Quem lê o blog deve lembrar da minha amiga que está no processo de adoção de dois irmãos na Etiópia, pois volta e meia venho aqui me solidarizar com ela, já que o processo é simplesmente brutal. Mesmo a mais zen das pessoas -- como a minha amiga -- fica esgotada com tanta falta de informação, desordem e puro caos. Eu já disse a ela que o drama certamente daria um livro.
Um resumo breve para quem não conhece a história: Eles começaram o processo no fim de 2008 e deram entrada na papelada bem no início de 2009. Escolheram a Etiópia porque tinham morado na África e sempre souberam que queriam adotar uma criança africana, como não conseguiam engravidar naturalmente -- eles optaram por não fazer tratamento -- resolveram adotar duas crianças, de preferência dois irmãos de uma vez.
Até o início deste ano não tinham nenhuma notícia, então começaram a pressionar mais e finalmente a agência identificou dois irmãos, que agora têm três e quatro anos. Apesar de preferirem um bebê no início, minha amiga topou na hora. Agora começava a contagem regressiva, imaginamos. De acordo com as informações disponíveis, ela deveria ir à Etiópia dentro de três meses para adotar as crianças e depois de mais uns dois meses voltaria ao país para trazê-los para os EUA.
No início do ano, dias depois das intensas comemorações, soubemos que as regras haviam mudado e que os dois meses iniciais agora seriam mais ou menos seis! Minha amiga obviamente estava tão incrédula como inconsolável. De volta à estaca zero -- ou quase.
Mas de alguma forma, ela conseguiu uma data para oficializar a adoção em maio! Maior correria e eles finalmente foram conhecer os filhos para legalizar a adoção na justiça etíope. Tudo indo muito bem, até que no grande dia, a juíza nota que falta uma carta do Ministério das Mulheres e Crianças. Sem ela nada de adoção. A juíza entra com mandado e nada... Meus amigos voltam para casa com o coração aos pedaços, sem a menor ideia de quando verão os filhos de novo.
Como trabalhamos numa organização internacional e temos programas na Etiópia, resolvi encher o saco do nosso staff lá. Minha amiga no início ficou muito sem graça e reticente -- não queria perturbar ninguém -- mas eu comecei o processo e ela finalmente aceitou entrar em contato com nosso gerente lá, que prontamente a atendeu. Ele ligou para o tal ministério algumas vezes -- o escritório deles fecha e todo mundo some por semanas! -- falou com alguém lá, recebeu informações sobre o caso, mas a tal funcionária disse que provavelmente a tal carta não estaria pronta a tempo da segunda audiência. Como sempre, quando alguém intercede por nós, fica alguma coisa no ar. Perguntas sem resposta. Minha amiga ficou bem decepcionada com a notícia. Mais uma vez, sem previsão.
Como já tínhamos esgotados todos os caminho possíveis e imaginários, insisti para que ela apelasse para o "pessoal la de cima". Ela, que não acredita(va) em muita coisa, já estava fazendo novena. Contei a ela então sobre São Expedito e como o povo acredita nele e em São Judas, no Brasil. Ela gostou da história e na mesma hora, imprimiu uma oração e colocou a foto dele e uma prece no Facebook!
Lembrei que durante meu tratamento para engravidar, usei um cordão com a medalha milagrosa e só tirei bem depois que o Joaquim nasceu. Só tirei quando ele começou a puxar tudo que tinha "pendurado" em mim: cordão, pulseira, brinco, etc. Eu estava usando justamente o tal cordão quando ela recebeu mais notícias ruins. Como se por instinto, tirei o cordão e dei para ela,que me olhou com um misto de ansiedade e esperança. "Vou usar sim, mas a coisa não está parecendo muito boa para o meu lado," ela confessou. "Mas vou acreditar."
O dia da audiência veio e se foi e não tivemos nenhuma notícia, quando ontem pela manhã, ouvi a voz dela bem animada ao telefone. Resolvi parar e escutar a conversa -- sim, sou muito bisbilhoteira -- será que eu estava ouvindo direito?! A tal carta que não ia chegar como que por milagre tinha aparecido junto aos outros documentos dela! A adoção agora era oficial.
Ela desligou o telefone -- e a esta altura já éramos três olhando para ela -- e aos prantos gritou: "Sou mãe! Os meninos são legalmente nossos filhos! Agora sou mãe!" E começamos todas a pular e a chorar juntas, pois este é sem dúvida o trabalho de parto mais longo que já vi. O calvário dela faz a minha situação parecer piada... Na mesma hora ela beijou a medalha milagrosa e agradeceu. Foi um momento tocante.
Acho que mesmo quem não acredita em Deus ou não tem religião ficaria emocionado com a cena. Alguém ali bem na nossa frente se conectando genuinamente com algo que não se pode ver. Bonito.
Voltei para minha mesa e pouco tempo depois vi que ela tinha atualizado a conta dela no Facebook. "Obrigada, São Expedito" dizia o post, bem ao lado da foto dos filhos dela.
É claro que acredito em milagres; já vi e vivi tantos. Acredito no Homem lá de cima, nos santos que interferem junto a Ele, assim como acredito em anjos de carne e osso que habitam este planeta. Algo me diz que Deus pode ter usado nosso colega na Etiópia para operar este milagre. Nunca sequer o vi -- nem a minha amiga -- mas quem o conhece só tem elogios. Uma outra amiga nossa, que o conhece bem, disse ontem: "Não me admiraria nada saber que o Sintayehu mexeu uns pauzinhos lá, mas nunca vamos saber. Ele é o tipo que faz as coisas e não quer crédito."
Quando o ser humano me irrita e de deixa pessimista, gosto de pensar que ainda há vários Sintayehus por aí... Para mim, isto já é bastante.
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June 24, 2011
June 23, 2011
U2 360
Ontem voltei a pensar na minha bucket list, coisa que não fazia há tempos. A vida anda tão ocupada que não sobre muito t empo para filosofar ou pensar em termos abstratos, ou até sonhar alto demais. Não é uma queixa, só uma constatação! Quem vai pensar numa viagem incrível às Ilhas Fiji quando tem um bebê de seis meses berrando cheio de sapinho na boca e assaduras terríveis resultantes de sua primeira diarréia?! Sim, este foi meu fim de semana. Lavando bumbum de bebê, lençol e roupinhas praticamente 24 horas por dia, mas até que gostei de me sentir tão próxima e tão útil ao meu bebezinho.
