April 22, 2008

Entao ta…

Pois e, meus dias aqui na redacao ate que tem sido bem animados e como disse hoje a um colega que tem uns dez anos a menos que eu, minha temporada aqui tem sido um “exercicio de humildade”. Voltar ao lugar de partida nao e facil para ninguem, muito menos quando a gente jamais simpatizou com o tal lugar.

A empresa e diferente, mas o assunto e muito parecido com o que eu abordava no inicio da carreira e as praticas e politicas, melhor nem comentar. O bom e que exercito o meu texto e sou lembrada a cada momento de que apesar de poder ser uma excelente reporter, ja nao tenho grande interesse no assunto. Para falar a verdade, hard new nunca foi minha praia, sou muito mais um perfil bem escrito e apurado do que uma nota de impacto. Coisa de personalidade e a minha e assim.

Uma das coisas mais legais da minha temporada nova-iorquina foi encontrar a Andrea, minha amiga e iniciadora no mundo do veganismo, que saiu do mundo virtual e veio muito naturalmente para o mundo real. Nos encontramos num restaurante muito fofo no agora charmoso Meatpacking District (pois quando me mudei para ca esta area era um horror de suja e mal-frequentada).

Obviamente o cardapio era vegano e variadissimo. O restaurante, que se chama Blossom, estava lotado para uma segunda-feira. Mas Nova York e assim mesmo, tem sempre gente se o lugar e bom. Engatamos um papo-cabeca muito divertido e o que mais me surpreendeu foi que a Andrea repetiu uma frase que o Blake tinha me dito na vespera. “Nao pense que voce e diferente porque enfrentou uma barra pesada. Todo mundo tem um monte de problemas, so que ninguem fala.” Engracado isso, ne?

Confesso que as vezes me acho a martir, aquela que carrega a cruz do mundo. Confesso tambem que esta ultima cirurgia abalou bastante a minha confianca, pois toda o meu otimismo era baseado na teoria de que depois da minha primeira cirurgia, eu tinha acabado de pagar todos os meus pecados na Terra. Dali pra frente, seria ceu de brigadeiro. Mas como todo mundo sabe, a historia nao foi bem assim.

A Andrea tambem me disse uma outra coisa legal. Disse que viver e o que estou fazendo agora, ao tirar as pedras do meu caminho e ajustar a minha rota. A ideia de vida que eu tinha e completamente equivocada ja que se alicerca na nocao louca de que podemos ter controle quase que absoluto sobre a nossa vida. Pois e, decadas de analise nao conseguiram me convencer de que NAO tenho controle de tudo. Falar e facil. Dificil e aceitar. Mas estou tentando.

Ja que em muitos aspectos tive que voltar para a primeira casinha do tabuleiro, estou tentando aprender as licoes que devem ter ficado pelo caminho. E nesta trajetoria quem sabe nao esbarro comigo mesma e encontro um pouco de paz.

A Andressa me mandou um email hoje dizendo que se emocionou com um post que escrevi sobre ela. Pediu tambem para eu deixar de ter pena de mim, pois nao preciso disso. Prometi que vou ser mais forte. Acho que o pior e a ansiedade, a antecipacao. Depois das pancadas a gente leva um tempo para se levantar, as vezes reluta, mas sabe que tem que reagir.

4 comments:

Ana Claudia Lintner said...

Dani,
as always, "voce falou e disse"... como e dificil este recomeco, esta volta a casinha 1 do tabuleiro...
faz parte, eu sei. Tambem nao gosto de ter peninha de mim, alias, de ninguem, mas confesso que e como me sinto no exato momento. Ta bom, ja escutei e concordo: vai passar. Um passinho a frente por favor.
Beijos
Ana

Claudia said...

Oi Dani... que legal que vc conheceu a Andrea.. manda um beijo enorme pra ela, se falar com ela de novo. E aproveita a temporada em NY e na boa, nao se cobra tanto... :)

Cristina said...

Dani,
muito bem! Falou e disse! Foi ótimo ler seus 2 últimos posts agora voltando de salvador (tive uma notícia bomba ao chegar em casa, depois te conto) - nestas horas temos que virar a página mesmo... :-)

ipmello said...

Oi Danielle,
Acabei de ler todo teu blog!
Parbéns pela coragem de você contar tua experiência e se expor dessa forma em prol de um bem maior que é a conscientização de um problema de saúde que não tem mais idade e nem estilo de vida para surgir. E, mais ainda pela iniciativa de ajudar outras pessoas a enfrentar o problema de forma positiva e construtiva.
A vontade de viver quebra muitas barreiras e a sua lição de vida mostra isso.
Continuarei voltando e torcendo por você.
Isabel