September 29, 2010

Decisões…

Nunca imaginei que fosse ter que tomar tantas decisões antes mesmo de ser mãe. A primeira, e provavelmente a mais importante de todas, foi decidir que realmente queríamos um filho. Queríamos tanto que decidimos ignorar os obstáculos e partir em busca de nossos objetivos. E os obstáculos não foram poucos nem pequenos: a espera, primeiro pela “permissão médica” depois pela gravidez propriamente dita. Dois anos que são como uma eternidade para quem deseja ser mãe e já passa dos 30 e poucos anos. Depois os exames, as buscas pelos motivos da nossa “infertilidade”, que ninguém nunca descobriu, já que os resultados todos foram ótimos. E enfim o tratamento, que mais parecia uma missão de CIA, com instruções em código que mudavam a cada dia e telefonemas diários, sempre às 4.30 da tarde. Mas valeu, e como!

Depois a busca de um obstetra que pudesse me guiar durante todo este processo tão novo quanto excitante. Agora a busca de uma creche que possa cuidar bem do nosso maior tesouro. Já revirei quase 10 e ainda não consegui me decidir, mas acho que estamos próximos... Presto atenção a todos os detalhes e aos poucos vou me tornando “expert”, tudo para compensar a falta de experiência.

Agora a decisão que nunca havia passado pela minha cabeça e que jamais precisaria ser tomada se tivessemos uma menina: a circuncisão. Também provavelmente não seria abordada se o Joaquim nascesse na Europa ou no Brasil. Tradicionalmente, a maioria dos meninos americanos passa pelo procedimento antes mesmo de deixar a maternidade, mas atualmente este número vem caindo bastante e a questão virou uma polêmica enorme com xiitas dos dois lados. Os grandes jornais americanos volta e meia publicam grandes matérias sobre o assunto e os comentários dos leitores são dos mais inflamados possíveis. Há evidências e estudos que defendem os dois lados, mas a situação chegou a um nível tão louco que nenhum médico aqui ousa aconselhar seus pacientes a fazer ou não o procedimento.

Sempre achei que o Blake fosse ser favorável, sendo ele americano e bem mainstream, mas fiquei mais que surpresa,quando ele disse que estava se informando melhor sobre o assunto e não tinha chegado ainda a uma conclusão. “É um procedimento invasivo. Não é porque ele não vai lembrar que ele não vai sofrer,” o futuro pai me disse. “Detesto pensar que vamos mexer em algo completamente normal e sadio por uma questão cultural ou de gosto pessoal. Acho ridículo esta história de que vão implicar com ele no vestiário. Até lá muita coisa vai mudar ,” ele concluiu. É verdade. Uma amiga minha disse que eu deveria fazer a circuncisão porque quando ele crescer as meninas vão olhar e ficar com nojo dele. Juro que não é mentira! Quase caí para trás. E se fosse assim, os europeus e latino-americanos iam morrer em celibato. A gente sabe que não é bem assim...

Muitos dizem que a circuncisão tem mais a ver com fatores religiosos ou culturais, e sendo assim, no nosso caso, fica difícil mesmo impor este procedimento a um recém-nascido. Ainda vamos fazer mais pesquisas e falar com mais médicos, mas nunca pensei que antes mesmo do bebê nascer já tivesse que tomar uma decisão tão séria por ele...

September 28, 2010

Tudo bem...

O dia de ontem foi ótimo. Tenso, é verdade, mas tudo correu perfeitamente bem e lá para as 2.30 PM estávamos saindo do hospital. Nunca é fácil, mas aos poucos parece que vamos pegando o espírito da coisa.

Saímos de casa cecdo, chegamos com tempo para resolver toda a papelada, fazer o exame de sangue e depois a ultra. Sem correria. Já é estressante pensar em passar o dia todo no hospital, mais ainda se pensarmos que estamos no "melhor hospital dos Estados Unidos", num dos "maioires centros de pesquisa do mundo" esperando que ninguém encontre NADA de errado conosco. Se disser que com o tempo a gente acostuma, estarei mentindo, pois o tempo até atenua um pouco, mas jamais apaga.

Se há coisa que fogem completamento do nosso controle, há alguns fatores que podemos controlar: o tempo e o stress são dois deles. E ontem, com menos correria, me senti menos nervosa. Saímos do exame de samgue, fomos para a ultra, onde conseguimos da uma olhada rápida no Joaquim e ver que ele está na posição correta, e depois rumamos para o consultório médico.

