Parece chavão, mas não é, quando a gente fica tensa parece que perde a habilidade de respirar. Faz três semanas que não respiro. Faz três semanas que o simples toque de telefone me assusta. Faz três semanas que não sei o que é dormir direito. Mas se Deus quiser, e Ele tem dado mostras disto, a minha avozinha vai fica boa logo (as notícias melhoram a cada dia) e em breve terei minha vida de volta. Só vou respirar aliviada mesmo quando ela estiver no quarto e fora de perigo, mas admito estar mais tranqüila. Mas sossego...bem aí são outros quinhentos.
Como se diz por aqui, "when it rains, it pours." Pois é o que parece, que tudo resolveu acontecer de uma vez só. Aos poucos tento retomar a minha vida de antes, mas o corpo anda reclamando, sinto um cansaço absurdo, tanto físico como mental, pois as últimas semanas têm sido um misto de maratona e montanha-russa. O ritmo do trabalho começa a realmente ficar intenso e a mudança acontece daqui a uma semana!!!!
Com tanta confusão acabei esquecendo de dizer que a minha história, em inglês, foi publicada no Blog da SeventyK.org. A Rossana, amiga deste blog, e eu traduzimos o site todo para o português e a versão deve estar disponível em breve. Cada vez mais me convenço da urgência na conscientização da população para as necessidades mais que especiais dos jovens e adolescentes portadores de câncer. A meu ver, o maior problema continua sendo o diagnóstico tardio... Volta e meia me lembro da história do nosso amigo Felippe, que levou três meses para conseguir um diagnóstico de um linfoma raro, o que pode ter custado a sua vida. E é pelo Felippe, que não está mais conosco, e por tantos outros jovens que ainda estão lutando, que a gente vai continuar a falar no assunto. Sei que câncer não é assunto dos mais agradáveis, mas informação é fundamental. Não só sobre a doença em si, mas sobre tratamentos, testes clínicos disponíveis, alternativas, segundas opiniões e tantas faces de um processo tão difícil quanto doloroso.
Como nada acontece por acaso, estou organizando um evento aqui no trabalho sobre testes clínicos e minorias, então aos poucos vou me inteirando mais do assunto. Apesar de arriscados, em alguns casos, protocolos experimentais e ensaios clínicos são as únicas alternativas de pacientes que já não têm nada a perder. O problema é que muitos grupos como jovens, negros e latinos são pouco representados e assim perdem esta chance e muitas vezes medicamentos que têm eficácia em alguns grupos não funcionam em outros... Os testes clínicos são a única forma de testá-los antes que cheguem ao mercado.
Mas este assunto é complicado e eu não sou cientista, mas prometo que falo mais depois da conferência, já que vamos ter palestrantes superconhecidos e conceituados aqui nos EUA.
October 9, 2008
October 8, 2008
Crazy Sexy Cancer na TV brasileira
Acabei de descobrir que o documentário da minha amiga Kris Carr vai ser transmitido na TV brasileira. Vai ser na TV a cabo, mas quem tiver Sky or Net deve assistir. O filme é emocionante e retrata a jornada de Kris do desespero ao equilíbrio. Eu chorei muito porque me vi em várias cenas ali.
Nossas esperiências são diferentes, pois no meu caso felizmente existe a possibilidade de cura e remoção do tumor. No caso da Kris, a doença progride lentamente e felizmente parece estar inativa. Como ela mesma diz, "a vida é uma condição terminal, então vamos aproveitá-la ao máximo."
Abaixo as datas de exibição do documentário, realmente imperdível.
Discovery Home & Health Com Câncer e Ainda Sexy
Data: Segunda - 13 de outubro | Início: 03h | Término: 05h Documentário / Diversos
Cor: Colorido
Classificação: Programa livre
Um programa irreverente e emocionante sobre uma jovem mulher diagnosticada com um câncer raro e incurável que encontra sua força interior, humor, amizade e até mesmo amor na sua busca pela cura.
Veja todos os horários deste programa
DATA HORÁRIO CANAL
Os horários são fornecidos pelas emissoras e estão sujeitos a alterações.
12/10 22:00 Discovery Home & Health
13/10 03:00 Discovery Home & Health
18/10 18:00 Discovery Home & Health
Nossas esperiências são diferentes, pois no meu caso felizmente existe a possibilidade de cura e remoção do tumor. No caso da Kris, a doença progride lentamente e felizmente parece estar inativa. Como ela mesma diz, "a vida é uma condição terminal, então vamos aproveitá-la ao máximo."