Só que ontem desafiei até a chefona do meu chefe e disse a ela que ia sair mais cedo porque ia ao show do U2 e não poderia ir a tal reunião que ela tinha jogado no meu colo de última hora. Ela quis me enforcar, mas meu chefe já tinha me dado permissão e eu decidi que antes do show queria pegar duas míseras horas de sol, aproveitando que o Joaquim estava na creche. Sou muito workaholic, mas estava esperando por este dia há "apenas" seis meses e não seria ela a me fazer mudar de ideia.
Corri para casa, passei na piscina, arrumei tudo, o Blake pegou o Joaquim na creche, a Consuelo chegou, explicamos os rituais e procedimentos a ela rapidamente e saímos correndo com medo de trânsito. Ufa!
Mas não foi até entrar no carro e pegar o caminho de Baltimore que me toquei: vou ver o U2 pela primeira vez e há 20 anos espero por isso! Uau! Sim, ver o U2 ao vivo num megashow faz parte da minha bucket list sim! Quem disse que preciso ver o Taj Mahal (até preciso, mas há outros itens mais acessíveis!) para ser feliz? Um passeio ao Inner Harbor e um show no M&T já estão de bom tamanho para uma mãe de família na atual conjuntura!
E foi mesmo o máximo! O Blake, que até um mês antes não sabia que queria ir acabou adorando, e ao saber que o show era parte da minha lista me perguntou por que não tinha dito isto a ele antes?! Ele detesta confusão, multidão, aglomeração e muitas coisas que terminam em "ão", mas enchi tanto o saco dele, que ele comprou os ingressos no meu aniversário, ou seja, em novembro do ano passado!
O show foi perfeito e o repertório maravilhoso para os fãs de Achtung Baby, como eu. acho que tocaram todas as minhas músicas favoritas, mas o meu momento favorito foi sem dúvida o do clip acima. Comecei a chorar feito boba quando vi a declaração de amor -- direto do espaço! -- do Comandante Mark Kelly à sua esposa Gabrielle Giffords, deputada democrata que foi gravemente ferida por um louco num atentado ano passado no Arizona. Achei uma sacada genial do genial Bono!
Além de Kelly, Desmond Tutu e Aung San Suu Kyi apareceram no telão gigante como "guest speakers"...coisa superhiperbem bolada!
Bom, agora que já vi o U2 posso voltar a pensar na minha viagem a Fiji...ou num showzinho do Ricky Martin!?
PS: Durante o show, morri de saudade do meu gordinho!
June 20, 2011
Vida Dupla de Mãe Moderna
Semana passada fiz o impensável e no meio do expediente – mais precisamente na hora do almoço – saí com minhas amigas do trabalho para ver um filme cult de Werner Herzog. Se é para ser cult, tem que ser cult mesmo! Nem me lembro do último filme de Herzog que assisti. Que vergonha! Saímos todas, levando nossas estagiárias a tiracolo e com a bênção do chefe, rumos a um cinema muito bacana que fica bem em frente ao prédio onde trabalho.
Cave of the Forgotten Dreams é filme bacanérrimo: documentário narrado por ninguém menos do que o próprio Herzog sobre uma caverna no sul da França, onde nos anos 90, cientistas encontraram os desenhos humanos mais antigos que se tem noticia. Coisa de 30 mil anos atrás, sim 30 MIL! Obviamente, o acesso é fechado e só uma vez por ano um grupo exclusivo de especialistas consegue entrar. Herzog conseguiu acesso à Caverna de Chauvet (recebeu o nome do explorador que fez a descoberta) e por algumas horas durante alguns dias gravou cenas impressionantes. E emocionantes.
Saí do cinema mais reflexiva e muito mais viva do que entrei, como se tivesse matado mina eterna sede por estímulo intelectual, ainda que momentariamente. Matei a saudade das atividades culturais do Goethe Institut! Prometi a mim mesmo que vou fazer isto outras vezes. Nem que tenha que fazer hora extra!
No fim de semana, vesti novamente a roupa de mãe e fiquei na minha "caverna" o tempo todo cuidando do Joaquim, que teve seu primeiro episódio sério de assadura. O médico recomendou que ele ficasse sem fralda o maior tempo possível. Resultado: passei sábado e domingo lavando roupa (graças a Deus pela máquina de lavar!) e bumbum de bebê. Trancada em casa (ou na minha caverna?)com o Joaquim, a Galinha Pintadinha e a Xuxa, sem muito estímulo intelectual mas cheia de instinto maternal e feliz!
Quem tiver a oportunidade não deve deixar de ver este filme!
June 3, 2011
Agente de Mudança
Uma das grandes vantagens de trabalhar numa organização de ajuda humanitária e desevolvimento internacional e vir para o escritório e saber que de alguma forma você está ajudando alguém em algum canto do planeta. Na maioria das vezes, acho que tenho o melhor trabalho do mundo, pois a minha função é contar estas histórias e espalhá-las aos quatro cantos do planeta.
Um outro aspecto muito bacana do nosso trabalho fica por conta das pessoas com quem nos relacionamos: colegas de trabalho, parceiros locais e comunidades que servimos. Cada vez que nos reunimos me sinto dentro de uma sala de aula, pois saio sempre com uma lição de vida.
Minha reunião ontem foi com a diretora do nosso escritório na Palestina, Lana Abu-Hijleh, uma mulher sensacional. Durante uma hora ela nos contou um pouco mais dos projetos que implementa na região e dos desafios diários que ela enfrenta, principlamente por conta do Governo Hammas. E durante uma hora, escutei de forma objetiva, mas ao mesmo tempo não pude deixar de admirar sua determinação e força de vontade.
A história de vida dela também é sensacional e é por isto que compartilho o vídeo acima. Posições políticas e ideológicas à parte, a gente tem que tirar o chapéu para esta grande mulher.
May 27, 2011
Enfim o Verão!
Parece até mentira, mas este fim de semana marca oficialmente -- sim, porque para americano tudo tem que ser oficial, ter começo, meio e fim! -- o início do verão. Só quem mora em lugar frio, que tem inverno de verdade -- o que exclui boa parte dos brasileiros! -- entende a nossa alegria aqui. Enfim, chegou a hora de colocar as botas e casaco no fundo do armário e tirar os shorts e camisetas das prateleiras mais altas. Uma alegria só!
Como o Joaquim vai ser batizado no Brasil em julho, está na hora de realmente começar os preparativos, ver roupas, lembrancinhas, passagens, porque o tempo está voando.
