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June 1, 2011

Acupuntura & FIV

Tenho várias amigas fazendo tratamento de fertilidade. No momento, duas já passaram por um ciclo sem sucesso e é lógico que só quem viveu esta experiência entende exatamente o que elas estão atravessando. No momento buscam respostas, informações, alento e, mais que tudo, força, pois vão se submeter a outro ciclo.

Minha experiência durante o tratamento foi muito positiva. Aliás, graças a Deus, isto tem sido uma constante na minha vida: nada vem fácil, passo bons pedaços, mas no final os tratamentos funcionam muito bem. Foi assim com o fígado, foi assim com o bebê. Então pelos bons resultados e pela "bagagem" acumulada ao longo dos anos e das temporadas em hospital, minha visão pode ser um pouco simplista, já que para mim o tratamento foi muito fácil. Afinal o que são três agulhadas diárias e um exame de sangue dia sim dia não para que tem mais de 3000 pontos na barriga e de três em três meses (agora seis!) tem que colocar um IV no pulso para tirar sangue e fazer ressonância com contraste?

Mas conversando com as minhas amigas cujos tratamentos ainda não deram certo, elas me perguntaram se eu tinha feito alguma coisa para auxiliar no tratamento. E a resposta é "O que eu NÃO fiz para ajudar o processo?" Mudei minha dieta, pratiquei yoga, continuei firme na acupuntura, tudo específico para a fertilidade. E pode ter sido coincidência, mas respondi ao tratamento de uma forma absurda e fiquei grávida de primeira, o que é um excelente resultado.

Como já vinha fazendo acupuntura há anos, só perguntei ao meu médico se teria que parar e ele disse que não. Pelo contrário, me disse que há estudos que buscam comprovar a eficácia do tratamento e ninguém ainda conseguiu provar o papel da acupuntura na FIV, mas que mal não me faria. Muita gente acha que acupuntura auxilia bastante o tratamento de FIV, talvez por levar mais sangue para a área do útero e dos ovários, talvez por relaxar a paciente. Obviamente que também há estudos que discordam desta teoria, mas como acupuntura nunca fez mal a ninguém, resolvi tentar.

Além do tratamento normal, que fiz durante anos, minha acupunturista disse que era muito importante fazer uma sessão logo depois da transferência dos embriões, pois este tratamento bem específico ajudaria a fixá-los. O mais incrível é que sem marcar nada, consegui sair do hospital e ir direto ao consultório dela. (Claro que ela já estava em stand-by caso precisasse de outra data.) Pode ter sido coincidência...ou não!

Para quem não sabe, um dos motivos pelos quais o tratamento de FIV causa muita ansiedade é sua total imprevisibilidade: a gente não sabe como vai reagir, quanto tempo vai ter que tomar cada medicação, e quando o tratamento em si acada. Não há certo nem errado, cada um tem seu próprio ritmo e as doses mudam diariamente.

Lembro que durante algumas semanas me senti como se estivesse filmando Missão Impossível. A enfermeira me ligava toda tarde, religiosamente às 16 horas, para me dar o resultado de exame de sangue que eu tinha feito pela manhã e me dizer quais remédios e quantas doses deles precisava tomar aquele dia. À noite eram duas injeções, pela manhã só uma. Na etapa final, as ultras e os exames de sangue eram diários até a hora do trigger shot, que é a última injeção para liberar os óvulos, 36 horas antes da fertilização acontecer. Coisa de Admirável Mundo Novo!

Por outro lado, também acredito muito na medicina chinesa e em práticas tradicionais. Sinto que a acupuntura teve um efeito físico e psicológico sobre mim, o que no fim contribiuu bastante para o resultado positivo, pois me mantive surpreendentemente calma durante todo o processo.

Ao me cercar de cuidados e de especialistas por tudos os lados, consegui uma certa tranquilidade, crucial num momento tão importante. E na certeza de estar fazendo tudo ao meu alcance, tive paz para poder deixar o resto nas mãos dEle. A fé certamente foi um grande fator nesta equação: fé em Deus, fé nos médicos e profissionais de saúde, fé nas terapias, fé nas medicações e fé em mim.

June 16, 2010

Mais sobre o Tratamento

A parte mais difícil do tratamento é segurar a ansiedade. Um dia de cada vez. Acho que é impossível para quem é control freak porque você se sente mesmo como agente da CIA em missão top secret. As instruções mudam a cada dia, de acordo com o resultado dos exames também diários e o telefone toca sempre mais ou menos a mesma hora. Coisa de filme mesmo. “Oi Danielle, tudo bem? Seu nível de estrogênio está X, então hoje você enche a agulha da medicação um até o meio e dissolve em duas garrafinhas do líquido. Coloque 5 mg da medicação dois na seringa. Vamos aguardar até amanhã.”

Lógico que nos primeiros dias, meu estrogênio nem se mexeu, então o médico aumentou a dose...Depois o tal do hormônio deu uma desparada louca... Esta parte é meio mágica, meio alquimia, pois o médico vai mudando a dosagem e tentando fazer com que o estrogênio suba num ritmo compatível com o amadurecimento, com o número e com o tamanho dos óvulos. Se a fórmula não der certo, o tratamento tem que ser interrompido e volta-se a estaca zero.