Abaixo as datas de exibição do documentário, realmente imperdível.
Discovery Home & Health Com Câncer e Ainda Sexy
Data: Segunda - 13 de outubro | Início: 03h | Término: 05h Documentário / Diversos
Cor: Colorido
Classificação: Programa livre
Um programa irreverente e emocionante sobre uma jovem mulher diagnosticada com um câncer raro e incurável que encontra sua força interior, humor, amizade e até mesmo amor na sua busca pela cura.
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Os horários são fornecidos pelas emissoras e estão sujeitos a alterações.
12/10 22:00 Discovery Home & Health
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18/10 18:00 Discovery Home & Health
A minha avozinha que não me sai da cabeça...

Prometo que quando isto tudo passar e a minha avozinha estiver fora de perigo volto a falar de outros assuntos bem interessantes por aqui. Mas agora todos os meus pensamentos e orações estão com ela e com a minha família no Brasil. Estas últimas três semanas têm sido certamente um dos piores períodos da minha vida e quem me conhece sabe que já passei por poucas e boas. As notícias das últimas 24 horas t6em sido mais positivas, mas os próximos três dias são extremamente importantes, então agradeço muito as orações e o carinho que temos recebido de tantos amigos.
Nestas horas, às vezes volto no tempo e vejo uma época ruim que já passou... Isto me dá mais coragem para seguir em frente. Uma lembrança que ficou muito viva na minha cabeça foi um fato que aconteceu durante a minha primeira cirurgia. Quando a operação acabou, sabíamos que as próximas 48 a 72 horas seriam cruciais. Eu havia perdido muito sangue e o procedimento tinha sido altamente invasivo, os médicos tinham feito tudo o que podiam mas a minha vida mais do que nunca estava nas mãos de Deus.
Na manhã seguinte, a minha tia-avó ligou para o hospital para ter notícias minhas e ouviu o seguinte “O estado da paciente é gravíssimo.” Acho que outras pessoas que ligaram receberam a mesma notícia. Ao saber disto, a minha avó atirou-se no chão e implorou a Deus que se tivesse que levar alguém que a levasse em meu lugar. Se a doença tivesse que atacar alguém, que a atingisse. Não me lembro muito bem, mas todos até hoje comentam que nas semanas que se seguiram a minha cirurgia a minha avó envelheceu anos em dias. Depois fui melhorando e aos poucos tudo voltou ao normal, inclusive a aparência da minha avó.
Um ano mais tarde, esta minha mesma avó decobriu sofrer de um linfoma não-Hodkins, mas enfrentou a doença com uma força e uma coragem fora do normal. Fez químio, fez rádio, ficou com o cabelo ralinho, mas nunca reclamou. Enfrentou o câncer como quem enfrenta uma gripe e apesar de uma seqüela na perna que nunca mais desinchou, recuperou-se rapidamente e continuou sua vidinha de sempre.
Durante a minha breve estada no Rio, ouvi de uma outra tia-avó que a minha avó Rutinha tinha conseguido uma façanha antes só conseguida pela sogra dela, D. Ermelinda, minha bisavó, que consegui apesar de todos os pesares e dificuldades manter a família reunida em torno dela até a morte, aos 94 anos.
A minha avó, sem querer, segue os passos da sogra, e mantém todos os filhos, netos, imãos, cunhados, sobrinhos e agora bisneta bem pertinho. Ela nunca se deu o crédito merecido, nunca disse que o resultado se devia a ela, mas ninguém tem dúvidas de que ela é a maior responsável por isto.
Falo por mim, que cresci ao lado dela. Minha avó me ensinou a ler antes de eu ir à escola. Foi ela que me deu o primeiro livro quando eu deveria ter um ano mais ou menos. Se hoje há livros até para bebês, nos anos 70 a coisa era bem diferente, mas a minha avó era mesmo pioneira e sabia das coisas. Foi nos introduzindo à leitura desde cedo e nos incutindo a paixão pelos livros.
Algumas receitas dela também passam de geração em geração, mas ninguém faz os pratos tão bem quanto ela. Tudo que ela toca tem um sabor especial...mesmo que ela sempre diga que detesta cozinhar. Pelo menos nisto puxei a ela...não tenho muita afinidade com o fogão não...