Para quem mora aqui nos States, bom feriado! Para quem está no Brasil e em outros países, bom fim de semana! Vamos ver se o Joaquim colabora e eu consigo tirar esta brancura extrema que não combina nada comigo. Afinal até meus amigos gringos andam demonstrando surpresa ao perceber o quanto eu sou branquela...hahahaha
Como o Joaquim vai ser batizado no Brasil em julho, está na hora de realmente começar os preparativos, ver roupas, lembrancinhas, passagens, porque o tempo está voando.
Para quem mora aqui nos States, bom feriado! Para quem está no Brasil e em outros países, bom fim de semana! Vamos ver se o Joaquim colabora e eu consigo tirar esta brancura extrema que não combina nada comigo. Afinal até meus amigos gringos andam demonstrando surpresa ao perceber o quanto eu sou branquela...hahahaha
May 26, 2011
Começando a Pensar na Ida ao Brasil
Ainda faltam quase dois meses, mas estamos começando a planejar nossa viagem ao Rio. É impressionante como as passagens estão caras este ano:$1300! Socorro! E o Joaquim ainda paga uns $250 sem direito a assento ou bagagem...uma maravilha! Julho, como descobri a duras penas, é alta temporada, mas como temos vários eventos, vai valer a pena.
A agenda está apertada, mas é assim que eu gosto. Em pouco mais de duas semanas, teremos o aniversário das minhas sobrinhas, o batizado do Joaquim, o casamento da minha prima e a reunião de (não espalhem!) 20 anos de ingresso da minha turma da UFRJ. A festa da galera da Praia Vermelha estava inicialmente sendo planejada para abril/maio, mas o pessoal topou mudar a data para acomodar a agenda de alguns, principalmente a minha! Fiquei superfeliz, pois ao comentar que estaria no Rio em julho nem me passou pela cabeça querer mudar data de coisa nenhuma...Vai ser ótimo rever o grupo todo de uma vez. É claro que fico em contato com as pessoas mais próximas, mas nem me lembro da última vez que vi o povo todo reunido.
E é claro que está será a primeira viagem do Joaquim e nada mais justo que seja para o Brasil. Eu até queria fazer um dry run neste feriado de Memorial Day, mas o Blake foi contra, então vamos estreiar em grande estilo! A verdade é que o Joaquim está melhorando bastante e dois dias esta semana dormiu mais de oito horas. Quando estávamos quase pensando que ele tinha engrenado...ele acordou à uma da manhã ontem, mas tudo bem! Além disto, se Deus quiser, meu pai vai finalmente poder andar normalmente, já que a cirurgia de ontem correu superbem e, se Deus quiser, a recuperação será tão boa quanto.
Enquanto isto, vamos curtindo um calorzinho bom aqui em Washington e planejando eventos bacanas no trabalho também. Ah , que maravilha que o inverno finalmente tenha ficado para trás... Sol! Ah...o sol!
A agenda está apertada, mas é assim que eu gosto. Em pouco mais de duas semanas, teremos o aniversário das minhas sobrinhas, o batizado do Joaquim, o casamento da minha prima e a reunião de (não espalhem!) 20 anos de ingresso da minha turma da UFRJ. A festa da galera da Praia Vermelha estava inicialmente sendo planejada para abril/maio, mas o pessoal topou mudar a data para acomodar a agenda de alguns, principalmente a minha! Fiquei superfeliz, pois ao comentar que estaria no Rio em julho nem me passou pela cabeça querer mudar data de coisa nenhuma...Vai ser ótimo rever o grupo todo de uma vez. É claro que fico em contato com as pessoas mais próximas, mas nem me lembro da última vez que vi o povo todo reunido.
E é claro que está será a primeira viagem do Joaquim e nada mais justo que seja para o Brasil. Eu até queria fazer um dry run neste feriado de Memorial Day, mas o Blake foi contra, então vamos estreiar em grande estilo! A verdade é que o Joaquim está melhorando bastante e dois dias esta semana dormiu mais de oito horas. Quando estávamos quase pensando que ele tinha engrenado...ele acordou à uma da manhã ontem, mas tudo bem! Além disto, se Deus quiser, meu pai vai finalmente poder andar normalmente, já que a cirurgia de ontem correu superbem e, se Deus quiser, a recuperação será tão boa quanto.
Enquanto isto, vamos curtindo um calorzinho bom aqui em Washington e planejando eventos bacanas no trabalho também. Ah , que maravilha que o inverno finalmente tenha ficado para trás... Sol! Ah...o sol!
May 2, 2011
Obama Mata Osama...e eu nem sabia!
Que atualmente vivo em outro fuso horário, isto não é novidade para ninguém, mas aparentemente, agora vivo em outro planeta (ou será galáxia?!) também!
A manchete acima está espalhada por todos os lados aqui. Sem contar com o âncora da rede de TV Fox que trocou os nomes Obama e Osama e acabou "matando" o presidente americano.
O fato é que ontem vi umas coisas no Twitter mas nem me liguei que no poderia ser e hoje, vindo para o trabalho, escutei algo sobre os familiares das vítimas do 11 de Setembro estarem sentindo vingados...e achei que pudesse ter acontecido algo com um dos presos em Guantanamo! Estou totalmente por fora. Agora entendo perfeitamente o meu chefe quando ele diz que antes da filha nascer, ele era bem mais inteligente. Tenho certeza que perdi alguns (bons) neurônios durante o parto (e provavelmente depois dele). Até para rir de piada tenho um delay seríssimo.
O povo parece estar feliz, mas sinceramente não consigo entrar neste clima de euforia. Não que tenha pena do Bin Laden ou que ele vá me fazer falta, mas a ideia de mexer com psicopatas e fanáticos me deixa bem tensa e obviamente para quem mora aqui nos arredores de Washington, tem marido (e outros parentes) trabalhando para o Governo Federal Americano, tudo fica bem mais real.
Enfim, agora é apertar os cintos, segurar a onda e rezar para dar tudo certo. Mas que estamos em estado de alerta máximo estamos.
A manchete acima está espalhada por todos os lados aqui. Sem contar com o âncora da rede de TV Fox que trocou os nomes Obama e Osama e acabou "matando" o presidente americano.
