August 21, 2008

Nada como um dia apos o outro...

Noticia que foi publicada nos jornais cariocas de forma estranhamente discreta...
A materia transcrita abaixo saiu na Folha de Sao Paulo ontem.

So no Brasil um medico e preso e humilhado publicamente sem ter cometido qualquer erro medico.

So no Brasil uma medica comete um erro que resulta na MORTE de uma paciente e "afastada por falhas admistrativas".

Nao acuso ninguem, mas acho que temos muito a refletir. O mais injusto de tudo isto e que inocentes paguem com a vida pela crueldade e pela incompetencia de outros.

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Quarta-Feira, 20 de Agosto de 2008
O Estado de São Paulo
Chefe de transplantes sai após erro

Rio afasta coordenadora porque paciente de 51 anos recebeu rim no lugar de mulher de 60; nome era parecido

Fabiana Cimieri, RIO

A Secretaria de Estado da Saúde do Rio determinou ontem o afastamento da coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Ellen Barroso, sob acusação de falha administrativa. Uma sindicância concluiu que ela teve responsabilidade no caso de um rim transplantado por engano, em março. De acordo com a apuração, teria havido falha na checagem dos dados das pacientes.

Além dela, uma outra funcionária foi afastada cautelarmente. Elas terão dez dias para apresentar suas defesas. Ellen estava no cargo desde o ano passado, quando sucedeu ao cirurgião Joaquim Ribeiro Filho, preso recentemente na operação Fura-Fila sob a acusação de desrespeitar a ordem dos transplantes de fígado.

O erro aconteceu em março, quando foi captado um rim que deveria beneficiar a doméstica aposentada Maria das Graças de Jesus, de 60 anos. O órgão foi transplantado para outra pessoa, de nome parecido, Maria das Graças de Jesus Araújo, de 51 anos, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão. Esta última morreu em maio.

O subsecretário jurídico e de corregedoria da Secretaria da Saúde, Pedro Henrique Di Masi, disse que o relatório do médico que realizou o transplante informou que a paciente morreu de causas infecciosas. "Se fosse por rejeição, provavelmente a morte teria acontecido mais rápido", avaliou a superintendente de Atenção Especializada, Hellen Miyamoto, que substituirá Ellen interinamente na Central de Transplantes. Em nota, a Coordenação de Transplante Renal do Hospital Universitário informou que a instituição agiu como órgão executor. "A Central de Transplantes determinou a realização do procedimento na paciente, que antes havia sido avaliada no Hospital-Geral de Bonsucesso."

De acordo com a sindicância, a paciente Maria das Graças de Jesus foi selecionada como a mais compatível para receber o rim. Mas a funcionária da central telefonou para Maria das Graças de Jesus Araújo. O HGB fez exames pré-operatórios e não percebeu que se tratava de outra paciente. O Hospital Universitário fez o transplante para uma paciente com o prontuário da outra. "Ninguém confirmou documento, nome e CPF. Houve falha na checagem, o que não quer dizer que houve má-fé", disse Di Masi, lembrando que uma mulher tem 60 anos e a outra 51. Maria das Graças de Jesus, que ocupava a 11ª posição na lista de espera por rim, era a mais compatível entre os selecionados. Ontem, passou o dia fazendo hemodiálise, procedimento que realiza três vezes por semana, há três anos. Um de seus rins não funciona; o outro filtra menos de 10% do que deveria. "Achei uma covardia muito grande o que fizeram com ela, que está sofrendo", disse a irmã de Maria das Graças, Rita Guilherme Amaro.

Mais sobre o fígado

De uns anos para cá, virei quase que uma especialista em fígado. Se em 2002 eu mal sabia exatamente onde este órgão vital ficava, por força das circunstâncias, fiquei muito próxima do meu. A expressão "comer meu fígado" passou a ter um significado completamente para mim. E comer bife de fígado, embora recomendado pelo seu auto teor de ferro, tornou-se impossível para mim.

Achei uma matéria bem bacana (e antiga!) na superinteressante e resolvi dividir com quem tiver interesse por este órgão tão importante e às vezes mal-tratado. Quem tiver interesse, basta clicar aqui

August 19, 2008

Good Morning Baltimore II

Achei no Youtube e não resisti!

Adriana, a musiquinha também não me sai da cabeça há dias...

Legal ver o cenário. Apesar da segunda versão do filme Hairspray ter sido filmada em estúdio em Toronto, eles tentaram ser bem fiéis a Baltimore dos anos 60.

A arquitetura continua lá, no meio da confusão, da sujeira e do caos, mas continua. Qualquer dia tiro umas fotos com a minha câmera para vocês terem uma idéia do que é Baltimore hoje.

