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September 19, 2011

Dr. Oz de novo

Como o programa que gravei vai ao ar amanhã, já vou avisando que literamente terei "cinco segundos de fama" que resultaram de uma entrevista de 45 minutos. E como tenho certeza de que o script já estava escrito, a edição foi um primor!

Para começar o título do programa é pra lá de sensacionalista: Stop the Fastest Growing Cancers Inside of You Before It Is Too Late. Acho que eles realmente deveriam estar desesperados porque o câncer que tive foi de crescimento muito lento e não tive NENHUM dos sintomas, o que é relativamente comum. Como já cansei de explicar, no caso do câncer de fígado, infelizmente quando os sintomas aparecem, normalmalmente já é tarde demais.

Mas como nestes programas, o que você diz não tem absolutamente nenhuma importância, lá estava eu, num cenário super noir, com uma música de filme de terror, contando uma história "horripilante!" Para falar a verdade, é até meio cômico, meio pastelão mesmo... Por algum motivo minha fisionomia estava bem pálida e ainda colocaram uma cena de uma mulher (supostamente parecida comigo) olhando uma tempestade através de uma janela. Ai que horror! Ah, e o tomor que tirei em 2008 ainda faz uma participação especial! Está lá ele, brilhante e vermelhinho na angio-tomografia!

Além disso, o câncer de fígado sempre é o grande injustiçado dos cânceres. Como tem muita semelhança com o câncer de pâncreas -- ausência de sintomas até estágio avançado, gravidade da doença, etc -- tudo que falei sobre câncer de fígado foi usando no seguimento sobre câncer de pâncreas, afinal depois da morte do Patrick Swayze e com a doença do Steve Job, este tipo de câncer é bem mais high profile. Sem contar no Randy Pausch. Enfim, longe de mim banalizar uma doença tão terrível, mas o câncer de fígado não fica muito atrás... E no caso específico do tumor que eu tive, a esperança de que haja testes clínicos é nula. O tipo é tão raro que jamais seria possível recrutar número suficiente de pacientes. Então a única esperança está com Ele lá em cima, que jamais me abandona.

Mas voltando à gravação do programa que vai ao ar amanhã, o que me deixou mais chateada é a ideia de que este tipo de câncer é 100 porcento evitável. Não é. Quando listaram os fatores de risco: obesidade, consumo exagerado de álcool, uso de anabolizantes, hepatite C...nada se encaixava ao meu caso. Já perguntei a zilhões de médicos se havia algo que poderia ter feito diferente... A resposta é a mesma: para este caso de tumor não! Para outros tipos, sim, já que muitos são resultado de cirrose hepática e hepatite C, doenças que nunca tive.

Sou completamente a favor de educar a população e mostrar a importância de uma alimentação saudável e balanceada, mas sou contra distorcer os fatos. Quando o Dr. Oz diz que com uma dieta saudável vamos erradicar o câncer de fígado do planeta em 10 anos, me sinto incomodada. Gostaria muito de que esta afirmação fosse verdadeira. Infelizmente não é.

September 2, 2011

Dr. Oz Show


Hoje, por algum motivo, a frase antiga que o colunista Ibrahim Sued usava muito me veio à cabeça "Os cães ladram e a caravana passa..." E como passa e atualmente, o ritmo da caravana anda bem acelerado. Graças a Deus!

Ontem finalmente consegui chegar a Nova York! Peguei um trem mais cedo que o previsto -- seguro morreu de velho! -- e acabei chegando na cidade bem antes do combinado. Quando contactei o produtor do Dr. Oz Show, ele me perguntou; "Quer que eu mande te apanhar logo ou prefere dar uma volta por NY e chegar aqui em torno das três da tarde?" Advinhem a minha resposta?

Na mesmo hora, peguei o celular e liguei para a Isabel, que foi minha companheira inseparável nos cinco anos na cidade. "Está fazendo o que hoje no almoço?" foi a minha pergunta. E uma hora depois estávamos lá na Little Brazil, como nos velhos tempos... Saudade! O legal da amizade verdadeira é que você pode até não ver o amigo tanto quanto gostaria, mas quando encontra é como se o tempo não tivesse passado. É cliché mas é verdade!

A gravação do depoimento para o programa foi bem bacana também. Tudo muito louco: praticamente metade do dia no trem, 30/35 minutos de entrevista que vão virar um clip de 30 segundos! Então se for assistir o programa (quando souber, digo a data!), não vá ao banheiro nem levante para beber água, pois corre o risco de você perder meus 30 segundos de fama.

A equipe do programa é muito legal e a clima de gravação me fez lembrar os anos que passei em Nova York. Até porque fui estagiária do Nightly News, que fica no mesmo prédio, durante meu mestrado na NYU. Achei interessante o tema do programa que é dar uma voz -- e uma face -- a doenças tão perigosas e silenciosas. Além do câncer de fígado, o programa vai ter depoimentos de pessoas que tiveram câncer de esôfago, pâncreas, cérebro e melanoma. Bom saber que tem gente viva contando suas histórias. Meio estranho saber que fui a única pessoa que eles encontraram para falar sobre câncer no fígado...

Por coincidência, tinha comprado uma blusa verde -- cor que uso muito pouco! -- e resolvi usar ontem. Verde é a cor do lacinho da campanha do câncer de fígado. Foi bacana poder dar voz a tantas outras pessoas, foi uma coisa que sempre quis fazer e uma oportunidade que surgiu absolutamente do nada! É claro que agarrei com unhas e dentes, como agarro cada chance que aparece no meu caminho.

A entrevista, que pensei que fosse tirar de letra (afinal todo mundo e o cachorro já conhecem a minha história), acabou me surpreendendo. Não como será a edição do relato, mas quando a produtora me pediu para falar sobre como eu tinha recebido a notícia, engasguei. Fazia tempo que não contava esta história para ninguém. Reviver aqueles momentos foi muito mais difícil do que eu imaginava. Acho que coisas assim jamais se apagam da nossa memória. Mas a produtora logo emendou com um "And look at you now!" que me fez sorrir e falar de esperança, fé e da vontade de seguir em frente e continuar a minha vida. Ufa!

E assim foi a minha primeira aventura em rede nacional. Primeira vez na TV americana! O depoimento vai ao ar no programa que será gravado na quarta, dia 7 de setembro. A equipe do Dr. Oz me convidou para voltar e fazer parte da plateia no dia da gravação, mas ainda não resolvemos se vamos...a viagem de ida e volta é cansativa para fazer em um dia só.