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May 28, 2013

Como Cancelar um Atração na Disney

E para quem acha que a diversão na Disney foi só o que viu nos dois vídeos postados do post passado, está muito enganado. A nossa maior aventura na Terra do Mickey Mouse foi mesmo acabar com a alegria de centenas de crianças que estavam sentadas e finalmente assistiam a última performance de Finding Nemo, no Aninal Kingdom.

Mas vamos começar do início. Até que o dia não tinha sido dos piores e o Joaquim estava se portando incrivelmente bem. Bem verdade, o Animal Kingdom é o melhor parque para crianças menores -- tem muita coisa ao ar livre e espaço para os pequenos brincarem mais soltos -- mas ele parecia estar gostando das mísicas e dos bichinhos.

Depois de um tempinho, o Joaquim acabou dormindo durante algumas horas no início da tarde -- só assim pudemos almoçar em paz. Dpois disto, ainda se divertiu bastante a bordo do jipe fazendo safari e tocando uns tambores que ele adora. Por mim, já poderíamos ir para casa. Mas no finalzinho do dia, as meninas pediram muito para ver o show de marionetes Finding Nemo e resolvemos por consenso atender ao pedido.

Já sabendo do risco, Blake, Joaquim e eu resolvemos sentar mais perto da saída. O Joaquim não gosta muito destes shows: muito barulho e escuridão, mas não custava tentar. Logo que as luzes se apagaram o primeiro sinal: "All done now," código do Joaquim nos avisando que dentro de alguns segundos ele começaria a berrar. Ainda tentamos mais alguns minutos, mas ficou muito claro que a situação só iria piorar e o "All done now" continuava de forma insistente e cada vez mais estridente! Nos preparamos então para uma saída rápida e discreta, mas foi aí que tinha um ferro no meio do caminho... E o Blake deu uma pancada tão grande com o joelho neste ferro do encosto dos bancos que nossa fuga tornou-se ainda mais frustrada.

Rapidamente, ele me passou o Joaquim, sentou na fileira mais próxiam a saída e me pediu que levasse o Joaquim e seguisse sem ele, que estava com muita dor. Com o Joaquim aos berros e se debatendo no meu colo, saí correndo pela porta de emergência o mais rápido que pude. A última coisa que vi foi o Blake sentado com a mochila no colo.

Corta!

Já lá fora, perto da saída de emergência a situação é a seguinte:

Eu esperando o Blake sair para fugir para as montanhas... Joaquim aos prantos, jogado no chão, berrando "Daddy, daddy, daddy!" E um minuto se passa. E mais cinco se passam. E dez...e nada do Blake! Resolvo voltar ao teatro com Joaquim berrando no meu colo, no meio da escuridão. E para não atrapalhar ainda mais o show, tento tapar sua boca com a mão, o que de nada adianta.

Ao entrar no teatro vejo o Blake no chão, amaparado por um senhor e rodeado por muitas pessoas -- todas estranhas. Perguntei se o Blake havia machucado o joelho, mas algo naquela cena me causava estranheza... E o senhor que amparava o Blake disse que não. Pensei rapidamente num ataque de pânico ou coisa parecida, mas antes que dissesse mais algo, o senhor se adiantou "Foi uma convulsão, e das bravas." Como assim!? Fiquei ainda mais atônita.

A poucos metros dali, praticamente a minha família inteira assistia inocentemente o show das marionetes, até que decidi estragar a festa da galera. Logo avistei a minha irmã e vocês imaginem o que eu disse para ela... Aliás, melhor não. Mas foi mais ou menos "Sua pateta, tá fazendo o que com esta cara de paspalha que ainda não levantou para me ajudar? Meu marido estirado no chão, meu filho tendo um ataque, eu sozinha aqui e você aí achando graça no peixinho que se perdeu do pai?! Fala sério, vem aqui AGORA!!!" Ela, coitada, meio tonta, na maior inocência, tentando se locomover com sua barriga de seis meses atráves das cadeiras sem entender nada...

Finalmente, ela chegou e tirou o Joaquim do meu colo. Na mesma hora chegaram os paramédicos da Disney e a equipe de socorro. Logo depois, as luzes se acenderam e, para desespero das centenas de crianças que estavam se divertindo horrores, ouvimos o comunicado "Sentimos muito informar que a atração Finding Nemo foi cancelada por hoje. Por favor, dirijam-se para a saída mais próxima.

Só que a nossa aventura estava só começando. Assim que os paramédicos chegaram , mediram a pressão e examinaram a glicose do Blake -- sim minha gente, ecocardiograma e exame de sangue no ato!!! -- para um diagnóstico preliminar. Perguntaram sobre o histórico de saúde do Blake, fizeram umas outras perguntas a ele e determinaram que não devia se tratar de convulsão -- ele estava muito alerta e não havia feito xixi na calça -- quem disse que Disney não pode ser cultura. Discovery Channel é pouco, a gente gosta é de reality mesmo!

E assim, o Blake e eu deixamos Nemo e seus amiguinhos pela porta dos fundos a bordo de uma ambulância e seguimos para o hospital. Próxima atração: emergência num sábado à noite! Mas é aí que a história fica boa...

Brasileiros e brasileiras, a gente chega na emergência de um hospital num sábado à noite e espera encontrar: ( ) um monte de gente bêbada e fedorenta na sala de espera e funcionários mal humorados ( ) Pato Donald e Mickey Mouse batendo um papo cabeça (x) Gente educada e funcionários sorridentes e de bem com a vida

Pois é, it's the happiest place in the world after all, pelo menos para o staff do Dr. Phillips Hospital, em Orlando. Este blog não é de dicas de viagem, mas modéstia à parte, de hospital eu entendo!!!

Fomos superbem recebidos, desde a recepcionista até o médico. Todos nos perguntando pelo Joaquim e se precisávamos de mais alguma coisa. Nos oferecendo comida e bebida -- pelo menos pra mim até que o Blake fosse examinado -- e explicando, passo a passo, o que estava acontecendo. A enfermeira tinha o cabelo mais lindo da Florida -- liso, cheio, negro -- e era uma simpatia. Parecia genuinamente preocupada com nosso bem estar.

