Semana retrasada, fui convidada a falar para estudantes de uma escola aqui em Maryland. O convite inicial foi feito a minha COO, que por conta da agenda apertada, sugeriu que eu fosse em seu lugar. O assunto? A importância de falar uma língua estrangeira. O tópico aparentemente inofensivo, mas um tanto desinteressante para um monte de adolescentes, também me levou a uma certa crise existencial. Na semana que me preparava para a tal palestra, passou uma barca aqui na empresa, o que me deixou bastante chateada.
Encontrar inspiração quando não se está bem consigo mesma é um desafio e tanto, mas como convite já estava aceito, não tive outra alternativa. A professora de espanhol e seus alunos de três turmas diferentes me aguardavam. Não gosto de falar para muita gente. Odeio PowerPoint. Detesto ficar escreva de slides. Não suporto me sentir amarrada a um discurso ensaiado. Não consigo memorizar palestras. Fico nervosa e me sinto engessada. Sou viciada em adrenalina. Stress é meu combustível.
Já sabia que não ia preparar nada muito detalhado, mas queria ter ao menos uma ideia geral do que dizer para os adolescentes. E foi então que, a pedido da professora, comecei a separar umas fotos dos programas que temos nos mais de 20 países onde trabalhamos. E mexendo nas minhas coisas, descobri também algumas fotos bem turísticas. Foi aí que surigiu o conceito principal da coversa: quando viaja, você pode se contentar só com a superfície ou pode querer aprofundar a sua experiência. Você pode se contentar só com as fotos de cartão postal, ou preferir bater um papo com as pessoas daquele lugar e tentar imaginar como seria um dia na vida deles.
Não há nada de errado com nenhuma das opções, mas como sou bisbilhoteira e ganho a vida contando histórias, para mim não há cartão postal no mundo que seja mais importante que uma conversa com alguém que viva naquele país. Praia bonita, paisagem perfeita, tem em todo lugar, o que faz um país deiferente do outro é o ser humano e como ele transforma sua realidade. E isto a gente só pode descobrir se fala a língua dele. Como disse Nelson Mandela, If you talk to a man in a language he understands, that goes to his head. If you talk to him in his language, that goes to his heart.
A palestra deveria durar meia hora, mas a conversa acabou durando quase uma hora e meia. Os alunos tinham muitas perguntas e muitas experiências para trocar, apesar da pouca idade. E no final, saí de lá pensando que apesar do meu cinismo inicial, a minha vida teria sido completamente diferente se não falasse outro idioma. Aliás, a vida que tenho hoje simplesmente não seria possível. Desde o meu primeiro emprego, guia da Amsterdam Sauer, até obviamente meu emprego atual, todas as oportunidades que tive, desde os 15 anos, chegaram a mim por causa da fluência num idioma estrangeiro. Isto sem falar nas pessoas que conheci, nos amigos que fiz e no homem com quem me casei. Então talvez o esforço de aprender um idioma não se traduza em cifrões ou em milhões na minha conta bancária, mas representa uma imensa satisfação pessoal, e mais do que isto, me permite viver fazendo o que gosto e ainda por cima sendo paga por isto.
E assim aquilo que começou com o outro em mente, acabou sendo uma viagem para dentro de mim mesma. A palestra seria uma atividade educacional para estudantes de middle school em Maryland, mas quem aprendeu uma grande lição fui eu.
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March 27, 2012
February 17, 2012
Ufa!
"Acho que a gente já pode dizer quase com certeza que vai parar no primeiro filho, né?" Esta foi a pergunta/afirmativa do Blake ontem de manhã quando nos arrumávamos para o trabalho. Só para resumir a longa história, hoje estamos os três tomando antibiótico -- três tipos diferentes -- e todos os três fomos ao médico -- em três dias diferentes com três doenças diferentes.
O Blake ficou imprestável por conta de uma gripe horrível. O Joaquim pegou uma virose que se evoluiu para otite e eu, uma infecção renal. Melhor impossível, né?
Valentine's Day lá em casa foi pior do que enterro...três zumbis rabujentos com vontade de desaparecer.
Mas passou e graças a Deus estamos todos melhores. Quanto a pensar em outro filho? Sinceramente quando pai e mãe trabalham longe de casa, o dia inteiro e não tem ajuda, a coisa fica muito difícil, praticamente impossível. Eu que não gosto da ideia de filho único, estou começando a rever meus conceitos.
O Blake ficou imprestável por conta de uma gripe horrível. O Joaquim pegou uma virose que se evoluiu para otite e eu, uma infecção renal. Melhor impossível, né?
Valentine's Day lá em casa foi pior do que enterro...três zumbis rabujentos com vontade de desaparecer.
Mas passou e graças a Deus estamos todos melhores. Quanto a pensar em outro filho? Sinceramente quando pai e mãe trabalham longe de casa, o dia inteiro e não tem ajuda, a coisa fica muito difícil, praticamente impossível. Eu que não gosto da ideia de filho único, estou começando a rever meus conceitos.
February 15, 2012
Memory Lane

Hoje por acaso, procurando uma foto nas minhas contas online, encontrei esta. Sensação engraçada... como se tivesse achado dinheiro novo em calça velha, surpresa boa, que me fez dar uma viajada pela Memory Lane, como o povo diz aqui.
Impressionante como a vida mudou nos últimos sete – uau, sete?! – anos. Continuei olhando os álbuns virtuais cuja existência tinha se apagado da minha memória. Saboreando uma a uma as fotos e as lembranças de tantas pessoas incríveis que cruzaram meu caminho. Tantos momentos bacanas. Mas o mais legal de tudo foi ver muitas rostos constantes em várias fotos, em vários eventos. Gente que me acompanha há tanto tempo. Amigos que fiz em diversas etapas de minha vida, que aparecem por um tempo, depois dão uma sumida para mais tarde voltar a aparecer. Outros que desde que surgiram, estão sempre por perto, em cada ocasião marcante estão ali – no hospital, no casamento, no batizado ou em casa só para bater um papo!
É delicioso rir dos cortes e das cores de cabelo da mulherada ao longo dos anos, da flutuação de peso de todo mundo, do semblante de cada um em situações diferentes. Fico pensando nos casais que se formaram e nos casais que se desfizeram...histórias que continuam se desenrolando, filhos que apareceram. É um verdadeiro privilégio ser parte da vida de tantas pessoas queridas por tanto tempo. É um presente ter tanta história para contar e para dividir com elas. Saudade de tanta gente que por motivos diversos acabou espalhada mundo a fora.
Mas o melhor de tudo é saber que apesar do tempo e apesar da distância, estas pessoas ainda são parte muito presente da minha vida. As meninas da foto, por exemplo, estão – digamos assim – um pouco mais maduras e responsáveis. Suspeito que por conta das novas responsabilidades assumidas, provavelmente um pouquinho mais estressadas, mas extremamente felizes. E é isto que conta.
Quando a gente encontra alguém, a gente nunca sabe de cara a importância que aquela pessoa vai ter na nossa vida, então perceber que o laço ainda está presente e forte depois de tantos anos e apesar da distância me dá uma alegria enorme. E viva o Skype!
February 13, 2012
Dúvidas e Milagres
Esta semana coversei com duas amigas grávidas que vivem situações bem parecidas: por apresentarem gestação de alto risco vão ter que ficar em casa e acamadas até o nascimento dos seus bebês. As duas tiveram dificuldades enormes para engravidar – sofreram e demoraram muito tempo até conseguirem. Uma está muito aflita e angustiada – projetos no trabalho, afazeres domésticos, medo que a condição se agrave ainda mais e um sentimento de isolamento grande. E a agonia de ficar na mesma posição por longos meses, rezando que o bebê fiquei quietinho até lá, sem ter a menor garantia de nada.
A outra amiga, mais no começo da gravidez, ainda pode trabalhar de casa, mas nada de caminhadas, no shopping ou na praia, exercícios físicos ou arrumações. Ela está ciente também que dentro de algumas semanas fará repouso absoluto. Mas a tranquilidade com a qual ela encara esta situação difícil é simplesmente comovente.
Em vez de medo, ela tem certeza. “Se Deus me deu esse presente, que foi engravidar, tenho certeza que será completo e conseguirei levar a gravidez até o fim,” ela afirma, com uma serenidade impressionante. Em vez de sofrer de angústia, ela transborda de felicidade. Quantoà possibilidade de repouso absolute em algum tempo, ela nem hesita: “Faço tudo para ser mãe. O tempo passa tão rápido, daqui a pouco estarei com o meu bebê nos braços.” Palavras dela.
Numa semana que eu mesma enfrentava algumas inquietudes, conversar com ela foi tudo que precisava. É incrível como algumas pessoas têm o dom de inspirar outras.
Ontem fui ao hospital às pressas por conta de uma infecção nos rins, quando a médica me perguntou sobre condições pré-existentes e cirurgias passadas e dei minha respostas pronta. Esperei pelo aolhar de espanto dela. Em vez disto, ela me olhou nos olhos e disse “Você sabe que este médico salvou sua vida, né? Alguns anos atrás esta cirurgia sequer existia. Estes caras fazem milagre.” Sorri e disse a ela: “Sei sim. Foi por isto que deu o nome dele ao meu filho.” Ela respondeu também sorrindo: “Filho? Depois de tudo isto você teve um filho? Não falei que estes caras faziam milagre?!” Peguei a receita do antibiótico e a esta altura nem dor mais sentia.
