Volta e meio reclamo do Joaquim não dormir direito. Nesta última semana, ele melhorou bastante e dormiu várias noites sem interrrupção, o que NUNCA havia acontecido. Ontem, quando ele acordou chorando bastante, o Blake foi ao quarto dele saber o que estava acontecendo.
Fez tudo que podia -- ticou cada um dos itens da nossa listinha da madruga:
* trocar a fralda
* ver se o pijama está molhado -- se estiver, trocar
* colocá-lo de volta na cama, oferecer água
* mexer no cabelo dele
* em última instância, oferecer mamadeira
Mas de nada adiantou, ele continuava chorando. Foi aí, que ainda cansada, me levantei, e tirei o Joaquim, que agora chorava mais forte, do berço. Coloquei-o no meu colo e comecei a dar voltas no quarto, cantando cantigas de ninar. O chorinho foi ficando cada vez mais fraco, até que ele parou. Então pensei no privilégio que era estar ali sozinha com meu filho, nos meu braços, e me senti muito feliz por poder estar junto a ele e poder enfim acalmá-lo.
Uma hora se passou e o coloquei de volta no berço. Ele ainda me olhava um pouquinho assustado. Seus olhos entreabertos queriam ter certeza que eu ainda estava por perto. Acariciei seus cabelos mais uma vez e finalmente ofereci a mamadeira. Ele aceitou na hora. Seus olhinhos começaram a se fechar, finalmente o cansaço venceu e ele dormiu.
Ainda fiquei no quarto uns minutos para me certificar de que o Joaquim estava enfim dormindo tranquilamente. Não sei se é porque em três semanas volto a Hopkins para meus exames semestrais, mas o que era para ser um sacrifício, ontem me trouxe um enorme prazer, apesar do casanço, apesar da hora.
Nada como a certeza de que a vida é efêmera para fazer com que vivamos com intensidade cada minuto -- mesmo que às duas da manhã.
February 6, 2012
February 2, 2012
Facebook e o Povo que Gosta de Contar Vantagem...
Ainda no meu tópico, tédio virtual, vi este texto e achei bastante interessante. Adoro a teoria do "one-up" simplesmente porque todo mundo tem um conhecido que se enquadra nesta categoria. Você comprou um carro novo? Ele também, só que o dele é maior e mais caro. Você apresentou um projeto bacana no trabalho? Ele também, só que o dele era bem mais complicado do que o seu... Seu filho tirou nota boa? O dele é o melhor aluno da escola! E por aí vai.
Não que isto só aconteça no mundo virtual, mas toma uma dimensão maior. O mundo real também apresenta muitas situações assim. Exemplo perfeito: meu pai me ligou ontem para me dizer que as coisas nos outlet malls aqui dos arredores de DC são muito caras -- e não são! Um vizinho disse que tinha ido a um outlet em algum outro lugar e tinha comprado uma camisa Lacoste por US$20! Até pode ser, a rebarba da rebarba, porque eu já entrei em outlet da Lacoste em vários cantos do mundo -- da Argentina até o Reino Unido -- e uma coisa me chamou atenção, os preço não varia tanto assim e Lacoste normalmente é uma marca das mais caras... Não estou dizendo que não possa ser verdade -- vai que o cara deu sorte -- mas o fato do cara só ter encontrado preços ridículos me deixa suspeita.
Aliás, mudando um pouco de assunto, durante nossas férias no Rio fiquei assustada com os assuntos predominantes nas conversas que ouvi na praia, na piscina e até em restaurantes. Ganha um doce quem advinhar o que anda ocupando as cabeças da classe média carioca atualmente: dicas de compras no EUA (inclusive com referências a Black Friday e a vários outlet malls por todo o país) e a inabilidade de se encontrar uma boa empregada/babá/faxineira. É, já não se fazem mais novelas como antigamente...
Não que isto só aconteça no mundo virtual, mas toma uma dimensão maior. O mundo real também apresenta muitas situações assim. Exemplo perfeito: meu pai me ligou ontem para me dizer que as coisas nos outlet malls aqui dos arredores de DC são muito caras -- e não são! Um vizinho disse que tinha ido a um outlet em algum outro lugar e tinha comprado uma camisa Lacoste por US$20! Até pode ser, a rebarba da rebarba, porque eu já entrei em outlet da Lacoste em vários cantos do mundo -- da Argentina até o Reino Unido -- e uma coisa me chamou atenção, os preço não varia tanto assim e Lacoste normalmente é uma marca das mais caras... Não estou dizendo que não possa ser verdade -- vai que o cara deu sorte -- mas o fato do cara só ter encontrado preços ridículos me deixa suspeita.
