Hoje os três âncoras das maiores redes de TV dos EUA lançaram uma megacampanha para arrecadar mais fundos para as pesquisas para a cura do câncer.
Os jornalistas Katie Couric (CBS), Charles Gibson (ABC) e Brian Williams (NBC) passaram por todos os programas matinais divulgando o especial que será transmitido simultaneamente pelas três emissoras em todo o país.
A idéia é sonho antigo de Katie que perdeu o marido e a irmã para a doença. Os outros dois jornalistas também viveram a experiência da doença de perto.
O comercial é de arrepiar.
É tocante ver o comprometimento de tanta gente por uma causa tão urgente. Atos assim me enchem de esperança de que a cura para o câncer pode estar muito próxima.
May 28, 2008
Plágio
Se tem uma coisa que me deixa enfurecida é quando se apropriam de textos meus sem me dar o devido crédito. Fico roxa de raiva! Acho que todo conhecimento precisa ser compartilhado, mas usando o jargão jornalístico "chupar" texto é uma coisa muito feia, que não passa muito longe de "roubo" mesmo, pois a produção intelectual de um escritor/jornalista/tradutor é um ativo importantíssimo e muitas vezes é através dela que sobrevivemos.
Hoje fiquei chocada ao descobrir a minha tradução para o artigo do Washington Post postada ipsis litteris num outro blog, sem menção alguma ao meu nome ou ao jornal que publicou a matéria original. Não é frescura não, mas um ato assim tão inocente não leva em consideração o autor que passou horas escrevendo o texto ou a tradutora que foi dormir às quatro da manhã para cumprir uma promessa aos blogueiros amigos de plantão. O mínimo que eles merecem é uma mísera mençãozinha, não acham?
Como repórter que sou, presto muita atenção a este tipo de coisa e procuro sempre indicar as fontes em todo o material que escrevo. Talvez deva culpar minha formação jornalística purista por tanta sensibilidade, mas sinceramente me sinto violada quando uma coisa destas acontece.
Como um dos meus professores favoritos da NYU, o jornalista do New York Times, Ed Diamond dizia, "stealing from one source is called plagiarism; stealing from five or more sources is called research." Então não importa como encare a situação, se o povo está usando meu trabalho sem se importar sequer em mudar uma palavra ou outra, não tenho outro adjetivo para usar a não ser "plagiadores". Uma pena!
Hoje fiquei chocada ao descobrir a minha tradução para o artigo do Washington Post postada ipsis litteris num outro blog, sem menção alguma ao meu nome ou ao jornal que publicou a matéria original. Não é frescura não, mas um ato assim tão inocente não leva em consideração o autor que passou horas escrevendo o texto ou a tradutora que foi dormir às quatro da manhã para cumprir uma promessa aos blogueiros amigos de plantão. O mínimo que eles merecem é uma mísera mençãozinha, não acham?
Como repórter que sou, presto muita atenção a este tipo de coisa e procuro sempre indicar as fontes em todo o material que escrevo. Talvez deva culpar minha formação jornalística purista por tanta sensibilidade, mas sinceramente me sinto violada quando uma coisa destas acontece.
Como um dos meus professores favoritos da NYU, o jornalista do New York Times, Ed Diamond dizia, "stealing from one source is called plagiarism; stealing from five or more sources is called research." Então não importa como encare a situação, se o povo está usando meu trabalho sem se importar sequer em mudar uma palavra ou outra, não tenho outro adjetivo para usar a não ser "plagiadores". Uma pena!
Meu mapinha
Sai um pouco do foco do blog, mas acho melhor explicar o novo "brinquedinho" que coloquei aqui.
No lado direito da página, vocês podem ver um mapinha azul e pink com umas estrelinhas piscando, o que significa que naquele exato momento há outras pessoas acessando o blog desas áreas assinaladas.
Mapas sempre tiveram um efeito mágico em mim. Pequena, um dos meus brinquedos favoritos era um atlas imenso da Enciclopédia Britannica. Adorava passar horas folheando suas páginas e imaginando lugares novos e povos diferentes. Sempre fui fascinada por culturas diferentes, então não foi supresa para ninguém quando do alto dos meus 18 anos arrumei minhas malas -- depois de ter conseguido uma bolsa de estudos -- e vim para os EUA sozinha.
