August 11, 2011

Ser mãe é...



Cresci escutando a velha frase que diz que "ser mãe é padacer no paraíso", mas nunca entendi muito bem o sentido dela. Desconfio que tem a ver com os tantos dilemas e as nuances complexas do papel de mãe.

Hoje, vindo para o trabalho, escutei no rádio os resultados de uma pesquisa realizada pela revista Parenting. Os locutores estavam revoltados com o fato de que várias das 26 mil mães entrevistaas confessaram preferir perder 15 libras (ou quase 7 kg) a acrescentar 15 pontos ao QI de seus filhos. "Como pode alguém ser tão egoísta?," eles se perguntavam com indignação. Outras confissões incluiam mães que usavam o trabalho como desculpa para não cuidar de seus filhos ou filhos como desculpas para se livrar de obrigações sociais.

Falando francamente, acho muitas das "confissões" bem normais. A única que me tira do sério é saber que existem pais/mães que medicam os filhos antes de algum evento significativo (viagem de avião ou festa) sem nenhum motivo real, apenas para que eles durmam/fiquem quietos. Quando tem remédio em jogo, acho que a coisa fica mais séria. Há vários meses, o Joaquim vem sofrendo bastante por conta dos benditos dentinhos, que só recentemente começaram a dar sinal de vida, e confesso que um par de vezes apelamos para o Tylenol. Não para que ele ficasse quieto, mas sinceramente porque o incômodo dele nos parecia insuportável e não existe motivo para tanto spfrimento quando há alternativas.

Quanto a acrescentar 15 pontos ao QI do filho, também tenho minhas dúvidas, pois não acredito que QI altíssimo seja garantia de felicidade ou de sucesso na vida, muito pelo contrário. Assim como não acredito que beleza ou riqueza extremas sejam sinônimo de nirvana. Canso de dizer que quero que o Joaquim seja inteligente o suficiente, bonito o suficiente e nada mais. Só o caráter...este tem que ser pra lá de bom. As pessoas mais felizes e realizadas que eu conheço não são necessariamente as mais inteligentes e belas e nem todos os gênios ou apolos que cruzaram meu caminho são iluminados. Sendo assim, a não ser que estes 15 pontos fossem realmente cruciais para o Joaquim (se ele tivesse inteligência abaixo da média), acho que também não fariam muita falta.

O fato é que oito meses se passaram desde que assumi este papel para o qual -- já me conformei -- jamais vou estar preparada. Entendo muito bem as outras mães quando elas se dizem exaustas -- física e mentalmente -- com tantas demandas por conta de seus múltiplos papéis. Só tenho um filho, é verdade, mas tenho uma casa, um marido (que me ajuda muito, é verdade) e uma carreira (que apesar de não ser das mais estressantes, ainda exige bastante de mim.) Aos poucos faço alguns ajustes, me esforço muito, mas sempre ciente das minhas limitações, afinal sou humana. Sou humana e não sou despida de egoísmo e de falhas, mas me aceito assim, ou ao menos procuro ao máximo me aceitar.

Acho que uma das minhas qualidades é pensar a longo prazo e enxergar o todo sem me ater muito aos detalhes (às vezes sem importância) e é por isto que ainda luto para preservar algo de meu, da minha individualidade nesta nova função que ocupo. Entendo que no longo prazo o Joaquim também vai ganhar com isto. Vai ganhar entendimento e respeito por mulheres que vivem fazendo malabarismos para equilibrar família e carreira, o tempo todo.

1 comment:

Só uma menina said...

Dani, que bom ter vc de volta ao blog! Sinto sua falta, afinal, o tempo de longos e-mails com novidades há muito ficou pra trás...rs... É a vida e concordo com você: 15 pontos a mais no QI são garantia de felicidade? Claro que não. "A virtude está no meio" e acredito nisso demais. E vamos seguindo nessa vida louca e deliciosa de mãe, acertando e errando, aprendendo e crescendo. Beijos!!