Aliás, mudando um pouco de assunto, durante nossas férias no Rio fiquei assustada com os assuntos predominantes nas conversas que ouvi na praia, na piscina e até em restaurantes. Ganha um doce quem advinhar o que anda ocupando as cabeças da classe média carioca atualmente: dicas de compras no EUA (inclusive com referências a Black Friday e a vários outlet malls por todo o país) e a inabilidade de se encontrar uma boa empregada/babá/faxineira. É, já não se fazem mais novelas como antigamente...
January 31, 2012
Walking Waka
O preguiçso do Joaquim já sobe e desce três lances de escada, engatinha pra frente e para trás (Michael Jackson?!), mas não se desgruda do andador para dar dois passinhos...
Como o nome dele aqui é pronunciado "Wakin", obviamente já o apelidaram de WakaWaka, ou Walking Waka!
January 18, 2012
Tédio Virtual
Outro dia uma amiga escreveu o seguinte no Facebook: “Será que as pessoas viajam para aproveitar ou para poder dizer para os outros no Facebook?” E obviamente recebeu várias respostas... Mas fiquei pensando, então me perguntei se o mesmo não vale para quase tudo hoje em dia. Parece que as coisas não acontencem a menos que estejam devidamente documentadas e postadas no Facebook, onde vários amigos (ou seriam simples conhecidos?) podem “curtir” ou debater sobre tal restaurante, cidade, e até mesmo programa de TV. Na era de smartphones com câmeras de foto e vídeo, parece que a humanidade carece desta “validação virtual”.
Claro que eu mesma me incluo neste time de aficcionados, fora algumas raras ocasiões quando até eu – que tenho pouquíssima necessidade de privacidade – deixo de postar ou escrever alguma coisa porque simplesmente acho exposição demais. É que na era de blogs, Facebook, Twitter e tantas outras coisas, todo mundo virou expert em tudo, ou pelo menos se auto-intitula e se vê como tal. E volta e meia um post inocente dá um pontapé numa discussão ridícula que começou a troco de nada. Gente que nunca se viu se agride e se ofende por causa de uma besteira qualquer. Acho uma chatice esta patrulha desnecessária, este concurso de quem sabe mais, de quem conhece mais que parece nunca acabar.
Não sou retrógrada ao ponto de não ver o aspecto positivo da revolução que vivemos. Amo as mídias sociais pois é graças a elas que apesar da distância e do tempo consigo manter amizades e me sinto mais próximas daqueles que amo. Ao ver fotos de gente querida me imagino bem pertinho deles, como se eu também estivesse presente em ocasiões tão bacanas. Também gosto de ver as notícias em tempo real...afinal de contas uma vez jornalista, sempre jornalista!
E é por isto que apesar de muitas vezes pensar em focar menos na vida virtual – onde todos são felizes, bonitos, inteligentes e bem sucedidos e conseguem fazer milhões de coisas com perfeição e ao mesmo tempo – não consigo deletar nenhuma das minhas contas. Tenho medo de cortar os laços verdadeiros, mesmo que eles passem por um (às vezes) enfadonho enredado virtual.
Claro que eu mesma me incluo neste time de aficcionados, fora algumas raras ocasiões quando até eu – que tenho pouquíssima necessidade de privacidade – deixo de postar ou escrever alguma coisa porque simplesmente acho exposição demais. É que na era de blogs, Facebook, Twitter e tantas outras coisas, todo mundo virou expert em tudo, ou pelo menos se auto-intitula e se vê como tal. E volta e meia um post inocente dá um pontapé numa discussão ridícula que começou a troco de nada. Gente que nunca se viu se agride e se ofende por causa de uma besteira qualquer. Acho uma chatice esta patrulha desnecessária, este concurso de quem sabe mais, de quem conhece mais que parece nunca acabar.
Não sou retrógrada ao ponto de não ver o aspecto positivo da revolução que vivemos. Amo as mídias sociais pois é graças a elas que apesar da distância e do tempo consigo manter amizades e me sinto mais próximas daqueles que amo. Ao ver fotos de gente querida me imagino bem pertinho deles, como se eu também estivesse presente em ocasiões tão bacanas. Também gosto de ver as notícias em tempo real...afinal de contas uma vez jornalista, sempre jornalista!