Minutos depois entra o médico todo sorridente, digno do elenco de ER ou Grey's Anatomy -- uns 50 anos, cabelo meio grisalho e olhos super azuis -- dava de 10 no George Clooney e no Patrick Dempsey e ainda tinha a vantagem de ser médico de verdade! Ele olha pro Blake e logo diz: "Queria muito ver você, pois acredite se quiser, a mesmíssima coisa me aconteceu quando eu tinha uns 30 anos. Bati com a perna na quina de uma mesa e acordei a uns 5 metros de onde estava. Também me lembro de ter tido uns sonhos muito reais num breve espaço de tempo. Coisa muito estranha." E segundo o doutor do olho azul, depois dos exames mais detalhados que afastaram outras possibilidades mais sérias como arritmia ou outros problemas cardíacos, o que o Blake teve mesmo foi uma síncope. Pois é, a gente vive usando o termo e não sabe direito o que é. No caso do Blake, o diagnóstico final foi "síncope vasovagal"

E a tal "convulsão" na verdade foi resultado do sonho que o Blake teve: ele estava tentando dirigir um carro que tinha perdido o controle e havia pessoas o impedindo de alcançar o volante. Então ele tentava se desvencilhar das pessoas que na verdade estavam tentando ajudá-lo. Mas para quem via de fora, parecia que ele estava se debatendo, sofrendo uma convulsão. Imaginem o susto! E tudo isto ao som da trilha sonora de Finding Nemo!!!

Já mais trabquilos, recebemos alta. Felizmente tudo não havia passado de um grande susto. Ao chegar no hotel, encontramos o Joaquim feliz e brincando com seus avós e priminhos. Graças a Deus, sem nenhum sinal de trauma. Mas Disney e síncopes, nem tão cedo para gente!

April 4, 2012

Joaquim, Elmo e o Marketing



Este fim de semana fomos ao supermercado e o Joaquim estava impossível. Dizem os especialistas que as crianças começam com os tais "tantrums" aos dois anos (acho que no Brasil a gente chama de manha mesmo!), mas pelo jeito meu filho é prodígio, pois seus ataques começaram bem cedo, aos 15 meses!

Depois que começou a andar, ninguém segura mais o Joaquim, que aliás só quer saber de correr. De vez em quando, se joga no chão de propósito e morre de rir. Uma coisa que notei no Joaquim literlmente desde o momento que ele nasceu, foi o fato de ele ter sempre que olhar para fora, enxergar o mundo que está em volta dele. Desde a hora do parto, passando pela amamentação e pelos vários cangurus ou baby carriers que eu comprei, o Joaquim nunca gostou de ficar virado para dentro. O que muitos bebês entendem como aconchego, o Joaquim deve ver como confinamento.

Mas voltando ao supermercado, obviamente ele detestou ficar sentado na cadeirinha do carrinho, afinal na cadeirinha o bebê vai olhando para mãe e não para o caminho a ser seguido. Em questão de segundos, ele deu um jeito de se virar e praticamente quase pulou do carrinho. No final das contas, um de nós empurrava o carrinho e o outro corria atrás do Joaquim.

Foi então que ele parou de repente em frente a uma prateleiro e começou a gritar "EMO, EMO". No início não entendemos bem, mas depois, olhamos para baixo e vimos que nosso pequeno apontava para uma lata de espaguete (acho) que tinha, advinhem, o Elmo, personagem da Sesame Street (ou Vila Sésamos, como o programa era chamado no Brasil), estampado no rótulo.

Ficamos passados, por dois motivos. Primeiro, o Joaquim ter reconhecido e falado o nome do personagem num ambiente totalmente estranho a ele. E depois pela jogada de mestre do marketing do supermercado, que colocou a tal lata numa das prateleiras inferiores, onde adultos raramente prestariam atenção, mas localizada perfeitamente ao nível dos olhos de uma criança pequena, público-alvo do programa. É o não é genial? Tentando capturar mentes antes mesmo que as crianças possam completar uma frase. Americano não dá ponto sem nó e o pior é que todo mundo copia...

March 15, 2012

Finalmente Caminhando



Custou bastante, mas o Joaquim finalmente está andando para todo lado. Anda com passos largos e firmes, quase não cai (também praticou bastante!), mas os braços, ah os braços fazem a gente morrer de rir. Outro dia quando o deixei na creche, a professora foi logo falando, "Olha que lindo! Ele está andando igual ao Frankenstein!" Olhei com mais cuidado, e não é que ela estava certa? os bracinhos dobrados para cima e as mãozinhas esticadas...o próprio Frankestein! Mas o Frankenstein mais fofo do mundo!

O Joaquim andou bem tarde, assim como eu. Além de ser expert para engatinhar -- desafio qualquer um a apostar uma corrida com ele, o pequeno ganha no ato -- percebemos que ele também é bastante cauteloso. Até mesmo ao subir e descer as escadas de casa -- que ele faz desde uns nove meses -- ele estuda todos os movimentos meticulosamente e só assim avança. Aprendeu a subir e descer sozinho, depois de muita prática e -- queira Deus que continue assim -- sem nenhum tombo.

Ele engatinhou relativamente cedo, aos sete meses, e acho que justamente por isto, nãotinha muito interesse em caminhar. A gente o colocava de pé, ele dava um passinho tímido e logo se jogava de joelhos. Depois até andava segurando nos móveis, mas assim que decidia que queria ir a algum lugar, percebia que de joelhos chegaria bem mais rápido.

Agora sinto que estamos numa nova fase, o pessoal aqui chama de "Walking Waka", que é o apelido dele na creche. Gavetas, armários, máquinas de lavar pratos e roupas que se cuidem...

O vídeo é de quase um mês atrás, agora ele nem aceita mais que a gente dê a mão...

February 6, 2012

Reality Check

Volta e meio reclamo do Joaquim não dormir direito. Nesta última semana, ele melhorou bastante e dormiu várias noites sem interrrupção, o que NUNCA havia acontecido. Ontem, quando ele acordou chorando bastante, o Blake foi ao quarto dele saber o que estava acontecendo.

