August 17, 2010

Viajando Grávida



Os médicos e especialistas têm razão, setiver que viajar, viage no segundo trimestre, que é sem dúvida a melhor fase da gravidez. Depois de um primeiro trimestre cheio de enjoos e cansaço, passo um segundo trimestre perfeito, tão bom que até esqueço que estou grávida.

Gravidez não é doença, mas estaria mentindo se dissesse que no primeiro trimestre não me senti um caco, então o segundo trimestre foi uma surpresa maravilhosa. Minha energia voltou, os enjoos se foram e me senti superbem, tão bem que viajei bastante e agarrei todos os projetos e aventuras que vi pela frente.

A viagem para Honduras foi o maior deles. O voo em si, não foi problema nenhum, pois para quem está costumada a voar para o Brasil, quase tudo fica perto, mas os dias de trabalho por lá foram muito intensos.

Para começar não sabia que ia paras a floresta, que é a maior floresta depois da Amazônia, e sendo assim tem todos os problemas que a Amazônia tem e mais, pois eles têm uns 50 anos de atraso em relação ao Brasil. Optei por não tomar as pastilhas, primeiro porque não sabia que ia mesmo precisar – achei que ficaria só em cidades – e depois porque quem não toma nem Tylenol como eu, vai tomar remédios fortíssimos que causam até alucinação?! Me precavi como pude, usei Off – que alguns médicos no Brasil desaconselham, mas os americanos dizem que é seguro – e achei que conseguiria aguentar por poucos dias. Acho que deu tudo certo, pois não percebi picada nenhuma. O que peguei por lá foi uma gripe que ainda me persegue, depois de 10 dias. Também passei um dia a base de barrinhas de cereal – menos um risco.

A viagem foi o máximo e valeu muito a pena sim. Os dois motivos que me levaram a topar a proposta foram em primeiro lugar a minha curiosidade e em segundo, querer mostrar para todo mundo que posso trabalhar tanto quanto qualquer outra pessoa no planeta, levando em consideração alguns limites. A parte mais assustadora foram os voos. Um foi tão aterrorizante que eu jurei não entrar mais em avião nenhum até o Joaquim nascer. (O coitadinho em menos de um mês pegou nada menos que 14 voos!) O bom é que tenho muita coisa para fazer aqui no escritório e o planos é ficar quietinha daqui para frente. Tudo como planejado.

Agora que tecnicamente entro no terceiro – mais longo e último – trimestre, já noto algumas mudanças. A barriga parace que despara a cada dia e a energia está um pouco comprometida – seja pela gripe ou pela gravidez, então vai ser bom voltar à rotina, retomar a yoga e me dedicar totalmente à chegada do nosso filhote.

August 16, 2010

Explicando melhor Honduras…





Muita gente anda me perguntando o que fomos fazer em Honduras, então vou fazer um resuminho básico aqui.

Em abril, comecei a trabalhar para uma organização não-governamental que se dedica a ajuda humanitária e desenvolvimento internacional chamada CHF International. Apesar de pouco conhecida pelo público em geral, a organização tem mais de 50 anos e é a quarta maior receptora de fundos do governo norte-americano, estando presente em quase 30 países, incluindo Iraque, Paquistão, Afeganistão e na América Latina, principalmente na Colômbia, em Hoduras e obviamente no Haiti.

Trabalho no departamento de comunicação e meu foco são as parcerias com a iniciativa privada e comunicação corporativa, principalmente. Como não há sofrimento que dure para sempre, depois de peregrinar e pagar todos os meus pecados trabalhando para pessoas de difícil convívio – para não dizer coisa pior – finalmente consegui um chefe inteligente, competente e humano! E de quebra uma equipe de gente muito bacana. Dizer que a organização não tem seus problemas seria mentira, mas se comparado ao que vi lá fora, isto aqui é o paraíso. Mas voltando ao assunto, nosso departamente é reponsável por toda a estratégia de comunicação de todas as operações no mundo, então este ano quatro países foram escolhidos para uma análise mais detalhada e para um trabalho mais cuidadoso.

