August 31, 2010

O Dilema da Cozinha

Pois é, mais uma tarefa que agora vou ter que levar mais a sério...fazer jantar! Vou poupá-los da ladainha, mas digamos que eu não tenho duas coisas que são praticamente essenciais para qualquer chef de cozinha: interesse e paciência! Ao contrário do que acontece com a maioria da população humana -- a julgar pela popularidade das centenas de programas de culinária na TV -- o assunto me dá tédio! Claro que gosto de uma comida gostosa, um sabor diferente, mas posso pensar em muitas outras coisas que me dão mais prazer do que isso... Até restaurante mesmo...prezo mais a atmosfera, a apresentação (esta sim, me enche os olhos!) e o serviço (superimportante para mim!) do que a comida em si.

Morei sozinha em NY durante cinco anos e sinceramente não me lembro uma só vez de ter pilotado o fogão sozinha. Morei no Rio outros tantos anos (com a minha irmã e sozinha) e o fogão do nosso apê jamais foi usado. Pelo menos por nós duas! Então quando casei a coisa mudou de figura. Comecei meu curso intensivo de pilotar fogão. Aprendi umas receitas coringas, mas confesso que não me tornei nenhuma Martha Stewart. Sendo assim, a tarefa árdua e ingrata de preparar o menu semanal para nossa casa ainda não é algo natural para mim, principalmente depois de um longo dia na labuta. Mas acho que não tenho mesmo para onde correr e vou ter que dar um jeito qualquer, principalmente agora que vamos ter mais um membro na família...mais uma boca para alimentar!

Cheguei ao trabalho hoje me queixando e foi quando uma colega me sugeriu o seguinte website http://www.whatthefuckshouldimakefordinner.com Achei a ideia o máximo, pois reflete exatamente meu estado espírito. De qualquer jeito além deste site, já me inscrevi em outros mais tradicionais:
www.epicurious.com/
www.tastymenu.com

E vocês, como se viram? Têm alguma dica de receita fácil e quando digo fácil me refiro a algo que só use duas panelas e quatro etapas de preparo! Ah, e no máximo 30 minutos para ficar pronto...

Esta vida de Amélia definitivamente não combina comigo!

August 30, 2010

buybuyBaby = bye, bye money!


Deve ser ranço de subdesenvolvimento, mas excesso de escolhas realmente me deixa confusa. Acho que já falei sobre isto aqui, mas tanta opção, deixa tarefas corriqueiras muito complicadas para mim. Sou do tempo em que no Brasil só tinha carro da GM, da Ford, da VW e da Fiat, ou seja, me lembro bem de quanto o Collor chamou todos os carros brasileiros de carroça! Mas carroça ou não, era o que a gente tinha e se dava por satisfeito...

Se os turistas brasileiros amam vir aos EUA justamente pela abundância de opções, eu que moro aqui tenho pesadelos só de pensar neste megamalls... Deve ser coisa da minha personalidade! Gosto de ver tudo, estudar tintim por tintim, examinar, conhecer tudo nos mínimos detalhes antes de tomar uma decisão. Meu brainstorming é sempre caótico, sempre intenso e às vezes até sofrido. É realmente um processo que inclui a parte lógica e a parte sentimental e leva muito tempo...

A minha mãe tinha pânico de resolver as coisas do casamento comigo, pois ela não tem muito saco para tantos detalhes. Sabe o que quer, entra e resolve logo. Não sou assim... Preciso estar 100% certa de alguma coisa antes de me decidir por ela e chegar a estes 100% é que são elas. Quando se tem três opções, tudo bem. Mas e quando se tem três mil? Enlouquecedor é pouco! Frustrante? Muito!

Sábado foi um exemplo perfeito. Quem mora nos States e tem filhos, certamente conhece esta “lojinha” chamada buybuyBaby. Quem não tem filhos, deve conhecer a Bed Bath and Beyond, loja de artigos para casa... Pois é, a buybuyBaby é da mesma holding e o esquema é igual: lojas enormes, prateleiras que não acabam mais e produtos estocados do chão ao teto – tudo para bebê! Coisas que a gente nem imagina que existe, mas tem sempre alguém para te convencer que o tal produto é essencial. Quer um exemplo? “Wipes Warmer” ou seja “esquentador de lenços umedecidos”. É isto mesmo, um aparelhinho para esquentar os tais lencinhos que a gente usa para limpar o bebê! Pois dizem que o frio do lencinho pode acordar ou irritar o bebê, principalmente no inverno americano. Ah, como tinha gente dizendo que o bebê se acostumava com o quentinho em casa e depois se queixava do frio na rua, agora eles inventaram um esquentador portátil para viagem. Não, juro que não é piada! Estou falando seríssimo! Para quem ainda não acredita em mim, está aqui a prova! Tanto a foto do produto como os comentários dos clientes!