E é por isto que apesar de muitas vezes pensar em focar menos na vida virtual – onde todos são felizes, bonitos, inteligentes e bem sucedidos e conseguem fazer milhões de coisas com perfeição e ao mesmo tempo – não consigo deletar nenhuma das minhas contas. Tenho medo de cortar os laços verdadeiros, mesmo que eles passem por um (às vezes) enfadonho enredado virtual.
January 17, 2012
2011: O Ano que Descobri que Queria Ser Mais que Mãe
Nunca fui daquelas meninas que brincavam de boneca. Sempre preferi os livros. Também não fui daquelas jovens que sonhavam em casar vestida de noiva num castelo. Acho que sempre suspeitei que o tal Príncipe Encantado poderia se perder no meio do caminho. E tampouco fui daquelas mulheres loucas para ser mãe, dispostas a tudo, até uma produção independente. Sempre vi a maternidade como consequência e não como um fim. Construir uma família na minha cabeça sempre veio antes de me tornar mãe. Talvez por ter tantos obstáculos, gosto de tentar planejar algumas coisas na minha vida, filhos certamente.
O fato é que apesar da inicial falta de interesse, tive um casamento mais que tradicional, com direito a vestido de noiva e igreja barroca, como nos filmes de princesas. E depois de alguns anos de convivência, a menina que nunca se interessou muito por bonecas, achou que já havia chegado a hora de pensar na chegada de um bebê de verdade. E assim começaram nossas tentativas que duraram um bom tempo e vieram carregadas de expectativas e de decepções ao longo do caminho.
Mas como é o lema da minha vida, Deus me ajuda a alcançar cada objetivo, mas quase sempre com alguma dose de sangue, suor e lágrimas. Obviamente com meu bebê não seria diferente. Depois de todos os exames e nenhum diagnóstico, partimos para a fertilização in vitro. (Por conta do meu histórico de saúde, preferi ir direto ao método mais invasivo mas o que prometia melhores resultados também.) E ao contrário do que acontece com a grande maioria dos casais, conseguimos engravidar na primeira tentativa.
Eu, que já tinha me preparado para ser uma grávida de altíssimo risco, nem acreditei quando os médicos trataram de me tirar do tal grupo rapidinho. Tive uma gravidez perfeita. Fora os enjoos no primeiro trimestre, acho que nunca me senti tão bem disposta na vida. E assim foi, até a chegada do Joaquim, em dezembro de 2010, quando uma verdadeira avalanche tomou conta de nossas vidas.
Não importa sua idade, não importa quantos livros você leu, quantas grávidas você entrevistou, quantos vídeos assistiu, a verdade é que NADA nem ninguém pode preparar uma mulher para o que está por vir. Quando a minha mãe insistia em dizer “filho muda tudo!” eu sinceramente não tinha noção da dimensão da coisa. Aquela história de que a sua vida nunca mais será a mesma é...a mais pura verdade!
Obviamente eu sabia das restrições quanto a minha liberdade. Claro, agora tenho um serzinho que é 100% dependente de mim, mas convenhamos que já aproveitei bastante a minha vida. Também achei que fosse tirar as tais noites em claro de letra, afinal nunca dormi muito, nem nunca precisei de muitas horas de sono. Na minha cabeça (ôca, diga-se de passagem), o bebê iria acordar, mamar em 30 minutos, arrotar em 10 e depois voltar a dormir sem nenhum protesto. Pode até ser assim, mas na casa dos outros! O meu bebê não dormia NUNCA, estava sempre esfomeado, era um horror para mamar, e berrava 24 HORAS POR DIA. O Joaquim era o temido “bebê com refluxo.” Só quem já teve um sabe do que estou falando...
Todo mundo me dizia que as coisas aos poucos iam melhorando... Aos quatro meses ele vai dormir direto, insistia a minha sogra. Só que agora, aos 13 meses, ela ainda acorda à noite. Com cinco meses ele vai parar de vomitar...Ele só parou com mais de oito. E por aí vai... E eu, na doce ilusão de que tudo ia melhorar, que um dia a minha vida ia ser menos caótica. Quanta idiotice!
O que demorei mais de um ano para perceber é que não é o Joaquim que vai melhorar. Quem vai mudar – e está mudando – sou eu! Mudam as minhas expectativas, muda a minha forma de ver o mundo, muda o meu dia a dia. A maternidade, aprendi, é um processo sem fim. E este processo é ao mesmo tempo prazeroso e dolorido, como toda mudança.