O fato é que ontem vi umas coisas no Twitter mas nem me liguei que no poderia ser e hoje, vindo para o trabalho, escutei algo sobre os familiares das vítimas do 11 de Setembro estarem sentindo vingados...e achei que pudesse ter acontecido algo com um dos presos em Guantanamo! Estou totalmente por fora. Agora entendo perfeitamente o meu chefe quando ele diz que antes da filha nascer, ele era bem mais inteligente. Tenho certeza que perdi alguns (bons) neurônios durante o parto (e provavelmente depois dele). Até para rir de piada tenho um delay seríssimo.
O povo parece estar feliz, mas sinceramente não consigo entrar neste clima de euforia. Não que tenha pena do Bin Laden ou que ele vá me fazer falta, mas a ideia de mexer com psicopatas e fanáticos me deixa bem tensa e obviamente para quem mora aqui nos arredores de Washington, tem marido (e outros parentes) trabalhando para o Governo Federal Americano, tudo fica bem mais real.
Enfim, agora é apertar os cintos, segurar a onda e rezar para dar tudo certo. Mas que estamos em estado de alerta máximo estamos.
November 25, 2010
Ação de Graças
Hoje é dia de comilança e, segundo muitos, é o maior feriado nos Estados Unidos, uma vez que celebra este país enquanto nação, deixando para trás diferenças culturais ou religiosas.
O que os americanos chamam de Primeiro Thanksgiving foi celebrado para agradecer a Deus pela ajuda dada aos peregrinos da Colônia de Plymouth que sobreviveram seu primeiro inverno rigoroso na Nova Inglaterra. A primeira celebração durou três dias e alimentou não só os 53 peregrinos, mas 90 índios americanos e até hoje celebra a unificação dos povos do país.
Acho que ainda estou tocada com a cerimônia de anteontem, e obviamente com a proximidade da chegada do Joaquim e a visita dos meus pais, este feriado tem me feito refletir sobre as tantas coisas que devo agradecer. Eu agradeço a Deus, pois sinto a mão dEle ao meu lado por todo o tempo, mas mesmo para quem não acredita, acgradecer e refletir em tudo de positivo que nos cerca faz bem. Então em convido cada um dos meus amigos que passar por aqui hoje a tirar dois minutinhos do seu dia atribulado para entrar em comunhão com Deus, com o Universo, ou com a natureza e parar para pensar também nas conquistas e nas bênçãos alcançadas este ano.
Um bom Dia de Ação de Graças não só para os queestão aqui nos States celebrando, mas para todos vocês em todas as partes do mundo, que hoje também estarão nas minhas orações.
Do not get tired of doing what is good.
Don't get discouraged and give up,
For we will reap a harvest of blessing at the appropriate time.
- Galatians 6:9
November 24, 2010
US Citizen

Pois é, chegou mais rápido e foi bem mais fácil do que eu esperava. Ontem, depois de responder seis questões sobre história americana, ler uma frase e escrever a resposta, me tornei uma das mais novas cidadãs americanas. Sentimento estranho, confesso.
Mesmo para quem fez a opção por razões práticas, de modo muito simples e sem ter que abrir mão de nada, ainda assim, na hora dá um nozinho na garganta. O bacana é que em Baltimore, a cerimônia de naturalização e o teste e entrevista são feitos no mesmo dia, então a gente já sai dali com tudo pronto. Agora com o documento em mãos já posso dar entrada no meu passaporte.
Ao chegarmos lá, tivemos que esperar mais de uma hora para a entrevista, que foi feita junto com o teste. O pessoal do trabalho e o Blake certamente estão aliviados de não ter que me ver decorando todas as 100 perguntas e respostas do teste. Sim, porque passar todo mundo passa, então no mínimo eu tinha que acertar as 10 perguntas.
Só que no final não foram 10, mas só seis, porque como só exigem 60% de aproveitamente, quem acerta as seis primeiras fica isento das outras quatro. (Tempo é dinheiro por aqui!) E depois disso, tive que ler uma frase, que a oficial de imigração leu pra mim e depois caiu na gargalhada! Então tive que ler outra. "What's the largest state?" E escrever a reposta para a pergunta que ela tinha lido, mas que eu deveria ler. "Why do people want to become citizens?" Resposta: "People want to vote." Se é verdade ou não, não sei, mas como era prova de ditado não deu nem pra contestar...
Mas é claro que a cínica em mim tinha vários outros motivos para pensar que o povo queria a cidadania:
a) para poder ser funcionário público federal e ganhar um bom salário para não fazer muita coisa (mentalidade tupiniquim, eu sei, mas aqui vai-se pelo mesmo caminho!)
b) para recolher seguro-desemprego
c) para ter direito a welfare
Mas vamos ser otimistas e pensar que o povo quer mesmo é votar e participar de uma das maiores democracias do mundo!
Como minha entrevista acabou lá pras 12.30 fomos almoçar no Porto de Baltimore para esperar a cerimônia, marcada para às 3 pm. Chegamos um pouco mais cedo e tivemos que esperar numa sala com todo mundo.
"Estou me sentindo na sala de espera de uma rodoviária," diz o Blake.
"Imagina que isto aqui é Ellis Island do século XXI," respondi. O pior é que ele tinha mesmo razão, eu só nãosabia dizer se tinha mais cara de Greyhound Station (quem já pegou ônibus aqui sabe do que estou falando), ou de Rodoviária Novo Rio mesmo...
Tivemos que assistir ao filminho e a mensagem de boas-vindas do Barak. O mais legal são as frases ditas pelos novos cidadãos. Não sei bem o motivo, muitos deles eram de Honduras, então parecia que eu entendia exatamente o que eles sentiam, quando diziam-se gratos pela oportunidade. Por mais distante que isto esteja da minha realidade, consigo entender quando tem gente que realmente sai sem nada em busca do sonho americano. Gente que nem dinheiro para pagar coyote tem, que vem com 40 dólares no bolso e espera por um milagre. Muitos encontram desilusão, mas outros tantos conseguem enfim chegar aqui e depois de muitos anos vivendo como sub-espécie, enfim ganham direito a estar no país que escolheram viver. Finalmente podem chamar de pátria.
Olhei ao meu redor e me dei conta que este país aceita todo mundo mesmo... Tinha gente de todo o canto do planeta, de todas as idades, etnias, religiões, e classes sociais. Todos bem representados. Como diz a minha sogra, "Em 30 anos seremos todos morenos." Depois de ontem, acho que ela está mesmo certa. Seremos bem misturados -- morenos, marrons, negros, amarelos e até branquinhos...