Por aqui, não conheci somente a cultura americana onde fui simplesmente imersa, mas passei por um verdadeiro choque cultural. Passei dois anos trancada numa universidade para mulheres na Virginia -- um dos estados mais tradicionalistas por aqui -- mas por outro lado, conheci as pessoas mais progressistas que se tem notícia. Do dia para noite, minhas melhores amigas de infância eram turcas, indianas, nicaragüenses e por que não americanas?! Nunca aprendi tanto num espaço tão curto de tempo.
Então foi justamente por esta minha fascinação por mapas e povos e culturas diferentes que incluí este wiglet aqui. Para saber exatamente onde meus novos amigos estão.
No lado direito da página, vocês podem ver um mapinha azul e pink com umas estrelinhas piscando, o que significa que naquele exato momento há outras pessoas acessando o blog desas áreas assinaladas.
Mapas sempre tiveram um efeito mágico em mim. Pequena, um dos meus brinquedos favoritos era um atlas imenso da Enciclopédia Britannica. Adorava passar horas folheando suas páginas e imaginando lugares novos e povos diferentes. Sempre fui fascinada por culturas diferentes, então não foi supresa para ninguém quando do alto dos meus 18 anos arrumei minhas malas -- depois de ter conseguido uma bolsa de estudos -- e vim para os EUA sozinha.
Por aqui, não conheci somente a cultura americana onde fui simplesmente imersa, mas passei por um verdadeiro choque cultural. Passei dois anos trancada numa universidade para mulheres na Virginia -- um dos estados mais tradicionalistas por aqui -- mas por outro lado, conheci as pessoas mais progressistas que se tem notícia. Do dia para noite, minhas melhores amigas de infância eram turcas, indianas, nicaragüenses e por que não americanas?! Nunca aprendi tanto num espaço tão curto de tempo.
Então foi justamente por esta minha fascinação por mapas e povos e culturas diferentes que incluí este wiglet aqui. Para saber exatamente onde meus novos amigos estão.
May 27, 2008
Os avanços da ciência
Uma das maiores vantagens de ser jornalista é que a gente fica sabendo muita coisa em primeiríssima mão. Às vezes as notícias são desagradáveis, mas vez ou outra, a gente fica sabendo de cada coisa que de tão bacana chega a ser inacreditável.
Uma das reportagens que fiz nos últimos dias me encheu de esperança e me comoveu muito, pois vi que o compromisso em encontrar uma cura para o câncer é real para muitas pessoas e que a ciência caminha passos largos nesta direção. Espero ver muita coisa ainda enquanto viver.
Há algumas semanas revirando a internet em busca de empresas de biotecnologia que estejam em vistas de abrir o capital, conheci a Stemline Therapeutics, uma empresa supernova que trabalha com um mecanismo que ataca as células-tronco cancerígenas. Admito que sequer sabia que tais células existem, mas graças a Deus têm gente muito esperta tentando tudo para acabar com elas.
O Dr. Ivan Bergstein é uma destas pessoas geniais que estão determinadas a encontrar um modo de melhorar o prognóstico de milhares de pacientes. Ele não se conforma em perder a guerra contra esta doença maldita e o logo da sua empresa já diz tudo: Targeting cancer at its root, que quer dizer atacando o câncer pela raiz.
Conversando com ele, que é oncologista e hematologista, descobri que estas células-tronco cancerígenas são um a cinco por cento de todos os tumores e que ao contrário das outras células, estas não reagem a nenhuma forma de tratamento condicional, como químio ou rádio.
Com esta tecnologia, as novas drogas passarão a atacar diretamente as células-tronco cancerígenas, sendo assim a probabilidade de reincidência da doença cai drasticamente. Esta notícia não é ótima?!
A Stemline já está trabalhando nos testes clínicos para leucemia e outros tipos de câncer do sangue. Há também alguns testes para câncer de cérebro e bexiga, ainda em fase inicial. Nada ainda para fígado, o Dr. Bergstein me disse, mas devido a grande demanda, a empresa deve começar a estudar a hipótese. Como se sabe, o fígado é um órgão muito complexo, por isto a necessidade de muitos estudos e testes. Mas tenho fé na ciência. Tenho fé no Dr. Bergstein e em muitos outros cientistas dispostos a erradicar esta doença o mais rápido possivel.
Saí do que seria uma simples entrevista sobre os dados financeiros de uma empresa revigorada. Saí inspirada e feliz de saber que se o câncer nunca dorme, a ciência também não fica atrás. Às vezes é muito bom estar nos EUA só para ver este tipo de coisa acontencendo e conversar com que está por trás de um avanço destes. São dias como este que me deixam extremamente feliz e otimista. Sorrio só de pensar que meus filhos podem viver num mundo sem câncer.