Isto é o que eu mais gosto em Hopkins. A gente passa o dia internada lá, um dia sempre tenso e difícil, mas sai de lá com o resultado, podendo dormir à noite. É verdade que sempre que saio de lá me sinto como se tivesse acabado de lutar com o Mike Tyson, mas pelo menos não fico em suspense, saio de lá aliviada.

É claro que ontem eles pouco puderam ver algo, mas pelo que foi visto na ultra, não houve mudança no fígado, que é tudo que nos importa, mas como o Joaquim já está bem grandinho, todos os meus órgãos estão empurrados para algum canto da barriga. O fígado está quase no peito e os rins, bem os rins, ninguém conseguiu enxergar direto, mas calcula-se que eles ainda estejam lá. Por estas e outras, temos uma ressonância marcada para o final de janeiro, para ver tudo direitinho...

Até lá muita coisa vai rolar...inclusive a chegada do Joaquim, mas o que importa é que hoje eu e ele estamos ótimos e, se Deus quiser, vamos continuar assim...

September 26, 2010

Mais um dia em Hopkins

Amanhã é dia de mais uma visita a Johns Hopkins e é claro que me dá uma pontinha de medo... Tenho muita fé em Deus e sei que Ele vai estar ao meu lado. Agora afinal de contas são duas vidas em jogo, a minha e a do pequeno Joaquim, que ainda nem chegou, mas a cada dia que passa se faz mais presente e é mais amado.

September 23, 2010

Quartinho do Joaquim





Ainda não está pronto, mas como está todo mundo morrendo de curiosidade, aqui vão umas fotos tiradas ontem a noite com meu telefone celular. Prometo colocar outras de melhor qualidade, além das famosas antes e depois.

Mama Spanx


Quem mora por aqui deve conhecer o famoso Spanx, que nada mais é do que aquilo que no Brasil chamamos de "shortinho da Trifil" e que muito antes era a nossa famosa meia-calça cortada que usávamos por baixo de roupa transparente...

Aqui nos EUA, terra das oportunidades do do American Dream, uma garota ficou milionária ao patentear a "invenção." (Ainda não me conformo de não ter tido a ideia de fazer isto antes!)

Mas o fato é que agora, no setimo mês, a barriga começa a pesar, então resolvi experimentar o tal produto que nove entre dez gringas usam. Para minha surpresa, adorei! É confortável e não aperta tanto quanto imaginei, então acho que vou até comprar mais uns outros pares. Fica a dica para outras gravidinhas...

Como as minhas calças estão ficando muito estranhas em mim, resolvi que vou enfrentar o outono e um pouco do inverno de vestido mesmo. Vou apelar para as leggings e tights porque as batinhas mais curtas agora estão ficando megaestranhas.

A gravidez continua indo bem, mas agora a azia começou a dar o ar da graça e a insônia volta a aparecer...mas tudo bem. O quartinho do Joaquim está quase pronto e segunda eu completo 30 semanas. Nem dá para acreditar que em menos de três meses ele vai estar por aqui...

September 22, 2010

Sobre Maternidade

Quanto mais reflito, percebo que a questão da maternidade está muito mais ligada ao desejo de criar um filho de que a gerá-lo propriamente. O velho ditado, “mãe é quem cria” para mim é muito certo.

Engraçado é que, durante a minha gravidez, tenho acompanhado de perto a trajetória de uma amiga que está em precesso de adoção de duas crianças da Etiópia. Ao contrário de nós, quando descobriram que a gravidez seria difícil, ela e o marido não quiseram partir para a reprodução assistida e se decidiram pela adoção. Depois de pesaram os prós e os contras, optaram pela adoção internacional, que é um processo bastante diferente, mas não menos complexo que a adoção doméstica. Volta e meia conversamos sobre o assunto "filhos" e 'e interessante ver a perspectiva dela. Comparamos notinhas sobre imigração também -- eu no meu processo de cidadania e ela garantindo o visto dos futuros filhos.

Apesar de não ter nenhum problema em assumir meu tratamento – acho que anos de terapia (Oops, assumi a terapia! ) surtiram efeito – confesso que algumas vezes me achei egoísta por querer gerar um filho meu em vez de adotar uma criança que precisasse de um lar. Outro dia, conversando com esta minha amiga que está adotando as crianças e explicando a ela como eu me sentia, ele me deu uma resposta que me deixou de queixo caído.