Fez tudo que podia -- ticou cada um dos itens da nossa listinha da madruga:

* trocar a fralda
* ver se o pijama está molhado -- se estiver, trocar
* colocá-lo de volta na cama, oferecer água
* mexer no cabelo dele
* em última instância, oferecer mamadeira

Mas de nada adiantou, ele continuava chorando. Foi aí, que ainda cansada, me levantei, e tirei o Joaquim, que agora chorava mais forte, do berço. Coloquei-o no meu colo e comecei a dar voltas no quarto, cantando cantigas de ninar. O chorinho foi ficando cada vez mais fraco, até que ele parou. Então pensei no privilégio que era estar ali sozinha com meu filho, nos meu braços, e me senti muito feliz por poder estar junto a ele e poder enfim acalmá-lo.

Uma hora se passou e o coloquei de volta no berço. Ele ainda me olhava um pouquinho assustado. Seus olhos entreabertos queriam ter certeza que eu ainda estava por perto. Acariciei seus cabelos mais uma vez e finalmente ofereci a mamadeira. Ele aceitou na hora. Seus olhinhos começaram a se fechar, finalmente o cansaço venceu e ele dormiu.

Ainda fiquei no quarto uns minutos para me certificar de que o Joaquim estava enfim dormindo tranquilamente. Não sei se é porque em três semanas volto a Hopkins para meus exames semestrais, mas o que era para ser um sacrifício, ontem me trouxe um enorme prazer, apesar do casanço, apesar da hora.

Nada como a certeza de que a vida é efêmera para fazer com que vivamos com intensidade cada minuto -- mesmo que às duas da manhã.

January 31, 2012

Walking Waka



O preguiçso do Joaquim já sobe e desce três lances de escada, engatinha pra frente e para trás (Michael Jackson?!), mas não se desgruda do andador para dar dois passinhos...

Como o nome dele aqui é pronunciado "Wakin", obviamente já o apelidaram de WakaWaka, ou Walking Waka!

January 17, 2012

2011: O Ano que Descobri que Queria Ser Mais que Mãe

Nunca fui daquelas meninas que brincavam de boneca. Sempre preferi os livros. Também não fui daquelas jovens que sonhavam em casar vestida de noiva num castelo. Acho que sempre suspeitei que o tal Príncipe Encantado poderia se perder no meio do caminho. E tampouco fui daquelas mulheres loucas para ser mãe, dispostas a tudo, até uma produção independente. Sempre vi a maternidade como consequência e não como um fim. Construir uma família na minha cabeça sempre veio antes de me tornar mãe. Talvez por ter tantos obstáculos, gosto de tentar planejar algumas coisas na minha vida, filhos certamente.

O fato é que apesar da inicial falta de interesse, tive um casamento mais que tradicional, com direito a vestido de noiva e igreja barroca, como nos filmes de princesas. E depois de alguns anos de convivência, a menina que nunca se interessou muito por bonecas, achou que já havia chegado a hora de pensar na chegada de um bebê de verdade. E assim começaram nossas tentativas que duraram um bom tempo e vieram carregadas de expectativas e de decepções ao longo do caminho.

Mas como é o lema da minha vida, Deus me ajuda a alcançar cada objetivo, mas quase sempre com alguma dose de sangue, suor e lágrimas. Obviamente com meu bebê não seria diferente. Depois de todos os exames e nenhum diagnóstico, partimos para a fertilização in vitro. (Por conta do meu histórico de saúde, preferi ir direto ao método mais invasivo mas o que prometia melhores resultados também.) E ao contrário do que acontece com a grande maioria dos casais, conseguimos engravidar na primeira tentativa.

Eu, que já tinha me preparado para ser uma grávida de altíssimo risco, nem acreditei quando os médicos trataram de me tirar do tal grupo rapidinho. Tive uma gravidez perfeita. Fora os enjoos no primeiro trimestre, acho que nunca me senti tão bem disposta na vida. E assim foi, até a chegada do Joaquim, em dezembro de 2010, quando uma verdadeira avalanche tomou conta de nossas vidas.

Não importa sua idade, não importa quantos livros você leu, quantas grávidas você entrevistou, quantos vídeos assistiu, a verdade é que NADA nem ninguém pode preparar uma mulher para o que está por vir. Quando a minha mãe insistia em dizer “filho muda tudo!” eu sinceramente não tinha noção da dimensão da coisa. Aquela história de que a sua vida nunca mais será a mesma é...a mais pura verdade!

Obviamente eu sabia das restrições quanto a minha liberdade. Claro, agora tenho um serzinho que é 100% dependente de mim, mas convenhamos que já aproveitei bastante a minha vida. Também achei que fosse tirar as tais noites em claro de letra, afinal nunca dormi muito, nem nunca precisei de muitas horas de sono. Na minha cabeça (ôca, diga-se de passagem), o bebê iria acordar, mamar em 30 minutos, arrotar em 10 e depois voltar a dormir sem nenhum protesto. Pode até ser assim, mas na casa dos outros! O meu bebê não dormia NUNCA, estava sempre esfomeado, era um horror para mamar, e berrava 24 HORAS POR DIA. O Joaquim era o temido “bebê com refluxo.” Só quem já teve um sabe do que estou falando...

Todo mundo me dizia que as coisas aos poucos iam melhorando... Aos quatro meses ele vai dormir direto, insistia a minha sogra. Só que agora, aos 13 meses, ela ainda acorda à noite. Com cinco meses ele vai parar de vomitar...Ele só parou com mais de oito. E por aí vai... E eu, na doce ilusão de que tudo ia melhorar, que um dia a minha vida ia ser menos caótica. Quanta idiotice!

O que demorei mais de um ano para perceber é que não é o Joaquim que vai melhorar. Quem vai mudar – e está mudando – sou eu! Mudam as minhas expectativas, muda a minha forma de ver o mundo, muda o meu dia a dia. A maternidade, aprendi, é um processo sem fim. E este processo é ao mesmo tempo prazeroso e dolorido, como toda mudança.

Sempre soube que a maternidade seria uma das várias dimensões da minha personalidade. Ao contrário de muitas mulheres, nunca achei que um filho fosse me completar como mulher ou como ser humano. Nunca entreti a ideia de abandonar a minha carreira para ser mãe em tempo integral. Não condeno que faz tal escolha, mas não me vejo nesta posição. E se todo mundo diz que não há trabalho mais árduo do que o de mãe, na minha opinião, o trabalho fica ainda mais difícil quando esta mãe é esposa e profissional que ainda tem alguma ambição quanto a sua carreira.