E assim, as zilhões de dúvidas e os tantos medos que teimavam em me assombrar nas últimas semanas vão se dissipando. Se tanta gente ao meu redor acredita em milagres, como eu que vivi tantos deles posso duvidar?
A outra amiga, mais no começo da gravidez, ainda pode trabalhar de casa, mas nada de caminhadas, no shopping ou na praia, exercícios físicos ou arrumações. Ela está ciente também que dentro de algumas semanas fará repouso absoluto. Mas a tranquilidade com a qual ela encara esta situação difícil é simplesmente comovente.
Em vez de medo, ela tem certeza. “Se Deus me deu esse presente, que foi engravidar, tenho certeza que será completo e conseguirei levar a gravidez até o fim,” ela afirma, com uma serenidade impressionante. Em vez de sofrer de angústia, ela transborda de felicidade. Quantoà possibilidade de repouso absolute em algum tempo, ela nem hesita: “Faço tudo para ser mãe. O tempo passa tão rápido, daqui a pouco estarei com o meu bebê nos braços.” Palavras dela.
Numa semana que eu mesma enfrentava algumas inquietudes, conversar com ela foi tudo que precisava. É incrível como algumas pessoas têm o dom de inspirar outras.
Ontem fui ao hospital às pressas por conta de uma infecção nos rins, quando a médica me perguntou sobre condições pré-existentes e cirurgias passadas e dei minha respostas pronta. Esperei pelo aolhar de espanto dela. Em vez disto, ela me olhou nos olhos e disse “Você sabe que este médico salvou sua vida, né? Alguns anos atrás esta cirurgia sequer existia. Estes caras fazem milagre.” Sorri e disse a ela: “Sei sim. Foi por isto que deu o nome dele ao meu filho.” Ela respondeu também sorrindo: “Filho? Depois de tudo isto você teve um filho? Não falei que estes caras faziam milagre?!” Peguei a receita do antibiótico e a esta altura nem dor mais sentia.
E assim, as zilhões de dúvidas e os tantos medos que teimavam em me assombrar nas últimas semanas vão se dissipando. Se tanta gente ao meu redor acredita em milagres, como eu que vivi tantos deles posso duvidar?
February 6, 2012
Reality Check
Volta e meio reclamo do Joaquim não dormir direito. Nesta última semana, ele melhorou bastante e dormiu várias noites sem interrrupção, o que NUNCA havia acontecido. Ontem, quando ele acordou chorando bastante, o Blake foi ao quarto dele saber o que estava acontecendo.
Fez tudo que podia -- ticou cada um dos itens da nossa listinha da madruga:
* trocar a fralda
* ver se o pijama está molhado -- se estiver, trocar
* colocá-lo de volta na cama, oferecer água
* mexer no cabelo dele
* em última instância, oferecer mamadeira
Mas de nada adiantou, ele continuava chorando. Foi aí, que ainda cansada, me levantei, e tirei o Joaquim, que agora chorava mais forte, do berço. Coloquei-o no meu colo e comecei a dar voltas no quarto, cantando cantigas de ninar. O chorinho foi ficando cada vez mais fraco, até que ele parou. Então pensei no privilégio que era estar ali sozinha com meu filho, nos meu braços, e me senti muito feliz por poder estar junto a ele e poder enfim acalmá-lo.
Uma hora se passou e o coloquei de volta no berço. Ele ainda me olhava um pouquinho assustado. Seus olhos entreabertos queriam ter certeza que eu ainda estava por perto. Acariciei seus cabelos mais uma vez e finalmente ofereci a mamadeira. Ele aceitou na hora. Seus olhinhos começaram a se fechar, finalmente o cansaço venceu e ele dormiu.
Ainda fiquei no quarto uns minutos para me certificar de que o Joaquim estava enfim dormindo tranquilamente. Não sei se é porque em três semanas volto a Hopkins para meus exames semestrais, mas o que era para ser um sacrifício, ontem me trouxe um enorme prazer, apesar do casanço, apesar da hora.
Nada como a certeza de que a vida é efêmera para fazer com que vivamos com intensidade cada minuto -- mesmo que às duas da manhã.
Fez tudo que podia -- ticou cada um dos itens da nossa listinha da madruga:
* trocar a fralda
* ver se o pijama está molhado -- se estiver, trocar
* colocá-lo de volta na cama, oferecer água
* mexer no cabelo dele
* em última instância, oferecer mamadeira
Mas de nada adiantou, ele continuava chorando. Foi aí, que ainda cansada, me levantei, e tirei o Joaquim, que agora chorava mais forte, do berço. Coloquei-o no meu colo e comecei a dar voltas no quarto, cantando cantigas de ninar. O chorinho foi ficando cada vez mais fraco, até que ele parou. Então pensei no privilégio que era estar ali sozinha com meu filho, nos meu braços, e me senti muito feliz por poder estar junto a ele e poder enfim acalmá-lo.
Uma hora se passou e o coloquei de volta no berço. Ele ainda me olhava um pouquinho assustado. Seus olhos entreabertos queriam ter certeza que eu ainda estava por perto. Acariciei seus cabelos mais uma vez e finalmente ofereci a mamadeira. Ele aceitou na hora. Seus olhinhos começaram a se fechar, finalmente o cansaço venceu e ele dormiu.
Ainda fiquei no quarto uns minutos para me certificar de que o Joaquim estava enfim dormindo tranquilamente. Não sei se é porque em três semanas volto a Hopkins para meus exames semestrais, mas o que era para ser um sacrifício, ontem me trouxe um enorme prazer, apesar do casanço, apesar da hora.
Nada como a certeza de que a vida é efêmera para fazer com que vivamos com intensidade cada minuto -- mesmo que às duas da manhã.
February 2, 2012
Facebook e o Povo que Gosta de Contar Vantagem...
Ainda no meu tópico, tédio virtual, vi este texto e achei bastante interessante. Adoro a teoria do "one-up" simplesmente porque todo mundo tem um conhecido que se enquadra nesta categoria. Você comprou um carro novo? Ele também, só que o dele é maior e mais caro. Você apresentou um projeto bacana no trabalho? Ele também, só que o dele era bem mais complicado do que o seu... Seu filho tirou nota boa? O dele é o melhor aluno da escola! E por aí vai.
Não que isto só aconteça no mundo virtual, mas toma uma dimensão maior. O mundo real também apresenta muitas situações assim. Exemplo perfeito: meu pai me ligou ontem para me dizer que as coisas nos outlet malls aqui dos arredores de DC são muito caras -- e não são! Um vizinho disse que tinha ido a um outlet em algum outro lugar e tinha comprado uma camisa Lacoste por US$20! Até pode ser, a rebarba da rebarba, porque eu já entrei em outlet da Lacoste em vários cantos do mundo -- da Argentina até o Reino Unido -- e uma coisa me chamou atenção, os preço não varia tanto assim e Lacoste normalmente é uma marca das mais caras... Não estou dizendo que não possa ser verdade -- vai que o cara deu sorte -- mas o fato do cara só ter encontrado preços ridículos me deixa suspeita.
Aliás, mudando um pouco de assunto, durante nossas férias no Rio fiquei assustada com os assuntos predominantes nas conversas que ouvi na praia, na piscina e até em restaurantes. Ganha um doce quem advinhar o que anda ocupando as cabeças da classe média carioca atualmente: dicas de compras no EUA (inclusive com referências a Black Friday e a vários outlet malls por todo o país) e a inabilidade de se encontrar uma boa empregada/babá/faxineira. É, já não se fazem mais novelas como antigamente...
Não que isto só aconteça no mundo virtual, mas toma uma dimensão maior. O mundo real também apresenta muitas situações assim. Exemplo perfeito: meu pai me ligou ontem para me dizer que as coisas nos outlet malls aqui dos arredores de DC são muito caras -- e não são! Um vizinho disse que tinha ido a um outlet em algum outro lugar e tinha comprado uma camisa Lacoste por US$20! Até pode ser, a rebarba da rebarba, porque eu já entrei em outlet da Lacoste em vários cantos do mundo -- da Argentina até o Reino Unido -- e uma coisa me chamou atenção, os preço não varia tanto assim e Lacoste normalmente é uma marca das mais caras... Não estou dizendo que não possa ser verdade -- vai que o cara deu sorte -- mas o fato do cara só ter encontrado preços ridículos me deixa suspeita.
Aliás, mudando um pouco de assunto, durante nossas férias no Rio fiquei assustada com os assuntos predominantes nas conversas que ouvi na praia, na piscina e até em restaurantes. Ganha um doce quem advinhar o que anda ocupando as cabeças da classe média carioca atualmente: dicas de compras no EUA (inclusive com referências a Black Friday e a vários outlet malls por todo o país) e a inabilidade de se encontrar uma boa empregada/babá/faxineira. É, já não se fazem mais novelas como antigamente...
