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May 14, 2009

SEM PRECONCEITO, SOMOS MAIS


Para quem está no Rio, vale a pena participar e apoiar o movimento abaixo.

Dados recentes sobre a doença*:

O número de pessoas vivendo com HIV em 2007 é estimado em 33,2 milhões (em 2006 eram 39,5 milhões), portanto havendo uma redução de 16%. Entre os infectados adultos, exatamente a metade refere-se ao sexo feminino. O número de novos casos - adultos e crianças infectados durante o ano de 2007 - foi estimado em 2,5 milhões, também abaixo dos dados anteriores. Cerca de 68% (mais de 1/3) destes novos casosocorreram na África subsaariana. O total de óbitos durante o ano de 2007 foi estimado em 2,1 milhões, tendo 76% deles ocorrido na África subsaariana. Diariamente,
6.800 pessoas tornam-se infectadas e 5.700 morrem de Aids, a maioria devido ao acesso inadequado aos serviços de prevenção e tratamento.

Na América Latina, o número de infectados entre adultos e crianças é de 1,6 milhão, enquanto o número de novas infecções em 2007 (100.000 casos) permaneceu estável; a prevalência global em adultos, na América Latina, é de 0,5%, tendo ocorrido 58.000
óbitos no ano passado. O Brasil possui 1/3 (620.000)de todas as pessoas vivendo com HIV na América Latina. Na Argentina e no Uruguai a epidemia está sendo devida, em sua grande maioria, a sexo não seguro, predominantemente entre heterossexuais, enquanto na Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru a transmissão
predominante ocorre entre HSH.

* Estudo publicado por Hélio Vasconcellos Lopes, Coordenador do Programa Municipal DST/AIDS/Hepatites da Secretaria de Saúde de Santos. Professor Titular de Infectologia da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC.

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SEM PRECONCEITO, SOMOS MAIS

A 26ª Edição do Memorial das Velas Acesas, tradicional evento de luta contra a AIDS, já tem dia marcado. Próximo domingo, 17 de maio, a partir das 14h, com ponto de encontro no Largo do Machado. O objetivo do evento é relembrar as vítimas da AIDS em todo o mundo mas, principalmente, manter o compromisso contínuo de promover informação e lutar contra o preconceito aos portadores do vírus HIV.

Por isso, profissionais de Saúde, estudantes, voluntários e multiplicadores do Grupo Com Vida, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, apresentarão atividades lúdicas, roda de capoeira e oficinas que debaterão temas relacionados à sexualidade, DSTs e AIDS.

Numa sociedade, onde a informação circula aceleradamente, o grupo Com Vida não quer parar no tempo e, organizando pelo sexto ano consecutivo a atividade, quer motivar a unidade com o tema: “Juntos Nós Somos a Solução”. Venha participar. Para isso, basta trazer a solidariedade.


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Coordenadoria de Comunicação Social, Eventos e Humanização do Hospital Universitário Pedro Ernesto – Comhupe
Tel.: (21) 2587- 6258 / 6548
Av. 28 de Setembro, n° 77 - Rio de Janeiro - RJ - CEP:20551-030

March 2, 2008

Dilema

Ontem falando com meu pai, ele mais uma vez disse que conversou com um amigo médico que mais uma vez garantiu que se não tive que passar por quimioterapia, devo considerar-me curada. Quando meu pai contou ao amigo médico que eu vinha fazendo umas pesquisas na internet sobre a doença, o amigo disse que o melhor que eu tinha a fazer era parar com aquilo, deixar toda a minha experiência no passado e esquecer tudo de ruim que havia vivido. Meu pai fez o mesmo pedido, afinal ele não quer ver meu sofrimento prolongado. Mas será que é isso mesmo que devo fazer?

Confesso que há tempos venho pensando nesta questão e vivo um dilema. Tenho um lado "panfletário" que quer espalhar esta história aos quatro ventos, pois acredito que tenho o dever de mostrar aos outros que obstáculos surgem na nossa vida para serem vencidos e não há o impossível quando se tem fé e coragem. Este lado meu acredita que não fui poupada a toa e que a minha missão é mostrar que o câncer tem cara -- ele tem a minha cara e a cara de muita gente boa por aí. Muita gente tinha uma vida absolutamente normal até que deixou de ter e passou a encarar grandes desafios dia após dia. Penso que se Deus me deu o dom da escrita e uma vida tão cheia de histórias para contar, minha missão é passar cada uma delas a diante. Não fazer tal coisa seria fugir do meu destino.

Por outro lado, entendo a opinião do amigo médico e do meu próprio pai, que é compartilhada por muita gente. O que passei foi terrível por um lado e magnífico por outro, mas de qualquer forma ficou no passado. As lições aprendidas devem ser levadas comigo, mas o resto não precisa ser lembrado a toda hora. Preciso me livrar do passado para viver o presente sem medo e olhar para o futuro em paz. Tenho que voltar a ter uma vida normal.

Não quero ocupar nenhum pedestal destinado àqueles que passaram por uma prova impossível ou que sobreviream a uma catástrofe. Também não quero o olhar de pena alheio. Não quero nem faixa, nem troféu, nem discurso. Só quero a minha vida normal.

Não sou pior nem melhor que ninguém, sou apenas diferente. Aos que dizem que admiram a minha coragem só tenho a dizer que jamais tive escolha e caso algo parecido acontecesse a qualquer ser humano sano e um mínimo feliz, ele/ela iria fazer o mesmo, afinal ninguém tem duas vidas. Por mais que às vezes (injustamente ou não) reclamemos da nossa vida, ela é a única que temos e merece ser vivida ao máximo, então não vejo mérito nenhum na posição que assumi. Vejo um certo egoismo, isso sim.

A única coisa que me diferencia da maioria das pessoas da minha faixa etária é que tive que conviver com a idéia da doença e da morte numa idade em que a vasta maioria ainda se acha imortal. Também me via assim. Fazia planos detalhados que seguiam certos até a minha velhice, algo que me aconteceria inegavelmente. Mas não foi exatamente isso que aconteceu. Mas também não posso me culpar. Quem, no auge dos seus vinte e tantos ou trinta e poucos anos, começa a se perguntar se o futuro de fato existe? Se pelo menos vai conseguir realizar metade daquilo que sempre sonhou, afinal não existe dúvida que vamos crescer e nos multiplicar, é por isso que colocamos dinheiro na poupança, investimos em cursos de MBA e estamos sempre de olho no amanhã.

Por outro lado, quando somos confrontados com a idéia dolorosa da nossa mortalidade e da nossa fragilidade, ganhamos um entendimento muito mais profundo da experiência humana. Aprendemos que nada nos vêm de graça mas também aprendemos a ser gratos antes de tudo. Quando pequenas coisas, que parecem tão banais para a maioria, se tornam realidade para este seleto grupo, elas têm um sabor muito especial, pois são vitórias incontestáveis. Sempre me vi assim. Não sei se se trata da história da profecia que se auto-realiza, mas na minha vida nunca nada veio fácil, pois sempre tive que suar -- e muito! -- a camisa.

Mas será que vale a pena contar esta história? Ou será que o melhor mesmo é fechar este capítulo na minha vida e seguir em frente?

Mais perguntas para as quais ainda não tenho respostas, mas foi por isso que decidi começar este blog. Quero ao menos colocar meus pensamentos em algum lugar para depois poder ordená-los.

Então fica aqui a pergunta: devo continuar esta minha relação próxima com a doença e obviamente o combate a ela ou devo sepultar de vez este bandido e me poupar um pouco, me ocupando de coisas mais amenas?