Aqui no mundo corporativo americano, existe algo que se chama “mommy track”, um lugar entre o limbo e a porta de saída que abriga mulheres alijadas profissionalmente que nunca irão saber o que significa uma promoção ou um bônus por mérito. Um lugar de onde eu definitivamente quero distância! Acho que quem está na chuva é para se molhar. Se tenho que sair de casa, cumprir metas e horários e rebolar para manter a qualidade do meu trabalho, quero ter direito às mesmas oportunidades e aos mesmos benefícios. O “mommy track” definitivamente não é para mim.

Engana-se também quem acha que coloco a carreira acima da família. Ano passado, por exemplo, não fiz nenhuma viagem a trabalho. A única possibilidade era em novembro, quando o Joaquim estava prestes a completar um ano, e mesmo assim, preferi adiar. Às vezes me sinto esgotada, mas não consigo pensar na minha vida sem meu trabalho. Da mesma forma, hoje não me vejo sem o Joaquim, então a única saída é conciliar. E conciliar é abrir mão de horas de sono, horas de prazer e aceitar que o dolce far niente é coisa de um passado longínquo.

Sempre soube que queria mais do que ser mãe, mas confesso que durante a gravidez muitas vezes me perguntei se mudaria de ideia. Muita gente me dizia que eu não iria aguentar deixar o Joaquim e voltar ao trabalho. Não só consegui, como na maioria das vezes deixá-lo brincando na creche, aprendendo coisas novas, me traz muita satisfação. Assim como me enche de alegria ver o rostinho dele se iluminar quando vou buscá-lo na saída.

Ser mãe é muito bom, mas depois de um ano de muito trabalho e pouquíssima diversão, sinto que aos poucos vou resgatando a minha identidade e voltando – ainda que lentamente – a ser eu mesma. Não a mesma pessoa que existia até 2010, mas uma pessoa nova e multidimensional, que agora além de filha, esposa, amiga, profissional, é também mãe.

December 9, 2011

Joaquim, o brasileirinho

Pode ser viagem minha, mas nunca me passou pela cabeça que o Joaquim não seria brasileiro. Acho que optei por ignorar a geografia e praticamente tudo que nos cerca no dia a dia, pois nunca achei que o Joaquim fosse ter uma vida muito diferente da minha ou da vida das primas dele que nasceram e moram no Rio. Ele pode não andar de short e havaiana o dia inteiro, mas sua canção de ninar favorita é Sapo Cururu. Seu programa de televisão? Xuxa Só Para Baixinhos! Fruta? Banana (que ele chama pelo nome!) Mais brasileirinho que isto?

Viagem minha deve ser. Mas desde que foi concebido o Joaquim escuta português e só ouve português da minha boca. Um esforço consciente e árduo para que ele sempre saiba de onde veio e que é. Nem me passa pela cabeça que uma dia ele possa sentir vergonha disto, de suas origens, da língua de sua mãe...talvez pelo fato de que EU jamais senti algo parecido.

Gosto daqui, mas não sei se um dia vou considerar este país minha casa. É uma pátria acolhedora que me deu muitas chances: bolsa de estudo, trabalho, um marido e mais recentemente, um filho. Sem cotnar nos muitos amigos e experiências inesquecíveis. Me deu até direto à cidadania e por tudo isto, para sempre serei grata. Aprendi muito nos quase 20 anos que vivo entre Brasil e EUA. Uma frase da famosa primeira-dama americana Eleanor Roosevelt nunca me sai da cabeça: No one can make you feel inferior without your consent. Pois é, acho que eu nunca dei permissão a ninguém para fazer isto, então vivo feliz assim, brasileira ou americana.

Também não tenho intenção de mudar muito para me encaixar nos padrões locais. Nunca tive esta preocupação no Brasil e não iria mudar agora. Absorvo o que interessa e ignoro o resto, tanto nos EUA quanto no Brasil. Espero sinceramente que o Joaquim se conforme com isso... Mas além disto, espero que ele sinta-se feliz e em paz consigo mesmo, sempre.

Então hoje que o Joaquim completa seu primeiro aniversário, me pego imaginando o que vai ser daqui a cinco, 10 ou 15 anos... Será um gringuinho brasileiro ou um brasileirinho gringo? Vai gostar de esportes -- surf ou ski, soccer ou football? Vai preferir churrasco com picanha ou com hamburger? São tantas as possibilidades.

Gosto de imaginar que ele será como um jovem que encontrei há muitos anos num destes aeroportos da vida: ele parecia indiano, tinha passaporte americano e falava português sem sotaque. Começamos a conversar e eu, curiosa que sou, fui logo fazendo perguntas e ele se explicando com muito orgulho. "Nasci nos Estados Unidos, filho de pai indiano e mãe brasileira. Minha mãe sempre falou português comigo e sempre visitei minha família no Rio com frequência. Na época da faculdade, estudei português durante os quatro anos. Depois de formado, consegui um emprego num banco de investimentos e vivi anos no Brasil, dois deles com a minha avó." Me lembro de ter dito a ele "Puxa, se um dia tiver um filho, quero que ele seja assim, como você." Ele sorriu e respondeu. "Minha mulher é uruguaia estamos esperando nosso primeiro filho, só ainda não decidimos se em casa falaremos português ou espanhol."

É Joaquim, nossa caminhada está só começando! Feliz aniversário, meu filho!

December 7, 2011

A primeira ida ao hospital a gente nunca esquece...




As últimas semanas foram um verdadeiro vendaval por aqui. O feriado de Thanksgiving que parecia que ia ser um período de "descanso" (entre aspas mesmo porque -- minha mãe estava certa -- depois que a gente tem filho este conceito não existe mais!) foi certamente a fase mais punk da nossa breve vida de pais.

Chegamos da casa da minha sogra e achamos o Joaquim quentinho e resolvemos obviamente acompanhar. De madrugada, a febre dele passava de 39C, então voamos para a emergência pediátrica. Ele tinha acabado o segundo ciclo de antibiótico e parecia melhor durante o dia, mas como depois a febre não parava de subir, no meio da noite nos restavam poucas alternativas.