Honduras é um caso bem interessante, já que ao contrário de todos os outros países onde operamos, não há dinheiro nenhum oriundo da USAID (Agência Americana para Ajuda Internacional). A liderança conseguiu diversificar os doadores, projetos e tipos de financiamento, tornando-se uma grande história de sucesso. Os programas da CHF em Honduras vão desde projetos de infraestrutura agrícola, até programas de combate à malária e de apoio a pacientes soropositivos, passando por tráfico humano e educação.

Então depois de tudo programado, tivemos doze dias para percorrer o país inteiro e conhecer as pessoas que estão sendo ajudadas pelos nossos programas. Dizer que foi emocionante é pouco. Entrevistei cerca de 60 pessoas, que abriram suas casas e seus corações ao compartilhar conosco suas histórias, de luta, muitas vezes de dor, mas na maioria das vezes de superação e vitória. Conhecemos Wendy, uma jovem mãe de 30 anos que se beneficiou de um dos nossos programas em paceria com a Alcoa. Conseguiu uma bolsa de estudos num instituto politécnico e nós financiamos seu transporte e sua alimentação ao longo dos dois anos de curso. Wendy, que trabalhava nove horas em média numa máquina de costura, hoje é técnica de qualidade, tem um trabalho melhor, salário mensal e benefícios garantidos. Já comprou duas casas: uma para ela e para os filhos e outra, ao lado, para a mãe. Wendy ainda luta com um problema renal da filha de 11 anos, mas não perde a garra e a vontade de crescer.

Conhecemos também Gabriela, que enganada com promessas de dinheiro fácil e rápido, foi levada à Guatemala onde teve que se prostituir para viver. Engravidou, numa das brigas com o dono do estabelecimento, apanhou tanto que foi parar no hospital, onde os médicos, desconfiados, alertaram a polícia e contataram o Ministério Público. Ficou três meses escondida e depois foi enviada a Honduras, onde vive em um abrigo com dois de seus três filhos. Foi uma das entrevistas mais difíceis da minha vida. O olhar dela era puro pavor e antes de dizer qualquer coisa, desabou. Aliás, desabamos, eu e ela. O que dizer a alguém que com tão pouca idade já sofreu tanto? Mas no final, ao mostrar-me sua filha de 21 dias, ela já esboçava um sorriso. Apesar do medo e do trauma enorme, Gabriela quer viver. Quando pergunto a ela o que ela mais deseja, ela diz sem pensar: “Um trabalho, qualquer trabalho, desde que seja de dia.”

Conversamos também com pessoas que vivem com o vírus HIV e que apesar de tantos obstáculos, como pobreza, pouca instrução, poucas alternativas de trabalho, tentam levar a vida da melhor forma possível, criando seus filhos com amor e com carinho, provando que pobreza não é sinônimo de violência ou abuso.

Uma viagem é sempre uma jornada de autoconhecimento, um mergulho dentro de nós mesmos... Todo mundo sabe que sou terminantemente contra favela tours e coisas do tipo, que ao mesmo tempo glamurizam e exploram a miséria alheia. Fico enojada quando escuto comentários do tipo “Vendo como este povo vive, temos que dar graças a Deus por tudo que temos.” Nada me deixa com mais raiva do que este tipo de comentário ao mesmo tempo hipócrita e patético. Acho que a única razão que pode levar alguém a querer ver como vive “a outra metade” é um desejo genuíno de fazer a diferença, de ajudar.

O Blake desde o início embarcou direto na aventura, dizendo que preferia mil vezes passar as férias fazendo algo útil do que sentado de perna para o ar num resort no Caribe... (Quanto a mim, acho que combinaria os dois!) Ele acabou trabalhando tanto quanto eu e sendo o fotógrafo oficial da organização, para minha sorte.

