November 9, 2010

Forma de Bola


Cada dia fica mais difícil achar uma roupa – seja pra trabalhar, ir ao supermercado ou o que seja. Acho que vou ter que me conformar e usar os mesmos vestidos e leggings nas próximas quatro ou cinco semanas. Sim, pois me recuso a comprar qualquer coisa de gestante nesta altura do campeonato!

Não estou reclamando da vida, muito pelo contrário, só fazendo uma constatação. A gravidez tem sido tranquila, até a azia que estava me chateando um pouco resolveu dar uma trégua, graças a Deus não inchei nada, minha pressão não subiu, nem a glicose e o ganho de peso tem ficado dentro do esperado. Para uma “mãe em idade avançada,” dei muita sorte. Aliás não me conformo muito com a minha idade cronológica, me sinto e me acho muito mais nova... Por outro lado, a minha octagenária avó sempre me disse isto, então devo estar ficando velha mesmo!

Mas voltando ao tema do post, nada pode ficar bem ou chique numa pessoa cuja barriga mede 36 cm!!! Comprei uma túnica foférrima três semanas atrás para usar no chá de bebê com uma legging – Deus abençoe quem inventou as leggings e mais ainda quem decretou a volta delas este ano!!! Quem disse que consegui?! A tal túnica que estava larguinha em meados de outubro, está apertada e estamos falando do início de novembro!

Acho que tenho que me conformar mesmo...já avisei pra galera do trabalho, que está longe de ser a “fashion police” pra pegar leve até o mês que vem. Acho que vou empacotar o resto do meu armário! Dá agonia olhar tanta roupa sem nenhuma serventia...

Bem que já tinham me dito que as modelos nos catálogos de roupas de gestante ou não estavam grávidas ou estavam no máximo no quinto mês. Faz muito sentido!

November 7, 2010

Mais fotos do Chá...Tudo Azul!





Chá de Bebê







Acima algumas fotos do chá de bebê de ontem. Quem aparece sempre aqui deve estar se perguntando se o chá já não foi outro dia... A resposta é que o chá de ontem foi o terceiro da série. As normas de etiqueta americanas são um pouquinho diferentes do que a gente está acostumada no Brasil. Se aqui é considerado faux pas alguém organizar o próprio chá, seja ele de panela ou de bebê, por outro lado não há limites de quantas festas alguém pode receber. Para minha surpresa, no meu caso serão quatro! Tribos diferentes, agendas ocupadas e muita felicidade!

O primeiro chá de bebê foi organizado pela família do Blake, na casa da minha sogra, e foi bem bacana. O segundo foi supresa para o Blake, já que foi todo organizado pelos colegas de trabalho dele. O terceiro foi planejado por uma amiga minha e reuniu praticamente minhas vizinhas e colegas de trabalho -- uma vez que já tive vários empregos desde que cheguei aqui. E esta semana, as minhas amigas de trabalho que não puderam vir aqui ontem vão organizar alguma coisa. Não sei muito bem o que vai ser, mas estou contente, nunca vi uma criança tão festejada como o Joaquim.
Aliás nunca festejei tanto quanto semana passada. O meu aniversário que seria bem low profile acabou sendo comemorado a semana inteira, desde o almoço de segunda até o happy hour de sexta. A galera do trabalho é animada. (Interessante vai ser ver quanto estou pesando amanhã, já que ontem à noite passei a usar as calças de pijama do Blake!)

Antes que me esqueça, o adorno que tenho na cabeça também faz parte da tradição americana: os laços e papéis de presente são todos colados num prato de papel que vira chapéu. Nem me perguntem o porquê!

November 4, 2010

Banco de Cordões Umbilicais

Em mais uma das decisões que temos que tomar antes do nascimento do Joaquim está a preservação do cordão umbilical. Ao contrário da tendência no Brasil, onde quase todos os meus amigos armazenaram o sangue do cordão cumbilical dos filhos, aqui nos States ninguém que eu conheço teve a mesma atitude e até mesmo os médicos se mostram reticentes quanto ao assunto. “É uma como uma apólice de seguro, uma aposta. Até agora não há nada provado,” sempre me dizem quando pergunto.