Uma das reportagens que fiz nos últimos dias me encheu de esperança e me comoveu muito, pois vi que o compromisso em encontrar uma cura para o câncer é real para muitas pessoas e que a ciência caminha passos largos nesta direção. Espero ver muita coisa ainda enquanto viver.
Há algumas semanas revirando a internet em busca de empresas de biotecnologia que estejam em vistas de abrir o capital, conheci a Stemline Therapeutics, uma empresa supernova que trabalha com um mecanismo que ataca as células-tronco cancerígenas. Admito que sequer sabia que tais células existem, mas graças a Deus têm gente muito esperta tentando tudo para acabar com elas.
O Dr. Ivan Bergstein é uma destas pessoas geniais que estão determinadas a encontrar um modo de melhorar o prognóstico de milhares de pacientes. Ele não se conforma em perder a guerra contra esta doença maldita e o logo da sua empresa já diz tudo: Targeting cancer at its root, que quer dizer atacando o câncer pela raiz.
Conversando com ele, que é oncologista e hematologista, descobri que estas células-tronco cancerígenas são um a cinco por cento de todos os tumores e que ao contrário das outras células, estas não reagem a nenhuma forma de tratamento condicional, como químio ou rádio.
Com esta tecnologia, as novas drogas passarão a atacar diretamente as células-tronco cancerígenas, sendo assim a probabilidade de reincidência da doença cai drasticamente. Esta notícia não é ótima?!
A Stemline já está trabalhando nos testes clínicos para leucemia e outros tipos de câncer do sangue. Há também alguns testes para câncer de cérebro e bexiga, ainda em fase inicial. Nada ainda para fígado, o Dr. Bergstein me disse, mas devido a grande demanda, a empresa deve começar a estudar a hipótese. Como se sabe, o fígado é um órgão muito complexo, por isto a necessidade de muitos estudos e testes. Mas tenho fé na ciência. Tenho fé no Dr. Bergstein e em muitos outros cientistas dispostos a erradicar esta doença o mais rápido possivel.
Saí do que seria uma simples entrevista sobre os dados financeiros de uma empresa revigorada. Saí inspirada e feliz de saber que se o câncer nunca dorme, a ciência também não fica atrás. Às vezes é muito bom estar nos EUA só para ver este tipo de coisa acontencendo e conversar com que está por trás de um avanço destes. São dias como este que me deixam extremamente feliz e otimista. Sorrio só de pensar que meus filhos podem viver num mundo sem câncer.
May 24, 2008
Lembrando daqueles que lutam...
Este foi um dos momentos mais emocionantes durante a cerimônia dos sobreviventes da ACS.
Depois dos discursos, cada um dos presentes pôde acender uma luminária em homeagem ou em honra daqueles que lutaram contra o câncer.
Minha cunhada Elizabeth foi comigo e também ficou muito sensibilizada.
Semana que vem, tem a nossa cerimônia aqui. Quero acender mais luminárias.
Desta vez vou acender uma para o Ricardo, sobrinho da Isabel. Isabel, se você puder, por favor me mande o nome dele completo.
Quem estiver lendo este post e quiser que eu acenda uma luminária para um ente ou amigo querido, por favor me mande o nome completo da pessoa e se possível o tipo de câncer.
May 21, 2008
Ted Kennedy

O clima aqui nos EUA está pesado desde a revelação da doença do Senador Ted Kennedy, último dos irmãos vivo e símbolo máximo do Partido Democrata .
Convicções políticas a parte, não se pode negar a importância de Ted para a política americana. Ele é o segundo senador mais antigo a servir o país e continua mais ativo do que nunca. Kennedy foi importante durante o movimento dos direitos civis e marchou junto a Martin Luther King contra a segregação racial nos anos 60 e sua tem sido um dos legisladores mais ativos da história deste país. Uma das causas abraçadas pelo senador é o combate ao câncer. Kennedy defende mais investimento em pesquisas para a cura e em tratamento mais justo para os pacientes. Vale lembrar que praticamente não há sistema de saúde pública nos EUA.
É uma grande ironia do destino que esta doença a qual ele declarou guerra anos atrás agora possa vencer esta batalha. Mas como todos insistem em dizer, ele é um lutador e não vai desistir facilmente. Deu para ver a coragem dele ao deixar o hospital em Boston ainda pouco.
Vou continuar rezando por Ted Kennedy e por sua família. Que Deus lhe dê vida longa e coragem para continuar a batalha.
