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March 26, 2009

Celebrando...









Aniversário de casamento é ótimo!!! Pena que é uma vez por ano.... As fotos aí de cima provam que desta vez consegui ficar acordada e aproveitar o restaurante, que é muito legal! Fica em Fells Point, que é o Soho/Meatpacking District aqui de Baltimore, guardadas as devidas proporções, mas tem aquele ar urbano e cinza, que tenho que admitir, até que gosto bastante.

O pé direito é altíssimo, e o lugar certamente deve ter sido um galpão/armazém no passado, já que Baltimore é uma cidade bem industrial, mas o resultado é bem moderno e dramático. A comida é espanhola, mas tem influências italianas e mediterrâneas. A carta de vinhos é bem completa e o preço bem razoável para o tipo de lugar.
Enfim, foi uma noite superagradável e agora posso dizer que fui ao Pazo, pois da primeira vez que o Blake me levou lá eu nem me aguentava em pé de tanto cansaço...

Desta vez valeu!

August 25, 2008

Acesso à saúde


Das maiores injustiças do mundo está a doença. Ela não escolhe hora para chegar nem vítima para atacar. Um dia se está bem e saudável, outro dia se luta contra a morte. Nada me parece mais injusto, mais covarde.

Aliás só há algo mais covarde que a doença: a falta de acesso à saúde, que em teoria é um direito de todos e não um privilégio. Mas na verdade este direito não é universal e perversamente é negado àqueles que mais precisam: os mais pobres, os mais frágeis, os mais velhos, os mais jovens, os negros, os mestiços e os que moram longe dos grandes centros urbanos.

Isto me incomoda profundamente, me afronta. Cada vez que escuto um caso de alguém que morreu esperando atendimento ou um paciente que aguarda cirurgia enquanto sua saúde se deteriora, sinto uma pontada no coração. Sei que isto não me faz diferente de nenhum ser humano decente, mas acho que em mim isto têm um significado maior, pois sei o que é estar naquela posição de perplexidade, de impotência, mas não imagino o que é precisar de cuidado e não ter. Por que eu tive tudo a tempo e a hora e outros não têm?

Não tenho o que muitos chamam de "survivor's guilt" ou complexo de culpa do sobrevivente, mas me revolta saber que tantos não vão ter a sorte que eu tive. Acho que o problema esta bem aí, saúde não deveria ser uma questão de "sorte", deveria ser direito assegurado a todos.

Não sei o que as autoridades estão fazendo no Brasil, fora colocar na cadeia pessoas inocentes e impedir que médicos possam salvar a vida de pacientes em estado grave, mas felizmente aos poucos vou me inteirando do que acontece por aqui. E graças a Deus, pelo menos aqui em Maryland, as coisas são diferentes.

Sempre soube que saúde era uma questão muito delicada nos EUA, um paradoxo numa potência mundial onde não existe cobertura universal. Agora vejo isto tudo muito de perto, em primeira mão, e me convenço de que o Rio e Baltimore têm muito em comum, uma população pobre e desassistida, violência e miséria. Em muitos aspectos, Baltimore é uma cidade de terceiro mundo, muito semelhante ao Rio, São Paulo ou Salvador.

Se no Rio, escuto algumas histórias tristes, aqui em Baltimore, tenho números e estatísticas que ilustram um quadro deprimente e expõem a fragilidade do sistema de saúde norte-americano.

Por incrível que pareça, um homem negro nascido em Washington, DC, capital dos EUA, tem uma expectativa de vida 57.9 anos -- menor do que os homens nascidos em Ghana (58.3 anos), Bangladesh (58.1 anos) ou na Bolívia (59.8 anos). Em compensação, uma mulher de ascendência asiática nascida em Westchester County (subúrbios ricos fora de Nova York), pode esperar viver em média 90.3 anos.

O meu novo emprego no Departamento de Políticas e Planejamento na Escola de Medicina, se propõe acabar com estas disparidades, facilitando o acesso das minorias à saúde, oferecendo programas desenvolvidos especificamente para estas comunidades negras, latinas, indígenas e rurais, levando em consideração as barreiras geográficas, culturais e lingüísticas. Tenho certeza que será uma experiência inesquecível e que vai me abrir os horizontes de uma forma assustadora. Se no Brasil, faço parte da "maioria", aqui nos EUA, sou latina (com muito orgulho!) e questões como esta assumem uma dimensão completamente diferente para mim.

