June 30, 2008

Saindo do buraco

Volta e meia me perguntam como dei a volta por cima ao enfrentar o fantasma do câncer duas vezes nos últimos seis anos. Esta pergunta sempre me traz à memória uma cena bem triste que não tem nada a ver com a minha experiência em si.

Há mais de dez anos, minhas duas primas perderam o pai de uma forma brutal e repentina. Elas tinham doze e treze anos. Eu estava viajando quando tudo aconteceu e como não poderia retornar antes da data prevista, minha família decidiu esperar a minha volta para me contar.

Saí do aeroporto e fui direto para casa dos meus avós, onde toda a minha família estava reunida. Tudo me parecia tão surreal e não conseguia acreditar que uma tragédia tão grande tivesse se abatido sobre a nossa família.

As minhas primas, que tinham acabado de perder o pai, também estavam lá, muito tristes obviamente, mas de certa forma resignadas. A mais nova delas, sentou-se ao meu lado no sofá. Eu perguntei a ela como aquilo tinha acontecido e ela detalhadamente me relatou tudo que tinha ocorrido aquela noite, o que ela fazia, como ela soube do que tinha acontecido, como as pessoas ao lado dela tinham reagido, como o pai tinha sido levado já sem vida ao hospital. Ela demonstrava uma calma impressionante e uma postura muito diferente do que se espera de um pré-adolescente. Ela tinha apenas uns doze anos e exibia uma sabedoria de fazer inveja a qualquer adulto.

Então perguntei a ela de onde ela tirava forças para me contar aquela história e para seguir em frente dia após dia. Ela respirou fundo, apontou para o peito e disse "Daqui." Aquela cena me tocou fundo e me lembro daquela tarde como se fosse hoje.

Então quando as pessoas me perguntam como consegui enfrentar uma doença tão covarde e brutal sem enlouquecer, quando me perguntam de onde tirei forças para seguir em frente, penso na minha prima e digo: "Daqui, do fundo do meu coração." Pois é lá que guardo todo o amor e carinho que recebo da minha família, dos meus médicos e dos meus amigos.

Li uma vez que os pacientes que reagem melhor a diagnósticos bombásticos normalmente têm duas características em comum:

A) uma fé inabalável
B) um relacionamento extraordinário com seu cônguje e/ou com seus familiares

Além disso, incluo um grande grupo de amigos, que estão presentes nos momentos bons e ruins.

Para minha sorte, além da minha juventude e estilo de vida muito saudável, tive a chance de fortalecer a minha fé e meus laços afetivos com as pessoas mais que especiais que me cercam.

2 comments:

Fernanda - www.fernandafranca.com said...

Vida nova!!!! ;o)
Depois quero saber mais sobre o trabalho no hospital, tá? Beijos.

landim said...

Achei sua história muito interessante ,sou um sobrivente ;
Há 11 ao fz a cirurgia de hepatctomia no figado lado direito.
porem essa semana estão com uma suspeita d retorno ,dessa maldita doença que tentou me derrotar uma vez e não conseguiu ,mais tenho uma noticia para vocês e para ela ...
Essa coisa que tenta crescer dentro de mim será derrotada novamente,em nome de Jesus;
Pense só na epoca que tive o problema da primeira vez não tinha nada a perder e há derrotei,imagine agora que tenho uma esposa maravilhosa que está esperando um filho lindo que vai chamar se Gabriel.
Saiba que Deus está conosco em todos os momentos e passarei por cima disso como um trator e estarei aqui para louvar ao Senhor e me coloco a disposição para ajudar no que for possivel ,moro em São Paulo - Brazil ;
Por favor entre em contato comigo através de meu email:douglas_landim@hotmail.com