January 18, 2012
Tédio Virtual
Outro dia uma amiga escreveu o seguinte no Facebook: “Será que as pessoas viajam para aproveitar ou para poder dizer para os outros no Facebook?” E obviamente recebeu várias respostas... Mas fiquei pensando, então me perguntei se o mesmo não vale para quase tudo hoje em dia. Parece que as coisas não acontencem a menos que estejam devidamente documentadas e postadas no Facebook, onde vários amigos (ou seriam simples conhecidos?) podem “curtir” ou debater sobre tal restaurante, cidade, e até mesmo programa de TV. Na era de smartphones com câmeras de foto e vídeo, parece que a humanidade carece desta “validação virtual”.
Claro que eu mesma me incluo neste time de aficcionados, fora algumas raras ocasiões quando até eu – que tenho pouquíssima necessidade de privacidade – deixo de postar ou escrever alguma coisa porque simplesmente acho exposição demais. É que na era de blogs, Facebook, Twitter e tantas outras coisas, todo mundo virou expert em tudo, ou pelo menos se auto-intitula e se vê como tal. E volta e meia um post inocente dá um pontapé numa discussão ridícula que começou a troco de nada. Gente que nunca se viu se agride e se ofende por causa de uma besteira qualquer. Acho uma chatice esta patrulha desnecessária, este concurso de quem sabe mais, de quem conhece mais que parece nunca acabar.
Não sou retrógrada ao ponto de não ver o aspecto positivo da revolução que vivemos. Amo as mídias sociais pois é graças a elas que apesar da distância e do tempo consigo manter amizades e me sinto mais próximas daqueles que amo. Ao ver fotos de gente querida me imagino bem pertinho deles, como se eu também estivesse presente em ocasiões tão bacanas. Também gosto de ver as notícias em tempo real...afinal de contas uma vez jornalista, sempre jornalista!
E é por isto que apesar de muitas vezes pensar em focar menos na vida virtual – onde todos são felizes, bonitos, inteligentes e bem sucedidos e conseguem fazer milhões de coisas com perfeição e ao mesmo tempo – não consigo deletar nenhuma das minhas contas. Tenho medo de cortar os laços verdadeiros, mesmo que eles passem por um (às vezes) enfadonho enredado virtual.
Claro que eu mesma me incluo neste time de aficcionados, fora algumas raras ocasiões quando até eu – que tenho pouquíssima necessidade de privacidade – deixo de postar ou escrever alguma coisa porque simplesmente acho exposição demais. É que na era de blogs, Facebook, Twitter e tantas outras coisas, todo mundo virou expert em tudo, ou pelo menos se auto-intitula e se vê como tal. E volta e meia um post inocente dá um pontapé numa discussão ridícula que começou a troco de nada. Gente que nunca se viu se agride e se ofende por causa de uma besteira qualquer. Acho uma chatice esta patrulha desnecessária, este concurso de quem sabe mais, de quem conhece mais que parece nunca acabar.
Não sou retrógrada ao ponto de não ver o aspecto positivo da revolução que vivemos. Amo as mídias sociais pois é graças a elas que apesar da distância e do tempo consigo manter amizades e me sinto mais próximas daqueles que amo. Ao ver fotos de gente querida me imagino bem pertinho deles, como se eu também estivesse presente em ocasiões tão bacanas. Também gosto de ver as notícias em tempo real...afinal de contas uma vez jornalista, sempre jornalista!
E é por isto que apesar de muitas vezes pensar em focar menos na vida virtual – onde todos são felizes, bonitos, inteligentes e bem sucedidos e conseguem fazer milhões de coisas com perfeição e ao mesmo tempo – não consigo deletar nenhuma das minhas contas. Tenho medo de cortar os laços verdadeiros, mesmo que eles passem por um (às vezes) enfadonho enredado virtual.
November 24, 2011
Contagem regressiva...

Com o Thanksgiving para trás, agora começa a contagem regressiva para o Natal e para a viagem ao Brasil. As próximas semanas vão ser pra lá de corridas, mas isto é bom, faz o inverno passar mais rápido.
Estas últimas semanas têm sido de flashback. Difícil não pensar que esta época, no ano passado, estava prestes a dar a luz e consequentemente a ter a minah vida completamente virada de cabeça para baixo. Por mais que a gente ache que está preparada para trazer um serzinho ao mundo, não faz a menor ideia da revolução que está prestes a acontecer.
Sim, o terremoto em si já passou. Acho que o grande abalo sísmico ocorre mesmo nos primeiros meses de vida do bebê. Pelo menos para mim foram os seis primeiros -- bebê com cólica, com refluxo, com manha...sei lá, só sei que ele berrava quase que 24 horas por dia e eu achava que ia enlouquecer.
Mas engana-se quem pensa que agora tudo são flores. Sim, o terremoto de oito graus na escala Richter pode ter ficado par atrás, mas juro que sinto os aftershocks até hoje. E como! É gripe, é dentinho nascendo, é virose, é assadura...tudo é motivo para uma noite mal dormida. E se não bastasse tudo isto, às vezes depois de uma choradinha básica do Joaquim (que normalmente quer mamar), não consigo voltar dormir. Aí é dose, porque no dia seguinte o trabalho me espera no mesmo bat-horário.
Esperei bastante para ser mãe e a maternidade no meu caso foi algo muito bem pensado e batalhado. Confesso que achei que estava pronta...mas só hoje percebo como estava enganada! Nada nem tempo nenhum pode preparar a gente para a revolução que é colocar um filho no mundo (ou trazê-lo para nossa vida). Só vivendo para saber...
E como hoje é Dia de Ação de Graças...agradeço a Deus, ao Blake e aos médicos por permitirem que eu pudesse cometer (ou conceber?) esta loucura linda e fofa que se chama Joaquim!
October 24, 2011
Coisas que eu não sabia
Todo mundo fala que a maternidade vem carregada de muitas coisas: responsabilidade, falta de tempo, caos e, obviamente, muita felicidade. Disto eu já sabia. O que nunca tinha me passado pela cabeça é que com a maternidade viria uma coisa esquisita, algo que se assemelha a um regra tácita de que qualquer um passa a ter direito a dar pitaco na sua vida, em nome do bem estar da sua família, da harmonia do casal, do futuro do seu filho, ou o que seja. Todo mundo agora -- inclusive as pessoas que jamais levantaram um dedo para te ajudar em absolutamente nada -- se acha no direito de interferir na sua vida!
Todo mundo se queixa das pessoas entronas que do nada se sentem à vontade para colocar a mão em barriga de grávida no meio da rua. Mas nunca tinham me prevenido a respeito dos sabes-tudo que iam brotar de todos os lados, cinco minutos depois da gente ter colocado um serzinho no mundo. Ah e como eles têm conselhos para dar, regrinhas para contar e opiniões para partilhar! E sobre tudo: o nome que você escolheu para a criança, a comida que você oferece, a marca de fralda que você usa...e por aí vai. Sem falar nos prazos: com tantos meses já deveria estar dormindo a noite toda, com tantos meses já deveria estar andando, falando e até recitando Shakespeare, se bobear... Claro que uns tópicos são bem mais populares que outros.
As mães que ficam em casa dão um duro danado, mas vão me desculpar, pois quando o assunto é ouvir conselhos alheios, mãe que trabalha sofre mais, com certeza! Querer ter carreira para muita gente é um sacrilégio. Como assim, você não vai abrir mão da sua vida profissional? Quem vai criar seu filho? Você vai largá-lo se precisar fazer uma viagem de trabalho? Louca! E não para por aí...
Só que na minha cabeça, uma coisa não exclui a outra. Qual o problema de querer avançar profissionalmente mesmo depois de ter dado a luz? Só porque virei mãe agora vou ter que fazer crochet? Tudo bem para quem gosta, mas ser a dona de casa perfeita nunca foi minha aspiração, meu ideal. E aí? Sempre quis ser uma boa mãe, e me esforço para dar o melhor de mim o tempo todo, mas abrir mão do meu trabalho nunca fez parte do trato. É por isto que abri e abro mão de muitos (quase todos) momentos de lazer ou de descanso, para me dedicar ao meu filho. Mas além disto, quero contribuir para que ele tenha um futuro melhor, para que ele frequente boas escolas, possa realizar atividades extracurriculares (se quiser), viajar e tornar-se um ser humano pensante e feliz. Meu salário entra nas despesas da casa, sim, afinal vivo no século XXI! Mas acho que ao sair de casa para trabalhar, me torno uma pessoa mais arejada, mais realizada, mais feliz.
Também existe uma outra questão igualmente importante: estaria mentindo se não dissesse que, no futuro quando tiver discernimento para tal, quero que meu filho tenha orgulho de mim. Espero que para ele o meu exemplo de vida, de trabalho duro mas gratificante seja mais importante do que quitutes gostosos ou uma casa impecável. Espero também que, como homem, em vez de criticá-las, o Joaquim saiba enxergar o valor e respeitar as mulheres que apesar de tantos obstáculos optam por tentar equilibrar uma carreira bem sucedida e uma família bem estruturada.
E sobre os conselhos alheios, como diz o velho ditado, se conselho fosse bom não era dado, era vendido! E assim vamos seguindo em frente...