Eu que já me considero calejada no assunto, fiquei obviamente chateada de estar ali com ele, mas nem de longe imaginei que os médicos fossem dar mais que uma injeção. De repente as enferimeiras me dizem que o médico quer um exame de sangue para se certificar de que a infecção não se espalhou pelo sangue e que vão precisar de um acesso para o exame e para o medicamento. Acesso, como assim? Num bracinho de um bebê gorducho de 11 meses? E assim foi feito -- infelizmente.

Foi horrível, foi traumático, foi de cortar o coração ver o olhar de pânico do nosso filhote durantes aquelas duas horas que mais pareciam uma eternidade. E no dia seguinte, tudo de novo, mas desta vez, as enfermeiras não conseguiram inserir o cateter e decidiram tirar o sangue e depois dar a injeção.

E além do tormento no hospital, Advil e Tylenol a cada três horas e antibiótico duas vezes por dia. Apesar de tudo, Joaquim continuava ativo e esperto, irritadinho às vezes, mas nunca pareceu debilitado. Isto tudo a uma semana da festa de aniversário dele.

os dias seguintes fora difíceis também e acabei ficando um tempo em casa cuidando dele e tentando finalizar uns projetos com prazos apertados no trabalho. (Nestas horas ter um chefe compreensivo e humano conta muito!) Para aumentar ainda mais o stress, tivemos duas festas no fim de semana: a do Blake e a do Joaquim (que foi adiantada em função da agenda apertada do aniversariante!). Eu organizando tudo, trabalhando e com filho doente... Achei que fosse surtar. Chegamos a cogitar cancelar a festa de aniversário do Joaquim, mas resolvemos ver como ele ia reagir durante a semana.

Mas no final deu tudo certo. O jantar de aniversário do Blake foi um barato -- contratamos uma chef e a minha irmã e meu cunhado vieram do Rio para ver a gente e participar das festas. E as crianças -- a começar pelo próprio aniversariante -- amaram a festa do Joaquim, que foi na Gymboree.

Missão cumprida, com sucesso... Mal posso acreditar que na sexta meu pequeno completa um ano. Ao mesmo tempo, estas últimas semanas parecem ter durado um século.

November 24, 2011

Contagem regressiva...


Com o Thanksgiving para trás, agora começa a contagem regressiva para o Natal e para a viagem ao Brasil. As próximas semanas vão ser pra lá de corridas, mas isto é bom, faz o inverno passar mais rápido.

Estas últimas semanas têm sido de flashback. Difícil não pensar que esta época, no ano passado, estava prestes a dar a luz e consequentemente a ter a minah vida completamente virada de cabeça para baixo. Por mais que a gente ache que está preparada para trazer um serzinho ao mundo, não faz a menor ideia da revolução que está prestes a acontecer.

Sim, o terremoto em si já passou. Acho que o grande abalo sísmico ocorre mesmo nos primeiros meses de vida do bebê. Pelo menos para mim foram os seis primeiros -- bebê com cólica, com refluxo, com manha...sei lá, só sei que ele berrava quase que 24 horas por dia e eu achava que ia enlouquecer.

Mas engana-se quem pensa que agora tudo são flores. Sim, o terremoto de oito graus na escala Richter pode ter ficado par atrás, mas juro que sinto os aftershocks até hoje. E como! É gripe, é dentinho nascendo, é virose, é assadura...tudo é motivo para uma noite mal dormida. E se não bastasse tudo isto, às vezes depois de uma choradinha básica do Joaquim (que normalmente quer mamar), não consigo voltar dormir. Aí é dose, porque no dia seguinte o trabalho me espera no mesmo bat-horário.

Esperei bastante para ser mãe e a maternidade no meu caso foi algo muito bem pensado e batalhado. Confesso que achei que estava pronta...mas só hoje percebo como estava enganada! Nada nem tempo nenhum pode preparar a gente para a revolução que é colocar um filho no mundo (ou trazê-lo para nossa vida). Só vivendo para saber...

E como hoje é Dia de Ação de Graças...agradeço a Deus, ao Blake e aos médicos por permitirem que eu pudesse cometer (ou conceber?) esta loucura linda e fofa que se chama Joaquim!

September 14, 2011

Garoto Grande




Há alguns meses, nossa casa vive um período de transição: guardamos os brinquedos e aparatos de bebê e agora nos preparamos para enfrentar a fúria de um serzinho curioso que engatinha mais rápido do que ninguém e cisma de ficar em pé o tempo todo. Joaquim está quase andando! Sendo assim, tampamos todas as tomadas, encapamos todas as quinas da casa, instalamos portõezinhos perto das escadas...e sabemos que isto tudo é só o início!

Mas ele também é supersocial e adora uma badalação. Como ama comer, restaurantes são sempre interessantes. Mas uma coisa me incomodava muito: as tais cadeirinhas de bebê. Todas me parecem sujas, nojentas. Antes que me acusem de germofóbica, vou logo dizendo que não sou! Também não tenho mania de limpeza, mas há certas coisas que me causam mal estar -- cadeirinha de bebê de restaurante está entre elas. Assim como carrinho de supermercado.

Como aqui nos EUA tem sempre alguém que pensou numa solução para um problema que você sequer pensava existir, comprei um forro para carrinhos e cadeirinhas e uma amiga me enviou de presente uma cadeirinha portátil, superprática e útil. E melhor: Joaquim adora porque fica literalmente sentado à mesa com a gente. A nossa é da marca Inglesina, que tem ótimas referências na Amazon e realmente nos quebra um galho. Deixamos normalmente no carro do Blake. No meu carro, usamos a capa/forro que tem lugar até para prender brinquedinhos.

Além disso, como bebê adora comer tudo da mesa, compramos um joguinho americano (que tem ventanas) que você pode prender na mesa do restaurante. Assim o bebê tem um ambiente limpo para comer e/ou brincar.

Enfim, ao que parece meu fofinho está crescendo...com quase 10 kg e prestes a dar os primeiros passinhos sozinho. Cada dia mais independente. E eu, como boa mãe de primeira viagem, vou aos poucos tentando me adaptar a cada uma destas deliciosas fases!