No meio de tanta dor e de tanta preocupação estas imagens bonitas agora começam a aparecer com mais intensidade na minha cabeça. Tenho fé e peço a Deus que isto seja um sinal...
October 7, 2008
Corpo em Baltimore, cabeça e coração no Rio
Já estou fisicamente de volta aos EUA, mas minha cabeça e mais que tudo meu coração continuam no Rio. Não dá para se concentrar em coisa nenhuma quando a minha avó ainda está naquela UTI.
Nada me faz rir, nada me dá ânimo. Só quero vê-la fora de perigo e em casa. Mas a vida não pode parar – bem que às vezes me dá uma vontade de gritar “Parem o mundo que eu quero descer!” – e a gente vai levando como pode.
Hoje usei o alarme do celular, mas quando o telefone tocou, meu coração deu um salto e ficou apertadinho pro resto da manhã. Só quem já teve um ente querido em CTI sabe que agonia é esta.
Ontem a minha avó colocou o tal filtro de cava, um dispositivo que impede que a maioria dos trombos chegue ao pulmão, evitando assim uma grave embolia, que em alguns casos pode ser fatal. Nestas horas vejo mais uma vez que a minha avó sempre esteve certa – toda família precisa de um médico, pois em momentos como este nós leigos ficamos completamente tontos. Não há nenhum médico na minha, infelizmente. Há sim paciente profissional, esta que humildemente vos fala, mas não tenho talento nem sangue frio para medicina. Nunca pensei estar ligada a questões de saúde, mas feliz ou infelizmente foi onde o destino -- ou será Deus -- me levou.
Agora voltamos ao patamar de semana passada – o quadro é estável apesar de muito grave – mas continuamos orando para que a minha avó se recupere o mais rápido possível, pois como diz o Dr. Joaquim, o quadro é sério, mas não irreversível. Ela tem dado demonstrações de coragem e força ao superar cada um dos desafios que surgem a sua frente, mas corta o coração ver alguém passar por isto. Apesar de tudo, tenho muita fé que ela vai sair de lá, pois eu também já fui desenganada.
Força D. Rutinha, só mais um pouquinho e a senhora vai ficar novinha em folha. Enquanto isto, oramos e aproveito para agradecer as manifestações de carinho dos amigos reais e virtuais. Elas fazem muita diferença. Que o dia de hoje seja melhor que o de ontem e que amanhã seja muito melhor do que hoje.
Nada me faz rir, nada me dá ânimo. Só quero vê-la fora de perigo e em casa. Mas a vida não pode parar – bem que às vezes me dá uma vontade de gritar “Parem o mundo que eu quero descer!” – e a gente vai levando como pode.
Hoje usei o alarme do celular, mas quando o telefone tocou, meu coração deu um salto e ficou apertadinho pro resto da manhã. Só quem já teve um ente querido em CTI sabe que agonia é esta.
Ontem a minha avó colocou o tal filtro de cava, um dispositivo que impede que a maioria dos trombos chegue ao pulmão, evitando assim uma grave embolia, que em alguns casos pode ser fatal. Nestas horas vejo mais uma vez que a minha avó sempre esteve certa – toda família precisa de um médico, pois em momentos como este nós leigos ficamos completamente tontos. Não há nenhum médico na minha, infelizmente. Há sim paciente profissional, esta que humildemente vos fala, mas não tenho talento nem sangue frio para medicina. Nunca pensei estar ligada a questões de saúde, mas feliz ou infelizmente foi onde o destino -- ou será Deus -- me levou.
Agora voltamos ao patamar de semana passada – o quadro é estável apesar de muito grave – mas continuamos orando para que a minha avó se recupere o mais rápido possível, pois como diz o Dr. Joaquim, o quadro é sério, mas não irreversível. Ela tem dado demonstrações de coragem e força ao superar cada um dos desafios que surgem a sua frente, mas corta o coração ver alguém passar por isto. Apesar de tudo, tenho muita fé que ela vai sair de lá, pois eu também já fui desenganada.
Força D. Rutinha, só mais um pouquinho e a senhora vai ficar novinha em folha. Enquanto isto, oramos e aproveito para agradecer as manifestações de carinho dos amigos reais e virtuais. Elas fazem muita diferença. Que o dia de hoje seja melhor que o de ontem e que amanhã seja muito melhor do que hoje.