Sempre soube que a maternidade seria uma das várias dimensões da minha personalidade. Ao contrário de muitas mulheres, nunca achei que um filho fosse me completar como mulher ou como ser humano. Nunca entreti a ideia de abandonar a minha carreira para ser mãe em tempo integral. Não condeno que faz tal escolha, mas não me vejo nesta posição. E se todo mundo diz que não há trabalho mais árduo do que o de mãe, na minha opinião, o trabalho fica ainda mais difícil quando esta mãe é esposa e profissional que ainda tem alguma ambição quanto a sua carreira.
Aqui no mundo corporativo americano, existe algo que se chama “mommy track”, um lugar entre o limbo e a porta de saída que abriga mulheres alijadas profissionalmente que nunca irão saber o que significa uma promoção ou um bônus por mérito. Um lugar de onde eu definitivamente quero distância! Acho que quem está na chuva é para se molhar. Se tenho que sair de casa, cumprir metas e horários e rebolar para manter a qualidade do meu trabalho, quero ter direito às mesmas oportunidades e aos mesmos benefícios. O “mommy track” definitivamente não é para mim.
Engana-se também quem acha que coloco a carreira acima da família. Ano passado, por exemplo, não fiz nenhuma viagem a trabalho. A única possibilidade era em novembro, quando o Joaquim estava prestes a completar um ano, e mesmo assim, preferi adiar. Às vezes me sinto esgotada, mas não consigo pensar na minha vida sem meu trabalho. Da mesma forma, hoje não me vejo sem o Joaquim, então a única saída é conciliar. E conciliar é abrir mão de horas de sono, horas de prazer e aceitar que o dolce far niente é coisa de um passado longínquo.
Sempre soube que queria mais do que ser mãe, mas confesso que durante a gravidez muitas vezes me perguntei se mudaria de ideia. Muita gente me dizia que eu não iria aguentar deixar o Joaquim e voltar ao trabalho. Não só consegui, como na maioria das vezes deixá-lo brincando na creche, aprendendo coisas novas, me traz muita satisfação. Assim como me enche de alegria ver o rostinho dele se iluminar quando vou buscá-lo na saída.
Ser mãe é muito bom, mas depois de um ano de muito trabalho e pouquíssima diversão, sinto que aos poucos vou resgatando a minha identidade e voltando – ainda que lentamente – a ser eu mesma. Não a mesma pessoa que existia até 2010, mas uma pessoa nova e multidimensional, que agora além de filha, esposa, amiga, profissional, é também mãe.
O fato é que apesar da inicial falta de interesse, tive um casamento mais que tradicional, com direito a vestido de noiva e igreja barroca, como nos filmes de princesas. E depois de alguns anos de convivência, a menina que nunca se interessou muito por bonecas, achou que já havia chegado a hora de pensar na chegada de um bebê de verdade. E assim começaram nossas tentativas que duraram um bom tempo e vieram carregadas de expectativas e de decepções ao longo do caminho.
Mas como é o lema da minha vida, Deus me ajuda a alcançar cada objetivo, mas quase sempre com alguma dose de sangue, suor e lágrimas. Obviamente com meu bebê não seria diferente. Depois de todos os exames e nenhum diagnóstico, partimos para a fertilização in vitro. (Por conta do meu histórico de saúde, preferi ir direto ao método mais invasivo mas o que prometia melhores resultados também.) E ao contrário do que acontece com a grande maioria dos casais, conseguimos engravidar na primeira tentativa.
Eu, que já tinha me preparado para ser uma grávida de altíssimo risco, nem acreditei quando os médicos trataram de me tirar do tal grupo rapidinho. Tive uma gravidez perfeita. Fora os enjoos no primeiro trimestre, acho que nunca me senti tão bem disposta na vida. E assim foi, até a chegada do Joaquim, em dezembro de 2010, quando uma verdadeira avalanche tomou conta de nossas vidas.
Não importa sua idade, não importa quantos livros você leu, quantas grávidas você entrevistou, quantos vídeos assistiu, a verdade é que NADA nem ninguém pode preparar uma mulher para o que está por vir. Quando a minha mãe insistia em dizer “filho muda tudo!” eu sinceramente não tinha noção da dimensão da coisa. Aquela história de que a sua vida nunca mais será a mesma é...a mais pura verdade!