August 21, 2011

Primeiros Passos...

Joaquim começou a engatinhar no Brasil. De um dia para o outro, finalmente conseguiu coordenar o movimento dos braços e das pernas e em poucos dias já engatinhava para todo lado. Tratamos logo de comprar o cercadinho, playard ou, como chamamos carinhosamente aqui em casa, baby jail.

Compramos um dos maiores modelo do mercado porque o Blake insistiu para que o Joaquim tivesse espaço, o que excluiu o nosso já conhecido pack 'n play que funciona superbem como bercinho portável -- usamos no Brasil! -- mas como playard não rola. Então junto com o Exersaucer , mantém o Joaquim seguro e ocupado.

Hoje, depois de uma tarde inteira no shopping, soltamos nosso bebê no chão, assim que chegamos em casa. E qual não foi a nossa surpresa quando vimos o nosso pequeno se apoiar no puff para se levantar. E não é que ele se levantou sozinho? Não uma, mas várias vezes e ainda ensaiou uns passinhos segurando nos móveis... Ai, ai, ai...é agora que a minha coluna vai se acabar mesmo!

Tudo indica que estamos entrando numa nova fase com o Joaquim, que aliás já "passou de ano" na creche e na próxima segunda, passa para o outro lado da sala, onde ficam as crianças "móveis". Só que como ele é determinado, decidiu que não ia esperar coisa nenhuma e já vai para o outro lado da sala sozinho!

Esta fase realmente é uma delícia e agradeço a Deus a cada momento por poder vivenciar isto... E como amanhã é Dia de Hopkins, fico ainda mais sensível e tudo tem um sabor muito especial para mim. Então, mais uma vez, peço a vocês todos que se tiverem um momento, dediquem uma prece ou um pensamento positivo para mim...

August 11, 2011

Ser mãe é...



Cresci escutando a velha frase que diz que "ser mãe é padacer no paraíso", mas nunca entendi muito bem o sentido dela. Desconfio que tem a ver com os tantos dilemas e as nuances complexas do papel de mãe.

Hoje, vindo para o trabalho, escutei no rádio os resultados de uma pesquisa realizada pela revista Parenting. Os locutores estavam revoltados com o fato de que várias das 26 mil mães entrevistaas confessaram preferir perder 15 libras (ou quase 7 kg) a acrescentar 15 pontos ao QI de seus filhos. "Como pode alguém ser tão egoísta?," eles se perguntavam com indignação. Outras confissões incluiam mães que usavam o trabalho como desculpa para não cuidar de seus filhos ou filhos como desculpas para se livrar de obrigações sociais.

Falando francamente, acho muitas das "confissões" bem normais. A única que me tira do sério é saber que existem pais/mães que medicam os filhos antes de algum evento significativo (viagem de avião ou festa) sem nenhum motivo real, apenas para que eles durmam/fiquem quietos. Quando tem remédio em jogo, acho que a coisa fica mais séria. Há vários meses, o Joaquim vem sofrendo bastante por conta dos benditos dentinhos, que só recentemente começaram a dar sinal de vida, e confesso que um par de vezes apelamos para o Tylenol. Não para que ele ficasse quieto, mas sinceramente porque o incômodo dele nos parecia insuportável e não existe motivo para tanto spfrimento quando há alternativas.

Quanto a acrescentar 15 pontos ao QI do filho, também tenho minhas dúvidas, pois não acredito que QI altíssimo seja garantia de felicidade ou de sucesso na vida, muito pelo contrário. Assim como não acredito que beleza ou riqueza extremas sejam sinônimo de nirvana. Canso de dizer que quero que o Joaquim seja inteligente o suficiente, bonito o suficiente e nada mais. Só o caráter...este tem que ser pra lá de bom. As pessoas mais felizes e realizadas que eu conheço não são necessariamente as mais inteligentes e belas e nem todos os gênios ou apolos que cruzaram meu caminho são iluminados. Sendo assim, a não ser que estes 15 pontos fossem realmente cruciais para o Joaquim (se ele tivesse inteligência abaixo da média), acho que também não fariam muita falta.

O fato é que oito meses se passaram desde que assumi este papel para o qual -- já me conformei -- jamais vou estar preparada. Entendo muito bem as outras mães quando elas se dizem exaustas -- física e mentalmente -- com tantas demandas por conta de seus múltiplos papéis. Só tenho um filho, é verdade, mas tenho uma casa, um marido (que me ajuda muito, é verdade) e uma carreira (que apesar de não ser das mais estressantes, ainda exige bastante de mim.) Aos poucos faço alguns ajustes, me esforço muito, mas sempre ciente das minhas limitações, afinal sou humana. Sou humana e não sou despida de egoísmo e de falhas, mas me aceito assim, ou ao menos procuro ao máximo me aceitar.

Acho que uma das minhas qualidades é pensar a longo prazo e enxergar o todo sem me ater muito aos detalhes (às vezes sem importância) e é por isto que ainda luto para preservar algo de meu, da minha individualidade nesta nova função que ocupo. Entendo que no longo prazo o Joaquim também vai ganhar com isto. Vai ganhar entendimento e respeito por mulheres que vivem fazendo malabarismos para equilibrar família e carreira, o tempo todo.

July 12, 2011

Chuck wood at the cat?



Ontem meu chefe me mandou um email perguntando se eu conhecia esta cantiga infantil. Imagina?! Um amigo dele, inglês que está morando no Brasil, mandou este mesmo link para ele.

A tradução em inglês? Chuck wood at the cat...

É a Galinha Pintadinha ganhando o mundo...quem diria?

July 6, 2011

Música para os pequenos

Claro que como toda mãe desesperada, tentei me munir de tudo e qualquer coisa para acalmar o Joaquim. Músicas, vídeos, livrinhos e tudo mais. No desespero de noites e mais noites sem dormir com o Ipod em shuffle, até guia de meditação entrou na dança. Não sei bem se o Joaquim seguiu os conselhos da voz serena que pedia que ele fechasse os olhos e se imaginasse numa praia deserta pisando na areia fofinha e sentindo a brisa acariciar seu rosto, mas eu tentei! Às vezes ele dormia, às vezes ele berrava mais alto ainda.