É por isto que acho mesmo com tantos avanços na medicina, no final fica tudo nas mãos de Deus. O mesmo tratamento pode ser extremamente bem sucedido para uma e ineficaz para outra. Lembro que durante uma das minhas consultas, na sala de espera conheci uma outra paciente, mais ou menos da minha idade que depois do tratamento só tinha conseguido um óvulo e mesmo assim não poderia fazer in-vitro e optaria por um outro procedimento mais low-tech. Ninguém sabia dizer o motivo.

O tratamento é intenso pelo número de consultas e exames, mas como acredito que todas as experiências nos preparam para o futuro, meus dias no CTI me prepararam bastante. Claro que dá uma agitada na rotina, mas fazer tratamento e poder continuar a vida para mim é um grande luxo.

Minhas experiências anteriores também me prepararam para enfrentar o lado psicológico da coisa. Como sempre, a correria dos exames é seguida por uma espera – que parece infinita – pelos resultados. Nestas horas a fé ajuda bastante... Sempre me considero feliz por encontrar problemas que têm solução. Às vezes complica um pouquinho, mas com fé e paciência, e com uma tremenda sorte – que me acompanha sempre – tudo acaba se resolvendo da melhor forma.

June 14, 2010

O Tratramento

Nao e coisa de AA nao, mas a parte mais dificil de qualquer problema e aceitar que ele existe. Quando o assunto e infertilidade, normalmente ele atinge duas pessoas que tem que estar em sintonia perfeita para tomarem uma decisao.

A verdade e que por mais duro que possa ser para a mulher, o homem normalmente reage pior ao assunto. Tenho uma amiga cujo marido se recusou a fazer exames mais invasivos e rejeitou qualquer tratamento. Hoje eles esperam a chegada de duas criancas etiopes. O Blake no inicio achou tudo muito estranho, mas, como sempre, resolveu embarcar de corpo e alma em mais uma aventura.

Ate hoje me lembro na nossoa primeira consulta com o especialista, que tratatava de forma muito objetiva questoes de cunho bastante intimo. O Blake estava quase catatonico. Mas passado o choque inicial, a maior preocupacao dele era comigo, ja que quando nao ha nanhuma causa aparente, o tratamento e quase todo da mulher.

Eu tambem tinha meus medos, pois por conta da historia do figado, achava que os medicos iam proibir o tratamento a base de hormonios. Alem disto, a hostoria de ficar me injetando todo dia me dava verdadeiro pavor. (Achava que era uma injecao por dia...mas no final eram tres!!!)

Mas eu estava determinada e os medicos, para minha surpresa, apoiaram a minha decisao. No meu caso, como sempre e tudo um pouqunho mais complexo, e depois de conversar com uma verdadeira junta medica no Brasil e nos EUA, recebi sinal verde para o tratamento.

Esta todo mundo cansado de saber que este tipo de coisa esta cada vez mais comum, nao so entre as celebridades mas entre gente como a gente. Tenho varias amigas e conhecidas que fizeram todos os tipos de tratamento, desde IVF/FIV normal, ate uso de ovulos de doadoras ou/e barrigas de aluguel. Tenho um palpite que questao da infertilidade va se tornar cada vez mais importante... Quem mandou nos mulheres querermos tudo -- carreira, educacao, e relacionamentos estaveis?! Tenho amigas na minha faixa etaria que ainda nao decidiram se querem ou nao ser maes. Acho a duvida mais do que justa, so acho injusto que o nosso periodo fertil seja tao breve... Este esquema de "agora ou nunca" e assustador demais.

Quando decidimos que iriamos em frente com o tratamento, conversei por alto com algumas amigas que ja haviam passado por isto, mas o engracado e que a resposta era mais ou menos parecida "E melhor voce nao saber muita coisa. Va em frente!" Claro que as intencoes eram boas, mas sou do tipo que gosta de saber detalhes tecnicos, entao fiquei meio apavorada. E claro que cada um tem uma experiencia diferente e traz uma bagagem individual, mas acho que me preparei para algo tao terrivel que mal podia acreditar quando completava mais uma etapa.

Obvio que ninguem vai optar por fazer tratamento, mas agora penso que quando o casal tem meios, nao ha motivo para adia-lo tanto assim. O tempo e o maior inimigo nestas horas e quanto mais cedo o tratamento comecar, mais chances de sucesso para o casal. Estes numeros da minha clinica nao me deixam mentir.

Mesmo para quem verdadeira fobia de agulhas como eu, o tratamento e bem toleravel. Talvez diga isto porque so tive que me submeter a ele uma vez, mas esta foi a minha experiencia. As agulhas sao bem fininhas e ate eu -- a maior covarde do planeta -- consegui me aplicar. Tem gente que fica inchada ou cheia de hematomas. Eu, gracas a Deus, nao tive nada.