Obviamente eu sabia das restrições quanto a minha liberdade. Claro, agora tenho um serzinho que é 100% dependente de mim, mas convenhamos que já aproveitei bastante a minha vida. Também achei que fosse tirar as tais noites em claro de letra, afinal nunca dormi muito, nem nunca precisei de muitas horas de sono. Na minha cabeça (ôca, diga-se de passagem), o bebê iria acordar, mamar em 30 minutos, arrotar em 10 e depois voltar a dormir sem nenhum protesto. Pode até ser assim, mas na casa dos outros! O meu bebê não dormia NUNCA, estava sempre esfomeado, era um horror para mamar, e berrava 24 HORAS POR DIA. O Joaquim era o temido “bebê com refluxo.” Só quem já teve um sabe do que estou falando...
Todo mundo me dizia que as coisas aos poucos iam melhorando... Aos quatro meses ele vai dormir direto, insistia a minha sogra. Só que agora, aos 13 meses, ela ainda acorda à noite. Com cinco meses ele vai parar de vomitar...Ele só parou com mais de oito. E por aí vai... E eu, na doce ilusão de que tudo ia melhorar, que um dia a minha vida ia ser menos caótica. Quanta idiotice!
O que demorei mais de um ano para perceber é que não é o Joaquim que vai melhorar. Quem vai mudar – e está mudando – sou eu! Mudam as minhas expectativas, muda a minha forma de ver o mundo, muda o meu dia a dia. A maternidade, aprendi, é um processo sem fim. E este processo é ao mesmo tempo prazeroso e dolorido, como toda mudança.
Sempre soube que a maternidade seria uma das várias dimensões da minha personalidade. Ao contrário de muitas mulheres, nunca achei que um filho fosse me completar como mulher ou como ser humano. Nunca entreti a ideia de abandonar a minha carreira para ser mãe em tempo integral. Não condeno que faz tal escolha, mas não me vejo nesta posição. E se todo mundo diz que não há trabalho mais árduo do que o de mãe, na minha opinião, o trabalho fica ainda mais difícil quando esta mãe é esposa e profissional que ainda tem alguma ambição quanto a sua carreira.
Aqui no mundo corporativo americano, existe algo que se chama “mommy track”, um lugar entre o limbo e a porta de saída que abriga mulheres alijadas profissionalmente que nunca irão saber o que significa uma promoção ou um bônus por mérito. Um lugar de onde eu definitivamente quero distância! Acho que quem está na chuva é para se molhar. Se tenho que sair de casa, cumprir metas e horários e rebolar para manter a qualidade do meu trabalho, quero ter direito às mesmas oportunidades e aos mesmos benefícios. O “mommy track” definitivamente não é para mim.
Engana-se também quem acha que coloco a carreira acima da família. Ano passado, por exemplo, não fiz nenhuma viagem a trabalho. A única possibilidade era em novembro, quando o Joaquim estava prestes a completar um ano, e mesmo assim, preferi adiar. Às vezes me sinto esgotada, mas não consigo pensar na minha vida sem meu trabalho. Da mesma forma, hoje não me vejo sem o Joaquim, então a única saída é conciliar. E conciliar é abrir mão de horas de sono, horas de prazer e aceitar que o dolce far niente é coisa de um passado longínquo.
Sempre soube que queria mais do que ser mãe, mas confesso que durante a gravidez muitas vezes me perguntei se mudaria de ideia. Muita gente me dizia que eu não iria aguentar deixar o Joaquim e voltar ao trabalho. Não só consegui, como na maioria das vezes deixá-lo brincando na creche, aprendendo coisas novas, me traz muita satisfação. Assim como me enche de alegria ver o rostinho dele se iluminar quando vou buscá-lo na saída.
Ser mãe é muito bom, mas depois de um ano de muito trabalho e pouquíssima diversão, sinto que aos poucos vou resgatando a minha identidade e voltando – ainda que lentamente – a ser eu mesma. Não a mesma pessoa que existia até 2010, mas uma pessoa nova e multidimensional, que agora além de filha, esposa, amiga, profissional, é também mãe.
December 9, 2011
Joaquim, o brasileirinho
Pode ser viagem minha, mas nunca me passou pela cabeça que o Joaquim não seria brasileiro. Acho que optei por ignorar a geografia e praticamente tudo que nos cerca no dia a dia, pois nunca achei que o Joaquim fosse ter uma vida muito diferente da minha ou da vida das primas dele que nasceram e moram no Rio. Ele pode não andar de short e havaiana o dia inteiro, mas sua canção de ninar favorita é Sapo Cururu. Seu programa de televisão? Xuxa Só Para Baixinhos! Fruta? Banana (que ele chama pelo nome!) Mais brasileirinho que isto?
