Uns dias me bate uma revolta enorme só de pensar no que está acontecendo com a minha avó. Só de pensar que ela está no CTI há quase três meses e os supostos médicos, que supostamente são seres humanos, proíbem que a família fique com ela mais de uma hora por dia. Dizem que não podem abrir exceções, que são as regras. Que regras? E onde fica o tal Juramento de Hipocrátes que eles fizeram? Salvar vidas a todo custo? Não é isto que tenho visto.
Sempre que um médico vem com estas explicações ridículas pra mim, eu peço lincença e o coloco em seu devido lugar. Tudo bem que ele sabe tudo sobre medicina, ou pelo menos acha que sabe, mas são poucos os médicos que pensam no paciente e na família como seres humanos também.
Quando um médico tem a cara de pau de me dizer que drenagem pleural não dói, eu olho bem para cara dele e pergunto: "Já fizeram em você? Você já sentiu aquela agulha penetrar lá dentro? Então, sinceramente você não sabe do que está falando, pois a gente só entende quando dói na nossa pele."
Hoje depois de muita insistência, o médico do CTI autorizou permanência de um acompanhante com a minha avó durante seis horas por dia. O que os senhores doutores resolveram entender é o que qualquer ser humano com um mínimo de bom senso e sensibilidade sabe desde que o mundo é mundo: o paciente precisa ter a família ao lado durante a recuperação. A minha avó já está no CTI há dois meses e meio, já está cansada e se sente extremamente só, afinal passa 23 das 24 horas do dia deitada num leito de CTI sem poder falar, enxergando pouco e cheia de dores.
Uma parte de mim fica mais tranqüila porque finalmente ela vai ter a família junto dela por mais tempo. Outra parte de mim é só revolta, por que só agora estes médicos atenderam nosso pedido? Por que tanta demora em aceitar uma reivindicação tão justa quanto urgente???
November 28, 2008
November 27, 2008
Me Rendi ao Wii

Detesto videogames, sempre detestei: Telejogo, Atari, Nintendo, Playstation, não importa o nome, acho um saco! Aliás não gosto muito de jogar nada, a minha vida já é um jogo, um tremendo desafio, não tenho tempo para faz-de-conta.
Mas eis que um dia em maio, com a desculpa de que meu irmão e a namorada vinham nos visitar, o Blake aparece com o tal Wii, que aqui virou uma febre, embaixo do braço. Coisa de americano, ou coisa de Blake, que acha que tem que providenciar entretenimento em casa para cada hóspede que vem passar um tempo aqui.
E até que foi legal. Eles jogaram bastante e todo mundo se divertiu. Mas obviamente quem menos chegou perto do novo brinquedinho fui eu. Para ver se eu me interessava mais e me exercitava um pouquinho, ele decidiu comprar o Wii Fit, que simula uma série de atividades físicas como corrida, bambolê, ski e até yoga... (Nota do editor: o jogo é sucesso absoluto também nos asilos nos EUA e os velhinhos encaram como exercício físico sério!)
Desde que tive aquele resultado meio esquisito da mamografia, coloquei na cabeça que preciso ser menos sedentária, afinal se o meu objetivo é a minha saúde não dá para fazer as coisas meia-boca. Li vários estudos que comprovam que mulheres que têm seios densos podem torná-los menos densos através de exercício físico. A alimentação já está praticamente perfeita, o stress, well, o stress vai sendo gerenciado uns dias sob controle, outros dias nem tanto. Mas a atividade física, esta continua sendo praticamente inexistente!
Mas esta semana, comecei a usar os aparelhos que o Blake tem no basement -- é uma mini-academiazinha que dá pro gasto. Estou começando bem devagar. Ontem deu uma chance pro Wii Fitness e não é que gostei!? Fiz a tal corrida e depois umas poses de yoga. Nada mal... Agora é continuar...
November 26, 2008
Ela Não Desiste
Hoje uma notícia no Globo me tocou muito. Li que Roseana Sarney vai operar um aneurisma cerebral. Como se não bastasse a gravidade do procedimento, esta será sua vigésima cirurgia!!! Fiquei emocionada com o que ela disse ao pai, segundo o blog do Noblat: “Pai, a única parte do meu corpo que ainda não tinha sido operada agora vai ser”. Obviamente, o senador José Sarney ficou comovido ao ouvir as palavras da filha mas depois tratou de tentar animá-la. A dor do senador eu desconheço, mas creio que se assemelhe ao que meu pai sentiu ao me ver saindo daquela sala de hospital há quase um ano.