November 14, 2010
Customer Service Made in USA
Para ninguem dizer que so reclamo das coisas do lado de cima do equador, hoje queria elogiar um dos maiores tesouros destes pais: a politica de retorno da maioria das lojas, que e facil e agil.
Claro que o meu marido e a excecao da excecao e nao entende lhufas destas coisas por aqui. Alguem conhece americano que nao gosta de usar cartao de credito e nao e nem um pouco consumista? Apresento-lhes Blake Baron.
Bom, mas voltando ao assunto do post, o fato e que compramos uma baba eletronica, ou baby monitor, muito legal para o quartinho do Joaquim. Obviamente, pesquisamos muito ate nos decidirmos pelo modelo e depois pesquisamos mais ainda para encontrar o melhor preco. Alias, pesquisar e com a gente mesmo!
No final das contas, quinta-feira, econtramos o modelo que queriamos por um bom preco no Kohls online. Achei uns coupons e conseguimos quase $80 de desconto, entre preco final e frete. Maravilha! So que ontem a noite, recebi um catalogo pelo correio e um coupon que me dava alem de 30% de desconto, frete gratis e mais Kohls cash para gastar semana que vem, ou seja, uma economia de mais de $150, ou seja, no final das contas saindo quase pela metade do preco original.
Nem pensei duas vezes: decidi que ia a loja devolver o produto e comprar a mesma coisa usando o novo desconto recebido pelo correio. O Blake adorou a ideia, mas ficou meio confuso quando soube do meu plano mirabolante.
"Mas o que voce vai dizer ao vendedor? Que motivo voce vai alegar para retornar a mercadoria?," ele me perguntou curioso.
"Nenhum! E aqui nos States a gente precisa justicar alguma coisa?! Americano compra primeiro e decide se vai ficar com a mercadoria depois! E mania nacional," fui logo explicando.
Ele riu e apesar de nao dizer nada, entendeu que eu tinha toda razao. E tanto tinha que a fila do SAC estava ENORME! E como estamos nos United States of America, onde gravida nao tem direito a NADA, la ficamos nos -- eu, o Blake e a minha MEGA barriga de nove meses -- mofando em pe.
Ate que chegou a nossa vez e, para minha sorte, a atendente era uma simpatia. Tanto era, que eu decidi arriscar para ver se ela podia me ajudar. Em vez de retornar o produto para depois efetuar a compra online e esperar dias pela entrega, resolvi abrir o jogo.
"Gostei do produto sim, mas consigo comprar com voces mesmo por um preco bem melhor," respondi.
O Blake me olhou mortificado! Desta vez eu certamente tinha extrapolado os limites da cara de pau. Eu e minha lingua!
Mas foi entao que veio a grande surpresa para ele e a resposta esperada por mim.
"Entao voce quer levar este mesmo produto?" a atendente me perguntou.
"Exatamente, mas pelo preco mais baixo e com direito ao rebate," respondi.
"Nenhum problema," ela disse. E escaneou a mercadoria, depois fez o estorno e repassou meu cartao. Em menos de cinco minutos saimos de la com a mesma baba eletronica embaixo do braco e uns $150 a mais no bolso.
O Blake era um sorriso so. Eu idem... Com $150 a gente pode comrpar muita fralda!!!
E viva a politica de retorno made in USA!!!
September 8, 2010
Lady Gaga



Ainda estou me recuperando da estripulia de ontem à noite, quando cheguei em casa à uma e meia da matina depois do show da Lady Gaga. Ela é realmente do mesmo naipe da Madonna e tão novinha já tem uma megaestrutura.
O que sempre me espanta nos shows americanos é a organização. Nunca tem perrengue! Tudo muito civilizado... Deixamos o carro na estação de metrô perto do trabalho, em 20 minutos estávamos lá na porta do Verizon Center. Entramos na arena rapidamente e logo encontramos nosso lugares. Banheiros limpos, lugares marcados, pessoas gentis, tudo muito certinho. Os figurinos, tanto no palco quanto na plateia, foram o destaque. Pena que não me lembrei de tirar fotos.
Ela é totalmente over the top, e o shows têm sempre um gostinho de palestra motivacional ou pep rally, o que sempre me deixa um pouco com pé atrás, mas quem vai ver uma cantora cantar de calcinha e sutiã não espera nada menos do que um circo de verdade. Valeu!
Joaquim chutou muito, mas acho que gostou do show. Tomara que ele tenha o gosto eclético da mãe, que só não suporta pagode, sertanejo e heavy metal... (Desde já peço desculpas aos fãs do gênero, mas gosto cada um tem o seu!)
August 31, 2010
O Dilema da Cozinha
Pois é, mais uma tarefa que agora vou ter que levar mais a sério...fazer jantar! Vou poupá-los da ladainha, mas digamos que eu não tenho duas coisas que são praticamente essenciais para qualquer chef de cozinha: interesse e paciência! Ao contrário do que acontece com a maioria da população humana -- a julgar pela popularidade das centenas de programas de culinária na TV -- o assunto me dá tédio! Claro que gosto de uma comida gostosa, um sabor diferente, mas posso pensar em muitas outras coisas que me dão mais prazer do que isso... Até restaurante mesmo...prezo mais a atmosfera, a apresentação (esta sim, me enche os olhos!) e o serviço (superimportante para mim!) do que a comida em si.
Morei sozinha em NY durante cinco anos e sinceramente não me lembro uma só vez de ter pilotado o fogão sozinha. Morei no Rio outros tantos anos (com a minha irmã e sozinha) e o fogão do nosso apê jamais foi usado. Pelo menos por nós duas! Então quando casei a coisa mudou de figura. Comecei meu curso intensivo de pilotar fogão. Aprendi umas receitas coringas, mas confesso que não me tornei nenhuma Martha Stewart. Sendo assim, a tarefa árdua e ingrata de preparar o menu semanal para nossa casa ainda não é algo natural para mim, principalmente depois de um longo dia na labuta. Mas acho que não tenho mesmo para onde correr e vou ter que dar um jeito qualquer, principalmente agora que vamos ter mais um membro na família...mais uma boca para alimentar!
Cheguei ao trabalho hoje me queixando e foi quando uma colega me sugeriu o seguinte website http://www.whatthefuckshouldimakefordinner.com Achei a ideia o máximo, pois reflete exatamente meu estado espírito. De qualquer jeito além deste site, já me inscrevi em outros mais tradicionais:
www.epicurious.com/
www.tastymenu.com
E vocês, como se viram? Têm alguma dica de receita fácil e quando digo fácil me refiro a algo que só use duas panelas e quatro etapas de preparo! Ah, e no máximo 30 minutos para ficar pronto...