Passou

Ultimamente tenho sentido que estou prestes a mudar de nivel na escola do cancer. Depois de quase seis anos e uma recidiva, acho que a minha historia pessoal com a doenca esta chegando ao fim. A minha relacao com ela ja nao e a mesma, eu percebo. Sei que uma experiencia destas jamais se apaga da memoria de ninguem, mas aos poucos entendo que ja esta na hora de parar de olhar so para o meu umbigo.

Sim, tive cancer muito cedo. Sim, tive mais de uma vez. Sim, sofri horrores e vou carregar estas lembrancas para sempre comigo – as boas e as ruins. Foi barra, foi horrivel, mas passou.

A verdade e que tive muita, muita sorte. Sorte de ter descoberto a doenca silenciosa que sequer apresentava sintomas; sorte de ter uma familia que me deu todo apoio emocional e financeiro; sorte de ter chefes e colegas de trabalho que se mostraram mais que amigos, de ter amigos que se mostraram formidaveis e de ter medicos tao competentes quanto humanos, que me salvaram duas vezes e sempre estiveram do meu lado.

Entao chega de chorar sobre o que ja foi.

August 18, 2008

Good Morning Baltimore!



Quem viu o filme Hairspray vai lembrar da saudação no início do filme de John Waters, símbolo máximo do cinema kitsch americano. O filme original chegou às telas em 1988 e fez tanto sucesso que mereceu uma nova versão estrelada por Zec Ephron, astro de High School Musical, ano passado.

Mas o post não para falar de John Waters, nem de Michael Phelps, cidadão mais ilustre de Baltimore, mas da cidade em si. Está bem, vou falar um pouco do Michael Phelps, pois o cara é realmente um fenômeno. Em pensar que tudo começou depois do diagnóstico de ADHD - Attention Deficit Hyperactivity Disorder, uma "condição" bem comum em meninos em idade pré-escolar. A mãe não sabia como lidar com a hiperatividade de Michael e resolveu tentar a natação...quinze anos depois surge o maior campeão olímpico de todos os tempos. Incrível. Mas como americano é povo engajado mesmo, Debbie e o filho Michael decidiram abrir uma fundação para ajudar pais a lidarem com filhos portadores desta mesma "deficiência". E Michal não vai parar por aí. Na volta para casa, Michael que acaba de se formar, decidiu que vai recuperar o Baltimore Aquatic Center, que como muita coisa nesta cidade vive anos de ostracismo. Bom pro Michael. Melhor para Baltimore, cidade pobre e nada glamurosa que aos poucos recupera o prestígio perdido há muitos anos.

Baltimore, que para quem não sabe NÃO é a capital de Maryland (Annapolis é a capital) pode ser chamada de prima pobre da "arrumadinha" Washington. É também capital da violência americana, posto que disputa pau a pau com Detroit ano a ano. Baltimore é blue-colar, Washington é white-colar. Baltimore é operária e Washington é executiva, mas Baltimore tem personalidade, tem pulso, é real. Quando muitas cidades americanas têm que "inventar" arquitetura e história, Baltimore tem de sobra e agora com a revitalização de vários pontos da cidade a gente começa a ver beleza que ficou escondida tanto tempo.

O relógio da foto é a paisagem que vejo da minha janela. Vocês não imaginam a minha felicidade ao entrar na cidade de manhã cedo e de longe avistar os arranha-céus. Sou urbana. Urbana mesmo. Sempre fui assim.

Queria encontrar a felicidade no campo, junto ao verde e ao canto dos pássaros, mas não consigo por mais que me esforce. Preciso de asfalto, preciso da vibração, de vozes, de outros seres humanos, preciso de um pouquinho, só um pouquinho de caos, para ficar à vontade.

Se no início a cidade me assustou bastante -- há bolsões de pobreza que se comparam às áreas mais pobres do Rio -- aos poucos vou conquistando meu espaço, vou vencendo o medo de me aventurar.

Jamais pensei que fosse trabalhar tão diretamente em questões ligadas à saúde. Nunca pensei que fosse militar pelo direito dos menos favorecidos, dos esquecidos, num país de primeiro mundo, na maior potência mundo. Jamais pensei em ver tantas vulnerabilidades tão expostas.

O bom de Baltimore é isso, a cidade é muito real -- tem história, tem pobreza mas tem carater e eu gosto disso. Num mundo tão artificial é alívio conhecer pessoas e lugares de verdade.

August 16, 2008

Em dois tempos

Impossível não parar para pensar...


Janeiro de 2008





Agosto de 2008.







Realmente a vida dá muitas voltas...

Caribe em fotos