“Quando as pessoas dizem admirar a minha generosidade, eu fico espantada, pois no fundo me vejo como uma grande egoísta. Com a grana que estamos gastando para trazer estas duas crianças para cá, poderíamos estar ajudando centenas delas na África, poderíamos estar colaborando com orfanatos, e beneficiando muitas pessoas. Se fôssemos tão desprendidos, não pediríamos para adotar crianças pequenas, serviríamos como foster parents para adolescentes vulneráveis em Washington, pois destes ninguém quer saber. Mas não, queremos os NOSSOS filhos, porque no final das contas achamos que somos bons o suficiente e merecemos filhos para chamar de NOSSOS,” ela me disse muito diretamente.

Nunca tinha olhado para a questão sob este ângulo, mas o ponto de vista dela realmente me surpreendeu e me fez pensar...apesar de citarmos as razões mais profundas, talvez no fundo o desejo da grande maioria – ou talvez de todos nós – seja mais egoísta do que magnânimo. Não deveria me causar espanto, pois afinal de contas somos humanos. Então isto pouco importa.

September 21, 2010

Tabu II

Sinceremente não entendo o motivo que leva tanta gente a esconder as coisas. Mais, não consigo entender o motivo que leva muita gente a mentir quando o assunto envolve filhos e gravidez. Pelo amor de Deus, estamos no século XXI!

Eu odeio segredos na mesma intensidade que odeio mentiras pois acho que ambos nos tornam prisioneiros de nós mesmos e reféns de nossos medos. Aprendi a duras penas que a dor dimunui e a alegria aumenta quando são compartilhadas, e desde então minha vida tornou-se um livro aberto. Acho que as pessoas respeitam quem tem coragem de mostrar não só suas vitórtias, mas principalmentes seus desafios e suas fragilidades. Acho importante falar sobre dificuldades para que as pessoas que talvez atravessem situações semelhantes saibam que não estão sós, que existe alguém que provou que isto pode ser feito.

A fertilização in-vitro ainda é tabu para muitos e condenada pelas alas mais radicais da Igreja Católica, mas graças a Deus não faço parte delas. Quando toquei no assunto com o padre amigo da nossa família, a resposta foi: “Isto é entre seu marido, você e Deus.” E como acredito num Deus piedoso, e levando em consideração que tudo correu as mil maravilhas, acho que realmente Ele está do nosso lado.

É por estas e outras que não entendo quando alguém mente sobre a concepção de seu bebê. Respeito a privacidade alheia, mas não sou idiota. Uma mulher de 53 anos não engravida naturalmente. Obviamente existem milagres e casos extremos, mas apesar dos avanços da medicina, isto é quase impossível. Mesmo que a mulher em questão não tenha entrado na menopausa ainda, a qualidade de seus óvulos é baixíssima e as chances de sucesso quando não se usam os óvulos de uma doadora mais jovem são mais do que ínfimas. Tantas estrelas de Hollywood sendo mães às vesperas dos 50...no mínimo estranho.

Mas nada me irrita mais do que a JLo (Jennifer Lopez) dizendo ser contra fertilização in-vitro por ser muito conservadora. Então vou acreditar que aos 38 anos ela teve gêmeos fraternos do nada?! Sem ter outros gêmeos na família. Faça-me o favor. Dizer que ninguém tem nada a ver com o modo que os filhos foram concebidos é uma coisa, anunciar na capa da Elle e para quem quiser ouvir que é contra métodos de reprodução assistida é ridículo.

É claro que durante o tratamento, muita gente prefere manter segredo para evitar decepções. Eu mesma restringi os detalhes do tratamento em si a um seleto grupo. Não por achar que as outras pessoas fossem me criticar, mas para evitar as perguntas para as quais muitas vezes não se tem resposta, tipo “Deu certo?” A torcida é sempre positiva, mas às vezes tanta atenção gera ansiedade. Mas uma vez que a gravidez foi confirmada, que o período crítico passou, fiz e faço questão de dizer que mais uma vez, Deus e a ciência juntaram forças e me deram mais um presente, mais uma milagre, que em breve vai atender pelo nome Joaquim, que quer dizer “aquele que Deus elevou”.

É por estas e outras que admiro muito a Fatima Bernardes, que sempre foi muito franca e falou abertamente dos obstáculos que encontrou e do tratamento ao qual foi submetida para ter seus trigêmeos. Quem dera que mais gente fosse assim...