October 6, 2008
De volta a Baltimore
Saí do Rio ontem à noite, depois de visitar minha avó no hospital. Não foi o quadro que eu havia imaginado, pois queria muito ter saído de lá depois de vê-la no quarto, já fora de perigo. Mas infelizmente não foi possível.
Foi difícil sair de lá e deixá-la no mesmo CTI escuro e frio, mas ao mesmo tempo saí de lá em paz, pois algo me diz que ela vai ficar bem. Diante de cada obstáculo, por mais árduo que seja, ela demonstra força e coragem, sem nunca desanimar. Quando não está sob efeito de sedação dá demonstrações de que sua mente está como sempre esteve, 100%. Pede massagem na perna, reclama de sede e pergunta pela Chiara. Outro dia perguntei se ela estava me confundindo com a minha irmã, ela fez uma cara muito feia, como quem dissesse "sua pirralha, com quem você acha que está falando? Não sou nenhuma velha gagá!" Aliás, ela odeia que a chamem de velhinha...
Acabo de falar com a minha mãe e saber que a minha avó foi levada ao prédio ao lado para fazer uma tomografia computadorizada, pois está se queixando de dores no abdomem. Deus queira que não seja nada. Procuro manter a calma, mas os nervos realmente ficam à flor da pele.
Continuo as minhas orações e sei que muitos amigos por todos os cantos já nos incluíram em suas orações diárias. Peço que continuem, e se possível, que se unam a nossa corrente que acontece todos dos dias às 22h, horário do Brasil. Pedimos pela recuperação da minha avó e de seus companheiros de UTI e pela saúde dos que precisam.
A minha fé como sempre se mantém inabalável e acredito mais que nunca no poder da oração e do pensamento positivo. Sei que dentro em breve minha avozinha vai sair de lá.
Foi difícil sair de lá e deixá-la no mesmo CTI escuro e frio, mas ao mesmo tempo saí de lá em paz, pois algo me diz que ela vai ficar bem. Diante de cada obstáculo, por mais árduo que seja, ela demonstra força e coragem, sem nunca desanimar. Quando não está sob efeito de sedação dá demonstrações de que sua mente está como sempre esteve, 100%. Pede massagem na perna, reclama de sede e pergunta pela Chiara. Outro dia perguntei se ela estava me confundindo com a minha irmã, ela fez uma cara muito feia, como quem dissesse "sua pirralha, com quem você acha que está falando? Não sou nenhuma velha gagá!" Aliás, ela odeia que a chamem de velhinha...
Acabo de falar com a minha mãe e saber que a minha avó foi levada ao prédio ao lado para fazer uma tomografia computadorizada, pois está se queixando de dores no abdomem. Deus queira que não seja nada. Procuro manter a calma, mas os nervos realmente ficam à flor da pele.
Continuo as minhas orações e sei que muitos amigos por todos os cantos já nos incluíram em suas orações diárias. Peço que continuem, e se possível, que se unam a nossa corrente que acontece todos dos dias às 22h, horário do Brasil. Pedimos pela recuperação da minha avó e de seus companheiros de UTI e pela saúde dos que precisam.
A minha fé como sempre se mantém inabalável e acredito mais que nunca no poder da oração e do pensamento positivo. Sei que dentro em breve minha avozinha vai sair de lá.
October 3, 2008
Agonia
Os médicos acabaram de ligar. Inicialmente disseram ser uma nova embolia, agora afastam esta hipótese, parece que houve alguma hemorragia, não se sabe onde.
Só se sabe que a minha avozinha continua lutando e continua sofrendo. Peço a Deus que tire-a de lá ao menos e que lhe dê alguns anos de vida longe daquele lugar tão assustador.
Por favor, continuem a rezar por ela.
Com isto a minha volta aos EUA que estava marcada para amanhã pode não acontecer. Como vou sair daqui sem ao menos saber do mal que aflige a minha avó? O buraco no peito cada vez teima em ficar mais fundo.
Peço fé, força e coragem -- para ela, para meu avô e para toda a nossa família.
Só se sabe que a minha avozinha continua lutando e continua sofrendo. Peço a Deus que tire-a de lá ao menos e que lhe dê alguns anos de vida longe daquele lugar tão assustador.
Por favor, continuem a rezar por ela.
Com isto a minha volta aos EUA que estava marcada para amanhã pode não acontecer. Como vou sair daqui sem ao menos saber do mal que aflige a minha avó? O buraco no peito cada vez teima em ficar mais fundo.
