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October 8, 2008

Crazy Sexy Cancer na TV brasileira

Acabei de descobrir que o documentário da minha amiga Kris Carr vai ser transmitido na TV brasileira. Vai ser na TV a cabo, mas quem tiver Sky or Net deve assistir. O filme é emocionante e retrata a jornada de Kris do desespero ao equilíbrio. Eu chorei muito porque me vi em várias cenas ali.

Nossas esperiências são diferentes, pois no meu caso felizmente existe a possibilidade de cura e remoção do tumor. No caso da Kris, a doença progride lentamente e felizmente parece estar inativa. Como ela mesma diz, "a vida é uma condição terminal, então vamos aproveitá-la ao máximo."

Abaixo as datas de exibição do documentário, realmente imperdível.

Discovery Home & Health Com Câncer e Ainda Sexy
Data: Segunda - 13 de outubro | Início: 03h | Término: 05h Documentário / Diversos
Cor: Colorido
Classificação: Programa livre
Um programa irreverente e emocionante sobre uma jovem mulher diagnosticada com um câncer raro e incurável que encontra sua força interior, humor, amizade e até mesmo amor na sua busca pela cura.

Veja todos os horários deste programa
DATA HORÁRIO CANAL
Os horários são fornecidos pelas emissoras e estão sujeitos a alterações.
12/10 22:00 Discovery Home & Health
13/10 03:00 Discovery Home & Health
18/10 18:00 Discovery Home & Health

August 29, 2008

Krazy Sexy Kris


Entrevista com Kris Carr


O legal de ser jornalista é que mesmo afastada da redação você pode continuar a exercer a profissão. A gente pode não “estar” jornalista, mas nunca vai deixar de ser repórter. E isto é um grande trunfo na mão de gente curiosa como eu.

Desde que vi a Kris Carr no Today Show há mais de um ano, queria saber mais dela, queria mesmo era falar com ela, pois não é todo dia que a gente encontra outra paciente de câncer na mesma faixa etária e com interesses semelhantes.

Se eu não fosse jornalista a minha vontade teria parado ali, afinal tenho outras coisas para fazer...ou não. A vontade ficou ali latente, mas não desapareceu. Meses se passaram e eu pensando se virava a página do câncer ou se insitiria em colocar o dedo na ferida. A resposta não veio de uma forma racional, na verdade não tive muita escolha, pois se eu decidi ignorar o câncer, ele ainda achou de querer assunto comigo. A minha tática de ignorar o inimigo até que ele desapareça não funcionou e muito antes do que eu imaginava estávamos eu e o câncer cara a cara mais uma vez.

Eu já tinha saído vitoriosa antes, mas confesso que quando senti que o combate seria inexorável, tremi na base. Eu tinha vencido por nocaute e agora teria que entrar no ringue de novo?! Tinha dado tudo de mim havia cinco anos, será que ainda me restavam forças? Mas o adversário estava lá, mais ameaçador do que nunca, então resolvi colocar as luvas e partir para o ataque.

Ataquei não só o tumor de 6 cm, mas dei um golpe certeiro nos meus medos -- o medo da morte, o medo da doença, o medo da rejeição, o medo do preconceito e tantos outros que me passaram pela cabeça.

Saí da sala de cirurgia ótima e logo depois fui me recuperar em casa. Se aquela foi a minha vitória final não sei, mas prefiro acreditar que sim, mas depois daquela experiência surreal e da segunda viagem ao mundo dos doentes, percebi não poderia mais ignorar o inimigo. Já tinha olhado o câncer de frente duas vezes, não havia mais motivos para tentar me esconder dele.

Então a vontade de falar com a Kris voltou ainda mais forte. Li o livro dela mais uma vez, peguei umas dicas, mas queria dividir aquilo com mais gente. Foi então que mandei um email cara-de-pau para a Criativa e o resultado quem comprar a revista de setembro vai ver. Uma conversa franca e descontraída entre duas mulheres jovens que têm muitas coisas em comum: um marido maravilhoso, uma família fenomenal, amigos interessantíssimos, muitos sonhos e uma disposição enorme para viver a vida da melhor forma possível, sugando dela até a última gota. Como diz a Kris, "viver é uma condição terminal."

Estas semanas têm sido um pouco confusas para mim, com o emprego novo, a venda da casa e a busca do novo lar, mas até o fim do ano quero encontrar meu eixo, preciso de equilíbrio. Quero retomar o foco e colocar a minha saúde em primeiro lugar – de verdade.

O bom de conversar com a Kris foi saber que não estou sozinha nesta luta.
Todos temos obstáculos, dificuldades, mas a vida é feita deles...O grande segredo é a persitência, é continuar tentando sempre e aceitar que a perfeição é inatingível.

August 22, 2008

Frentes de trabalho...

Estou com uma novidade engasgada há meses. Queria esperar mais um pouco para contar mas a verdade é que a minha língua já está coçando!!!

Muita gente aqui sabe que virei colunista/correspondente internacional(!!!) da Revista Noivas Rio de Janeiro. Num momento nada característico meu de extrema cara-de-pau, peguei o telefone aqui em Maryland e resolvi ligar para a Lu Bittencourt, editora da revista. Tinha trocado uns emails com ela uns meses antes por conta de uma foto minha que tinha saído na revista, mas nosso contato acabou sendo bem rápido.