Esta vida de Amélia definitivamente não combina comigo!
Morei sozinha em NY durante cinco anos e sinceramente não me lembro uma só vez de ter pilotado o fogão sozinha. Morei no Rio outros tantos anos (com a minha irmã e sozinha) e o fogão do nosso apê jamais foi usado. Pelo menos por nós duas! Então quando casei a coisa mudou de figura. Comecei meu curso intensivo de pilotar fogão. Aprendi umas receitas coringas, mas confesso que não me tornei nenhuma Martha Stewart. Sendo assim, a tarefa árdua e ingrata de preparar o menu semanal para nossa casa ainda não é algo natural para mim, principalmente depois de um longo dia na labuta. Mas acho que não tenho mesmo para onde correr e vou ter que dar um jeito qualquer, principalmente agora que vamos ter mais um membro na família...mais uma boca para alimentar!
Cheguei ao trabalho hoje me queixando e foi quando uma colega me sugeriu o seguinte website http://www.whatthefuckshouldimakefordinner.com Achei a ideia o máximo, pois reflete exatamente meu estado espírito. De qualquer jeito além deste site, já me inscrevi em outros mais tradicionais:
www.epicurious.com/
www.tastymenu.com
E vocês, como se viram? Têm alguma dica de receita fácil e quando digo fácil me refiro a algo que só use duas panelas e quatro etapas de preparo! Ah, e no máximo 30 minutos para ficar pronto...
Esta vida de Amélia definitivamente não combina comigo!
July 2, 2010
E a Vida que Segue...
Depois de saber da derrota do Brasil trancada em sala de reunião, com dois americanos, um inglês, um escocês, um hondurenho e uma americana, a brasileira aqui tenta se recuperar...
O mais engraçado é que a reunião/media training era coisa séria e peparação para o marco de seis meses desde o terremoto no Haiti, mas a cebeça estava mais no jogo do que em outro lugar. O Blake ia me mandando o placar por SMS e eu mal podia me conter.
Lá pelas tantas, recebo os últimos SMS "Orange 2x1" e "Sorry", bem na minha hora de falar. Quase perdi o rumo da prosa e comecei com "Bem, acabei de saber que o Brasil perdeu, mas acho que devemos colocar mais estatísticas sobre o número de empregos gerados no Haiti, blablablá." Os gringos, meio incrédulos, perguntaram "O quê?" Respondi rápido: "É isso aí, o Brasil perdeu, mas o Haiti..." Um diretores então diz, "Deixa o Haiti para lá, como assim? Respira! Explica para gente o que aconteceu. Como assim o Brasil perdeu? Tá falando sério?"
Então o meu chefe, que não presta, vira a câmera -- que estava ligada para o media traning -- e começa a narrar, enquanto eu falava com o resto do grupo: "Senhoras e senhores, um momento trágico e de muita tristeza toma conta desta sala. Aqui, ao meu lado, uma brasileira inconsolável relata..."
Muito moleque! Só ele mesmo para me fazer rir da derrota e de mim mesma... Agora é rezar pro Mick Jagger aparecer no jogo da Argentina.
Brasil 2014! Até lá vamos ver se descolo um trabalho temporário. Se alguém souber de alguma coisa ou conhecer alguém do comitê organizador, pode passar meus dados please!
O mais engraçado é que a reunião/media training era coisa séria e peparação para o marco de seis meses desde o terremoto no Haiti, mas a cebeça estava mais no jogo do que em outro lugar. O Blake ia me mandando o placar por SMS e eu mal podia me conter.
Lá pelas tantas, recebo os últimos SMS "Orange 2x1" e "Sorry", bem na minha hora de falar. Quase perdi o rumo da prosa e comecei com "Bem, acabei de saber que o Brasil perdeu, mas acho que devemos colocar mais estatísticas sobre o número de empregos gerados no Haiti, blablablá." Os gringos, meio incrédulos, perguntaram "O quê?" Respondi rápido: "É isso aí, o Brasil perdeu, mas o Haiti..." Um diretores então diz, "Deixa o Haiti para lá, como assim? Respira! Explica para gente o que aconteceu. Como assim o Brasil perdeu? Tá falando sério?"
Então o meu chefe, que não presta, vira a câmera -- que estava ligada para o media traning -- e começa a narrar, enquanto eu falava com o resto do grupo: "Senhoras e senhores, um momento trágico e de muita tristeza toma conta desta sala. Aqui, ao meu lado, uma brasileira inconsolável relata..."
Muito moleque! Só ele mesmo para me fazer rir da derrota e de mim mesma... Agora é rezar pro Mick Jagger aparecer no jogo da Argentina.
Brasil 2014! Até lá vamos ver se descolo um trabalho temporário. Se alguém souber de alguma coisa ou conhecer alguém do comitê organizador, pode passar meus dados please!
April 19, 2010
Neti Pot

Gracas ao conselho da Marisa, na sexta mesmo fuicomprar a Neti Pot, esta coisinha que parece uma chaleira e que a gente tem que usar para limpar as vias nasais. Para quem nao quer tomar remedio, como eu, achei uma boa opcao. Claro que da uma sensacao estranha, mas como o Blake mesmo diz, para mim “estranho” nao existe…
Tambem chamei a Consuelo e ela fez uma faxina daquelas la em casa… Saiu polen de onde ate Deus duvidaria… Claro que ainda dou meus espirros, mas me sinto melhor. Dureza vai ser ficar trancada em casa ate mes que vem, pois preciso ficar o mais distante possivel de polen…
March 29, 2010
A Primeira Multa A Gente Nunca Esquece
A verdade é que aqui em Maryland esta história de multa é uma indústria milionária, ainda mais agora que o Estado está procurando fechar os rombos do orçamento de qualquer maneira. Há câmeras por todos os lados e carros de polícia que saem Deus sabe de onde, então era milagre eu nunca ter recebido uma multa. Principalmente se for pensar que o Blake, que é um dos melhores e mais conscientes motoristas que conheço, recebeu umas quatro no último ano.
