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April 14, 2011

HIV na América Latina

Não sei so vocês leem o Huffington Post, mas o CEO da minha empresa é um dos bloggers convidados do site. O post desta semana é sobre HIV na América Latina, também conhecida como a epidemia esquecida, já que globalmente pouco se fala e pouco se investe no problema. O fato é que em 2008, havia 2 milhões de pessoas vivendo com HIV na América Latina.

O Brasil, graças a Deus, é uma ilha de excelência neste quesito e a grande maioria dos portadores do vírus tem acesso a medicação e tratamentos gratuitos, mas a situação dos nossos vizinhos é bem diferente.

Ano passado, quando fomos a Honduras, um dos objetivos da viagem foi entrevistar nossos beneficiários, pessoas que vivem com HIV e que apesar das dificuldades conseguem ter alguma qualidade de vida.

Quem tiver interesse no post, aqui vai o link

Quem quiser ler os relatos de Honduras, aqui vai o link para a publicação.

August 19, 2010

Recuerdos de Honduras

Diagnóstico (mais ou menos) fechado: picadas de algum inseto (eu acho que deve ter sido pulga mesmo) e uma crise de sinusite sinistra. Resultado: antibiótico por cinco dias e uma pomadinha à base de corticóides. Maravilha! Desde que não seja malária, estou no lucro!

Só que, ontem, logo depois de passar a tal pomada para me livrar da coceira, resolvi ler a bula, que aqui vem das farmácias: "Safety of use during pregnancy has not been establisheds. This medicine SHOULD NOT BE USED DURING PREGNANCY unless benefit justifies potential risk to fetus. CALL YOUR DOCTOR."

Assim mesmo, em letras garrafais! Para quem espera dois dias e meio para enxaqueca passar e nem Tylenol toma, imagina o susto que levei! Na mesma hora, mandei email para dois amigos médicos. E o Blake também fica em pânico nestas horas, me faz mil perguntas para as quais nunca tenho resposta e só me deixa irritada! Depois de conversar com os amigos médicos, que me garantiram que o pequeno uso tópico não faria mal, estou passando bem pouquinho nas dezenas de bolinhas que se espalharam pela minha perna.

De início fiquei com medo de ser algo relativo à gravidez. Depois fiquei com medo de ter sido mais uma vítima da invasão dos percevejos que estão levando pânico à população aqui, após terem aparecido em lojas tipo Victoria's Secret e Abercrombie & Fitch, em Manhattan. A última aparição foi num cinema enorme em Times Square!

Mas pelo tipo de picada, acho que estou a salvo deles. De qualquer jeito, lavei todas as minhas roupas da viagem de novo, desta vez em água quente, e todos os lençóis, colchas, toalhas, etc que estiveram em uso nos últimos dias.

Pois é, como se diz por aqui, na minha vida, there is never a dull moment! Se Deus quiser, a coceira vai passar em três dias e a sinusite vai embora em cinco! O fato é que esta viagem a Honduras está durando muito mais do que o esperado...

August 18, 2010

Ninguém merece...

Ontem acordei com umas três bolinhas que pareciam picadinhas de inseto e coçavam de mais. Quando cheguei do trabalho a coceira aumentou e as bolinhas idem. Claro que liguei para minha obstetra, mas como já passavam das cinco, me transferiram para um enfermeira que me disse -- surpresa! -- que marcasse consulta para o dia seguinte.

Curiosos, o Blake e eu resolvemos consultar a Dra. Internet, aí já viu...várias hipóteses, algumas relacionadas com gravidez, umas mais brandas, outras menos. Fiquei com o pé tão atrás que resolvi encher o saco de uma amiga dermato no Rio. Ela pediu fotos, pesquisou e etc. Hoje, respondeu.

"Elas estão agrupadas? Um montinho aqui e outro ali...Vc viajou qdo? Qto tempo depois elas surgiram? Vc viajou só? Mas algém está com isso?
Não pode ser picada de pulga? Bom de qq forma, não fique preocupada."

Era só o que me faltava...pegar pulga naquela pocilga no meio da floresta!?

De qualquer jeito daqui a pouco estou saindo para ir ao médico aqui... Será que ele vai arriscar diagnóstico?

Aguardem os próximos capítulos... A aventura na selva ainda nào acabou!

August 16, 2010

Explicando melhor Honduras…





Muita gente anda me perguntando o que fomos fazer em Honduras, então vou fazer um resuminho básico aqui.

Em abril, comecei a trabalhar para uma organização não-governamental que se dedica a ajuda humanitária e desenvolvimento internacional chamada CHF International. Apesar de pouco conhecida pelo público em geral, a organização tem mais de 50 anos e é a quarta maior receptora de fundos do governo norte-americano, estando presente em quase 30 países, incluindo Iraque, Paquistão, Afeganistão e na América Latina, principalmente na Colômbia, em Hoduras e obviamente no Haiti.