Todo mundo se queixa das pessoas entronas que do nada se sentem à vontade para colocar a mão em barriga de grávida no meio da rua. Mas nunca tinham me prevenido a respeito dos sabes-tudo que iam brotar de todos os lados, cinco minutos depois da gente ter colocado um serzinho no mundo. Ah e como eles têm conselhos para dar, regrinhas para contar e opiniões para partilhar! E sobre tudo: o nome que você escolheu para a criança, a comida que você oferece, a marca de fralda que você usa...e por aí vai. Sem falar nos prazos: com tantos meses já deveria estar dormindo a noite toda, com tantos meses já deveria estar andando, falando e até recitando Shakespeare, se bobear... Claro que uns tópicos são bem mais populares que outros.
As mães que ficam em casa dão um duro danado, mas vão me desculpar, pois quando o assunto é ouvir conselhos alheios, mãe que trabalha sofre mais, com certeza! Querer ter carreira para muita gente é um sacrilégio. Como assim, você não vai abrir mão da sua vida profissional? Quem vai criar seu filho? Você vai largá-lo se precisar fazer uma viagem de trabalho? Louca! E não para por aí...
Só que na minha cabeça, uma coisa não exclui a outra. Qual o problema de querer avançar profissionalmente mesmo depois de ter dado a luz? Só porque virei mãe agora vou ter que fazer crochet? Tudo bem para quem gosta, mas ser a dona de casa perfeita nunca foi minha aspiração, meu ideal. E aí? Sempre quis ser uma boa mãe, e me esforço para dar o melhor de mim o tempo todo, mas abrir mão do meu trabalho nunca fez parte do trato. É por isto que abri e abro mão de muitos (quase todos) momentos de lazer ou de descanso, para me dedicar ao meu filho. Mas além disto, quero contribuir para que ele tenha um futuro melhor, para que ele frequente boas escolas, possa realizar atividades extracurriculares (se quiser), viajar e tornar-se um ser humano pensante e feliz. Meu salário entra nas despesas da casa, sim, afinal vivo no século XXI! Mas acho que ao sair de casa para trabalhar, me torno uma pessoa mais arejada, mais realizada, mais feliz.
Também existe uma outra questão igualmente importante: estaria mentindo se não dissesse que, no futuro quando tiver discernimento para tal, quero que meu filho tenha orgulho de mim. Espero que para ele o meu exemplo de vida, de trabalho duro mas gratificante seja mais importante do que quitutes gostosos ou uma casa impecável. Espero também que, como homem, em vez de criticá-las, o Joaquim saiba enxergar o valor e respeitar as mulheres que apesar de tantos obstáculos optam por tentar equilibrar uma carreira bem sucedida e uma família bem estruturada.
E sobre os conselhos alheios, como diz o velho ditado, se conselho fosse bom não era dado, era vendido! E assim vamos seguindo em frente...
October 6, 2011
Morte Anunciada
A pior coisa que o câncer pode trazer a qualquer um é a iminência da morte. Tudo bem que a única coisa de que se pode ter certeza é a própria morte, mas saber que ela está ali de espreita, prestes a acontecer é terrivelmente aterrorizante. E poucas doenças trazem isto tão a tona quanto o câncer.
Não consigo imaginar nada mais triste na vida do que saber que todas as opções viáveis de tratamento estão esgotadas. Um tratamento após o outro, uma promessa seguida de outra que jamais se materializa. Uma esperança que desbota seguida de outra que nem chega a surgir. Sensação de impotência sem fim. Saber que nada que possa ser feito depende de nós e que nada e nem ninguém pode nos salvar da nossa sentença.Dor mais profunda não há.
Como a grande maioria das pessoas, fiquei muito abalada com a morte de Steve Jobs. Fiquei triste mesmo, pois por mais cliché que possa parecer, a humanidade realmente perdeu um visionário, um gênio, um mágico. E é verdade que hoje o mundo se torna um pouco mais chato, mais medíocre, mais sem graça, pois gênios nos inspiram, nos motivam e nos desafiam a cada instante. E Jobs era tudo isto. Não sou o que se chama de "MacManiac", mas sempre o admirei muito por tudo que ele construiu, por estar tão a frente de tudo e de todos.
Ontem, como muita gente, voltei a ver o discurso dele durante a formatura dos alunos de Stanford, em 2005. Me cortou o coração ouvi-lo dizer "tive câncer mas agora estou bem." E é claro que naquele momento ele estava. E é claro que para a medicina, Steve Jobs é uma história de sucesso, pois alcançou os cinco anos de sobrevida -- ainda mais quando se trata de câncer no pâncreas.
Por outro lado, para mim é um tanto quanto apavorante pensar que nestes casos o "sucesso" é a marca dos cinco anos, o que me parece tão pouco. E a vida? Bom, depois da doença, de acordo com os médicos, o que nos resta é a sobrevida...e, de acordo com os mesmos médicos, se são só cinco anos que lhe restam, dê-se por feliz, a grande maioria dos seus pares precisa se contentar com meses!
Mas as lições aprendidas por Jobs foram muitas e, como muita gente, acho que esta ideia incômoda de ter a morte como companheira de viagem fez de Steve Jobs um ser ainda mais genial. Por ter certeza que seu tempo aqui era tão finito, ele realmente aproveitou-o da melhor forma possível e fez o que amava até o final. E isto requer coragem e fibra.
Para mim, nem o iPhone, nem o iPad podem ser considerados o maior legado de Jobs, mas a paixão e a urgência de viver a vida e produzir ao máximo. Assim como disse Jobs, a cada dia que acordo me pergunto se faria o que estou prestes a fazer se este fosse o último dia da minha vida. E se respondo não muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.
"Remebering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose."
"Lembrar que você vai morrer é a melhor forma que conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder."
Steve Jobs, 2005.
Não consigo imaginar nada mais triste na vida do que saber que todas as opções viáveis de tratamento estão esgotadas. Um tratamento após o outro, uma promessa seguida de outra que jamais se materializa. Uma esperança que desbota seguida de outra que nem chega a surgir. Sensação de impotência sem fim. Saber que nada que possa ser feito depende de nós e que nada e nem ninguém pode nos salvar da nossa sentença.Dor mais profunda não há.
Como a grande maioria das pessoas, fiquei muito abalada com a morte de Steve Jobs. Fiquei triste mesmo, pois por mais cliché que possa parecer, a humanidade realmente perdeu um visionário, um gênio, um mágico. E é verdade que hoje o mundo se torna um pouco mais chato, mais medíocre, mais sem graça, pois gênios nos inspiram, nos motivam e nos desafiam a cada instante. E Jobs era tudo isto. Não sou o que se chama de "MacManiac", mas sempre o admirei muito por tudo que ele construiu, por estar tão a frente de tudo e de todos.
Ontem, como muita gente, voltei a ver o discurso dele durante a formatura dos alunos de Stanford, em 2005. Me cortou o coração ouvi-lo dizer "tive câncer mas agora estou bem." E é claro que naquele momento ele estava. E é claro que para a medicina, Steve Jobs é uma história de sucesso, pois alcançou os cinco anos de sobrevida -- ainda mais quando se trata de câncer no pâncreas.
Por outro lado, para mim é um tanto quanto apavorante pensar que nestes casos o "sucesso" é a marca dos cinco anos, o que me parece tão pouco. E a vida? Bom, depois da doença, de acordo com os médicos, o que nos resta é a sobrevida...e, de acordo com os mesmos médicos, se são só cinco anos que lhe restam, dê-se por feliz, a grande maioria dos seus pares precisa se contentar com meses!
Mas as lições aprendidas por Jobs foram muitas e, como muita gente, acho que esta ideia incômoda de ter a morte como companheira de viagem fez de Steve Jobs um ser ainda mais genial. Por ter certeza que seu tempo aqui era tão finito, ele realmente aproveitou-o da melhor forma possível e fez o que amava até o final. E isto requer coragem e fibra.
Para mim, nem o iPhone, nem o iPad podem ser considerados o maior legado de Jobs, mas a paixão e a urgência de viver a vida e produzir ao máximo. Assim como disse Jobs, a cada dia que acordo me pergunto se faria o que estou prestes a fazer se este fosse o último dia da minha vida. E se respondo não muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.
"Remebering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose."
"Lembrar que você vai morrer é a melhor forma que conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder."
Steve Jobs, 2005.
September 29, 2011
Aleitamento & Julgamento
Outro dia, conversando com uma amiga minha que está grávida, ela perguntou quanto tempo tinha amamentado o Joaquim. Respondi "Sete meses." Ela disparou na mesma hora: "Só?! É pouco, né?!"
Como ela ainda está grávida do primeiro filho, dei um desconto e respondi. "Só?! Depois que sua filhota nascer, você me conta! Para mim, amamentar foi um sacrifício, um perrengue mesmo."
Não sou do tipo que gosta de dourar a pílula. Quem me conhece sabe que não sou de inventar nem de florear coisa nenhuma. Também não pinto o diabo mais feio do que ele é, sou muito realista. Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que o Joaquim não foi um bebê dos mais fáceis. Muita gente vai lembrar que ele era ao mesmo tempo faminto e intolerante à lactose, então chorava, ou melhor, urrava, praticamente 24 horas por dia. Metade do tempo ele chorava de fome e a outra metade chorava por conta de cólica e refluxo.