Então semana passada, enquanto dirigia pensando na grande ironia de nunca ter sido multada, cantarolando no carro num belo dia de sol, percebi, olhando pelo retrovisor que havia uma viatura policial atrás de mim! "Hum...," pensei, "engraçado, ele está com as luzes acesas mas não consigo escutar a sirene." Continuei meu caminho, mas ele não saía da minha cola. Olhando pelo mesmo retrovisor, sinalizei perguntando se ele queria que eu parasse. "Sim," foi a resposta. Ele balançou a cabeça.
Finalmente eu tinha sido pega em flagrante; certamente estava além do limite de velocidade... Era culpada e não tinha a menor dúvida disto. Melhor parar logo, ser simpática, assumir o erro e pronto. A multa era mais que merecida.
Parei no acostamento e o policial caminhou lentamente até meu carro.
"Bom dia," disse eu sem graça.
"Bom dia, senhora," ele respondeu e emendou "Posso lhe fazer uma pergunta?"
Eu, que já estava nervosa, disparei a seguinte pérola: "Vai me perguntar se sou legal aqui? Sim, tenho green card!" Assim que ouvi as palavras que saíam da minha boca, entendi o tamanho da gafe que tinha cometido.
O policia, com cara de quem não estava entendendo nada, respondeu: "Não, claro que não. A minha pergunta é 'Você estava prestando atenção?'
E eu, numa mistura de cara de pau e honestidade profunda, disse "Para falar a verdade, não!"
Ele sorriu e disse: "Deu pra perceber. Primeiro você passa por uma viatura policial a 80 milhas por horas numa via onde o limite é de 55 milhas. Depois, fico emparelhado com você e você nem me vê, até que decido seguir você por um bom tempo..."
Ele estava coberto de razão, o que eu poderia dizer?
"Realmente me distraí e não me dei conta de que o carro tinha adquirido mais velocidade na decida," repondi.
Quando ele me pediu a carteira e o documento do carro, gelei. A habilitação estava comigo na carteira, mas o documento do carro, que aqui é uma folhinha pequena e muito vagabundo, estava perdida em algum lugar no meu porta-luvas. E foi um tal de tirar escova de cabelo, hidratante, guardanapo, caneta, carregador de celular... Até que achei a tal folhinha e graças a Deus estava tudo em ordem, respirei aliviada.
Ele checou tudo e me devolveu os documentos, mais a multa, me dizendo que tinha reduzido a quantia depois de conferir meu histórico impecável...
Já mais calma, perguntei a ele o que deveria fazer. Ele, muito educado, disse que eu poderia pagar a multa na hora, mas me aconselharia a ir até o juiz com uma cópia da minha ficha mais do que limpa e explicar a verdade.
Por fim, me deu o último conselho "Dirija mais devagar!" e se despediu com um "Tenha um dia bom e calmo!"
Bom, depois desta, aprendi a minha lição. Agora é esperar a multa chegar pelo correio com a data para minha visita à corte. Fortes emoções à vista!
Então semana passada, enquanto dirigia pensando na grande ironia de nunca ter sido multada, cantarolando no carro num belo dia de sol, percebi, olhando pelo retrovisor que havia uma viatura policial atrás de mim! "Hum...," pensei, "engraçado, ele está com as luzes acesas mas não consigo escutar a sirene." Continuei meu caminho, mas ele não saía da minha cola. Olhando pelo mesmo retrovisor, sinalizei perguntando se ele queria que eu parasse. "Sim," foi a resposta. Ele balançou a cabeça.
Finalmente eu tinha sido pega em flagrante; certamente estava além do limite de velocidade... Era culpada e não tinha a menor dúvida disto. Melhor parar logo, ser simpática, assumir o erro e pronto. A multa era mais que merecida.
Parei no acostamento e o policial caminhou lentamente até meu carro.
"Bom dia," disse eu sem graça.
"Bom dia, senhora," ele respondeu e emendou "Posso lhe fazer uma pergunta?"
Eu, que já estava nervosa, disparei a seguinte pérola: "Vai me perguntar se sou legal aqui? Sim, tenho green card!" Assim que ouvi as palavras que saíam da minha boca, entendi o tamanho da gafe que tinha cometido.
O policia, com cara de quem não estava entendendo nada, respondeu: "Não, claro que não. A minha pergunta é 'Você estava prestando atenção?'
E eu, numa mistura de cara de pau e honestidade profunda, disse "Para falar a verdade, não!"
Ele sorriu e disse: "Deu pra perceber. Primeiro você passa por uma viatura policial a 80 milhas por horas numa via onde o limite é de 55 milhas. Depois, fico emparelhado com você e você nem me vê, até que decido seguir você por um bom tempo..."
Ele estava coberto de razão, o que eu poderia dizer?
"Realmente me distraí e não me dei conta de que o carro tinha adquirido mais velocidade na decida," repondi.
Quando ele me pediu a carteira e o documento do carro, gelei. A habilitação estava comigo na carteira, mas o documento do carro, que aqui é uma folhinha pequena e muito vagabundo, estava perdida em algum lugar no meu porta-luvas. E foi um tal de tirar escova de cabelo, hidratante, guardanapo, caneta, carregador de celular... Até que achei a tal folhinha e graças a Deus estava tudo em ordem, respirei aliviada.
Ele checou tudo e me devolveu os documentos, mais a multa, me dizendo que tinha reduzido a quantia depois de conferir meu histórico impecável...
Já mais calma, perguntei a ele o que deveria fazer. Ele, muito educado, disse que eu poderia pagar a multa na hora, mas me aconselharia a ir até o juiz com uma cópia da minha ficha mais do que limpa e explicar a verdade.
Por fim, me deu o último conselho "Dirija mais devagar!" e se despediu com um "Tenha um dia bom e calmo!"
Bom, depois desta, aprendi a minha lição. Agora é esperar a multa chegar pelo correio com a data para minha visita à corte. Fortes emoções à vista!
March 28, 2010
Semana que Começa
A semana já deve começar emocionante para mim... Amanhã entrego a minha carta de alforria. Agora é para valer! Nem part-time, nem consultoria, nem coisa nenhuma. Liberdade ainda que tardia! Liberdade total. Cortando qualquer laço, qualquer ligação, qualquer contato... Ponto final.
Me sinto como se fizesse parte de um programa de proteção à testemunha. Só não vou trocar de nome, mas o resto é bem parecido. Não quero que saibam de mim, nem para onde vou, nem quais são meus planos, nem detalhe nenhum sobre a minha vida. Quero apagar o mais rápido possível qualquer dano causado à minha auto-estima e à minha saúde mental.