Numa das discussões sobre o assunto no curso de gestantes, alguém sugeriu uma outra alternativa: doar para um banco público de cordões umbilicais. Achei a ideia legal, pois além de contribuir para um bem maior, supostamente eles poderiam localizar o seu material específico em caso de necessidade.

O Blake começou as pesquisas e tivemos duas surpresas: não há nenhum hospital cadastrado para fazer este tipo de procedimento em Maryland e eu, por razões de saúde, não posso ser doadora! Tendo em vista o novo cenário, me pus a pensar...se meu material não é bom para os outros, também não deve ser bom para o meu filho...
Ainda preciso conversar melhor com os médicos e bancos, mas se isto for mesmo verdade, vou ficar até mais tranquila com a decisão de não armazenar...

Mudando um pouco de assunto, mas ainda no tema de transplante, soube anteontem que a minha amiga Dawn faleceu. O mais inacreditável e que na quinta-feira passada, quando soube que ela tinha voltado para o hospital, decidi passar lá para vê-la e ela estava ótima! Muito bem disposta, falante, se levantando e andando sozinha, cheia de energia.

A Dawn tinha feito três transplantes mas a leucemia jamais tinha dado trégua. Apesar disto, ela nunca perdeu o senso de humor e a fé. Ela morreu rezando o terço depois de se sentir mal, já em casa. A família diz que apesar de surpresa com a morte repentina – todos sabiam da gravidade do caso, mas ultimamente ela tinha tido uma boa melhora – se sentem aliviados por saber que ela não sofreu. Foi uma luta árdua que durou 14 meses e por incrível que pareça nem uma vez ouvi Dawn ou alguém da família reclamar de coisa alguma... Toda vez que os vi, estavam otimistas e felizes em me ver.

A Dawn foi a primeira pessoa a ver as imagens da última ultra do Joaquim e ficou superfeliz por mim... Me confessou também que sua irmã tinha acabado de saber que estava grávida e que o bebê ia nascer pertinho do aniversário dela... Nestas horas acho que nada acontece por acaso.

Foi bom tê-la visto em um dia tão bom e especial, pois é esta a imagem que vou guardar dela... Mais um anjo no céu.

November 3, 2010

Chá de Bebê




Uma das coisas que mais me chama atenção por aqui é o envolvimento masculino quando o assunto é filho. A grande maioria dos pais americanos leva muito a sério o papel e tem uma participação enorme na educação e na criação dos filhos. Esta história de pai ter papel coadjuvante aqui não existe, pai é protagonista de primeira.

Muitas dicas valiosas que recebi vieram de homens! O meu chefe é ótima fonte de conhecimentos recentes -- foi ele que me disse para não empatar dinheiro numa bomba de leite caríssima e em vez disto, se tiver interesse, alugar uma do hospital, pelo menos para experimentar.

O conhecimento deles também é amplo, vai desde técnicas para colocar a criança para dormir, até as vantagens (?) de armazenar o cordão umbilical depois do parto. Acho isto muito legal e confesso que o apoio e a participação ativa do Blake me deixam bem mais confiante e tranquila.

As fotos são do chá de bebê que os amigos fizeram para ele no trabalho. Apesar de ter sido organizado por mulheres, os homens tiveram participação importante na divisão de tarefas... E viva a igualdade entre os sexos! (Até certo ponto!)

November 2, 2010

Se estiver passando pelo inferno, siga em frente

“If you are going through hell, keep going.”
Winston Churchill

Outro dia procurando uma frase para o nosso cartão de Natal aqui do trabalho, acabei esbarrando com esta máxima do Premier Britânico Winston Churchill. Sei que ele é muito admirado por sua tenacidade e seu bom senso, mas eu nunca fiz nenhuma pesquisa a fundo para conhecer melhor sua história. Mas só com esta frase ele me ganhou!

