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March 16, 2011

Por favor, assinem esta petição

O post de hoje vai sair um pouco do tema de produtos de bebê, mas continua a abordar o assunto superimportante da maternidade.

Quem está sempre por aqui, talvez se lembre de eu ter comentado sobre uma amiga minha que estava na fila para adotar duas crianças da Etiópia. Ela e o marido estão na espera há mais de dois anos e venho acompanhando o drama deles desde que comecei a trabalhar aqui, há um ano. na qualidade de mera espectadora, digo de cadeira, é muito mais difícil do que qualquer fertilização in-vitro. Regras que mudam a todo momento, invasão total de privacidade (eles têm que comprvar todos os gastos, como supermercado, roupas, viagens), burocracia infernal (periodicamente eles têm que ir a polícia para obter certificado de antecedentes criminais atualizado), e completa falta de informação. Montanha-russa é pouco par ao que eles têm vivido.

Depois de serem avisados de que a recomendação da adoção demoraria mais de um ano,quando eles pensavam ter chegado à reta final, há um mês eles tiveram a ótima notícia de que a agência havia localizado dois irmãos que poderiam ser adotados. Muito embora de início meus amigos tivessem dito que preferiam ao menos um bebê, ao ver as fotos dos meninos --que hoje têm 2 1/2 e 3 1/2 anos -- mudaram de ideia na mesma hora.

A minha amiga virou mãe imediatamente! Fotos dos meninos por todos os lados, planos de compras de roupas e móveis, escolas, passeios, todos os sonhos acalentados por tanto tempo tão perto de se tornarem realidade. O plano era ir até a Etiópia adotar os meninos em três meses e voltar dois meses depois para finalizar a papelada e pegar os passaporte americano deles para enfim trazê-los para casa. O final feliz estava próximo.

Mas infelizmente, parece que mais uma vez o Governo da Etiópia muda as regras e os poucos meses que separavam meus amigos dos filhos agora podem se tornar anos, já que o Governo vai restringir em 90% as adoções no país, o que pode impactar todos os pais que ainda não trouxeram os filhos para casa.

As notícias são poucas e conflitantes e ainda não se sabe muito bem o que fazer. No momento há esta petição circulando na internet e eu peço para que cada um de vocês assine e, se possível, passe para frente.

Eu tenho acompanhado o drama e o sofrimento de uma família de perto, mas posso imaginar as centenas de outras que vivem o mesmo problema e agora mais do que nunca, sinto a dor delas.

Aqui vai o link: Para quem tem Twitter, Facebook...vale a pena espalhar!

January 26, 2008

A Espera

Quando penso em tudo que tenho vivido, vejo que a grande lição a ser tirada disto tudo é a paciência. Admiro demais as pessoas calmas e pacientes, mas parece que não consigo desenvolver esta virtude em mim. Acho este traço de personalidade tão importante que coloquei no topo da minha lista quando estava em busca da minha cara metade, então não foi por acaso que me casei com uma das pessoas mais pacientes que conheço. Freud deve explicar esta história de se buscar no outro algo que a gente não tem. Meu caso deve ser clássico.

A ansiedade e a busca pela perfeição, ou como diz a minha mãe, pelo inatingível, são características tipicamente minhas. Sou o tipo de pessoa que depois passar tempos me matando de trabalhar para acabar um projeto, olho para o produto final e penso: "Está mais ou menos. Pode ser melhorado. Acho que vou fazer tudo de novo." E depois de refazer tudo, olho a minha volta e me pergunto se não há nada mais a fazer. Então na certeza de ter acabado o tal projeto, me apresso e vou buscando logo uma coisa mais difícil ainda para fazer.

Mas esta loucura não fica restrita ao trabalho, a minha vida é assim. Sempre tenho que batalhar muito para alcançar o que eu quero, para atingir o nível que determinei. Se quando era mais jovem estes desafios impossíveis eram um combustível e tanto, ao ficar mais velha, tornei-me um pouco blasé. Se quando era mais jovem, traçava metas mais que ambiciosas, sofria para alcança-las, mas quando chegava lá, tudo valia a pena, só pelo sentimento de vitória, de cumprimento da missão. Era como se cada uma das minhas tarefas auto-impostas me levasse ao topo do Everest. Lutava, sofria, chorava...mas ao chegar lá, era tomada por uma sensação absurda e maravilhosa de felicidade.

Com o passar dos anos, meus desafios não ficaram mais fáceis, mas aos poucos fui me cansando um pouco da luta. O jogo era mais ou menos o mesmo: corre, corre, espera...corre, corre, espera mais um pouco. Justo esta espera para mim sempre foi insuportável, pois não existe nada que EU possa fazer enquanto espero. Muitas vezes espero pelo outro. Espero pela opinião médica, espero pela imigração americana, espero pela decisão da banca. Espero em agonia.

Desta vez a espera é um pouco diferente. Desta vez tenho que esperar o meu corpo ficar saudável de uma vez por todas para que possa ter filhos. Não que ter filhos neste momento fosse a minha prioridade maior, tendo em vista que tenho menos de um ano de casada, mas a idéia de não ter mais esta escolha nos próximos dois anos me incomoda demais. Meu relógio biológico anda cada vez mais apressado e na minha faixa etária não me resta tanto tempo assim para esperar. Sei que as estrelas de Hollywood estão tendo filhos na faixa dos quarenta, mas convenhamos que a minha conta bancária não se assemelha nem um pouco à delas.