Fora a tal da bomba para tirar leite...cujos modelos variam entre US$50 e US$380!!! Ninguém merece! E todo o produto tem um acessório que também é indispensável! Depois de mais de três horas de tour com nosso personal shopper, saímos de lá tontos! Eu abri e fechei tantos carrinhos que acabei não me decidindo por nenhum... O Blake só dizia “Agora chega! Outra hora você volta aqui com a minha mãe... Por favor, vamos embora!” É verdade que abri e fechei uns 500 modelos de carrinhos e achei todos pesados e complicados e alguns carésimos. Como diz a minha irmã, com US$1500 – que é o preço de alguns depois de acrescentar todos os acessórios -- dá pra comprar até um carro de verdade, nem que seja Chevette velho!

Hoje, acho que vou dar uma passadinha rápida – será que é possível? – na Babies R Us que tem no caminho de casa e abrir mais uns três modelos de carrinho para ver se me decido. Quero também fazer uma limpa na minha lista, pois desconfio que ainda tenho outros produtos essenciais como o wipe warmer ou a bomba de leite profissional que de repente podem ser excluídos, já que a minha conta bancária não tem semelhança alguma com a do Donald Trump.

Ah, e como tudo acontece na mesma hora, ontem tivemos uma mini-enchente lá em casa por conta da lavadora de roupas que quebrou e deixou água jorrando para todo lado... Resultado: vamos morrer em mais uma graninha e comprar uma lavadora nova para o Joaquim! Well, quem está na chuva é para se molhar!

August 27, 2010

#1MILHAOSEMPRECONCEITO

@thiagovhiver from #1milhaosempreconceito on Vimeo.



Vale a pena clicar no link acima para conhecer a história do Thiago e da luta dele contra o preconceito.

Se estiverem no Twitter, sigam o Thiago também. Ajudem-no a provar que o preconceito pode ser vencido. Por razões óbvias, principalmente depois do trabalho em Honduras, já me tornei amiga dele.

Como vocês sabem, a viagem a Honduras me marcou demais. E uma das histórias mais tocantes que vi por lá foi a de Stephanie*, uma jovem mãe, inteligente, carinhosa e superdedicada, que vive com HIV há vários anos. (Quem quiser ler, a matéria está aqui.)

O maior medo da Stephanie não é da doença em si -- já que ela segue o tratamento religiosamente e faz todos os exames -- mas de alguém descobrir que ela é portadora do vírus. E seu maior medo não é que a AIDS possa matá-la, mas que o preconceito possa fazer isto. Ela viu de perto um cunhado definhar por falta de amor e de apoio da família e dos amigos, então resolveu que o "segredo" deve ficar entre ela e o marido, também soropositivo.

Espero que um dia a Stephanie não precise mais ter medo do preconceito. Espero que um dia ela possa se libertar deste "segredo", mas antes precisamos vencer este estigma. É por isto que quando vi este vídeo no blog da Amanda, na mesma hora resolvi postar aqui. É muito bacana!

August 26, 2010

Mãe made in Brazil... Filho made in USA...

Se para muitas brasileiras morando aqui, principalmente as casadas com americanos, a decisão de ter filhos neste país é meio automática, para mim não foi. Por causa de vários fatores, entre eles o fato de conhecer excelentes médicos no Brasil e ter acesso a ótimos hospitais, a minha vontade era ter o meu bebê no Rio, mas infelizmente a ideia não iria funcionar em termos práticos. Tanto eu quanto o Blake trabalhamos aqui e não teríamos condições de passar seis meses no Brasil, pois teríamos que viajar no máximo daqui a dois meses e ficar lá até o bebê completar pelo menos três meses, o que para nós seria inviável.

