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January 20, 2009

E a América Volta a Ser "Cool"...














"Starting today, we must pick ourselves up, dust ourselves off, and begin again the work of remaking America."
Barack Hussein Obama



Não canso de dizer para o Blake que a posse de Obama marca um novo tempo para este país. Depois de oito anos de Bush e anti-americanismo explícito no mundo todo, de repente os Estados Unidos voltaram a ser cool. Obama tem status de pop star e atitude de um estadista. Se ele vai conseguir atender as expectativas do mundo inteiro, isto vamos ver com o tempo, mas que sua subida ao poder já é um bom começo, isto é indiscutível. É inegável a mudança de atitude que se vê não só nos americanos mas no mundo inteiro.

Quando fui ao Brasil no fim do ano não se falava em outra coisa... Cheguei a ver adesivos de Obama nos carros no Rio! E pela primeira vez em muito tempo, notei um ar de admiração quando as pessoas falavam nos EUA. Antes parecia que ser americano era sinônimo de ser chato, prepotente e ignorante. Várias vezes ouvia o pessoal dizer, "O Blake é americano mas é muito gente boa", como se ser americano inviabilizasse qualquer possibilidade de alguém ser 'gente boa', o que é muito injusto, pois o que mais existe é americano gente boa, assim como tem brasileiro gente boa, japonês gente boa e iraquiano gente boa.

Obama diz que vai usar seu nome do meio "Hussein" num eforço de dar uma repaginada mais que necessária nos Estados Unidos, numa tentativa de incluir suas raízes africanas e mostrar que todos, independente de raça, credo ou ideologia, são bem-vindos aqui.

Este tom inclusivo e conciliatório do presidente é muito legal e neste momento é o que este país precisa. Agora é torcer para que ele consiga implementar pelo menos alguma das mudanças prometidas.

A história já está escrita e só nos resta ver como o enredo se desenrola, mas que o Obama é o melhor garoto-propaganda que os Estados Unidos poderiam ter, isto é inegável. Como dizer por aqui, Obama é bi-partidário e pós-racial. Vive la Différence!

Preparem-se

Tem pouca gente aqui no escritório, mas o clima é de emoção total. Daqui a pouco vamos para a sala de conferência ver o discurso do Obama.

Incrível, até eu que nem sou americana, nem negra, nem democrata, nem coisa nenhuma estou emocionada. Já sei que vai ter choradeira daqui a pouco... Vou sair correndo agora para pegar meu almoço.

Uma coisa eu tenho que admitir: AMO os discursos do Michelle e do Barak Obama -- os caras falam bem demais!

January 13, 2009

Não se fala em outra coisa

O papo aqui nos arredores de Washington e Baltimore é um só: a posse de Barak Obama. Se a euforia tomou mesmo conta do país, acho que em poucos lugares a coisa é mais visível do que aqui no meu escritório, afinal a maioria esmagadora de funcionários aqui é negra.

Estes dias parece até que estou no Brasil -- tudo bem, vamos deixar as temperatura congelantes de lado -- mas o povo não para de falar no feriadão da semana que vem. Quer coisa mais brasileira? Na segunda-feira é feriado de Martin Luther King Jr., ponto facultativo em muitos lugares, mas aqui para nós é feriado e ponto. Na terça, 20 de janeiro, vai acontecer o fato mais esperado do milênio -- a posse! Só que este dia não é feriado, mas quem vai querer perder o grande dia?! Nem que seja em casa, todo mundo vai querer ver o discurso e a roupa da Michelle -- tomara que ela se reabilite, pois o vestido vermelho-hemorragia do dia da vitória foi dose.

Andei fazendo uma pesquisa informal por aqui e ao que parece ninguém está pensando em dar as caras por aqui. Tem gente que vai desafiar o frio e a multidão para estar no Mall; tem gente que vai assistir numa destas mega-igrejas aqui...só não tem gente animada para vir trabalhar e acompanhar tudo via internet. Será que vai sobrar para mim?