Quando toco neste assunto com a família e com os amigos, mas principalmente com o Blake, que seria o mais interessado, todos são unânimes em dizer que neste momento o meu foco deve ser em mim mesma, na minha saúde. Dizem que filhos podem esperar. Mas será?

Racionalmente esta hipótese não é nem tão ruim assim, pois ainda tenho muito a fazer em Maryland para que possa me sentir em casa. Ainda não finquei raízes. Não tenho meus lugares favoritos, não tenho hobbies ou atividades interessantes, ainda não fiz meu grupo de amigos. Então vou usar os próximos dois anos para fazer isso. Para me encontrar por lá, para escrever e ler mais que os 100 livros que leio por ano, para me dedicar mais ao meu casamento e ao meu marido. E quem sabe depois que tudo isto estiver em seu devido lugar eu posso pensar em trazer um pequeno ser humano a este planeta tão bagunçado?

Mas por enquanto, só resta a mim me habituar à espera e a aprender com ela.

January 12, 2008

A Biópsia

Enfim chegaram os resultados da biópsia e, graças a Deus, desta vez não houve surpresas. Desde a cirurgia, os médicos achavam que o tumor seria um adenoma com focos de hepatocarcinoma fibrolamelar e o resultado não foi diferente.

Mas como tudo comigo tem que ser "único", houve certa discussão na conclusão do laudo final. Alguns peritos achavam que o tumor deveria ser classificado como adenoma (que é benigno) e outros afirmavam que deveria ser chamado de hepatocarcinoma (tumor maligno) já que havia presença, mesmo que mínima, de células cancerígenas. Este filme eu também já vi!

A boa notícia é que os focos eram poucos e localizados e meu tumor altamente diferenciado, o que para nós mortais quer dizer que o tumor era pouquíssimo agressivo. Melhor ainda é saber que os médicos trabalharam com uma boa margem, ao contrário da primeira cirurgia, e que a minha chance de cura é próxima de 100%.

A notícia que me deixou um pouco triste é que volto basicamente a estaca zero no que diz respeito aos exames de rotina: a cada três meses no primeiro ano, a cada seis no segundo e a cada ano para o resto da minha vida. É bem estressante passar por ressonãncias e tomografias com tanta frequência, mas um preço pequeno para quem quer viver uma vida longa e saudável. Fiquei chateada também ao saber que terei que esperar dois anos para engravidar. Logo eu, a pessoa mais imediatista e impaciente do mundo! Outra grande lição.

Aliás agora começo a perceber algumas coisas com mais clareza. Sempre quis ter uma família, mas filhos nunca foram a maior prioridade. Se encontrasse um pai maravilhoso e uma boa estrutura de família, obviamente gostaria de tê-los, mas se minha vida me levasse por outros caminhos, não me sentiria tão frustrada. Várias amigas minhas afirmam que terão filhos independente de pai. Até acho a idéia bonita, mas nunca foi a minha bandeira. Queria minha carreira, uma relação estável, conforto antes de pensar em ter filhos. Depois de me mudar para Maryland, esta ordem mudou um pouco, até por falta de opção.

Moramos numa cidade minúscula onde todo mundo tem filho e nos EUA, ao contrário do Brasil, quando se tem filhos, vive-se num universo completamente diferente -- só se fala, se pensa, se vive e se respira filho! Quem não tem, não pode entrar e está alijado para sempre. Não sei se foi por isso, mas no final do ano passado começamos a pensar mais seriamente no assunto. Ter carreira de sucesso e emprego jet-setter morando longe de um grande centro urbano é praticamente impossível e como o Blake não tem a mínima vontade de morar numa cidade grande, pensei ter encontrado a solução perfeita: tenho meus filhos agora, brinco de casinha nos lindos subúrbios americanos, encho a minha SUV de cacarecos e viro a mãe perfeita por uns tempos.

Quando tudo parecia caminhar nesta direção, mais um grande tropeço. Durante o fatídico untrassom, na minha barriga ao invés de um bebê saudável, uma massa doente de 7 cm. Não que eu achasse que estava grávida, mas este exame que traz tanta alegria a tantas mulheres no mundo todo, para mim vem carregado de sofrimento e dor.

Sorte a minha ter fé. Desde pequena, dois dos meus ditados favoritos são "Deus escreve certo por linhas tortas" e "Everything happens for a reason". Então vou acreditando que no meu caso há algo mais urgente do que a maternidade. Talvez eu precise mesmo me encontrar antes de tentar gerar alguém. Talvez eu tenha filhos daqui a dois anos. Talvez não. Talvez possa adotar antes disto. Talvez não. Talvez não tenha nascido para ser mãe. Talvez sim.

Neste momento, mais uma vez, tenho muito mais dúvidas do que certezas, mas este e o verdadeiro propósito da vida, ir aprendendo aos poucos, errar, acertar, chorar, rir, esperar, arriscar, mas sempre seguir em frente. Acho que esta lição aos poucos vou aprendendo, mas a lição que me parece a mais difícil de todas é a tal da paciência, virtude a qual não possuo e, pior, sempre me orgulhei de não possuir, mas isso já é assunto para outro post.