August 19, 2008

Good Morning Baltimore II

Achei no Youtube e não resisti!

Adriana, a musiquinha também não me sai da cabeça há dias...

Legal ver o cenário. Apesar da segunda versão do filme Hairspray ter sido filmada em estúdio em Toronto, eles tentaram ser bem fiéis a Baltimore dos anos 60.

A arquitetura continua lá, no meio da confusão, da sujeira e do caos, mas continua. Qualquer dia tiro umas fotos com a minha câmera para vocês terem uma idéia do que é Baltimore hoje.

August 18, 2008

Good Morning Baltimore!



Quem viu o filme Hairspray vai lembrar da saudação no início do filme de John Waters, símbolo máximo do cinema kitsch americano. O filme original chegou às telas em 1988 e fez tanto sucesso que mereceu uma nova versão estrelada por Zec Ephron, astro de High School Musical, ano passado.

Mas o post não para falar de John Waters, nem de Michael Phelps, cidadão mais ilustre de Baltimore, mas da cidade em si. Está bem, vou falar um pouco do Michael Phelps, pois o cara é realmente um fenômeno. Em pensar que tudo começou depois do diagnóstico de ADHD - Attention Deficit Hyperactivity Disorder, uma "condição" bem comum em meninos em idade pré-escolar. A mãe não sabia como lidar com a hiperatividade de Michael e resolveu tentar a natação...quinze anos depois surge o maior campeão olímpico de todos os tempos. Incrível. Mas como americano é povo engajado mesmo, Debbie e o filho Michael decidiram abrir uma fundação para ajudar pais a lidarem com filhos portadores desta mesma "deficiência". E Michal não vai parar por aí. Na volta para casa, Michael que acaba de se formar, decidiu que vai recuperar o Baltimore Aquatic Center, que como muita coisa nesta cidade vive anos de ostracismo. Bom pro Michael. Melhor para Baltimore, cidade pobre e nada glamurosa que aos poucos recupera o prestígio perdido há muitos anos.

Baltimore, que para quem não sabe NÃO é a capital de Maryland (Annapolis é a capital) pode ser chamada de prima pobre da "arrumadinha" Washington. É também capital da violência americana, posto que disputa pau a pau com Detroit ano a ano. Baltimore é blue-colar, Washington é white-colar. Baltimore é operária e Washington é executiva, mas Baltimore tem personalidade, tem pulso, é real. Quando muitas cidades americanas têm que "inventar" arquitetura e história, Baltimore tem de sobra e agora com a revitalização de vários pontos da cidade a gente começa a ver beleza que ficou escondida tanto tempo.

O relógio da foto é a paisagem que vejo da minha janela. Vocês não imaginam a minha felicidade ao entrar na cidade de manhã cedo e de longe avistar os arranha-céus. Sou urbana. Urbana mesmo. Sempre fui assim.

Queria encontrar a felicidade no campo, junto ao verde e ao canto dos pássaros, mas não consigo por mais que me esforce. Preciso de asfalto, preciso da vibração, de vozes, de outros seres humanos, preciso de um pouquinho, só um pouquinho de caos, para ficar à vontade.

Se no início a cidade me assustou bastante -- há bolsões de pobreza que se comparam às áreas mais pobres do Rio -- aos poucos vou conquistando meu espaço, vou vencendo o medo de me aventurar.

Jamais pensei que fosse trabalhar tão diretamente em questões ligadas à saúde. Nunca pensei que fosse militar pelo direito dos menos favorecidos, dos esquecidos, num país de primeiro mundo, na maior potência mundo. Jamais pensei em ver tantas vulnerabilidades tão expostas.

O bom de Baltimore é isso, a cidade é muito real -- tem história, tem pobreza mas tem carater e eu gosto disso. Num mundo tão artificial é alívio conhecer pessoas e lugares de verdade.