“Se você está passando pelo inferno, siga em frente” (na minha tradução livre) não poderia ilustrar melhor o que me aconteceu nos últimos anos quando nada parecia dar certo. Quando me lembro desta mesma época ano passado, sinto até arrepios. Parecia que nada engatava: saí de um emprego horrível para outro pior, e mais longe; tentava sem sucesso engravidar e não encontrava nem motivos nem respostas para meu fracasso; conseguir autorização para o tratamento de FIV foi uma novela; e ainda por cima tivemos o pior inverno do século e minhas injeções ficaram retidas no meio do caminho... Sinceramente foi terrível! E como as coisas já não vinham muito bem desde a minha chegada aqui, tudo parecia maior do que realmente era. Uma escuridão só.

A sensação que eu tinha é que tinha virado escrava de sei lá o que, que a minha vida não me pertencia mais, que eu não tinha saída, que tinha me enterrado de vez num buraco só. Quando cheguei do Brasil em meados de janeiro já estava desanimada, com a entrada de fevereiro então as coisas só pioraram... o sentimento de aprisionamento era simplesmente insuportável e o as pessoas mais chegadas percebiam isto até pela minha voz.

Até que um belo dia, por puro desespero, resolvi tomar as rédeas da minha vida de uma vez. Mandei os loucos do meu emprego para PQP e me senti nas nuvens! Apesar de não ter nenhuma carta na manga ou outra oferta de emprego, o medo de ficar sujeita às loucuras de poucos incompetentes era maior do que o de ficar sem grana ou sem trabalho. A perspectiva de manter a minha sanidade era tentadora... (Claro que sabia que poderia contar com a minha família, mas convenhamos que na minha idade isto não seja motivo de orgulho para ninguém.) Cortei as amarras e me senti maior do que todos aqueles nanicos ignorantes. Mostrei a eles quem precisava de quem.

Como se num passe de mágica, no dia seguinte descobri o caminho do arco-íris. Fui chamada para uma entrevista, pouco depois recebi uma boa oferta e uma semana depois meu maior sonho se realizou: meu exame de sangue não deixava dúvidas -- finalmente estava grávida!

O tratamento tinha dado certo na primeira tentativa! Me lembro que custei a acreditar... Dias antes, conversava com Deus, meio incrédula, e pedia que ao menos um dos milagres se realizasse, que eu conseguisse um emprego bacana ou que eu engravidasse, pois pedir as duas coisas seria demais. Nas minhas barganhas divinas, pedia a Deus que se pudesse me conceder um desejo, então que fosse a gravidez, que com o trabalho eu me virava depois...

Mas ele deve ter ficado com muita pena de mim, pois resolveu que iria me ajudar 100% e cá estou eu hoje: num trabalho bacanérrimo e grávida de 35 semanas, curtindo uma gravidez que foi simplesmente perfeita, mesmo sendo eu uma “mãe em idade avançada”. Como o trabalho é muito legal e flexível, o plano é ficar por aqui até o Joaquim mandar parar... O melhor é saber que se eu precisar, posso trabalhar um pouco de casa ou tirar um dia ou outro para descansar. paz de espírito não tem preço; isto eu atesto!

Espero ter definitivamente deixado o inferno para trás, mesmo assim, estou decidida a seguir em frente...desta vez com menos pedras no caminho.

November 1, 2010

Aniversário

Desnecessário dizer que este está sendo o melhor aniversário do mundo... São dias assim em que a gente percebe que o que mais importa no mundo são as pessoas que nos cercam, mesmo de longe. Festa no trabalho, montes de emails, telefonemas e mensagens de amigos, alguns dos quais não tinha notícias há séculos, outros com quem falo sempre. Todos muito especiais!

O melhor presente ainda está dentro de mim e, mesmo correndo o risco de ser piegas, digo convicta que nada material pode se comparar a um sonho realizado.

Vou continuar festejando...por pelo menos mais cinco semanas...e depois pela vida inteira!