Por que contar a minha história?
Quarta-feira passada, fui a recepção em honra aos sobreviventes de câncer. Foi um momento muito emocionante e "acridoce" para mim. Me sinto muito feliz de ter vivido para contar a história, me sinto realizada por estar envolvida e dando o máximo de mim para que uma cura seja encontrada, mas ao mesmo tempo, sou obrigada a reviver momentos marcantes na minha vida -- bons e ruins -- e isso é difícil.
O pessoal aqui de Carroll County, onde eu moro, está reunindo depoimentos de pacientes de câncer para lançar um livro de histórias de inspiração e coragem. Não pensei duas vezes antes de abraçar a idéia, assim como nem me passou pela cabeça não fazer parte do livro da Planet Cancer. Se não consigo entender muito bem por que ainda estou aqui -- não sou melhor nem pior que ninguém e tantas pessoas maravilhosas não têm a mesma chance -- às vezes acho que fiquei aqui para contar a minha história, para dar meu depoimento, ou como a minha mãe gosta de dizer, "dar meu testemunho." Não consigo entender por que minha vida foi poupada, mas estou decidida a fazer o máximo com o tempo que me resta.
Acho estas iniciativas maravilhosas e me dedico a elas para que ninguém tenha que passar pelo que eu passei. Espero que ninguém tenha que sentir a solidão absurda que eu senti. Quero que os novos pacientes saibam que há vida depois do câncer e que esta vida pode ser muito mais completa do que a vida que conhecíamos antes.
Como ouvi outro dia, o diagnóstico de câncer se parece muito com a morte propriamente em si. Você pode estar cercado de familiares e amigos que te amam, que rezam muito por você e que vão estar ao seu lado sempre. Mas a jornada é só sua e você tem que percorrê-la sozinho. Então bate um medo, um pavor enorme, pois só você pode passar por sua via crucis e você está só. Nestas horas só quem tem espiritualidade sobrevive, pois sentimos a presença de Deus junto a nós; sentimos que Ele nos conduz para um lugar melhor. Ainda não estou tão firme na minha fé a ponto de encarar tudo isto com serenidade, mas espero um dia chegar lá.
É ilusão pensar que depois de um diagnóstico terrível como estes, nossa vida será a mesma. Nada nunca mais será igual. Nossa inocência foi perdida, mas ganhamos tantas outras coisas. Ganhamos além de feridas e cicatrizes uma apreciação enorme pelo dom da vida e isto não tem preço.
O pessoal aqui de Carroll County, onde eu moro, está reunindo depoimentos de pacientes de câncer para lançar um livro de histórias de inspiração e coragem. Não pensei duas vezes antes de abraçar a idéia, assim como nem me passou pela cabeça não fazer parte do livro da Planet Cancer. Se não consigo entender muito bem por que ainda estou aqui -- não sou melhor nem pior que ninguém e tantas pessoas maravilhosas não têm a mesma chance -- às vezes acho que fiquei aqui para contar a minha história, para dar meu depoimento, ou como a minha mãe gosta de dizer, "dar meu testemunho." Não consigo entender por que minha vida foi poupada, mas estou decidida a fazer o máximo com o tempo que me resta.
Acho estas iniciativas maravilhosas e me dedico a elas para que ninguém tenha que passar pelo que eu passei. Espero que ninguém tenha que sentir a solidão absurda que eu senti. Quero que os novos pacientes saibam que há vida depois do câncer e que esta vida pode ser muito mais completa do que a vida que conhecíamos antes.
Como ouvi outro dia, o diagnóstico de câncer se parece muito com a morte propriamente em si. Você pode estar cercado de familiares e amigos que te amam, que rezam muito por você e que vão estar ao seu lado sempre. Mas a jornada é só sua e você tem que percorrê-la sozinho. Então bate um medo, um pavor enorme, pois só você pode passar por sua via crucis e você está só. Nestas horas só quem tem espiritualidade sobrevive, pois sentimos a presença de Deus junto a nós; sentimos que Ele nos conduz para um lugar melhor. Ainda não estou tão firme na minha fé a ponto de encarar tudo isto com serenidade, mas espero um dia chegar lá.
É ilusão pensar que depois de um diagnóstico terrível como estes, nossa vida será a mesma. Nada nunca mais será igual. Nossa inocência foi perdida, mas ganhamos tantas outras coisas. Ganhamos além de feridas e cicatrizes uma apreciação enorme pelo dom da vida e isto não tem preço.
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