Com a proposta de trabalhar em casa para o Mergermarket, resolvi aproveitar meu tempo e a estrutura de home office para fazer matérias que me dessem prazer. E foi assim que acabei me tornando colaboradora da revista. A minha primeira coluna saiu dentro da Fique Por Dentro e ainda colaborei com umas outras matérias, dando um foco Americano/internacional. A parceria tem dado certo e agora no próximo número da revista, minha coluna vai ser independente e com direito a foto e tudo! Oooh-hoo!

Alguns meses antes, para ser mais precisa, em fevereiro, uma amiga minha me deu umas revistas assim que saí do hospital. Uma delas era a Criativa, que para minha surpresa estava completamente repaginada – mais jovem, mais interessante, mais dinâmica. Lendo a revista, imaginei uma matéria da Kris Carr, do Crazy Sexy Cancer, lá. A Kris era a cara da revista; bem-humorada, atrevida, corajosa e moderna.

Em outro arroubo de cara-de-pau, resolvi mandar um email para a redatora-chefe da revista. Sei que isto é a coisa mais comum na vida de qualquer repórter, mas sempre tive um medo terrível de rejeição e evitei ao máximo estes telefonemas/emails oferecendo meus serviços a estranhos, mas no fim decidi que um email não seria tão ruim assim. Apertei o "send" e lá se foi minha mensagem. Não liguei para confirmar nada, não fiz follow-up, deixei para lá. A minha breve cara-de-pau tinha acabado assim que o email tinha sido enviado.

Vários meses se passaram até que em junho, para a minha total surpresa, a redatora me escreve de volta, dizendo que tinha adorado a minha pauta e tinha encaminhado para a editora, que ia entrar em contato comigo. Dito e feito! Em questão de horas elas tinham comprado a minha idéia, mas o prazo da matéria era de uma semana!!!! Quase enlouqueci, pois estava às voltas com um outro projeto muito bacana de uma vinícola no Vale do São Francisco. Mas como dizem por aqui, "when it rains, it pours" e eu nunca fiquei triste de ter trabalho bacana para fazer.

Depois de trocar emails com um monte de gente, resolvi ligar do nada para a editora da Kris. Obviamente a pessoa responsável estava fora, então continuei ligando até encontrar alguém que pudesse me ajudar. Acabei falando com a agente dela que, depois de algumas perguntas, agendou a entrevista para a semana seguinte. Conversei com o pessoal da Criativa e consegui aumentar um pouquinho o prazo.

A entrevista foi superbacana e ainda que por telefone deu para sentir a vibração boa da Kris. Se no início, apesar de admirá-la muito, eu tinha alguma reservas quanto ao seu "bom humor excessivo", conversando com ela, vi que ela era uma pessoa extremamente centrada. Trocamos muitas experiências; ela me deu várias dicas de saúde, pois agora ela é especialista em alimentação, e respondeu a todas as perguntas com franqueza absoluta. Desliguei o telefone feliz e satisfeita de ter cumprido a minha missão.

Apesar da correria toda, o livro da Kris, que estava marcado para sair em agosto, foi adiado para mês que vem, sendo assim a Criativa segurou a matéria para coincidir com o lançamento, então a minha matéria sai na edição do mês que vem, setembro.

Nestas horas me lembro bem o motivo que me levou a virar jornalista: poder me aproximar de qualquer pessoa, fazer qualquer pergunta (dentro dos limites da inteligência e da sensibilidade humanas) sem precisar de justificativa. A parte ruim é que às vezes a gente acaba entrevistando quem não quer e tem que fazer perguntas que para nós não fazem a menor diferença, mas não tem opção, afinal são ossos do ofício.

Mas depois de tudo que já passei e das experiências e desilusões que tive dentro da profissão, hoje me encontro numa posição invejável: só falo e só escrevo sobre as coisas e as pessoas que me interessam. Não me interessa inventar matéria sensacionalista; não me interessa devassar a vida de inocentes, não me interessa julgar e condenar ninguém. Quero falar de gente que tem mensagens interessantes para dividir, que tem uma trajetória de vida com a qual possamos aprender, quero estar perto do que me inspira e não do que me causa nojo.

Se durante muito tempo me vi em situações onde pensei não ter escolhas, hoje vejo tudo muito diferente. Sempre há opções. Às vezes não são as alternativas ideais, mas elas elas existem e a vida é feita delas. Aprendi na marra que não se pode ter tudo na vida, ou pelo menos não exatamente do jeito que a gente sonhou, mas é justo isto que nos faz pessoas mais interessantes.

A Kris disse na entrevista, que independente do c6ancer, ela percebeu que coisas boas iriam acontecer. Acho que foi à mesma conclusão que cheguei. Ela tem razão, coisas boas vão acontecer, mas temos que estar abertos para elas e acreditar. Pena que eu tenha demorado tanto para entender isto.