Num daqueles rompantes de desespero, resolvi colocar uma ópera, um bom Pavarotti, no volume mais alto para que eu simplesmente não conseguisse mais escutar o choro estridente do meu bebê. Sim, pois os bebês alheios choramingam, reclamam, mas o meu BERRA, URRA, pior do que qualquer sirene de ambulância. Coisa ensurdecedora! Mas voltando para o Pavarotti, já desesperada, coloquei minha ária favorita e comecei a cantar, ou melhor, a berrar junto.
"Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vincerò!
Vincerò, vincerò!
Vincerò!"

E não é que o Joaquim vencido pelo cansaço ficava queitinho pela primeira vez e dentro de pouco tempo adormecia.

Incrível, pensei, meu bebê de dois meses gosta de ópera. E dali para frente, quando se esgotavam todas as alternativas, era balancinho, ópera e cobertor. Lembro que uma amiga e a mãe vieram visitar e quando viram o ritual não acreditaram. "Seu bebê gosta de ópera? Como assim? Nunca vi nada parecido," exclamava a mãe, que até hoje quando me liga pergunta se o Joaquim continua fã dos tenores.

Umas semanas atrás uma amiga virtual me contou sobre um aplicativo nos telefones Android chamado Relax and Sleep que foi o maior achado de século. Você pode escolher de uma lista de mais de 35 sons ambientes que incluem trovões, oceanos, chuvas, grilos, águas, pássaros e muito mais. Além disso, ainda pode combinar vários sons e misturar volumes, criando uma melodia personalizada.

Claro que comecei minhas experiências com o Joaquim e já sabendo do gosto tão eclético quanto sui-generis dele, resolvi combinar canto de monges com chuva de verão. Resultado: em menos de cinco minutos ele cai direto no sono! Antes que alguém diga que foi sorte de principiante, esta semana quando ele estava de péssimo humor e eu tentanva fazê-lo dormir há mais de uma hora, apelei para o truque do celular e, mais uma vez, em cinco minutos, ele caiu no sono.

Ao que parece, além de ópera, Joaquim gosta de canto gregoriano! No gosto musical, ao menos, puxou à mãe!

July 5, 2011

Criança tem que ser criança

Existem poucas coisas que me irritam mais do que criança-prodígio. Detesto criança que fala como adulto, que se veste como adulto e que tem atitudes típicas de adultos mimados. Falem o que quiser, as crianças de programas de auditório me dão arrepios. Não vejo nada de bonitinho em uma menina de três anos com o rosto cheio de maquiagem e os cabelos cheirando a laquê. Acho um horror! Acho coisa de circo!

Fico chocada cada vez que ouço uma amiga americana dizer que vai levar à filha de quatro anos à manicure. É sério! Outro dia, no salão, vi um menino que deveria ter uns seis anos sentado na cadeira alta dos salões daqui com uma cara de quem não fazia a menor ideia do que se passava ou de como tinha chegado até ali. Será que a mãe dele não sabe usar um cortador de unha ou uma boa tesourinha? Ou será que ela acha que um menino de seis anos tem que ter o pé cutilado? Socorro!

Durante estes poucos meses da minha recente maternidade, venho sendo bombardeada por publicações voltadas a mães. Para a infelicidade do Blake, adoro revista de papel mesmo, gosto do cheiro, da textura da folha, das boas informações veiculadas...só não gosto dos tais ensaios fotográficos! Gente, parece coisa de revista de moda! Daqui a pouco vão lançar as mini-Angels da Victoria's Secret! O negócio é uma mega produção -- cabelo, maquiagem, unhas! A coisa me assusta.

Ano passado, vi alguns episódios de um programa de extremo mau gosto chamado Toddlers & Tiaras. Algo mais assustador não há. Meninas de três anos que pintam cabelo, fazem depilação, clareamento de dentes e usam unhas de silicone! E mães que na melhor das hipóteses deveriam estar num manicômio. Foi bem nesta fase que eu comecei a torcer para ter um menino, só assim não passaria nem perto desta raça transloucada. Nunca pensei que uma mãe tão complexada poderia ser tão nociva a seus filhos, principalmente se forem do sexo feminino.

Tenho certeza que deve haver o equivalente do sexo masculino -- deve ser o pai supercompetitivo que acha que o filho vai virar atleta profissional aos três anos -- mas pelo menos ainda não existe programa de TV para endeusar mais este grupo inútil.

Nunca me vi como mãe xiita. Muito pelo contrário, acho que sou bem aberta e flexível, mas se existe algo de que não abro mão é que o Joaquim seja criança o tempo que puder, pois algo me diz que a criança-prodígio de hoje é o adulto-problema de amanhã.

June 28, 2011

Tempo passa...Joaquim cresce sem parar!

O tempo passa e a gente acaba esquecendo das coisas. Quando o assunto é compra, sou indecisa por natureza. Pesquiso, pesquiso e pesquiso até chegar à conclusão de que pesquiso demais e vencida pelo cansaço mental e psicológico, acabo quase sempre seguindo a minha intuição.

O assunto do momento é a cadeirinha de carro do Joaquim. O infant car seat já está ficando pequeno e precisamos de outro com urgência. Já tenho alguns modelos em mente, mas está difícil escolher entre uns três finalistas.

na minha indecisão, hoje me dei conta que o Joaquim já não cabe mais na atual cadeirinha! Esta manhã, a caminho da creche, olhei para trás para ver o meu pequeno e percebi que a cabeça dele está basicamente mais alta que o assento! Pois é, o meu pequenino cresceu tão rápido que a mãe nem percebeu direito. De hoje a compra da cadeirinha não passa! Santa indecisão!

June 20, 2011

Vida Dupla de Mãe Moderna



Semana passada fiz o impensável e no meio do expediente – mais precisamente na hora do almoço – saí com minhas amigas do trabalho para ver um filme cult de Werner Herzog. Se é para ser cult, tem que ser cult mesmo! Nem me lembro do último filme de Herzog que assisti. Que vergonha! Saímos todas, levando nossas estagiárias a tiracolo e com a bênção do chefe, rumos a um cinema muito bacana que fica bem em frente ao prédio onde trabalho.