Peço fé, força e coragem -- para ela, para meu avô e para toda a nossa família.
October 2, 2008
Ainda no Rio
Esta semana foi simplesmente punk. Cheguei aqui achando que iria ver a minha avó sentada já no quarto, mas encontrei-a em coma induzido na UTI. Surpresa triste. O pior nestas horas é a ausência de um diagnóstico definido "pode ser isto, mas também pode ser aquilo e ainda não podemos afastar a hipótese de aquilo outro..." diziam os médicos. Como assim, doutor? Como vocês vão descobrir o que há de errado? Quando vão fechar um diagnóstico? Tantas perguntas sem resposta...
No domingo soubemos que a falta de ar terrível que ela havia sentido dias antes tinha um bom motivo -- embolia pulmonar, um quadro bem grave num paciente nas condições dela. E de novo visitamos aquele lugar horrível, um lugar onde só há dúvidas e medo. A posição dos médicos era delicada, pois tudo que poderia ser feito já havia sido e, embora eles não falassem claramente, a situação era óbvia, a vida da minha avó estava totalmente nas mãos de Deus, uma vez que os médicos já tinham lançado mão de todos os recursos. Tínhamos que rezar para que o trombo do pulmão se desfizesse rapidamente, rezar para que novos trombos não se formassem, rezar para que as plaquetas dela se mantivessem altas para que ela pudesse continuar tomando o anticoagulante e rezar para que nenhuma outra intercorrência aparecesse no meio do caminho. Dali para frente, tudo tinha que correr 100% perfeito para que ela tivesse uma chance de sobreviver. Condição incômoda. Situação desesperadora.
Nestas horas bate uma dor profunda e aguda...a tal sensação de impotência chega ao máximo e o desespero é praticamente inevitável. Os ateus que me perdoem, mas nesta hora só a fé nos mantém sãos, na medida do possível. Quando digo fé, não falo em religião, mas num sentimento de que existe algo além disso que vivemos aqui. Parafraseando o genial Shakespeare, tem que haver mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia. Não faz sentido que a morte seja um fim e que só nos reste esperar por ela.
Não gosto muito de divagar, mas olhando a minha avó deitada imóvel naquele leito de hospital vários cenários se formavam na minha cabeça. Uns belíssimos, outros nem tão otimistas assim e a idéia da ausência dela era simplesmente insuportável. Vê-la ali lutando tanto sem ter certeza de seu destino despedaçava meu coração. Nunca rezei tanto...e olha que não rezo pouco...
Ela ainda esta na UTI, mas tem melhorado a cada dia, como que por milagre. Ainda não respiro aliviada, acho que vou ser capaz de descansar quando ela for para o quarto e mais ainda quando ela for para casa. Depois de duas semanas de um martírio, já não vejo a hora. A idéia de voltar para os EUA e deixá-la aqui nestas condições também me preocupa, mas há muito pouco ou quase nada que eu possa fazer para adiar minha partida. Conseguir vir já foi um privilégio e tanto, então não posso abusar da boa-vontade da minha chefe.
Nestas horas de crise absoluta é incrível perceber como as diferenças desaparecem e como o que é importante vem à tona. Aprende-se muito na dor, mas o grande desafio é guardar para sempre este ensinamentos e continuar aplicando-os depois que a vida voltar ao normal.
Como diz a minha amiga Lu, que lutou contra um linfoma raro e agressivo há algum tempo, mas hoje está totalmente saudável, o negócio e não deixar o impacto da porrada passar. Quando a gente leva um baque destes, revê todos os nossos conceitos, jura que vai mudar da água pro vinho e até muda, mas às vezes as mudanças não duram mais que meses e a gente acaba voltando ao normal. O único saldo positivo da dor e da doença são as lições que ficam e se estas mesmas lições aprendidas na marra aos poucos acabam sendo esquecidas, então a tal porrada não serviu de nada. Uma pena. Um desperdício.
Uma outra amiga, a Flavinha, sempre me dizia que tanto as pessoas mais inteligentes quanto as mais burras cometem erros sempre. A diferença, dizia ela, é que as pessoas inteligentes erram e aprendem com o erro. Fatalmente vão errar novamente, mas vão cometer erros diferentes. As pessoas burras, ao contrário, erram, recusam-se a aprender e ainda teimam em insistir sempre no mesmo erro.