Trabalho no departamento de comunicação e meu foco são as parcerias com a iniciativa privada e comunicação corporativa, principalmente. Como não há sofrimento que dure para sempre, depois de peregrinar e pagar todos os meus pecados trabalhando para pessoas de difícil convívio – para não dizer coisa pior – finalmente consegui um chefe inteligente, competente e humano! E de quebra uma equipe de gente muito bacana. Dizer que a organização não tem seus problemas seria mentira, mas se comparado ao que vi lá fora, isto aqui é o paraíso. Mas voltando ao assunto, nosso departamente é reponsável por toda a estratégia de comunicação de todas as operações no mundo, então este ano quatro países foram escolhidos para uma análise mais detalhada e para um trabalho mais cuidadoso.

Honduras é um caso bem interessante, já que ao contrário de todos os outros países onde operamos, não há dinheiro nenhum oriundo da USAID (Agência Americana para Ajuda Internacional). A liderança conseguiu diversificar os doadores, projetos e tipos de financiamento, tornando-se uma grande história de sucesso. Os programas da CHF em Honduras vão desde projetos de infraestrutura agrícola, até programas de combate à malária e de apoio a pacientes soropositivos, passando por tráfico humano e educação.

Então depois de tudo programado, tivemos doze dias para percorrer o país inteiro e conhecer as pessoas que estão sendo ajudadas pelos nossos programas. Dizer que foi emocionante é pouco. Entrevistei cerca de 60 pessoas, que abriram suas casas e seus corações ao compartilhar conosco suas histórias, de luta, muitas vezes de dor, mas na maioria das vezes de superação e vitória. Conhecemos Wendy, uma jovem mãe de 30 anos que se beneficiou de um dos nossos programas em paceria com a Alcoa. Conseguiu uma bolsa de estudos num instituto politécnico e nós financiamos seu transporte e sua alimentação ao longo dos dois anos de curso. Wendy, que trabalhava nove horas em média numa máquina de costura, hoje é técnica de qualidade, tem um trabalho melhor, salário mensal e benefícios garantidos. Já comprou duas casas: uma para ela e para os filhos e outra, ao lado, para a mãe. Wendy ainda luta com um problema renal da filha de 11 anos, mas não perde a garra e a vontade de crescer.

Conhecemos também Gabriela, que enganada com promessas de dinheiro fácil e rápido, foi levada à Guatemala onde teve que se prostituir para viver. Engravidou, numa das brigas com o dono do estabelecimento, apanhou tanto que foi parar no hospital, onde os médicos, desconfiados, alertaram a polícia e contataram o Ministério Público. Ficou três meses escondida e depois foi enviada a Honduras, onde vive em um abrigo com dois de seus três filhos. Foi uma das entrevistas mais difíceis da minha vida. O olhar dela era puro pavor e antes de dizer qualquer coisa, desabou. Aliás, desabamos, eu e ela. O que dizer a alguém que com tão pouca idade já sofreu tanto? Mas no final, ao mostrar-me sua filha de 21 dias, ela já esboçava um sorriso. Apesar do medo e do trauma enorme, Gabriela quer viver. Quando pergunto a ela o que ela mais deseja, ela diz sem pensar: “Um trabalho, qualquer trabalho, desde que seja de dia.”

Conversamos também com pessoas que vivem com o vírus HIV e que apesar de tantos obstáculos, como pobreza, pouca instrução, poucas alternativas de trabalho, tentam levar a vida da melhor forma possível, criando seus filhos com amor e com carinho, provando que pobreza não é sinônimo de violência ou abuso.

Uma viagem é sempre uma jornada de autoconhecimento, um mergulho dentro de nós mesmos... Todo mundo sabe que sou terminantemente contra favela tours e coisas do tipo, que ao mesmo tempo glamurizam e exploram a miséria alheia. Fico enojada quando escuto comentários do tipo “Vendo como este povo vive, temos que dar graças a Deus por tudo que temos.” Nada me deixa com mais raiva do que este tipo de comentário ao mesmo tempo hipócrita e patético. Acho que a única razão que pode levar alguém a querer ver como vive “a outra metade” é um desejo genuíno de fazer a diferença, de ajudar.

O Blake desde o início embarcou direto na aventura, dizendo que preferia mil vezes passar as férias fazendo algo útil do que sentado de perna para o ar num resort no Caribe... (Quanto a mim, acho que combinaria os dois!) Ele acabou trabalhando tanto quanto eu e sendo o fotógrafo oficial da organização, para minha sorte.

O que vi em Honduras foram pessoas absolutamente normais, muitas vivendo sob circustâncias absolutamente cruéis, mas todas, sem exceção, gratas por cada um dos programas que a organização desenvolve em suas comunidades. Senti também que muitas delas tinham um carinho especial por mim, só por estar ali, perguntando e ouvindo um pouquinho da realidade delas. O que elas mal sabem é que quem tem que agradecer sou eu, por ter tido o privilégio de conhecer uma realidade tão diferente da minha e de certa forma poder ter feito parte dela por alguns dias.