Juro que se fosse no verão, eu até me meteria no meio do povão, pois vai ser um marco histórico, mas sinceramente, com as temperaturas abaixo de zero é muito perrengue para esta que vos fala.

Vou dar um jeito de assistir tudinho com certeza, mas certamente num lugar confortável e onde haja calefação... A sala do telão lá de casa sounds like a winner!

November 5, 2008

Novos Ares

Este é um dia diferente aqui nos EUA. Um dia que muitos acharam que jamais seria possível. O dia em que os americanos elegeram seu primeiro presidente negro. No Brasil, Obama seria chamado de mulato, pois é filho de mãe branca e pai negro e foi criado numa família de classe-média branca, mas aqui nos EUA, quem tem uma gota de sangue negro, negro é. E Obama não seria exceção.

Dizer que raça não teve um papel importante nestas eleições é querer tapar o sol com a peneira. O próprio Obama admite que houve quem votasse nele por causa da cor de sua pele, assim como houve gente que descartou sua candidatura de cara pelo mesmo motivo. Mas olhando bem para os números, o candidato democrata venceu praticamente em todas as faixas demográficas. Os negros se uniram em torno de seu candidado pela primeira vez na história, mas Obama foi além, despertou a paixão em jovens até então apáticos e conseguiu motivar eleitores que jamais tinha exercitado sua cidadania. Ele foi ousado na campanha, equilibrado nas palavras, e conseguiu cavar seu nicho galgando a posição de homem mais poderoso do planeta. Grande mérito.

Difícil foi não sentir por John McCain, herói de guerra e senador respeitado, que teve o sonho da presidência sepultado por Bush não uma, mas duas vezes. A primeira ao perder a nomeação republicana em 2000 e a segunda agora em 2008, porque, convenhamos, depois da lambança de Bush, a chapa republicana nunca teve a menor chance de vitória nestas eleições. McCain foi gentil e classudo até o final, pedindo a todos que se unissem em prol de um país melhor e colocando-se à disposição do novo presidente eleito. Foi sincero, afinal o senador tem um histórico conciliador. Mas foi justo este McCain que os eleitores pouco viram durante a campanha, pois o senador do Arizona sempre foi um republicano moderado, mas tentando agradar os caciques mais conservadores do partido, no final acabou pendendo para a extrema direita e o resultado vimos ontem. Os republicanos moderados e os independentes não gostaram da mudança e mostraram isso nas urnas. Foi uma pena John McCain ter perdido sua essência e o discurso de ontem marcou uma volta a ela. Foi o melhor discurso de McCain em muitos anos.

O futuro do Partido Republicano é mais incerto do que nunca, já que eles não só perderam as eleições presidenciais, mas vários assentos no Senado e na Câmara. Como disse um velho político de New Hampshire, o que houve foi um “tsunami democrata”. Quem sabe não está na hora do partido rever seus conceitos? Isto só o tempo vai dizer.

O que vi ontem e continuo vendo hoje é um sentimento bacana que tomou conta das pessoas que acham que tudo é possível, lema da campanha de Obama “Yes, we can”. Ontem foi um dia histórico não só para os eleitores de Obama, mas para todos os americanos, não só para os americanos mas para todos nós. Quem sabe agora o mundo vai começar a enxergar os EUA como o país extraordinário que é? Há muito tempo venho dizendo para o Blake que o Obama é a prova de que o nosso filho também pode chegar lá, afinal os latinos pela primeira vez passaram os negros como a minoria mais numerosa nos EUA. Coisa de americano sim, mas a verdade é que para as minorias, nas quais me incluo, os horizontes nunca pareceram tão amplos.

E voltando ao tema do post, novos ares e uma grande virada é o que desejo à minha querida avozinha, que agora foi transferida para um outro hospital, onde esperamos que ela vá receber cuidados específicos para os problemas mais recentes. Que a mudança seja muito positiva para ela e que em breve ela saia do CTI e volte logo para casa. Oito semanas de batalha, mas ela continua firme e resoluta. Yes, she can!