gente planeja, aí chega o bebê e diz pra gente que não é nada disso: fica doente demais na creche, tem alergia alimentar, a babá não dá certo e por aí vai...

Pois é, sei que a partir de dezembro, as decisões aqui não serão só minhas e do Blake e que muito em breve o novo habitante da nossa casa vai influenciar em tudo. Mas só para minha paz de espírito, não custa nada eu -- ao menos tentar ou pensar -- estar preparada!

6 comments:

Cristina Simões said...

Olá....sabe aqui em portugal não é diferente...
No meu caso desde que engravidei da Larissa a 10 anos atras VIREI mãe a tempo inteiro.E depois de quatro anos gostei tanto de ser mãe que tivemos a Letícia ,actualmente a Larissa tem 10 anos e Letícia 6...
E continuo em casa....mas graças a Deus pude estar com elas.....
Com certeza você vai encontrar um lugar adequado ao seu bebe-
Beijinhos
Cris

Luciana Misura said...

Dani, quando eu estava grávida da Julia e não tinha como trabalhar de casa a minha escolha era uma creche mesmo. Eu não me sinto a vontade com in-home daycare e nem com uma babá em casa sozinha com a minha filha. A sorte foi que eu mudei de emprego e comecei a trabalhar de casa, então pude contratar uma babá mas ficava ali sempre pertinho vendo o que estava acontecendo. Acho que pra mães que trabalham fora, a não ser que você realmente ache uma babá ou in-home daycare de confiança (caso de uma amiga que deixa a filha com a vizinha do outro lado da rua por exemplo), a creche dá mais tranquilidade. Não sei como é por aí mas aqui tem várias creches que tem webcam pros pais darem uma olhadinha. A preschool-daycare que a Julia está agora tem, é ótimo.

camila said...

E barra mesmo. Eu to contando que vou poder trabalhar de casa a maior parte da semana, mas ainda nao tenho 100% de certeza que minha chefe vai aceitar. Meu marido trabalha de casa e e bem flexivel, entao a gente vai ter que se virar. Creche boa aqui em LA e cara demais, nao vai dar.

Cassia said...

Dani, quanto tempo vc vai pegar de licensa maternidade?
Entao, eu trabalhei de baba ate eu conseguir minha licensa de enfermagem. Eu cuidava de uma newborn e uma menina de 3 anos. A mae delas eh maravilhosa e tinha uma schedule bem cheia. Planejava tudo o que era pra acontecer no dia. Iamos para a biblioteca pra toddler e baby story time, programas de arts and crafts e sing-along no mall, fora as aulinhas de my-gym, grupos com outras babas no parque, etc. As criancas se socializavam pacas. O dificil foi sair de la, pq amo muito as meninas e ate hoje vou visita-las. Eu ganhava 12 por hora cash, 40 horas por semana e 15 por hora pra hora extra para os pais irem pra date-night, etc. Eles nunca fizeram isso comigo, mas eh mais do que direito dos pais terem uma nanny cam tambem... Eu colocaria meus filhos em creche so depois de uns dois aninhos de idade, pq dai a probabilidade de choking, SIDS,e outras doencas q se espalham rapido entre criancas diminue, sabe? Mas eh logico que a decisao eh sua e tenho certeza q vai sert o melhor pra vcs ;) Bjos

Só uma menina said...

Tomara que vc consiga vaga na creche que gsotou, Dani. Minha experiência é ótima e Miguel quase não fica doente. É sociável, tem uma rotina que respeita até nos fins de semana - como a hora do soninho e das refeições - e não me preocupo com a inserção de alimentos em sua dieta já que isso é feito pela creche. Ele come de tudo! Boa sorte!!!

Dani said...

Meninas,
Obrigadissma pela opiniao de voces. Ate aqui, estou tentada a escolher uma das creches que visitei. Ainda tenho mais umas duas para ver, mas estou deixando de lado a ideia do in-home day care, ja que nao tenho nenhuma referencia ou amigos que tenham bebes em casa e morem aqui perto. A mesma coisa com a baba. Cassia, esta mae deu a maior sorte de ter voce caindo do ceu! Acho que so topo baba se for uma coisa assim: uma pessoa preparada e superbem recomendada, fora isto acho muito arriscado deixar o bebezinho sozinho com ela o dia todo. Embora nossos trabalhos tenham alguma flexibilidade, tanto eu quanto o Blake temos "office jobs" e horario a cumprir...
Bem, fiquem na torcida que eu vou dando noticia!
Beijos