A dor de Roseana, por outro lado, me é muito familiar. Graças a Deus ainda não cheguei nem perto das 20 cirurgias e se Deus quiser paro logo com elas. Mas este momento de fragilidade máxima que se vive quando se recebe uma notícia destas, este sim, já vivi na pele e acho que revivo toda vez que escuto uma história destas. Nestas horas, em que o mundo parece parar a seu redor, não há nada a ser feito a não ser seguir as ordens médicas e realizar a cirurgia o quanto antes. Há muitas perguntas e poucas respostas. Há muito a ser feito e pouquíssimo tempo. Até hoje nenhum médico descobriu a razão para isso, para os tumores surgirem nela ou em mim. No caso dela, eles surgem em diversas partes do corpo e são removidos antes de virarem câncer. No meu caso, o órgão “escolhido” foi o fígado e eles acabaram se transformando na doença, mas para a minha sorte pararam por ali e puderam ser removidos.
Volta e meia começo a me questionar sobre tantas coisas que me têm acontecido e confesso que fico tentada a ter pena de mim, já que tudo na minha vida tem que ser muito pensado, ponderado, analisado e medido. Fiquei sem muito espaço para a espontaneidade e às vezes isto é sufocante, limitante, restritivo. Parece que a minha vida não é só minha. Preciso seguir ordens e orientações médicas e estar sempre ciente dos riscos que posso vir a correr nas situações mais ridículas como tomar um remédio! Viver asssim às vezes é chato. Mas a minha outra escolha é deixar de viver e isto nem me passa pela cabeça, pois tenho muitos planos, que podem ter que ser modificados, como sei bem disso, mas é por isto que são chamados de planos e não certezas.
Nunca simpatizei muito com a família Sarney, aliás não gosto nem de política nem dos políticos, mas depois de ler esta matéria que saiu na Veja em 2005, passei a enxergar a Roseana Sarney de uma forma diferente e aprendi a admirá-la por sua garra e vontade de viver. Se a minha carga às vezes parece pesada demais para alguém da minha idade, depois de escutar a história dela, virei peso-pena. Depois de ver como ela teve que se adaptar por conta de tantas limitações, vejo como sou abençoada por poder usar salto alto, cordões pesados e ter uma vida completamente normal depois das cirurgias. Como ela, também me acho uma pessoa de sorte, pois apesar dos problemas graves que enfrentei, minha família sempre teve como arcar com os custos dos tratamentos. Apesar das supresas nem sempre agradáveis, sempre tive apoio da família e dos amigos e me vi cercada de amor e carinho em todas as horas.
A verdade é que apesar de algumas pedrinhas no caminho, vou seguindo o meu rumo, tentando domar meu medo e sem perder a minha essência, e aos poucos construindo a minha história. Diferente do conto que eu tinha imaginado para mim, mas é por isto que se chama vida não faz de conta.
A dor de Roseana, por outro lado, me é muito familiar. Graças a Deus ainda não cheguei nem perto das 20 cirurgias e se Deus quiser paro logo com elas. Mas este momento de fragilidade máxima que se vive quando se recebe uma notícia destas, este sim, já vivi na pele e acho que revivo toda vez que escuto uma história destas. Nestas horas, em que o mundo parece parar a seu redor, não há nada a ser feito a não ser seguir as ordens médicas e realizar a cirurgia o quanto antes. Há muitas perguntas e poucas respostas. Há muito a ser feito e pouquíssimo tempo. Até hoje nenhum médico descobriu a razão para isso, para os tumores surgirem nela ou em mim. No caso dela, eles surgem em diversas partes do corpo e são removidos antes de virarem câncer. No meu caso, o órgão “escolhido” foi o fígado e eles acabaram se transformando na doença, mas para a minha sorte pararam por ali e puderam ser removidos.
Volta e meia começo a me questionar sobre tantas coisas que me têm acontecido e confesso que fico tentada a ter pena de mim, já que tudo na minha vida tem que ser muito pensado, ponderado, analisado e medido. Fiquei sem muito espaço para a espontaneidade e às vezes isto é sufocante, limitante, restritivo. Parece que a minha vida não é só minha. Preciso seguir ordens e orientações médicas e estar sempre ciente dos riscos que posso vir a correr nas situações mais ridículas como tomar um remédio! Viver asssim às vezes é chato. Mas a minha outra escolha é deixar de viver e isto nem me passa pela cabeça, pois tenho muitos planos, que podem ter que ser modificados, como sei bem disso, mas é por isto que são chamados de planos e não certezas.