Infelizmente para mim e contrariando todas as minhas expectativas e sonhos, a maioria das mamadas -- principalmente quando ele estave desperto -- não lembrava nem de longe os comerciais de TV ou cenas de novela, estando mais para cenas de O Exorcista! Sem exagero. Ele urrava e se debatia todo, arqueando o corpo e berrando de dor e frustrando qualquer tentativa minha de acalmá-lo. Ainda não sei como não entrei em depressão pós-parto, na época. Deve ser porque não tenho mesmo tendência!
Depois dos primeiros quatro meses, os episódios de filme de terror foram melhorando, mas quando ele rejeitava o peito, não tinha santo que o fizesse mudar de ideia. Durante sete meses, após as mamadas ou mesmo quando o Joaquim se recusava a pegar o peito, me voltada para minha bomba, que neste tempo se tornou minha mais inseparável amiga. E cá entre nós, só quem passou por isto sabe que é um saco ter que sair da sala a cada três horas e se conectar a tubos, conchas e mamadeiras por meia-hora todo dia! E ter que encaixar tudo isto num dia lotado de trabalho, tendo que sair da sala, pegar elevador para chegar até a sala de descanso. Também tentava amamentar na minha sala, mas volta e meia um batia na porta e eu tinha que gritar "Não posso agora, me liga depois!" Convenhamos, situação não das mais agradáveis... Mas, enfim, todo sacrifício para que o filhote da gente tenha acesso a leite materno é válido.
E foi assim, aos trancos e barrancos, que amaneitei o Joaquim até os sete meses e foi assim também, tirando leite e congelando, que ele teve acesso a leite materno até os nove meses. Então não venha me dizer que "só?!"
Sei de mães que amamentaram os filhos até os cinco anos e sei de mães que jamais ofereceram o peito aos filhos. Sei de mães que tiveram a maior facilidade para amamentar e sei de outras que tentaram tudo mas não tiveram sucesso algum. (Eu mesma solicitei os serviços de QUATRO consultoras de amamentação) Mas a imensa maioria das mães que conheço fica no meio do caminho.
Acho que a maternidade já vem carregada de tanta responsabilidade -- e de certa forma de tanta culpa -- que é covardia submeter qualquer mãe a julgamento de terceiros. Então da próxima vez que estiver conversando com uma mãe, especialmente de primeira viagem, é bom ter bastante cuidado com as palavras.
Leite materno ou fórmula/leite em pó, fralda descartável ou de pano, creche, babá ou abrir mão da carreira para ficar em casa com os filhos...são tantas as decisões e para a maior parte delas não há certo ou errrado, há o que funciona e o que é possível para cada uma de nós. Há também os motivos por trás das escolhas de cada uma. Volta e meia fico bem cansada de tantos experts, tantas opiniões, tantas "dicas" e tantos jugalmentos. Sinceramente, acho que tem gente que seria mais útil tomando conta da própria vida.
Como ela ainda está grávida do primeiro filho, dei um desconto e respondi. "Só?! Depois que sua filhota nascer, você me conta! Para mim, amamentar foi um sacrifício, um perrengue mesmo."
Não sou do tipo que gosta de dourar a pílula. Quem me conhece sabe que não sou de inventar nem de florear coisa nenhuma. Também não pinto o diabo mais feio do que ele é, sou muito realista. Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que o Joaquim não foi um bebê dos mais fáceis. Muita gente vai lembrar que ele era ao mesmo tempo faminto e intolerante à lactose, então chorava, ou melhor, urrava, praticamente 24 horas por dia. Metade do tempo ele chorava de fome e a outra metade chorava por conta de cólica e refluxo.
Infelizmente para mim e contrariando todas as minhas expectativas e sonhos, a maioria das mamadas -- principalmente quando ele estave desperto -- não lembrava nem de longe os comerciais de TV ou cenas de novela, estando mais para cenas de O Exorcista! Sem exagero. Ele urrava e se debatia todo, arqueando o corpo e berrando de dor e frustrando qualquer tentativa minha de acalmá-lo. Ainda não sei como não entrei em depressão pós-parto, na época. Deve ser porque não tenho mesmo tendência!
Depois dos primeiros quatro meses, os episódios de filme de terror foram melhorando, mas quando ele rejeitava o peito, não tinha santo que o fizesse mudar de ideia. Durante sete meses, após as mamadas ou mesmo quando o Joaquim se recusava a pegar o peito, me voltada para minha bomba, que neste tempo se tornou minha mais inseparável amiga. E cá entre nós, só quem passou por isto sabe que é um saco ter que sair da sala a cada três horas e se conectar a tubos, conchas e mamadeiras por meia-hora todo dia! E ter que encaixar tudo isto num dia lotado de trabalho, tendo que sair da sala, pegar elevador para chegar até a sala de descanso. Também tentava amamentar na minha sala, mas volta e meia um batia na porta e eu tinha que gritar "Não posso agora, me liga depois!" Convenhamos, situação não das mais agradáveis... Mas, enfim, todo sacrifício para que o filhote da gente tenha acesso a leite materno é válido.
E foi assim, aos trancos e barrancos, que amaneitei o Joaquim até os sete meses e foi assim também, tirando leite e congelando, que ele teve acesso a leite materno até os nove meses. Então não venha me dizer que "só?!"
Sei de mães que amamentaram os filhos até os cinco anos e sei de mães que jamais ofereceram o peito aos filhos. Sei de mães que tiveram a maior facilidade para amamentar e sei de outras que tentaram tudo mas não tiveram sucesso algum. (Eu mesma solicitei os serviços de QUATRO consultoras de amamentação) Mas a imensa maioria das mães que conheço fica no meio do caminho.
Acho que a maternidade já vem carregada de tanta responsabilidade -- e de certa forma de tanta culpa -- que é covardia submeter qualquer mãe a julgamento de terceiros. Então da próxima vez que estiver conversando com uma mãe, especialmente de primeira viagem, é bom ter bastante cuidado com as palavras.
Leite materno ou fórmula/leite em pó, fralda descartável ou de pano, creche, babá ou abrir mão da carreira para ficar em casa com os filhos...são tantas as decisões e para a maior parte delas não há certo ou errrado, há o que funciona e o que é possível para cada uma de nós. Há também os motivos por trás das escolhas de cada uma. Volta e meia fico bem cansada de tantos experts, tantas opiniões, tantas "dicas" e tantos jugalmentos. Sinceramente, acho que tem gente que seria mais útil tomando conta da própria vida.
November 25, 2010
Ação de Graças
Hoje é dia de comilança e, segundo muitos, é o maior feriado nos Estados Unidos, uma vez que celebra este país enquanto nação, deixando para trás diferenças culturais ou religiosas.
O que os americanos chamam de Primeiro Thanksgiving foi celebrado para agradecer a Deus pela ajuda dada aos peregrinos da Colônia de Plymouth que sobreviveram seu primeiro inverno rigoroso na Nova Inglaterra. A primeira celebração durou três dias e alimentou não só os 53 peregrinos, mas 90 índios americanos e até hoje celebra a unificação dos povos do país.
Acho que ainda estou tocada com a cerimônia de anteontem, e obviamente com a proximidade da chegada do Joaquim e a visita dos meus pais, este feriado tem me feito refletir sobre as tantas coisas que devo agradecer. Eu agradeço a Deus, pois sinto a mão dEle ao meu lado por todo o tempo, mas mesmo para quem não acredita, acgradecer e refletir em tudo de positivo que nos cerca faz bem. Então em convido cada um dos meus amigos que passar por aqui hoje a tirar dois minutinhos do seu dia atribulado para entrar em comunhão com Deus, com o Universo, ou com a natureza e parar para pensar também nas conquistas e nas bênçãos alcançadas este ano.
Um bom Dia de Ação de Graças não só para os queestão aqui nos States celebrando, mas para todos vocês em todas as partes do mundo, que hoje também estarão nas minhas orações.
Do not get tired of doing what is good.
Don't get discouraged and give up,
For we will reap a harvest of blessing at the appropriate time.
- Galatians 6:9
November 4, 2010
Banco de Cordões Umbilicais
Em mais uma das decisões que temos que tomar antes do nascimento do Joaquim está a preservação do cordão umbilical. Ao contrário da tendência no Brasil, onde quase todos os meus amigos armazenaram o sangue do cordão cumbilical dos filhos, aqui nos States ninguém que eu conheço teve a mesma atitude e até mesmo os médicos se mostram reticentes quanto ao assunto. “É uma como uma apólice de seguro, uma aposta. Até agora não há nada provado,” sempre me dizem quando pergunto.
Numa das discussões sobre o assunto no curso de gestantes, alguém sugeriu uma outra alternativa: doar para um banco público de cordões umbilicais. Achei a ideia legal, pois além de contribuir para um bem maior, supostamente eles poderiam localizar o seu material específico em caso de necessidade.