Quem sabe um dia uso o aprendizado (se é que pode-se chamar o desgoverno e o desatino de alguns de aprendizado!) para alguma coisa... Tipo aquele filme, "Como Perder um Homem em 10 dias"...tudo que a gente NÃO deve fazer quando o assunto é gestão.
Mas por enquanto, quero mais é encerrar este capítulo desastrado e só espero que desta vez tudo dê certo...
Me sinto como se fizesse parte de um programa de proteção à testemunha. Só não vou trocar de nome, mas o resto é bem parecido. Não quero que saibam de mim, nem para onde vou, nem quais são meus planos, nem detalhe nenhum sobre a minha vida. Quero apagar o mais rápido possível qualquer dano causado à minha auto-estima e à minha saúde mental.
Quem sabe um dia uso o aprendizado (se é que pode-se chamar o desgoverno e o desatino de alguns de aprendizado!) para alguma coisa... Tipo aquele filme, "Como Perder um Homem em 10 dias"...tudo que a gente NÃO deve fazer quando o assunto é gestão.
Mas por enquanto, quero mais é encerrar este capítulo desastrado e só espero que desta vez tudo dê certo...
March 27, 2010
Mini Férias
Esta semana, para comemorar nosso aniversário de casamento, o Blake resolveu me surpreender com uma viagem-relâmpago. Pela primeira vez não deixei a minha curiosidade estragar a surpresa e me deixei levar...
Quando percebi estavamos numa balsa a caminho de Cape May, uma cidadezinha histórica de arquitetura vitoriana, na costa de New Jersey.
Ao contrário de todos os meus amigos que se dizem loucos de vontade de conhecer ou apaixonados pelo lugar, não me lembro de ter ouvido falar em Cape May. Morando em Nova York, a gente escuta muito sobre Cape Cod ou Newport, Rhode Island, e claro sobre os Hamptons, mas sinceramente Cape May nunca esteve no meu radar.
Então a surpresa foi ótima, pois o lugar é charmosíssimo, há restaurantes ótimos e o Bed & Breakfast (B&B) que ficamos era uma graça. Aqui nos EUA, os B&B's são uma espécie de pousada bem chique a acolhedora, com poucos quartos e atendimento superpersonalizado. Nossos Innkeepers, ou donos da pousada, Doug e Anna Marie, foram anfitriões perfetos. O legal também é que os hóspedes tomam café e chá da tarde juntos, então parecem todos uma grande família.
Passamos ótimos dias por lá, descansando e passeando...o problema é que já voltamos e a preguiça continua!
March 22, 2010
US Census

O Censo 2010 chega aos lares americanos fazendo muito barulho, com campanhas milionárias na TV, na internet, nos jornais e revistas de todo o país. Filmes em rede nacional, páginas nas redes de relacionamento, parece que o governo abriu mesmo os cofres para financiar tal campanha.
É claro que também recebeu muitas críticas e quem entende (ou diz entender) de marketing diz que o retorno de tanto investimento pesado tem sido, digamos assim, pífio!
Mas eu adoro pesquisa. Sou curiosa por natureza e não me importo em divulgar dados ao meu respeito se puder conferir o resultado do trabalho depois. Foi assim que durante anos fui dona de uma caixa do IBOPE em casa. Ninguém entendia a minha fascinação com aquilo, só mesmo o meu amigo Horácio que ao dar de cara com a caixinha, entendeu exatamente o "poder" que aquilo me dava e quase caiu duro de emoção. Com mais ou menos 400 caixas espalhadas pelo Rio, a minha TV ligada em tal canal fazia bastante diferença!
É claro que esta egotrip doida também me fazia mais consciente e de certa forma às vezes ditava meus hábitos. Claro que nunca assisti o programa da Gimenez, mas depois que a tal caixinha foi parar lá em casa, nem aquela paradinha básica quando estava zapeando eu dava...
Então quando chegou o formulário do censo aqui, fiquei toda animada. Aliás, acho que fui a única... Abri o envelope e as instruções me pareceram superfáceis, então comecei logo a preencher. Até que cheguei a pergunta número 8: "A pessoa número 1 é de origem hispânica, latina ou espanhola?" Como se diz por aqui, esta é a pergunta que vale um milhão: brasileiros pertencem ou não a esta categoria?
Claro que eu poderia ter simplificado as coisas e, com base na minha descendência espanhola, ter marcado sim, mas preferi saber se o brasileiro de um modo geral se encaixa no grupo ou não.
Continuei lendo o formulário. As opções eram:
() Não, sem origem hispânica, latina ou espanhola
() Sim, origem mexicana, mexicana-americana, chicana
() Sim, porto-riquenha
() Sim, cubana
() Sim, outra origem hispânica, latina ou espanhola (origem em letra de forma, por exemplo, argentina, colombiana, dominicana, nicaraguense, salvadorenha, espanhola, etc.) _____________________________________
E os brasileiros, onde ficavam? Como sou brasileira e não desisto nunca, resolvi ligar para o número gratuito oferecido no formulário. Depois de escutar um monte de blablablá, finalmente um ser humano apareceu na linha.
Expliquei a ela o motivo da minha angústia e ela me respondeu lendo o formulário de volta para mim. Quando, delicadamente, expliquei que a minha dúvida não era de leitura mas de interpretação, me identifiquei como brasileira, ela leu a definição de termo latino para o Governo Americano, que diz mais ou menos assim "Latino ou Hispânico é aquele que tem origem espanhola ou dos países das Américas do Sul e Central." "Então você é hispânica," ela me diz.
"Sou da América do Sul, mas minha primeira língua não é espanhol," respondo.
"Mas vocês tem origens espanholas," ela retruca.
"Não, minha senhora", respondo educadamente, "a colonização brasileira foi feita pelos portugueses."
Ao que ela já sem a menor paciência me diz: "Bom, então neste caso fica a seu critério tomar a decisão que lhe parecer correta. Até logo!"
Pois é, esta dúvida que carrego comigo desde 1993 (e foi tema da minha coluna no jornal da minha faculdade na Virginia!), persiste até hoje e nem o Censo 2010 é capaz de responder.
Depois de pensar um pouco, pensei no meu passaporte espanhol, na minha habilidade de falar o idioma, da cultura ser semelhante, e na ideia de que num futuro, quem sabe, meus filhos poderem se beneficiar de certa forma deste "status", e marquei sim.
Pois então agora é oficial, para o Censo Americano sou Latina!
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