August 13, 2010

Honduras - lazer




Estas fotos foram tiradas num dos poucos momentos de lazer da nossa viagem, quando fugimos para almoçar numa cidade/vilarejo tipicamente espanhol, cerca de uns 40 minutos de Tegucigalpa.
A cidade, Valle de Angeles, me lembrou sim os pueblos blancos da Andaluzia, mas obviamente com um toque forte da América Central.
Para os curiosos, estão aí umas fotos recentes da barriga...
Quero escrever um post bacana sobre a viagem a Honduras e o motivo que nos levou a passar quase duas semanas inesquecíveis num dos países menos conhecidos da América Latina...

August 9, 2010

Selva urbana

Hoje o dia foi diferente, entrevistas com populações urbanas, muitos portadores do vírus HIV vivendo em favelas em condições precárias, mas tentando seguir a vida, criar os filhos e fazer planos para o futuro.

Às vezes é bom sair da nossa bolha, ver que há outros problemas diferentes dos nossos -- sem tentar medir se são maiores ou menores, apenas diferentes.

À tarde fizemos entrevistas com membros de um grupo de apoio à diversidade sexual. Histórias diversas, caminhos diferentes, experiências inacreditáveis e doloridas, mas gente como a gente.

Mudam os países, mudam as classes sociais e as orientações sexuais...mas os problemas muitas vezes são os mesmos.

August 8, 2010

Quando imagens falam mais que palavras







Indescritível! É só assim que posso resumir nossa semana aqui em Honduras. Como diz o Blake, parecemos uma banda de rock em tournê, acordamos em um lugar, passamos o dia em outro em dormimos num terceiro. Ontem percorremos cinco cidades em 12 horas, encontramos gente que não acabava mais e tivemos o privilégio de entrar em suas casas e saber um pouquinho de suas vidas. Sensacional...

Aqui nos encontramos com vítimas de tráfico humano, trabalhos forçados, abuso, doentes de malária, jovens que apesar de tantas dificuldades levam uma vida digna graças ao acesso à educação que têm, agentes de saúde comunitária que vivem dentro de florestas e bananais e gente que ainda vive em casas de palafita no meio da selva, que nem sabe muito bem o que é eletricidade...mas que já tem celular! Até Bill Clinton conhecemos -- ele tem três anos, vive numa comunidade no meio de selva de Honduras e tem malária. Mas não consegue deixar de sorrir, principalmente quando se vê nas fotos da nossa câmera...

Coisas de deixar qualquer um de queixo caído...eu ainda estou tentando processar tanta informação; tentar entender que tem tanta gente que leva um vida tão diferente da minha...

August 1, 2010

Chegada a Tegucigalpa



Quando uma imagem vale mais que mil palavras...

As primeiras impressões são ótimas: povo hospitaleiro e solícito. O pessoal do escritório é muito legal e depois de pegar a gente no aeroporto, ainda nos levaram num tour pela cidade.

Detalhe: por conta das trapalhadas da diplomacia brasileira, fui aconselhada a entrar no país com meu passaporte espanhol. Não tive o menor problema. Na saída, quando fui procurar o pessoal que ia me pegar, o nosso motorista e funcionário da CHF Honduras estava lá todo feliz com a camisa da seleção brasileira. Caí na gargalhada...

July 27, 2010

Arrumando as malas de novo...Honduras!


Quinta e sexta vamos ter "retiro" aqui na empresa. Vai ser bacana, todo mundo vai para Annapolis passar um dia e meio com direito a noite num hotel bacana. Claro que rolou sabotagem -- tem sempre gente querendo estragar a festa alheia -- mas no final a sabedoria e o bom senso venceram. Amém!

Mas a viagem mesmo começa domingo, praticamente de madrugada. Vou passar onze dias em Honduras e o Blake decidiu que queria ir comigo. Graças a Deus, o pessoal do trabalho achou ótimo. Ele sempre demonstrou vontade de visitar um país em desenvolvimento e fazer trabalho voluntário ao mesmo tempo, então quando surgiu esta oportunidade, achamos perfeita. Vamos rodar o país inteiro documentando histórias de pessoas que receberam ajuda de um dos nossos programas aqui. Vamos conhecer e entrevistar desde pessoas beneficiadas pelo programa de prevenção à malária até vítimas de tráfico humano e pacientes soropositivos que têm vidas produtivas. Deve ser superinteressante.

Assim que recebi o itinerário, mandei para o Blake e a resposta/preocupação dele foi engraçada: "Fora Tegucigalpa, San Pedro Sula e La Ceiba, o resto dos lugares onde vamos fica no meio do nada; não deu para achar nem no Google Maps!" Além disto, ele notou que só vamos ter um dia de descanso e que as reuniões são todas seguidas, mas já expliquei para ele, que até sabe disso, que na América Latina, tempo é algo muito fluido e que o que está escrito não necessariamente reflete a realidade...

A nossa maior preocupação é mesmo na zona de malária, mas amanhã vou conversar com a médica e ver o que ela me recomenda. Lógico que já estocamos Off e parece que há um repelente local que funciona bem.

Quem tiver dicas de Honduras -- acho que serão poucos -- favor compartilhá-las.