Confesso que ficaria mais tranquila no Rio, mas tenho que aceitar que a minha vida – e a do Joaquim em breve – está aqui, então tenho que criar algum tipo de estrutura. Ainda ligo para o Dr. Joaquim quando preciso tomar remédio. Quando tenho dúvidas, uso e abuso dos vários amigos médicos no Brasil...confio neles e sei que estarão sempre disponíveis e dispostos a me ajudar. Quem mora aqui sabe que é mais fácil uma audiência com o Papa do que conseguir que um médico atenda o telefone. (O único que SEMPRE me retornava era o meu médico do tramento de FIV, mas ele é a exceção da exceção!)

A gravidez em si tem sido bem tranquila – graças a Deus – e o Blake tem participado bastante, mas me considero bem independente e escolada quando o assunto é médico, então não tenho o menor problema em ir a consultas ou exames de rotina sozinha. Só levei o Blake a duas ultras, mais por ele do que por mim. Outro dia, a tal amiga da minha cunhada disse a ela que sentia falta de alguém para dividir este momento, então me pergunto, mas marido serve para quê? Minha mãe e minha irmã são muito presentes, mesmo que à distância, dão pitacos na decoração, na escolha do enxoval...só não podem mesmo ir às compras comigo, mas o Joaquim vai, sem reclamar! Não tenho muito esta necessidade de compartilhar com outras grávidas a minha rotina, me viro muito bem sozinha.

A única coisa que realmente me preocupa é que, ao contrário do que aconteceria no Rio, não conheço meus médicos direito. E como aqui voê nunca sabe quem vi fazer seu parto, já que eles trabalham em esquema de plantão, se revezando na equipe, achei melhor pelo menos ver a cara de todos até o grande dia. A minha favorita, que me tinha sido recomendada, está grávida de gêmeos, com data prevista para o parto no dia do meu aniversário, ou seja, mais de um mês antes do nascimento do meu filho, então está descartada. Logo ela que tem a minha idade e entende tudo de FIV – já fez cinco! – e tem filhos pequenos! Mas tudo bem, espero que o resto da equipe seja bacana também.

Mas acima de tudo, espero que a exemplo do que tem acotnecido até aqui, tudo transcorra de modo absolutamente normal... Sei que na hora muita coisa sai do script, só espero que não seja nada de grave. Se no Brasil, sempre tenho a certeza de estar nas mãos dos melhores profissionais, aqui já não posso dizer o mesmo... As outras grávidas que encontro no consultório dizem gostar muito dos médicos de lá, há fotos e mais fotos de bebês lindos e gorduchos. Espero que em breve o meu seja um deles...

August 25, 2010

Chá de Bebê


Americanos sempre me impressionaram pela eficiência e pela organização. Tudo deles é planejado nos mínimos detalhes e com muita antecedência, as vezes tanta antecedência até me parece incompreensível. Quer exemplo? Você convida um amigo para ir ao cinema ou para jantar e tem que fazer isto com um mínimo de um mês de antecedência, melhor mais de seis semanas. Mas não é para festança, casamento ou black-tie, é para ir ali do lado comer uma pizza! E o que percebo é que o povo aqui nem é tão ocupado assim – nada se comparado com a badalação carioca. O que acho é que americanos não é muito chegado ao improviso.

O tema atual aqui nas reuniões de família é meu chá de bebê. O tópico ficou ainda mais “animado” depois que a minha sogra disse que ia organizar e que uma amiga da minha cunhada apareceu grávida seis semanas depois de mim. Até aí tudo bem...

Primeiro, me avisaram que o chá de bebê da tal amiga – que espera o bebê para meados de janeiro – seria em julho! Achei um tanto quanto antecipado, mas cada um sabe de si... Depois ninguém mais falou no assunto. Ontem, minha sogra me liga para marcarmos loga a data, já que a tal amiga tinha ligado para ela perguntando se o chá estava marcado por que ela tinha escolhido 3 de outubro para fazer o dela.

A minha sogra, que de início tinha reservado o dia 10 de outubro para o meu chá, ficou um pouco preocupada com as proximidade das duas datas e resolveu me ligar. Conversamos e fechamos 17 de outubro, quando vou estar prestes a entrar na minha 33ª semana, o que achei bem razoável.