Viagem minha deve ser. Mas desde que foi concebido o Joaquim escuta português e só ouve português da minha boca. Um esforço consciente e árduo para que ele sempre saiba de onde veio e que é. Nem me passa pela cabeça que uma dia ele possa sentir vergonha disto, de suas origens, da língua de sua mãe...talvez pelo fato de que EU jamais senti algo parecido.
Gosto daqui, mas não sei se um dia vou considerar este país minha casa. É uma pátria acolhedora que me deu muitas chances: bolsa de estudo, trabalho, um marido e mais recentemente, um filho. Sem cotnar nos muitos amigos e experiências inesquecíveis. Me deu até direto à cidadania e por tudo isto, para sempre serei grata. Aprendi muito nos quase 20 anos que vivo entre Brasil e EUA. Uma frase da famosa primeira-dama americana Eleanor Roosevelt nunca me sai da cabeça: No one can make you feel inferior without your consent. Pois é, acho que eu nunca dei permissão a ninguém para fazer isto, então vivo feliz assim, brasileira ou americana.
Também não tenho intenção de mudar muito para me encaixar nos padrões locais. Nunca tive esta preocupação no Brasil e não iria mudar agora. Absorvo o que interessa e ignoro o resto, tanto nos EUA quanto no Brasil. Espero sinceramente que o Joaquim se conforme com isso... Mas além disto, espero que ele sinta-se feliz e em paz consigo mesmo, sempre.
Então hoje que o Joaquim completa seu primeiro aniversário, me pego imaginando o que vai ser daqui a cinco, 10 ou 15 anos... Será um gringuinho brasileiro ou um brasileirinho gringo? Vai gostar de esportes -- surf ou ski, soccer ou football? Vai preferir churrasco com picanha ou com hamburger? São tantas as possibilidades.
Gosto de imaginar que ele será como um jovem que encontrei há muitos anos num destes aeroportos da vida: ele parecia indiano, tinha passaporte americano e falava português sem sotaque. Começamos a conversar e eu, curiosa que sou, fui logo fazendo perguntas e ele se explicando com muito orgulho. "Nasci nos Estados Unidos, filho de pai indiano e mãe brasileira. Minha mãe sempre falou português comigo e sempre visitei minha família no Rio com frequência. Na época da faculdade, estudei português durante os quatro anos. Depois de formado, consegui um emprego num banco de investimentos e vivi anos no Brasil, dois deles com a minha avó." Me lembro de ter dito a ele "Puxa, se um dia tiver um filho, quero que ele seja assim, como você." Ele sorriu e respondeu. "Minha mulher é uruguaia estamos esperando nosso primeiro filho, só ainda não decidimos se em casa falaremos português ou espanhol."
É Joaquim, nossa caminhada está só começando! Feliz aniversário, meu filho!
Viagem minha deve ser. Mas desde que foi concebido o Joaquim escuta português e só ouve português da minha boca. Um esforço consciente e árduo para que ele sempre saiba de onde veio e que é. Nem me passa pela cabeça que uma dia ele possa sentir vergonha disto, de suas origens, da língua de sua mãe...talvez pelo fato de que EU jamais senti algo parecido.
Gosto daqui, mas não sei se um dia vou considerar este país minha casa. É uma pátria acolhedora que me deu muitas chances: bolsa de estudo, trabalho, um marido e mais recentemente, um filho. Sem cotnar nos muitos amigos e experiências inesquecíveis. Me deu até direto à cidadania e por tudo isto, para sempre serei grata. Aprendi muito nos quase 20 anos que vivo entre Brasil e EUA. Uma frase da famosa primeira-dama americana Eleanor Roosevelt nunca me sai da cabeça: No one can make you feel inferior without your consent. Pois é, acho que eu nunca dei permissão a ninguém para fazer isto, então vivo feliz assim, brasileira ou americana.
Também não tenho intenção de mudar muito para me encaixar nos padrões locais. Nunca tive esta preocupação no Brasil e não iria mudar agora. Absorvo o que interessa e ignoro o resto, tanto nos EUA quanto no Brasil. Espero sinceramente que o Joaquim se conforme com isso... Mas além disto, espero que ele sinta-se feliz e em paz consigo mesmo, sempre.