O Blake começou as pesquisas e tivemos duas surpresas: não há nenhum hospital cadastrado para fazer este tipo de procedimento em Maryland e eu, por razões de saúde, não posso ser doadora! Tendo em vista o novo cenário, me pus a pensar...se meu material não é bom para os outros, também não deve ser bom para o meu filho...
Ainda preciso conversar melhor com os médicos e bancos, mas se isto for mesmo verdade, vou ficar até mais tranquila com a decisão de não armazenar...
Mudando um pouco de assunto, mas ainda no tema de transplante, soube anteontem que a minha amiga Dawn faleceu. O mais inacreditável e que na quinta-feira passada, quando soube que ela tinha voltado para o hospital, decidi passar lá para vê-la e ela estava ótima! Muito bem disposta, falante, se levantando e andando sozinha, cheia de energia.
A Dawn tinha feito três transplantes mas a leucemia jamais tinha dado trégua. Apesar disto, ela nunca perdeu o senso de humor e a fé. Ela morreu rezando o terço depois de se sentir mal, já em casa. A família diz que apesar de surpresa com a morte repentina – todos sabiam da gravidade do caso, mas ultimamente ela tinha tido uma boa melhora – se sentem aliviados por saber que ela não sofreu. Foi uma luta árdua que durou 14 meses e por incrível que pareça nem uma vez ouvi Dawn ou alguém da família reclamar de coisa alguma... Toda vez que os vi, estavam otimistas e felizes em me ver.
A Dawn foi a primeira pessoa a ver as imagens da última ultra do Joaquim e ficou superfeliz por mim... Me confessou também que sua irmã tinha acabado de saber que estava grávida e que o bebê ia nascer pertinho do aniversário dela... Nestas horas acho que nada acontece por acaso.
Foi bom tê-la visto em um dia tão bom e especial, pois é esta a imagem que vou guardar dela... Mais um anjo no céu.
Numa das discussões sobre o assunto no curso de gestantes, alguém sugeriu uma outra alternativa: doar para um banco público de cordões umbilicais. Achei a ideia legal, pois além de contribuir para um bem maior, supostamente eles poderiam localizar o seu material específico em caso de necessidade.
O Blake começou as pesquisas e tivemos duas surpresas: não há nenhum hospital cadastrado para fazer este tipo de procedimento em Maryland e eu, por razões de saúde, não posso ser doadora! Tendo em vista o novo cenário, me pus a pensar...se meu material não é bom para os outros, também não deve ser bom para o meu filho...
Ainda preciso conversar melhor com os médicos e bancos, mas se isto for mesmo verdade, vou ficar até mais tranquila com a decisão de não armazenar...
Mudando um pouco de assunto, mas ainda no tema de transplante, soube anteontem que a minha amiga Dawn faleceu. O mais inacreditável e que na quinta-feira passada, quando soube que ela tinha voltado para o hospital, decidi passar lá para vê-la e ela estava ótima! Muito bem disposta, falante, se levantando e andando sozinha, cheia de energia.
A Dawn tinha feito três transplantes mas a leucemia jamais tinha dado trégua. Apesar disto, ela nunca perdeu o senso de humor e a fé. Ela morreu rezando o terço depois de se sentir mal, já em casa. A família diz que apesar de surpresa com a morte repentina – todos sabiam da gravidade do caso, mas ultimamente ela tinha tido uma boa melhora – se sentem aliviados por saber que ela não sofreu. Foi uma luta árdua que durou 14 meses e por incrível que pareça nem uma vez ouvi Dawn ou alguém da família reclamar de coisa alguma... Toda vez que os vi, estavam otimistas e felizes em me ver.
A Dawn foi a primeira pessoa a ver as imagens da última ultra do Joaquim e ficou superfeliz por mim... Me confessou também que sua irmã tinha acabado de saber que estava grávida e que o bebê ia nascer pertinho do aniversário dela... Nestas horas acho que nada acontece por acaso.
Foi bom tê-la visto em um dia tão bom e especial, pois é esta a imagem que vou guardar dela... Mais um anjo no céu.
November 2, 2010
Se estiver passando pelo inferno, siga em frente
“If you are going through hell, keep going.”Winston Churchill
Outro dia procurando uma frase para o nosso cartão de Natal aqui do trabalho, acabei esbarrando com esta máxima do Premier Britânico Winston Churchill. Sei que ele é muito admirado por sua tenacidade e seu bom senso, mas eu nunca fiz nenhuma pesquisa a fundo para conhecer melhor sua história. Mas só com esta frase ele me ganhou!
“Se você está passando pelo inferno, siga em frente” (na minha tradução livre) não poderia ilustrar melhor o que me aconteceu nos últimos anos quando nada parecia dar certo. Quando me lembro desta mesma época ano passado, sinto até arrepios. Parecia que nada engatava: saí de um emprego horrível para outro pior, e mais longe; tentava sem sucesso engravidar e não encontrava nem motivos nem respostas para meu fracasso; conseguir autorização para o tratamento de FIV foi uma novela; e ainda por cima tivemos o pior inverno do século e minhas injeções ficaram retidas no meio do caminho... Sinceramente foi terrível! E como as coisas já não vinham muito bem desde a minha chegada aqui, tudo parecia maior do que realmente era. Uma escuridão só.
A sensação que eu tinha é que tinha virado escrava de sei lá o que, que a minha vida não me pertencia mais, que eu não tinha saída, que tinha me enterrado de vez num buraco só. Quando cheguei do Brasil em meados de janeiro já estava desanimada, com a entrada de fevereiro então as coisas só pioraram... o sentimento de aprisionamento era simplesmente insuportável e o as pessoas mais chegadas percebiam isto até pela minha voz.
Até que um belo dia, por puro desespero, resolvi tomar as rédeas da minha vida de uma vez. Mandei os loucos do meu emprego para PQP e me senti nas nuvens! Apesar de não ter nenhuma carta na manga ou outra oferta de emprego, o medo de ficar sujeita às loucuras de poucos incompetentes era maior do que o de ficar sem grana ou sem trabalho. A perspectiva de manter a minha sanidade era tentadora... (Claro que sabia que poderia contar com a minha família, mas convenhamos que na minha idade isto não seja motivo de orgulho para ninguém.) Cortei as amarras e me senti maior do que todos aqueles nanicos ignorantes. Mostrei a eles quem precisava de quem.
Como se num passe de mágica, no dia seguinte descobri o caminho do arco-íris. Fui chamada para uma entrevista, pouco depois recebi uma boa oferta e uma semana depois meu maior sonho se realizou: meu exame de sangue não deixava dúvidas -- finalmente estava grávida!
O tratamento tinha dado certo na primeira tentativa! Me lembro que custei a acreditar... Dias antes, conversava com Deus, meio incrédula, e pedia que ao menos um dos milagres se realizasse, que eu conseguisse um emprego bacana ou que eu engravidasse, pois pedir as duas coisas seria demais. Nas minhas barganhas divinas, pedia a Deus que se pudesse me conceder um desejo, então que fosse a gravidez, que com o trabalho eu me virava depois...
Mas ele deve ter ficado com muita pena de mim, pois resolveu que iria me ajudar 100% e cá estou eu hoje: num trabalho bacanérrimo e grávida de 35 semanas, curtindo uma gravidez que foi simplesmente perfeita, mesmo sendo eu uma “mãe em idade avançada”. Como o trabalho é muito legal e flexível, o plano é ficar por aqui até o Joaquim mandar parar... O melhor é saber que se eu precisar, posso trabalhar um pouco de casa ou tirar um dia ou outro para descansar. paz de espírito não tem preço; isto eu atesto!
Espero ter definitivamente deixado o inferno para trás, mesmo assim, estou decidida a seguir em frente...desta vez com menos pedras no caminho.
October 14, 2010
Pensando alto...
Detesto cinismo. Mesmo gostando muito de sarcasmo e de humor negro, de piadas inteligentes, de língua afiada... Também sou altamente crítica e cheia de opinião, mas detesto ter que lidar com gente que insiste em ver o copo meio vazio. Este tipo me cansa, me entedia. De verdade.
Antes, ainda perdia tempo tentando enxergar o lado mais positivo destas pessoas, agora nem isto. Bom dia, boa tarde, boa noite. Fui! Não quero saber que o trânsito vai estar uma porcaria quando eu sair daqui, que a vida dos mineiros do Chile não vai ser um mar de rosas daqui pra frente ou que o mundo vai acabar em 2012.
Até lá, me deixem viver! Aliás, deixem os coitados dos mineiros em paz também e, aproveitando, deixem de encher o saco de Deus lá em cima, que sinceramente já não aguenta mais tanta gente discutindo se Ele existe ou não. Eu acredito e pronto, mas não fico querendo converter ninguém. Respeito quem não acredita e os motivos que possam existir. Agora não questionem minha habilidade intelectual que não tem absolutamente nenhuma relação com a minha fé.
Pronto falei.
Antes, ainda perdia tempo tentando enxergar o lado mais positivo destas pessoas, agora nem isto. Bom dia, boa tarde, boa noite. Fui! Não quero saber que o trânsito vai estar uma porcaria quando eu sair daqui, que a vida dos mineiros do Chile não vai ser um mar de rosas daqui pra frente ou que o mundo vai acabar em 2012.
