March 10, 2010

Livre

Ontem foi meu último dia no trabalho. Eles me pediram para ficar part-time, o que quer dizer ir ao escritório uma vez por semana e trabalhar de casa outro dia. Acho que desta forma vou conseguir gerenciar o stress que tinha tomado conta da minha vida desde outubro.

Além de perder mais de duas horas por dia no trânsito, o stress diário estava realmente mexendo comigo, e logo eu que sempre me achei dura na queda. Agora entendo bem quando as americanas resolvem parar de trabalhar depois de ter filhos, ou quando alguém de 40 anos decide dar uma guinada na vida, mudar de carreira e voltar a estudar. Consigo até enxergar o motivo de tantos incidentes/tiroteios/mortes em local de trabalho. Do dia para noite tudo ficou muito claro para mim.

Falando francamente, o trabalho para muita gente neste país é completamente opressor. Muito se fala da China, mas as coisas para muita gente nos EUA não são tão diferentes assim. No país do Tio Sam, não existe lei que garanta licença por motivo de doença, alguns empregadores oferecem, outros não. Licença maternidade? No papel, dizem que a gente pode ficar seis semanas em casa se tiver parto normal e oito se tiver cesariana, mas tem muita gente que não consegue tirar isto. Existe também um tal de Family and Medical Leave Act de 1993 (FMLA) que permite que um emprega possa gozar três meses de licança não remunerada, mas mais uma vez, isto vai depender do empregador. Não há lei federal que o obrigue a nada. Aliás, a maioria das pessoas sequer sabe que tal lei existe.

Sendo brasileira, a gente sempre acha que o Estado impõe leis loucas que oneram demais os empregadores, o que consequentemente contribui para o desemprego no país. Não sou economista, não sou especialista, não sou coisa nenhuma, mas quando digo aqui que todas as minhas amigas no Brasil tem auxílio-creche ou auxílio-escola para os filhos, ninguém acredita. Licença-maternidade de quatro meses...seis para funcionárias federais...os gringos acham que estou brincando...férias de 30 dias corridos? Só pode ser piada. Aqui, se ficar doente perde o emprego e junto com ele o plano de saúde, a licença-médica e todo o resto. É cada um por sim, mesmo. A coisa só fica um pouco mais humana quando se trabalha para o governo ou para uma meia dúzias destas empresas que são ilhas de excelência...

Nunca tive a menor simpatia pelo comunismo, que me parece totalmente anacrônico na atual conjuntura, mas entrar nesta engrenagem louca que é o que se vê por aqui, me parece suicídio. É claro que há exceções. Para nossa sorte o Blake é uma delas -- trabalho superlegal, gerência mais que compreensiva, excelentes benefícios, etc. Mas são poucos, muito poucos que podem se incluir neste seleto grupo. O resto do pessoal rala muito em condições muitas vezes inacreditáveis.

É por isto que por enquanto estou decidida a só aceitar voltar ao trabalho full-time se um emprego bacana aparecer. Se demorar um pouco, obviamente vou ficar mais ansiosa, mas resolvi priorizar a minha saúde e a minha felicidade, ao menos por enquanto.

3 comments:

Só uma menina said...

É isso aí, Dani!!! Sua vida e felicidade em primeiríssimo lugar!! Muita sorte na nova fase, tá?

paula said...

Oi Dani!!

Nossa que loucura!! Engraçado como a visão que eu tinha era completamente diferente, nunca poderia imaginar que o sistema de trabalho nos EUA fosse desta forma. Mas eu como empresaria, que ninguém me escute, rsrsrs, acho o fim do mundo muita coisa no Brasil!! Por exemplo auxilio-creche, pode parecer estranho eu falar isso, mas o que eu tenho a ver se derepente 10 funcionarias resolvem ter filhos? Nada não é? Não é bem assim, minha empresa tem que arcar com esse onus!! Desculpe, mas não concordo, aqui simplesmente é o oposto daí. Não concordo com nenhum dos dois, acho que poderíamos chegar a um equilibrio, não acha? No mais, torço para que seu stress diminua e que encontre um trabalho muito bacana, você não me parece ser uma pessoa que se conforma com uma vida muito calminha, é como eu, adora emoções fortes!! E isso acho que nós duas tiramos de letra, certo?

Bjsssss

Dani said...

Oi Paula,
Te entendo completamente, ainda mais se a gente pensar que sempre tem alguém querendo levar vantagem sobre o outro. Acho bacana quando há uma parceria entre empregador e empregado. Eu vivi isto bem de perto e foi uma das experiências mais gratificantes que tive na vida.
Bjs