Cave of the Forgotten Dreams é filme bacanérrimo: documentário narrado por ninguém menos do que o próprio Herzog sobre uma caverna no sul da França, onde nos anos 90, cientistas encontraram os desenhos humanos mais antigos que se tem noticia. Coisa de 30 mil anos atrás, sim 30 MIL! Obviamente, o acesso é fechado e só uma vez por ano um grupo exclusivo de especialistas consegue entrar. Herzog conseguiu acesso à Caverna de Chauvet (recebeu o nome do explorador que fez a descoberta) e por algumas horas durante alguns dias gravou cenas impressionantes. E emocionantes.

Saí do cinema mais reflexiva e muito mais viva do que entrei, como se tivesse matado mina eterna sede por estímulo intelectual, ainda que momentariamente. Matei a saudade das atividades culturais do Goethe Institut! Prometi a mim mesmo que vou fazer isto outras vezes. Nem que tenha que fazer hora extra!

No fim de semana, vesti novamente a roupa de mãe e fiquei na minha "caverna" o tempo todo cuidando do Joaquim, que teve seu primeiro episódio sério de assadura. O médico recomendou que ele ficasse sem fralda o maior tempo possível. Resultado: passei sábado e domingo lavando roupa (graças a Deus pela máquina de lavar!) e bumbum de bebê. Trancada em casa (ou na minha caverna?)com o Joaquim, a Galinha Pintadinha e a Xuxa, sem muito estímulo intelectual mas cheia de instinto maternal e feliz!

Quem tiver a oportunidade não deve deixar de ver este filme!

June 16, 2011

Soccer player?!



Depois da escola, ele ainda está cheio de energia...adorou o novo brinquedo!

June 14, 2011

Mães e mães...

Ontem uma amiga minha me ligou para dizer que está pensando em tirar a filha da creche porque eles não estão seguindo o currículo. Além disto, parece que ela anda chorando bastante lá. Antes que me perguntem, a filha dela tem exatamente a idade do Joaquim, ou seja, seis meses.

Vocês devem estar achando estranho o motivo pelo qual ela pensa em desistir da creche, afinal que currículo pode ser implementado com bebês de seis meses? Minha amiga reclama que tudo que eles fazem lá é trocar fralda, dar mamadeira e colocar para dormir. Pela grana que a gente paga ela quer mais. Está pensando em babá, mais precisamente, nanny share, ou seja, vai dividir o tempo e o salário da babá com uma outra amiga nossa. Cada um sabe de si, mas se achar uma supernanny que vai estimular seu filho 24 horas por dia com um currículo didático cinco estrelas vai ser difícil, imagina dividi-la com uma outra pessoa? Pode ser...

Esta segunda amiga também está meio receosa de colocar a filha na creche e quando foi fazer a matrícula, perguntou detalhadamente sobre cada procedimento utilizado na creche: Se o bebê chorar,o que fazem? Quanto tempo deixam a criança chorar? Qual é a rotina diária dos bebês? Que horas comem? Que tipo de atividade desenvolvem? Como são avaliados, etc., etc...

Então parei para pensar e cheguei à seguinte conclusão: ou elas são exigentes demais ou eu sou de outro planeta. Quando estava grávida e visitei 13 creches nas redondezas, fiz várias perguntas, mas mais importante foi o tempo que passei em cada estabelecimento e a "vibe" que senti quando conversei com cada pessoa. Claro que estava procurando obter o máximo de informação, mas não era só isto. Minhas perguntas não foram específicas ou exigiam respostas certas ou erradas. Conversei horas com todo o staff, não só sobre crianças, metodologias, currículos, mas sobre a vida delas, o trabalho delas, o que elas queriam fazer no futuro ou o que fariam no fim de semana. Enquanto isto, observei tudo ao meu redor, desde a fisionomia das crianças até o ambiente. Abandonei meu checklist pela metada, anotei algumas coisas de um modo bem vago, mas do meu jeito acabei tendo as respostas que queria.

Escolhi a primeira creche que visitei, que nãe é a mesma creche das minhas amigas. Simpatizei de cara, mas apesar de uma forte intuição, a repórter dentro de mim continuou a apurar a matéria, checar todas as fontes, até tomar a minha decisão. Até hoje não me arrependi. Sinto que o Joaquim gosta de estar lá, é muito estimulado e tratado com muito carinho. Assim como eu. Lá, ele desenvolve atividades que sequer passariam pela minha cabeça de mãe de primeira viagem. Elas também me dão muitas dicas, sobre a rotina dele, alimentação e atividades preferidas. Sempre que vamos buscá-lo ele está feliz, apesar de exausto.

Claro que quero que ele seja bem tratado e amado, mas acho que chorar às vezes faz parte da vida, que nem sempre a gente vai ter tudo que quer a hora que quer, então é bom ir se acostumando com isto. Acho importante aprender a dividir, aprender a ceder e também a brigar pelo que é seu por direito. Acho imprescindível aprender a conviver. E por isto a ideia da creche me agrada, pois acho que esta experiência desde bebê pode ser muito positiva.

Quando chegamos em casa após um dia de trabalho, Blake, Joaquim e eu normalmente saímos para uma caminhada ou brincamos no chão. É impressionante ver como nosso filhote muda tão depressa e a cada dia que passa ficamos mais encantados de ver tudo que ele pode fazer. Procuro aproveitar ao máximo cada momento com ele...eu sei, o tempo passa rápido demais.

Às vezes tenho crises de consciência e acho que deveria ser mais como as minhas amigas, mais preocupada, mais detalhista. Então reflito e entendo que a minha preocupação é outra. A minha maior preocupação é que o Joaquim seja independente, saiba cuidar de si mesmo. Claro que a minha intenção -- se Deus quiser -- é sempre estar por perto, mas é importante para mim que ele saiba (quando puder entender) que pode se virar sozinho e que seja auto-confiante! Talvez seja pela minha experiência de vida, mas sou muito consciente da minha mortalidade, do meu tempo finito aqui, então me preocupo em amar meu filho, em primeiro lugar, mas além disto, minha grande preocupação é prepará-lo para a vida. Desde já.