Mas confesso que fiquei um pouquinho irritada – posso colocar a culpa na gravidez? – de ter que decidir a minha vida baseada na escolha de alguém que não tem nada a ver comigo. Mas c’ést la vie...pelo menos não vou fazer chá de bebê duplo...fala sério!

Sei que este tipo de colocação é um tanto quanto ridícula, mas como ainda não estou entrando na fila para beatificação...

August 24, 2010

Caindo a Ficha

Acho que agora estou finalmente entendendo que vou ser mãe em pouco mais de três meses. É muito estranho, principalmente porque a minha gravidez não aconteceu, digamos assim, por acaso e nem me pegou de surpresa. Depois de um ano de muita agonia e de algum sofrimento, conseguimos encomendar nosso primeiro herdeiro. Era de se esperar que eu fosse espalhar a novidade aos quatro ventos, que fosse anunciar em rádio e televisão e que fosse às compras logo no primeiro mês.


Mas nada disto. O medo da decepção me deixou meio paralisada e o fato da aparência não ter mudado muito me deixou numa espécie de limbo. Ninguém perguntava, nem eu falava... Só que agora a barriga virou uma entidade em si, ela chega primeiro que eu e as reações são as mais loucas possíveis – sorrisos, caras de surpresa, mil perguntas!


Nas últimas semanas só penso e respiro quartinho de bebê. O Blake, que já estava achando que eu ia em marcha lenta, agora já não me aguenta mais. Estou em ritmo de preparativos, na mesma vibe do casamento – comendo, bebendo e respirando Joaquim. Hoje até o presidente da empresa veio conferir o tema do quartinho do bebê. Amanhã ou depois finalmente vou até à loja para conferir tudo pessoalmente e finalmente efetuar a compra.


Acho que, como dizem por aqui, já entrei em nesting mode, ou seja, estou mesmo animada para arrumar o ninho e aguardar a chegada do nosso pintinho, que apesar das suas 25 semanas de vida já viveu aventuras demais!

August 22, 2010

Decorando o quartinho...ou tentando








Meu processo criativo é sempre meio caótico. Tenho pena do Blake que é todo superorganizado. Eu não...não sei compartimentar bem as coisas, gosto de me embrenhar e entrar de cabeça em qualquer projeto, gosto de colher todo e qualquer tipo de informação...gosto do caos!

Só assim consigo me inspirar. Foi assim com o casamento e assim com a decoração da casa. Tudo leva muito mais tempo do que eu gostaria, mas no final fico satisfeita. Sempre fazendo acertos, mas já mais tranquila.

Com a casa foi assim. O Blake ficava impaciente, pois passamos meses sem comprar um móvel sequer. Causava um incômodo enorme nele entrar em casa e dar de cara com uma sala enorme e vazia. Ele me cobrava sugestões, ideias de cores e móveis e eu, nada. Com a história da minha avó no hospital (naquela época treva de 2008!), minha cabeça estava muito longe.

Mas meses depois de tanta procura e muito debate, investimos numas peças bacanas e usamos muita criatividade. O resultado é uma casa bem no nosso estilo, moderna mas ao mesmo tempo acolhedora e confortável.

A minhas esperança é a mesma para o quarto do Joaquim. Depois de muito pesquisar, escolhemos móveis mais clássicos e de qualidade superior, pois queremos que ele use bastante (o berço vira caminha de criança e depois cama de solteiro), então agora só falta mesmo a decoração.

O Blake quer se inspirar na Amazônia, pois ele adora macaquinhos, mas eu sou apaixonada por azul bebê e gosto da mistura com marrom, então está aí o impasse. Para completar, ainda não vi nada que me deixasse de queixo caído, mas gostei de algumas coisinhas das fotos acima. Acho que vou usar alguma inspiração. Uma ideia também é usar aviões e balões, num tema aéreo (já que o náutico foi vetado pelo pai), já que o bebê voou mais do que filho de aeromoça: 14 voos em menos de um mês -- desde jumbos até jatinhos de 4 passageiros! E o pior é que acho que ele gosta. O Blake tem lá suas dúvidas...

De qualquer jeito, esta semana volto a atacar as lojas de bebê para ver se acho alguma coisa legal, já que a pesquisa na internet tem me ajudado pouco...