Até lá, me deixem viver! Aliás, deixem os coitados dos mineiros em paz também e, aproveitando, deixem de encher o saco de Deus lá em cima, que sinceramente já não aguenta mais tanta gente discutindo se Ele existe ou não. Eu acredito e pronto, mas não fico querendo converter ninguém. Respeito quem não acredita e os motivos que possam existir. Agora não questionem minha habilidade intelectual que não tem absolutamente nenhuma relação com a minha fé.
Pronto falei.
October 2, 2010
Eleiçoes - Por que me importo?
Não gosto de política e evito falar no tema aqui, simplesmente porque respeito a opinião alheia e, mais do que isto, detesto comprar briga desnecessária, principalmente via internet. Não gosto de política, mas não sou indiferente. Tenho minhas convicções e posicionamentos e não tenho motivos para deixar de expô-los quando julgo necessário.
Volta e meia, quando digo que estou decepcionada com a política brasileira e entristecida com as opções que nós eleitores temos, alguém me pergunta por que eu ainda me importo, afinal moro nos Estados Unidos, sem previsão de volta e tenho cidadania espanhola que me permite morar e trabalhar não só na Espanha mas praticamente em toda a Europa. Em poucos meses também terei meu passaporte americano. Sendo assim, "sem pátria não fico," me garantem eles.
Só que na prática a coisa não é bem assim. Ao contrário de alguns brasileiros que não sentem a menor ligação com o país onde nasceram, tenho um laço muito forte com o Brasil e rezo sempre para que nosso país se torne cada vez mais um lugar melhor para todos os brasileiros. Me importo com o que acontece lá sim; tenho família e amigos lá, tenho investimentos lá, e acima de tudo, acredito no Brasil. Tenho sorte de ter um marido que compartilha destes planos, que ama meu país, aprende português e acha o máximo batizar o filho de Joaquim!
Quando vejo um cenário político nebuloso, quando candidatos mostram claramente que têm planos de poder e não de governo, fico muito preocupada. Quando vejo campanhas políticas pautadas em demagogia e ausentes de conteúdo, fico desanimada. Quando vejo debates fracos e candidatos despreparados, fico descrente. E é isto que tenho visto ultimamente...
Apesar de tudo, sou contra o voto de protesto, pois apesar de ser o caminho mais fácil, nos torna cúmplices do desrespeito à cidadania no nosso país. As opções atuais ficam longe de ideais, mas nem por isto pregaria a alienação. Em vez disto prego o voto consciente, pois só assim ficaremos livres de Tiriricas, Rorizes, Netinhos, Romarios e tantos outros, que já provaram não honrar o papel de representantes do povo. São desqualificados. Há uma linha tênue entre a democracia e o deboche, e o último jamais deve ser tolerado.
Espero que amanhã o povo compareça em peso às urnas e exerça seu direito de voto. Este ano infelizmente vou ter que justificar o meu, pois por conta dos enjoos dos primeiros meses de gravidez perdi o prazo de transferência do título para Washington.
Ao contrário do que muita gente que se esquiva deste dever, estou triste. Nos meus últimos anos no Brasil, não só votei, mas presidi sessões eleitorais em cada eleição. E depois de cada dia de votação, sentia uma estranha sensação de dever cumprido, de pelo menos estar fazendo a minha parte, por menor que ela fosse. Então amanhã vai ser um dia triste para mim, simplesmente por não estar exercendo plenamente meu papel de cidadã brasileira, do qual sempre me orgulhei.
Aos que me perguntam por que eu ainda me importo, a resposta é simples: quero poder sempre voltar para casa, um luxo que meus amigos venezuelanos, iranianos e cubanos, por exemplo, hoje não têm.
Volta e meia, quando digo que estou decepcionada com a política brasileira e entristecida com as opções que nós eleitores temos, alguém me pergunta por que eu ainda me importo, afinal moro nos Estados Unidos, sem previsão de volta e tenho cidadania espanhola que me permite morar e trabalhar não só na Espanha mas praticamente em toda a Europa. Em poucos meses também terei meu passaporte americano. Sendo assim, "sem pátria não fico," me garantem eles.
Só que na prática a coisa não é bem assim. Ao contrário de alguns brasileiros que não sentem a menor ligação com o país onde nasceram, tenho um laço muito forte com o Brasil e rezo sempre para que nosso país se torne cada vez mais um lugar melhor para todos os brasileiros. Me importo com o que acontece lá sim; tenho família e amigos lá, tenho investimentos lá, e acima de tudo, acredito no Brasil. Tenho sorte de ter um marido que compartilha destes planos, que ama meu país, aprende português e acha o máximo batizar o filho de Joaquim!
Quando vejo um cenário político nebuloso, quando candidatos mostram claramente que têm planos de poder e não de governo, fico muito preocupada. Quando vejo campanhas políticas pautadas em demagogia e ausentes de conteúdo, fico desanimada. Quando vejo debates fracos e candidatos despreparados, fico descrente. E é isto que tenho visto ultimamente...
Apesar de tudo, sou contra o voto de protesto, pois apesar de ser o caminho mais fácil, nos torna cúmplices do desrespeito à cidadania no nosso país. As opções atuais ficam longe de ideais, mas nem por isto pregaria a alienação. Em vez disto prego o voto consciente, pois só assim ficaremos livres de Tiriricas, Rorizes, Netinhos, Romarios e tantos outros, que já provaram não honrar o papel de representantes do povo. São desqualificados. Há uma linha tênue entre a democracia e o deboche, e o último jamais deve ser tolerado.
Espero que amanhã o povo compareça em peso às urnas e exerça seu direito de voto. Este ano infelizmente vou ter que justificar o meu, pois por conta dos enjoos dos primeiros meses de gravidez perdi o prazo de transferência do título para Washington.
Ao contrário do que muita gente que se esquiva deste dever, estou triste. Nos meus últimos anos no Brasil, não só votei, mas presidi sessões eleitorais em cada eleição. E depois de cada dia de votação, sentia uma estranha sensação de dever cumprido, de pelo menos estar fazendo a minha parte, por menor que ela fosse. Então amanhã vai ser um dia triste para mim, simplesmente por não estar exercendo plenamente meu papel de cidadã brasileira, do qual sempre me orgulhei.
Aos que me perguntam por que eu ainda me importo, a resposta é simples: quero poder sempre voltar para casa, um luxo que meus amigos venezuelanos, iranianos e cubanos, por exemplo, hoje não têm.
June 9, 2010
Feliz!
Estou realmente surpresa e feliz com tantas mensagens bacanas que chegaram aqui no blog, por email ou até no Facebook. É impressionante como a felicidade só aumenta quando é compartilhada!
Ficar de boca calada por 14 semanas foi um sufoco. Evitar falar num assunto que realmente estava me consumindo desde o início do ano foi mesmo um suplício. Não gosto de segredos, tenho pavor a quem esconde o jogo, mas lidar com as minhas expectativas e ao mesmo tempo com a de pessoas que se importam comigo e torcem por mim me pareceu algo muito difícil. Optei pelo silêncio forçado, quase um exílio para mim.
Quantas vezes quis escrever aqui no blog sobre minha angústia de não conseguir engravidar, sobre meus medos, minha insegurança quanto ao tratamento, pois saberia que aqui encontraria alento, como sempre encontrei. Queria contar sobre cada etapa do tratamento, sobre as nossas expectativas, as mudanças nas nossas vidas, mas optei por ficar calada. Acho que mais por superstição do que por medo. Ainda não aprendi a colocar em prática o conceito de desejar em voz alta ao universo – que para mim se chama Deus – para que a vontade dEle se manifeste. Rezo calada. Encontro dificuldade em dar voz a minha vontade e a minha dor. Mas mesmo assim fui premiada e hoje tenho mais um sonho realizado que se torna mais real a cada dia.
Pensei até em encerrar o blog durante este tempo, afinal não sou mais a menina doente de 2007 e o blog foi minha tábua de salvação durante a grande tormenta, que graças a Deus ficou para trás. Outra parte de mim diz que eu devo contar uma outra história, não menos importante, que também faz parte da minha vida. Afinal, assim como tudo que diz respeito a mim, esta gravidez também teve uma pontinha de luta. Não foi coisa de comercial de margarina, ou de novela... Não acordei um dia enjoada e tive certeza que estava grávida. Aliás acordei várias vezes ansiosa, só para me decepcionar minutos depois com mais um teste negativo.
Talvez fale sobre isto por aqui, mais um tabu que não tem razão de ser. Se soubesse que o tratamento seria tão fácil, teria feito há muito mais tempo. Mas como meu próprio médico diz, eu não sou parâmetro para estas coisas.... Ultras, exames de sangue e consultas médicas há muito tempo fazem parte da minha rotina.
Ainda não cheguei a uma conclusão. Se continuar a escrever, obviamente o teor dos posts deve mudar bastante...assim como eu tenho mudado, por dentro e por fora.