O que vi em Honduras foram pessoas absolutamente normais, muitas vivendo sob circustâncias absolutamente cruéis, mas todas, sem exceção, gratas por cada um dos programas que a organização desenvolve em suas comunidades. Senti também que muitas delas tinham um carinho especial por mim, só por estar ali, perguntando e ouvindo um pouquinho da realidade delas. O que elas mal sabem é que quem tem que agradecer sou eu, por ter tido o privilégio de conhecer uma realidade tão diferente da minha e de certa forma poder ter feito parte dela por alguns dias.

August 13, 2010

Honduras - lazer




Estas fotos foram tiradas num dos poucos momentos de lazer da nossa viagem, quando fugimos para almoçar numa cidade/vilarejo tipicamente espanhol, cerca de uns 40 minutos de Tegucigalpa.
A cidade, Valle de Angeles, me lembrou sim os pueblos blancos da Andaluzia, mas obviamente com um toque forte da América Central.
Para os curiosos, estão aí umas fotos recentes da barriga...
Quero escrever um post bacana sobre a viagem a Honduras e o motivo que nos levou a passar quase duas semanas inesquecíveis num dos países menos conhecidos da América Latina...

August 12, 2010

Aspectos Emocionais do Câncer



O tema é superinteressante e achei que valia a pena repassar para quem estiver no Rio e quiser saber mais...

Fiquem à vontade para repassar o email também. Dica da Cris Palmeira! (Obrigada, Cris!)

August 9, 2010

Selva urbana

Hoje o dia foi diferente, entrevistas com populações urbanas, muitos portadores do vírus HIV vivendo em favelas em condições precárias, mas tentando seguir a vida, criar os filhos e fazer planos para o futuro.

Às vezes é bom sair da nossa bolha, ver que há outros problemas diferentes dos nossos -- sem tentar medir se são maiores ou menores, apenas diferentes.

À tarde fizemos entrevistas com membros de um grupo de apoio à diversidade sexual. Histórias diversas, caminhos diferentes, experiências inacreditáveis e doloridas, mas gente como a gente.

Mudam os países, mudam as classes sociais e as orientações sexuais...mas os problemas muitas vezes são os mesmos.

August 8, 2010

Quando imagens falam mais que palavras







Indescritível! É só assim que posso resumir nossa semana aqui em Honduras. Como diz o Blake, parecemos uma banda de rock em tournê, acordamos em um lugar, passamos o dia em outro em dormimos num terceiro. Ontem percorremos cinco cidades em 12 horas, encontramos gente que não acabava mais e tivemos o privilégio de entrar em suas casas e saber um pouquinho de suas vidas. Sensacional...

Aqui nos encontramos com vítimas de tráfico humano, trabalhos forçados, abuso, doentes de malária, jovens que apesar de tantas dificuldades levam uma vida digna graças ao acesso à educação que têm, agentes de saúde comunitária que vivem dentro de florestas e bananais e gente que ainda vive em casas de palafita no meio da selva, que nem sabe muito bem o que é eletricidade...mas que já tem celular! Até Bill Clinton conhecemos -- ele tem três anos, vive numa comunidade no meio de selva de Honduras e tem malária. Mas não consegue deixar de sorrir, principalmente quando se vê nas fotos da nossa câmera...

Coisas de deixar qualquer um de queixo caído...eu ainda estou tentando processar tanta informação; tentar entender que tem tanta gente que leva um vida tão diferente da minha...

August 1, 2010

Chegada a Tegucigalpa



Quando uma imagem vale mais que mil palavras...

As primeiras impressões são ótimas: povo hospitaleiro e solícito. O pessoal do escritório é muito legal e depois de pegar a gente no aeroporto, ainda nos levaram num tour pela cidade.

Detalhe: por conta das trapalhadas da diplomacia brasileira, fui aconselhada a entrar no país com meu passaporte espanhol. Não tive o menor problema. Na saída, quando fui procurar o pessoal que ia me pegar, o nosso motorista e funcionário da CHF Honduras estava lá todo feliz com a camisa da seleção brasileira. Caí na gargalhada...