Fica cada vez mais óbvia a divisão na suburbia: de um lado as que ostentam um prole de filhos, do outro, no mais absoluto ostracismo, as que não os tem. E um muro invisível separa os dois grupos que não se misturam jamais.
Já deveria ter previsto tal conflito. Há alguns anos, fui a uma festa na casa de uns amigos do Blake, que na época tinham um filhinho de uns dois anos. Chegando lá, vi muitas crianças correndo, todas fofíssimas. Umas vinham brincar comigo e outras estavam entretidas demais com os amiguinhos. Um menino de pouco mais de um ano, volta e meia vinha até mim e me chamava de mamãe. Ficava esperando que eu lhe desse atenção. Uma coisa fofa. O pai, meio sem graça, se desculpou, mas eu disse que não havia motivo para isto.
Tempos depois, a mãe do tal menininho chegou e, ao ver o filho brincando comigo, aproximou-se. Me disse seu nome, eu me apresentei e ela logo me fez a pergunta fatal: “Você tem filhos.” Sorri e disse, “Ainda não.” Foi o bastante para ela sorrir amarelo, virar as costas e me deixar praticamente falando sozinha. Reparem que eu disse “Ainda não” em vez de “Nem pensar”, ou “Deus me livre!” Mas ela não quis saber, eu não tinha filhos e por isto não era digna de estar na presença dela ou coisa parecida. E dali para frente, a dita-cuja me ignorou a festa inteira. Note-se também que antes da mãe-maravilha chegar quem estava praticamente tomando conta do filho dela era eu, a “estranha sem filhos”. Mas c'ést la vie.
Não preciso nem dizer o quanto aquilo me marcou. Não me magooou porque nunca mais vi a figura e nem sei quem ela é, mas achei aquilo o fim da picada. O Blake contemporiza e diz que ela ficou intimidada comigo ao descobrir que provavelmente eu não me interessaria pelo único assunto que ela dominava – ou que tinha interesse. Seja o que for, acho uma tremenda falta de educação.
Mas a verdade é que desde que me mudei para cá, me deparo com episódios assim frequentemente. A piscina do meu condomínio é o cenário perfeito. Para começar, quen não tem filhos e tem mais de 20 anos não bota os pés lá, mesmo quando o calor beira os 40C. A grande maioria é de mulheres em idade reprodutiva, com ou sem marido. Todas com filhos à tiracolo. Não importa se seu filho tem 20 anos ou 2 meses, existe um código de conduta implícito que toda mulher que é mãe domina e assim passa a fazer parte de um clubinho pra lá de exclusivo. Todas se conhecem, ao que parece há tempos. Seja no parquinho, na escola ou sei lá onde...parece que sempre há uma festa para qual não sou convidada. [A grande maioria não trabalha e fica com os filhos em casa!]
Esta divisão me incomoda. Sempre me incomodou e agora me incomoda mais porque vivo uma espécie de limbo. Ainda não tenho o troféu que me garante entrada no clubinho, mas ao mesmo tempo confesso que pertencer a tal clubinho me apavora, me dá calafrios. Não quero ser como elas!
Claro que sei que a maternidade muda qualquer mulher, mas não quero perder a minha identidade. Quero ampliar meus horizontes, viver novas emoções, mas não quero deixar de ser eu mesma. Aos 36 anos estou mais do que certa do que quero. Minha gravidez foi planejada, mais do que isto, foi sonhada e batalhada, no meio de agulhas, hormônios, ultras e muitas consultas médicas. Mas não é por isto que vou deixar de ter meus interesses, minhas paixões e minha identidade própria.
Não me julguem mal, longe de mim ser uma pessoa egoísta, só não quero perder a minha essência. Não quero me anular e me isolar do mundo no papel de mãe e acordar um dia perguntando para onde a minha vida se foi. Sei que vai ser difícil, principalmente no início, mas pretendo manter minhas amizades, meus interesses e meus horizontes depois que o bebê nascer.
Acho que isto deve ser um fenômeno da suburbia americana, pois jamais notei isto nos meus tempos de Nova York e muito menos com as minhas amigas no Rio. É claro que a rotina muda, a disponibilidade diminui, as preocupações aumentam, mas não penso que nada disto seja motivo para viver isolada numa bolha, cercada de clones.
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June 28, 2010
August 15, 2007
Me!

I thought I would start this blog with a picture that really captured my nature and came up with this one: on the phone! Talking is one of my favorite things to do: in person, on the phone, online...doesn't matter as long as I am talking! OK, I do a little listening to, actually, I've become a much better listener over these past fews years. Maybe I am finally growing up or becoming less self-centered, which is really good news, but the truth is that I really enjoy a good story.
I decided to start this blog to try and keep my thoughts organized -- a very hard task for someone like me! Blame it on my hectic lifestyle, lack of patience or interest...but it's so difficult to keep things in order.
But now that my life is undergoing some major changes, I figured I would give it a try. Now that I am a suburban housewife (for the time being at least) I ran out of excuses and here I am blogging away... Let's just see where it's going to take me.
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