Nunca simpatizei muito com a família Sarney, aliás não gosto nem de política nem dos políticos, mas depois de ler esta matéria que saiu na Veja em 2005, passei a enxergar a Roseana Sarney de uma forma diferente e aprendi a admirá-la por sua garra e vontade de viver. Se a minha carga às vezes parece pesada demais para alguém da minha idade, depois de escutar a história dela, virei peso-pena. Depois de ver como ela teve que se adaptar por conta de tantas limitações, vejo como sou abençoada por poder usar salto alto, cordões pesados e ter uma vida completamente normal depois das cirurgias. Como ela, também me acho uma pessoa de sorte, pois apesar dos problemas graves que enfrentei, minha família sempre teve como arcar com os custos dos tratamentos. Apesar das supresas nem sempre agradáveis, sempre tive apoio da família e dos amigos e me vi cercada de amor e carinho em todas as horas.
A verdade é que apesar de algumas pedrinhas no caminho, vou seguindo o meu rumo, tentando domar meu medo e sem perder a minha essência, e aos poucos construindo a minha história. Diferente do conto que eu tinha imaginado para mim, mas é por isto que se chama vida não faz de conta.
November 25, 2008
Irmãs - parte 2

Achei esta foto no meio das minhas coisas e não resisti -- escaneei para colocar aqui. É fácil dizer a idade das pessoas só de olhar para as fotos. O pessoal na faixa dos 30, pelo menos no Brasil, sempre tem estas fotos de infância neste tom meio rosado. Pois é, aí fica difícil esconder a idade.
Olhando para esta foto, eu pareço muito mais velha que a minha irmã, mas a nossa diferença de idade é só de um ano e meio. Eu sempre fui gordinha e ela sempre foi magrela, então sempre pareci maior do que ela.
Eu sempre falei que queria ter filhos em idades próximas, pois acho que fazem companhia um ao outro, se forem do mesmo sexo, melhor. Pensando bem, melhor hoje, pois quando estava na escola achava um saco ter que ficar levando a minha irmã pirralha para a casa das minhas amigas. Mas como com a minha mãe não exisitia a menor possibilidade de negociação, acabei me conformando. Hoje, obviamente a minha mãe nem precisa perguntar, onde vai uma filha, está a outra. Apesar da distância continuamos bem próximas e nos falamos várias vezes ao dia, por mais incrível que pareça.
Pois é, a foto aí de cima apesar da idade evidenciada na cor do papel não poderia ser mais atual, pois apesar da distância continuamos assim, juntinhas, e volta e meia de roupa combinada!!! Mas agora sem poder culpar a minha mãe...
Fim de Ano
Quinta-feira é dia de Ação de Graças por aqui e com a chegada do Thanksgiving, a temporada das festas está oficialmente aberta. Sexta-feira é “Black Friday”, o dia que os comerciantes esperam o maior faturamento do ano, e tem loja que vai abrir às quatro da manhã!!!! Tudo bem que eu adoro um promoção, mas acordar às três da manhã no maior frio e sair quando as ruas ainda um breu…sei não. Estou recebendo folhetos de promoção há semanas e com a crise absurda que assola este país, os lojistas estão desesperados.
Estou bem atrasada com as minhas compras, pois acho muito sem graça ir a shopping sozinha, então só vou na última hora. Nem árvore de Natal a gente comprou. O Blake é contra comprar qualquer árvore já que não vou nem passer o Natal aqui, mas eu acho que vou comprar uma pequenininha. Ano que vem queremos comprar uma natural enorme, pois o pé direito da nossa sala é duplo então cabe um pinheiro inteiro dentro da sala… Mas este ano seremos modestos, até porque a sala não tem nem móvel ainda. Já compramos a mesa de jantar e o sofá, mas ainda não recebemos nada. No momento a casa se parece uma enorme tela vazia, o que até legal, pois o único limite imposto à nossa criatividade é o nosso bolso!!!
Até agora o único enfeite de Natal comprador foi um pote de biscoitos cantante… Muito fofo!!! Vou tirar retrato e postar aqui! O único porém é que não dá mais pra roubar biscoito Escondido, pois toda vez que se abre o potinho, a musiquinha começa a tocar e aí não tem jeito.