March 4, 2008

Crazy Sexy Cancer Trailer

Para quem ainda não viu o trailer do filme da Kris Carr, Crazy Sexy Cancer, vale muito a pena. O DVD será lançado em alguns meses e ela é uma verdadeira fonte de inspiração.

A história é parecida com a minha, muitos obstáculos, questionamentos, buscas e desafios, com um saldo extremamente positivo. Jamais me conheceria tão bem se não tivesse sido forçada a enfrentar meus fantasmas. E o processo continua. Às vezes me enche de alegria, outras vezes me causa dor, mas sigo em frente e firme na minha escolha.



Este documentário é bom demais!

October 19, 2007

Pesquisa...

Agora que dei o pontapé inicial e já tenho meia-dúzia de páginas escritas, estou entrando de cabeça na pesquisa para o livro.

Hoje soube que a minha "amiga" Kris Carr vai estar no programa da Oprah segunda-feira, dia 22 de outubro. Justo no meu quinto aniversário e no dia que eu me torno oficialmente "cancer-free"!!! Como diz a minha mãe, nada acontence por acaso. Muito legal esta menina aparecer na Oprah... Minhas ambições são menores...só quero ver meu livro lançado e uma entrevista pro Jô já está de ótimo tamanho.

Por conta da Kris, ouvi falar do Dr. Randy Pausch. Para encurtar a história, o cara é um gênio, professor de "Realidade Virtual" na Carnegie Mellon University. Há pouco tempo ele soube que tinha câncer no pâncreas. Fez a cirurgia, mas o raio da doença desgraçada parece ter voltado e os médicos deram a ele entre seis e três meses de "boa saúde". De cortar o coração. O cara é super bom astral, tem uma esposa maravilhosa e três filhinhos lindos. Ele diz que não acredita muito em milagres, mas eu acredito neles cegamente e já incluí mais um nome na minha listinha.

O Dr. Rasch fez um discurso de despedida lindo na universidade mês passado. Quem tiver curiosidade de conhecer este ser humano de tirar o chapéu, vale a pena entrar no site dele e se emocionar:
www.randypausch.com.

Lendo o site dele, segui um link e fui para numa página bem educativa sobre "câncer em geral". E olhem só o que eu descobri sobre o meu caso:

Across the world, 7 out of every 100 people diagnosed with liver cancer (7%) will be alive 5 years later. But 8 out of 10 liver cancer cases (80%) are found in developing countries, where it can be difficult to get treatment. The outlook may be better for the UK. The figures also vary widely depending on the type of treatment that you have.

(...)

For those who have surgery to remove the cancer
  • About 3 out of 4 (75%) live for at least 1 year
  • About 1 in 2 (50%) live for at least 3 years
  • About 3 out of 10 (30%) live for at least 5 years


Para quem tem alguma dúvida é só checar a fonte: http://www.cancerhelp.org.uk/help/default.asp?page=4907

Pois é, agora vai dormir com um barulho desses!

É nestas horas que até eu tenho que concordar com o ditado gringo "Ignorance is a bliss." Mas ignorância é ou não é uma bênção?!

Hoje, exatos cinco anos após meu diagnóstico, acabo de descobrir que somente 7 (SETE!!!!) em cada 100 pacientes diagnosticados com câncer de fígado estão vivos cinco anos mais tarde!!! E dos que fazem cirurgia só 30% vivem mais de 5 anos.

Gente, EU sou uma destes SETE!!!!! Não vou nem entrar no mérito do estágio do câncer porque assim a coisa ainda fica mais assustadora. Nem dá para acreditar... Aliás, hoje também faz um ano que me casei no civil por procuração com a minha cara metade e com o homem mais fascinante do mundo. Sou ou não sou uma "escolhida"?!!!

Imaginem se eu tivesse lido esta informação há uns anos...acho que teria enlouquecido. Minha mãe está certa, nada acontece por acaso mesmo!!!

Então hoje encerro o meu post agradecendo primeiro a Deus, por ter me dado esta chance única de uma vida nova e muito mais feliz, depois à minha família, que sempre esteve ao meu lado e nunca perdeu a fé, aos meus médicos, que foram incasáveis em sua dedicação e profissionalismo, e aos meus muitos amigos que me doaram seu sangue e jamais deixaram de torcer por mim.

Já disse isso mais de uma vez, mas aqui vou eu de novo "AMO MUITO VOCÊS."

September 13, 2007

Still on Crazy Sexy Cancer

In October I will have my 5th anniversary. Yes, I am all clear! And that feels great. For some time now I have wanted to make peace with all that happened to me in late 2002. I have done some research on cancer every now and again; I have flirted with the idea of volunteering at a cancer organization -- and even made some calls but no real progress; but I really did not know what to do.

Cancer was one of the best things that has ever happened to me... It totally transformed my life and made me see some many things in such a different way. As I heard before -- from my cyberfriend and cancer cowgirl Kris Carr -- I don't call cancer a gift because I would not chose to give it to anyone -- instead I see it as a catalyst. And I am grateful that it touched my life and made me into who I am today.

So doing a lot of soul searching I came to the conclusion that the scariest thing about cancer is that it is usually very lonely journey. You are there pretty much on your own. