April 28, 2008

Flashback


Estas duas últimas semanas foram um flashback total. Volta e meia achava que ia dar de cara com a Dani Duran, estudante de jornalismo da NYU, pela rua. Ou talvez fosse encontrar a Dani, repórter da Thomson, numa esquina de lower Manhattan.

A sensação que tive ao longo destes dias foi de estar passando por um imenso túnel do tempo. Consegui enfim rever boa parte dos amigos -- ainda falta uma meia dúzia -- mas ainda assim voltei com gosto de quero mais.

A viagem que de início parecia fadada ao fracasso até que foi bem legal e Nova York tem um efeito mágico e quase imediato sobre o meu ego, pois é na grande maçã que me lembro do que sou capaz.

Como a minha nova empresa tem uma mentalidade de start-up, apesar de agora fazer parte da prestigiosa família Financial Times, me colocaram num hotel um tanto quanto excêntrico e de localização interessante, ao lado do famoso Museum of Sex.

O Gerswin Hotel , este da foto aí em cima, é endereço favorito dos hispters e Eurotrash e foi lá que percebi que meus tempos de hispter já ficaram para trás. Como diria Tim Maia, eu só quero sossego. O hotel é famoso tanto pela clientela alternativa/fashion/excêntrica quanto pelas obras de arte exibidas por lá. Tem muito Andy Warhol e tem sempre um artista em residência, mas honestamente não fiquei muito impressionada. Quando vou ao museu, não quero ver lençois brancos e toalhas limpas, então quando vou me hospedar num hotel, dispenso da mesma forma obras de Andy Warhol penduradas em paredes sujas. Resumo da ópera o tal o hotel não passa de um albergue metido a besta.

Mas fora o hotel-espelunca, ir para o trabalho a pé é um verdadeiro luxo. Aposentei todos os sapatos que levei na mala e não me separei das minhas confortáveis sapatilhas, em homenagem ao ícone nova-iorquino Audrey Hapburn em Breakfast at Tiffany's. Me senti a própria.

Nova York é e sempre será a minha segunda casa. Adoro me perder por aquelas ruas e encotrar no meio de tantos estranhos rostos familiares. Cada esquina tem um significado especial para mim, cada cantinho, cada arranha-céu tem uma história especial para mim. Não é raro eu me ver bem ali parada, seja na Union Square, na Christopher St. ou em Astor Place...é tudo muito próximo de mim.

Passei em frente ao prédio da Jamie em Astor Place. Senti uma enorme vontade de subir e tocar lá no apartamente 6H, onde ela ia me receber com aquele sorriso aberto e cheia de novidades para me contar. Pensei até em comprar o latte para ela no Starbucks, mas ela não estava mais lá e nunca mais vai voltar. A minha amiga inseparável e fada-madrinha em Nova York não está mais lá. Nem aqui. Nem em lugar nenhum. Ela se foi...o fígado não agüentou e a levou pra longe de todos nós. Ontem quando saí do metrô me deu uma saudade imensa dela, so seu jeito estabanado, da sua gargalhada. Olhei para o prédio da frente, nosso escritório, a megaloja da Barnes & Noble, que agora está fechada. Não deve ter suportado a saudade da Jamie. Perdi as contas de quantas vezes eu mesma me abriguei lá no meio de tantos livros, de tantas revistas, em busca de mim mesma. O passeio por Astor Place teve um sabor acridoce.

Nova York para mim tem gosto de inocência, pois foi naquelas ruas que me transformei em quem eu sou... Passei de menina estudante à jornalista financeira e quem diria que dez anos depois estaria de volta a Manhattan na condição de jornalista financeira! Só que desta vez mais para dinossaura do que para foca. (Para quem não sabe, repórter novo e inexperiente é chamado de foca e aquelas criaturas dos século passado que ainda habitam muitas redações por aí são também conhecidas como dinossauros.)

Quando que pensei que ainda ia vagar pela Quinta Avenida com a Michele em busca de um taxi em 2008? Só que desta vez ambas tínhamos hora para chegar, pois nossos maridos nos esperavam! Parece até piada ter as palavras "Danielle, Michele e maridos" na mesma frase. Pois é, nem tudo está perdido. Ou está?

Nova York sempre me faz bem, acho que é por me fazer perceber quanto fui feliz lá (tive momentos ruins também, mas que faço questão de esquecer) e quantas amizades sinceras e duradouras consegui fazer. Por incrível que pareça, mesmo saindo todas as noites durante duas semanas, não consegui ver todo mundo. Vi os antigos amigos e fiz novas amizades também. Me senti mais viva do que nunca. Mais útil, mais feliz, mais inteligente e mais determinada. Me senti completamente revigorada.

O melhor de tudo é que daqui a pouco já está na hora de voltar...

2 comments:

paulaalves00 said...

Vc me deixou MORRENDO de saudade de NY!!!!!!!!!!!
Não dá pra explicar o fascínio que essa cidade exerce sobre nós, pobres mortais.
Beijos pra vc... AH!! Apesar de difícil, consegui enxergar vc sem os saltos e chique demais de sapatilhas!!!

Cristina said...

Paula, ela fica ótima de sapatilhas, eu comprovei :-)