Claro que alem do impacto fisico, ha tambem a parte psicologica, que ja vem castigada pelas tentativas sem sucesso. Li elguns manuais que aconselhavam o casal a limitar a vida social ao maximo, o contato com amigos e principalmente com criancas. Acho que se tivesse obedecido o conselho, teria entrado em depressao profunda. Como tudo na vida, o tratamento exige alguma organizacao nos horarios. As injecoes pela manha eram a parte facil: logo que acordava me espetava duas vezes. As da noite eram um pouco mais complicadas, pois tinham que acontecer entre sete e oito da noite. O que pode ser um perrengue, principalmente quando se tem um trabalho louco. Mas por algumas semanas deu para levar. Continuei jantando com amigos, ou bem cedo, la para as cinco e meia/seis horas ou mais tarde, depois das oito e meia. Alguns sabiam da situacao, outros sequer desconfiavam.

E assim foi... As terriveis manifestacoes de acne que eu esperava e dava como certas, jamais aconteceram. Nem os rompantes de mau humor, nem os ataques de choro ou de agressividade. Nada de muito anormal. A unica coisa que sentia era um calafrio la para umas oito e meia da noite, efeito colateral de um dos remedios que "induzia uma menopausa precoce". Meio estranho, mas suportavel, uma vez que me dei conta de que ja era esperado.

June 11, 2010

Infértil eu?

Detesto esta palavra e sempre me recusei a usá-la. Acho ofensiva. Já sou "sobrevivente", agora queriam me enfiar mais um rótulo goela abaixo. De jeito nenhum! Nem que temporariamente...não mesmo!

Me disseram que gravidez dava cansaço, mas nunca imaginei que fosse tanto. Dá enjoo também e tem gente que diz que dá depressão, mas graças a Deus, até agora a última ficou longe de mim.

Depressão senti a cada mês que via meu sonho de ter um bebê evaporar diante de mim. Foram momentos difíceis, algumas vezes desesperadores, mas acho que este mesmo sofrimento agora torna minha alegria mais intensa.

Quem acompanha o blog sabe que a minha saúde me deu alguns sustos nos últimos anos. Eu que sempre me orgulhei de nunca ter faltado ao trabalho por motivo de doença, durante uns tempos passei meses em casa me recuperando de duas grandes cirurgias. Como enfrentei estes problemas no final dos meus 20 e no meio dos meus 30 anos, bem durante a idade fértil, a pergunta que sempre fazia aos médicos era se algum dia eu poderia engravidar.

A resposta era que a curto prazo não era recomendável mas a médio e longo prazo totalmente possível. Acho que foi também por este motivo que o baque de 2007 foi tão grande: na época era recém-casada e tinha 34 anos, ou seja, já não tinha tantos anos férteis pela frente.

Os médicos no Brasil e nos EUA primeiro disseram que deveríamos esperar dois anos por questões de segurança, mas diante dos meus apelos desesperados, reduziram a espera pela metade, 12 meses. Concordei, pois menos que isto me parecia irresponsabilidade. E assim foi.

Passados doze meses e um dia, novamente perguntei ao médico aqui em Hopkins que, depois de me dar um sermão sobre ‘não existem garantias e na vida temos que saber se os beneficios são maiores que os riscos, etc, etc’, disse que achava que ia ficar tudo bem.

Acho que este foi meu maior erro. Depois de receber a bênção do médico, entrei numa enorme paranóia de estar velha e ter que engravidar ontem. Vasculhei na internet tudo que dizia respeito a gravidez, simpatias, métodos para aumentar a fertilidade, tabelas, novenas...mas nada!

Ao mesmo tempo, mesmo depois dos médicos terem me garantido não haver nada de errado comigo, fiz milhões de exames – dos mais básicos aos mais invasivos – que constataram que não havia nada de errado nem comigo nem com o Blake. E mesmo assim, mais tempo se passava e nada.

E parecia que todas as mulheres ao meu redor ficavam grávidas sem querer, na maior facilidade. Só não acontecia comigo. Mas ao contrário do que eu pensava, jamais fiquei amarga. Cada gravidez de alguém próximo era festejada por mim, que não perdia a chance de comprar presentes e roupinhas para o novo bebê que chegava. Nas lojas, as vendoras me perguntavam quantos filhos eu tinha. Eu sorria amarelo “Nenhum, ainda.”

Mas a vida continuava, e aos poucos a ideia de fazer um tratamento de fertilidade começava a fazer sentido para mim. No início, achava que pelo meu histórico, os médicos iam ser contrários à ideia, mas a verdade é que eu não conseguia entender a razão da minha dificuldade de engravidar... Tudo parecia tão perfeito. Muitas mulheres até esperam encontrar dificuldades, mas no meu caso, nada me fazia pensar que comigo o processo poderia acontecer de outra forma que não naturalmente.

A negação e o medo me fizeram de refém durante algum tempo, mas a angústia da inércia é algo insurportável para mim. No final do ano passado, decidi com o apoio total do Blake, que tentaríamos algum tratamento.