Aproveitei a minha ida a loja da Hallmark e comprei um cartão de Natal para a minha avó. Na verdade comprei vários!!! Mas um é uma novidade e tanto: você pode gravar uma mensagem antes que a música comece a tocar. Vou gravar hoje e ver se mando para ela amanhã. Faz tempo que não falo com ela… Outro dia, tentei falar com ela ao telephone, mas quando ela escutou minha voz, ficou agitada e querendo falar, então achamos melhor evitar. Agora com o cartão, ela vai pdoer ouvir a minha voz mesmo quando eu nãoestiver por perto. Como diz a minha mãe, “nos Estados Unidos tem tudo!!!” Verdade, tem tudo de bom e de ruim, mas o ruim fica para mais tarde, o post de hoje e positivo!!
Estou bem atrasada com as minhas compras, pois acho muito sem graça ir a shopping sozinha, então só vou na última hora. Nem árvore de Natal a gente comprou. O Blake é contra comprar qualquer árvore já que não vou nem passer o Natal aqui, mas eu acho que vou comprar uma pequenininha. Ano que vem queremos comprar uma natural enorme, pois o pé direito da nossa sala é duplo então cabe um pinheiro inteiro dentro da sala… Mas este ano seremos modestos, até porque a sala não tem nem móvel ainda. Já compramos a mesa de jantar e o sofá, mas ainda não recebemos nada. No momento a casa se parece uma enorme tela vazia, o que até legal, pois o único limite imposto à nossa criatividade é o nosso bolso!!!
Até agora o único enfeite de Natal comprador foi um pote de biscoitos cantante… Muito fofo!!! Vou tirar retrato e postar aqui! O único porém é que não dá mais pra roubar biscoito Escondido, pois toda vez que se abre o potinho, a musiquinha começa a tocar e aí não tem jeito.
Aproveitei a minha ida a loja da Hallmark e comprei um cartão de Natal para a minha avó. Na verdade comprei vários!!! Mas um é uma novidade e tanto: você pode gravar uma mensagem antes que a música comece a tocar. Vou gravar hoje e ver se mando para ela amanhã. Faz tempo que não falo com ela… Outro dia, tentei falar com ela ao telephone, mas quando ela escutou minha voz, ficou agitada e querendo falar, então achamos melhor evitar. Agora com o cartão, ela vai pdoer ouvir a minha voz mesmo quando eu nãoestiver por perto. Como diz a minha mãe, “nos Estados Unidos tem tudo!!!” Verdade, tem tudo de bom e de ruim, mas o ruim fica para mais tarde, o post de hoje e positivo!!
November 24, 2008
Informação
Como vejo que muita gente chega ao blog em busca de informações sobre câncer ou sobre o fígado, em breve vou disponibilizar alguns sites de conteúdo interessante e específico. Há sites que consulto sempre e que reúnem excelentes informações, então vou compartilhar aqui. Aos poucos vou catalogando e indexando no template do blog.
November 23, 2008
Calendário do Advento

A neve deu uma trégua este fim de semana mas o frio continua de lascar. O povo anda dizendo aqui que o inverno será bem rigoroso. Mal posso esperar!!!!
As notícias da minha avó melhoraram um pouco hoje. Na semana que passou ela apresentou um quadro típico de depressão e desânimo, afinal já são 66 dias de CTI! Meu grande medo é que ela se "desconecte" do mundo aqui fora e desista. Mas acho que as fotos espalhadas pelo box dela (mesmo que ela não veja) estão ajudando, pelo menos servem para que os enfermeiros e médicos tenham assunto com ela e a façam lembrar de que tem muita gente esperando por ela fora daquele hospital.
Sexta-feira andando pelo supermercado vi um Calendário do Advento, muito comum na Alemanha, e lembrei da minha avó na hora. Ela ama Natal e sempre que encotrava, comprava um destes calendários, pois eles a faziam lembrar da infância dela, neta de alemãs. Achei a calendário perfeito para a ocasião e amanhã mesmo vou mandar pelo correio com um cartão pedindo que ela se lembre de mim a cada janelinha aberta e dizendo a ela que vamos abrir as últimas janelinhas juntas e em casa, onde ela vai estar, se Deus quiser, neste Natal.
Já prometi a todos que este será o nosso melhor Natal -- todos juntos saudáveis e felizes com a recuperação da minha avó e a chegada mais que esperada da Kika.
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