Então hoje que o Joaquim completa seu primeiro aniversário, me pego imaginando o que vai ser daqui a cinco, 10 ou 15 anos... Será um gringuinho brasileiro ou um brasileirinho gringo? Vai gostar de esportes -- surf ou ski, soccer ou football? Vai preferir churrasco com picanha ou com hamburger? São tantas as possibilidades.
Gosto de imaginar que ele será como um jovem que encontrei há muitos anos num destes aeroportos da vida: ele parecia indiano, tinha passaporte americano e falava português sem sotaque. Começamos a conversar e eu, curiosa que sou, fui logo fazendo perguntas e ele se explicando com muito orgulho. "Nasci nos Estados Unidos, filho de pai indiano e mãe brasileira. Minha mãe sempre falou português comigo e sempre visitei minha família no Rio com frequência. Na época da faculdade, estudei português durante os quatro anos. Depois de formado, consegui um emprego num banco de investimentos e vivi anos no Brasil, dois deles com a minha avó." Me lembro de ter dito a ele "Puxa, se um dia tiver um filho, quero que ele seja assim, como você." Ele sorriu e respondeu. "Minha mulher é uruguaia estamos esperando nosso primeiro filho, só ainda não decidimos se em casa falaremos português ou espanhol."
É Joaquim, nossa caminhada está só começando! Feliz aniversário, meu filho!
December 7, 2011
A primeira ida ao hospital a gente nunca esquece...



As últimas semanas foram um verdadeiro vendaval por aqui. O feriado de Thanksgiving que parecia que ia ser um período de "descanso" (entre aspas mesmo porque -- minha mãe estava certa -- depois que a gente tem filho este conceito não existe mais!) foi certamente a fase mais punk da nossa breve vida de pais.
Chegamos da casa da minha sogra e achamos o Joaquim quentinho e resolvemos obviamente acompanhar. De madrugada, a febre dele passava de 39C, então voamos para a emergência pediátrica. Ele tinha acabado o segundo ciclo de antibiótico e parecia melhor durante o dia, mas como depois a febre não parava de subir, no meio da noite nos restavam poucas alternativas.
Eu que já me considero calejada no assunto, fiquei obviamente chateada de estar ali com ele, mas nem de longe imaginei que os médicos fossem dar mais que uma injeção. De repente as enferimeiras me dizem que o médico quer um exame de sangue para se certificar de que a infecção não se espalhou pelo sangue e que vão precisar de um acesso para o exame e para o medicamento. Acesso, como assim? Num bracinho de um bebê gorducho de 11 meses? E assim foi feito -- infelizmente.
Foi horrível, foi traumático, foi de cortar o coração ver o olhar de pânico do nosso filhote durantes aquelas duas horas que mais pareciam uma eternidade. E no dia seguinte, tudo de novo, mas desta vez, as enfermeiras não conseguiram inserir o cateter e decidiram tirar o sangue e depois dar a injeção.
E além do tormento no hospital, Advil e Tylenol a cada três horas e antibiótico duas vezes por dia. Apesar de tudo, Joaquim continuava ativo e esperto, irritadinho às vezes, mas nunca pareceu debilitado. Isto tudo a uma semana da festa de aniversário dele.
os dias seguintes fora difíceis também e acabei ficando um tempo em casa cuidando dele e tentando finalizar uns projetos com prazos apertados no trabalho. (Nestas horas ter um chefe compreensivo e humano conta muito!) Para aumentar ainda mais o stress, tivemos duas festas no fim de semana: a do Blake e a do Joaquim (que foi adiantada em função da agenda apertada do aniversariante!). Eu organizando tudo, trabalhando e com filho doente... Achei que fosse surtar. Chegamos a cogitar cancelar a festa de aniversário do Joaquim, mas resolvemos ver como ele ia reagir durante a semana.
Mas no final deu tudo certo. O jantar de aniversário do Blake foi um barato -- contratamos uma chef e a minha irmã e meu cunhado vieram do Rio para ver a gente e participar das festas. E as crianças -- a começar pelo próprio aniversariante -- amaram a festa do Joaquim, que foi na Gymboree.
Missão cumprida, com sucesso... Mal posso acreditar que na sexta meu pequeno completa um ano. Ao mesmo tempo, estas últimas semanas parecem ter durado um século.
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