Ficar de boca calada por 14 semanas foi um sufoco. Evitar falar num assunto que realmente estava me consumindo desde o início do ano foi mesmo um suplício. Não gosto de segredos, tenho pavor a quem esconde o jogo, mas lidar com as minhas expectativas e ao mesmo tempo com a de pessoas que se importam comigo e torcem por mim me pareceu algo muito difícil. Optei pelo silêncio forçado, quase um exílio para mim.
Quantas vezes quis escrever aqui no blog sobre minha angústia de não conseguir engravidar, sobre meus medos, minha insegurança quanto ao tratamento, pois saberia que aqui encontraria alento, como sempre encontrei. Queria contar sobre cada etapa do tratamento, sobre as nossas expectativas, as mudanças nas nossas vidas, mas optei por ficar calada. Acho que mais por superstição do que por medo. Ainda não aprendi a colocar em prática o conceito de desejar em voz alta ao universo – que para mim se chama Deus – para que a vontade dEle se manifeste. Rezo calada. Encontro dificuldade em dar voz a minha vontade e a minha dor. Mas mesmo assim fui premiada e hoje tenho mais um sonho realizado que se torna mais real a cada dia.
Pensei até em encerrar o blog durante este tempo, afinal não sou mais a menina doente de 2007 e o blog foi minha tábua de salvação durante a grande tormenta, que graças a Deus ficou para trás. Outra parte de mim diz que eu devo contar uma outra história, não menos importante, que também faz parte da minha vida. Afinal, assim como tudo que diz respeito a mim, esta gravidez também teve uma pontinha de luta. Não foi coisa de comercial de margarina, ou de novela... Não acordei um dia enjoada e tive certeza que estava grávida. Aliás acordei várias vezes ansiosa, só para me decepcionar minutos depois com mais um teste negativo.
Talvez fale sobre isto por aqui, mais um tabu que não tem razão de ser. Se soubesse que o tratamento seria tão fácil, teria feito há muito mais tempo. Mas como meu próprio médico diz, eu não sou parâmetro para estas coisas.... Ultras, exames de sangue e consultas médicas há muito tempo fazem parte da minha rotina.
Ainda não cheguei a uma conclusão. Se continuar a escrever, obviamente o teor dos posts deve mudar bastante...assim como eu tenho mudado, por dentro e por fora.
May 27, 2010
Relapsa
Ando bem relapsa com o blog...Uma pena! Mas quando a vida real aumenta o pique, a virtual fica um pouco de lado. Com meus pais por aqui, os compromissos sociais aumentam e os profissionais se mantém, então os virtuais ficam meio esquecidos.
O blog sempre foi um cantinho de reflexão -- um tanto quanto público -- para mim, mas agora meus momentos de reflexão estão se tornando escassos e os pensamentos vagam sem rumo muito certo.
Volto em breve para arrumar a casa e as ideias também.
O blog sempre foi um cantinho de reflexão -- um tanto quanto público -- para mim, mas agora meus momentos de reflexão estão se tornando escassos e os pensamentos vagam sem rumo muito certo.
Volto em breve para arrumar a casa e as ideias também.
May 19, 2010
O Perigo de Tornar-se uma Chata de Galochas
Em inglês há uma expressão muito bacana que traduz bem esta mania que muita gente tem de se achar melhor do que os outros, os reles mortais. “Holier than Thou” é o tal sujeito que sempre se acha coberto de razão, a palmatória do mundo. E estará mentindo quem disser que não se sente assim, ao menos em certas ocasiões.
Sou muito a favor da militância ideológica, sou fã de quem é caridoso e que realmente pensa que da menor forma que seja, de algum jeito vai conseguir mudar o mundo, deixar por mais leve que seja a sua marca. Gosto de gente que sonha e luta para ver seus sonhos transformados em realidade. E ao mesmo tempo, gosto de gente pé no chão, que mesmo ciente da dura realidade ainda não se tornou amarga e cínica.
E por estas e outras, ultimamente tomei horror a dois tipos de gente: os egoístas e absortos em si mesmos, que só olham para seus umbigos e os frívolos, que são também egoístas e não perdem um minuto sequer para pensar no resto da humanidade. Pensando bem, acho que o meu problema é com os completamente egoístas. Talvez porque em alguma época da minha vida tenha sido egoísta também.
Por covardia ou não, prefiro fugir deste tipo de gente. Talvez por covardia também não esteja disposta a mudar a visão do mundo de ninguém. Só não aceito que me contagiem, tarefa que pode ser bem complicada, pois quem nunca se sentiu injustiçado alguma vez na vida? E se eles acertam no alvo a coisa degringola de vez.
Por outro lado, sinto que preciso me conter, pois ninguém quer falar de desgraça ou de miséria vinte quatro horas por dia. Sei que às vezes vale a pena falar da roupa da estrela de Hollywood ou da cor do esmalte da colega de trabalho para descontrarir e rir um pouco. Eu me interesso por isto também, é claro. Sou mulher, um tanto quanto vaidosa e um pouquinho egoísta também... Mas confesso que só falar abobrinha atualmente tem me cansado demais. Ent”ao nestas situações tenho tentado fazer algo que não me é nada natural, pois acho melhor ficar calada do que virar uma chata de galochas.
Sou muito a favor da militância ideológica, sou fã de quem é caridoso e que realmente pensa que da menor forma que seja, de algum jeito vai conseguir mudar o mundo, deixar por mais leve que seja a sua marca. Gosto de gente que sonha e luta para ver seus sonhos transformados em realidade. E ao mesmo tempo, gosto de gente pé no chão, que mesmo ciente da dura realidade ainda não se tornou amarga e cínica.
E por estas e outras, ultimamente tomei horror a dois tipos de gente: os egoístas e absortos em si mesmos, que só olham para seus umbigos e os frívolos, que são também egoístas e não perdem um minuto sequer para pensar no resto da humanidade. Pensando bem, acho que o meu problema é com os completamente egoístas. Talvez porque em alguma época da minha vida tenha sido egoísta também.
Por covardia ou não, prefiro fugir deste tipo de gente. Talvez por covardia também não esteja disposta a mudar a visão do mundo de ninguém. Só não aceito que me contagiem, tarefa que pode ser bem complicada, pois quem nunca se sentiu injustiçado alguma vez na vida? E se eles acertam no alvo a coisa degringola de vez.
Por outro lado, sinto que preciso me conter, pois ninguém quer falar de desgraça ou de miséria vinte quatro horas por dia. Sei que às vezes vale a pena falar da roupa da estrela de Hollywood ou da cor do esmalte da colega de trabalho para descontrarir e rir um pouco. Eu me interesso por isto também, é claro. Sou mulher, um tanto quanto vaidosa e um pouquinho egoísta também... Mas confesso que só falar abobrinha atualmente tem me cansado demais. Ent”ao nestas situações tenho tentado fazer algo que não me é nada natural, pois acho melhor ficar calada do que virar uma chata de galochas.
May 5, 2010
Imigracao
Ainda estou passada com esta ultima tentativa frustrada -- gracas a Deus -- de atentado a bomba em Times Square. Como tem gente louca por ai.
O que mais me incomoda e que o filho da mae do terrorista de araque tinha virado 'cidadao americano' ha pouco mais de um ano. Pelo que li na imprensa, um sujeito mediocre, que levou 10 anos para se formar, passando por tres faculdades americanas em diferentes estados, que falava um ingles ruim e nao tinha emprego fixo nao teve problemas nao so para conseguir um green card, mas para possuir a cidadania americana em menos de 10 anos! So Deus sabe como... Mas algo me diz que tem a ver com as mesmas razoes que levaram um medico sem brilho e oficial ruim ao posto de major do exercito americano. Este ultimo e o tal Nidal Hasan, o fanatico que matou 13 pessoas na base de Fort Hood, no Texas.
E nestas horas que eu penso que ha alguma coisa muito errada no sistema de imigracao aqui... Como e que um terrorista com ligacoes estreitas e viagens frequentes ao Paquistao consegue cidadania americana tao rapido assim e um amigo meu britanico, educada nas melhores universidades do Reino Unido e dos EUA, com uma carreira solida e empregos otimos, teve que esperar quase 15 anos por um mero green card?!
Vai saber...
O que mais me incomoda e que o filho da mae do terrorista de araque tinha virado 'cidadao americano' ha pouco mais de um ano. Pelo que li na imprensa, um sujeito mediocre, que levou 10 anos para se formar, passando por tres faculdades americanas em diferentes estados, que falava um ingles ruim e nao tinha emprego fixo nao teve problemas nao so para conseguir um green card, mas para possuir a cidadania americana em menos de 10 anos! So Deus sabe como... Mas algo me diz que tem a ver com as mesmas razoes que levaram um medico sem brilho e oficial ruim ao posto de major do exercito americano. Este ultimo e o tal Nidal Hasan, o fanatico que matou 13 pessoas na base de Fort Hood, no Texas.
E nestas horas que eu penso que ha alguma coisa muito errada no sistema de imigracao aqui... Como e que um terrorista com ligacoes estreitas e viagens frequentes ao Paquistao consegue cidadania americana tao rapido assim e um amigo meu britanico, educada nas melhores universidades do Reino Unido e dos EUA, com uma carreira solida e empregos otimos, teve que esperar quase 15 anos por um mero green card?!
Vai saber...
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