Gostaria de ter chegado a tantas conclusões por conta própria e de forma indolor, mas não foi assim que aconteceu, então o mínimo que posso fazer é não deixar que a pacada perca o efeito. Vou aproveitar que ainda estou em carne-viva para registrar meus pensamentos e voltar a eles a cada vez que achar que a pancada está caindo no esquecimento.
No domingo soubemos que a falta de ar terrível que ela havia sentido dias antes tinha um bom motivo -- embolia pulmonar, um quadro bem grave num paciente nas condições dela. E de novo visitamos aquele lugar horrível, um lugar onde só há dúvidas e medo. A posição dos médicos era delicada, pois tudo que poderia ser feito já havia sido e, embora eles não falassem claramente, a situação era óbvia, a vida da minha avó estava totalmente nas mãos de Deus, uma vez que os médicos já tinham lançado mão de todos os recursos. Tínhamos que rezar para que o trombo do pulmão se desfizesse rapidamente, rezar para que novos trombos não se formassem, rezar para que as plaquetas dela se mantivessem altas para que ela pudesse continuar tomando o anticoagulante e rezar para que nenhuma outra intercorrência aparecesse no meio do caminho. Dali para frente, tudo tinha que correr 100% perfeito para que ela tivesse uma chance de sobreviver. Condição incômoda. Situação desesperadora.
Nestas horas bate uma dor profunda e aguda...a tal sensação de impotência chega ao máximo e o desespero é praticamente inevitável. Os ateus que me perdoem, mas nesta hora só a fé nos mantém sãos, na medida do possível. Quando digo fé, não falo em religião, mas num sentimento de que existe algo além disso que vivemos aqui. Parafraseando o genial Shakespeare, tem que haver mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia. Não faz sentido que a morte seja um fim e que só nos reste esperar por ela.
Não gosto muito de divagar, mas olhando a minha avó deitada imóvel naquele leito de hospital vários cenários se formavam na minha cabeça. Uns belíssimos, outros nem tão otimistas assim e a idéia da ausência dela era simplesmente insuportável. Vê-la ali lutando tanto sem ter certeza de seu destino despedaçava meu coração. Nunca rezei tanto...e olha que não rezo pouco...
Ela ainda esta na UTI, mas tem melhorado a cada dia, como que por milagre. Ainda não respiro aliviada, acho que vou ser capaz de descansar quando ela for para o quarto e mais ainda quando ela for para casa. Depois de duas semanas de um martírio, já não vejo a hora. A idéia de voltar para os EUA e deixá-la aqui nestas condições também me preocupa, mas há muito pouco ou quase nada que eu possa fazer para adiar minha partida. Conseguir vir já foi um privilégio e tanto, então não posso abusar da boa-vontade da minha chefe.
Nestas horas de crise absoluta é incrível perceber como as diferenças desaparecem e como o que é importante vem à tona. Aprende-se muito na dor, mas o grande desafio é guardar para sempre este ensinamentos e continuar aplicando-os depois que a vida voltar ao normal.
Como diz a minha amiga Lu, que lutou contra um linfoma raro e agressivo há algum tempo, mas hoje está totalmente saudável, o negócio e não deixar o impacto da porrada passar. Quando a gente leva um baque destes, revê todos os nossos conceitos, jura que vai mudar da água pro vinho e até muda, mas às vezes as mudanças não duram mais que meses e a gente acaba voltando ao normal. O único saldo positivo da dor e da doença são as lições que ficam e se estas mesmas lições aprendidas na marra aos poucos acabam sendo esquecidas, então a tal porrada não serviu de nada. Uma pena. Um desperdício.
Uma outra amiga, a Flavinha, sempre me dizia que tanto as pessoas mais inteligentes quanto as mais burras cometem erros sempre. A diferença, dizia ela, é que as pessoas inteligentes erram e aprendem com o erro. Fatalmente vão errar novamente, mas vão cometer erros diferentes. As pessoas burras, ao contrário, erram, recusam-se a aprender e ainda teimam em insistir sempre no mesmo erro.
Gostaria de ter chegado a tantas conclusões por conta própria e de forma indolor, mas não foi assim que aconteceu, então o mínimo que posso fazer é não deixar que a pacada perca o efeito. Vou aproveitar que ainda estou em carne-viva para registrar meus pensamentos e voltar a eles a cada vez que achar que a pancada está caindo no esquecimento.
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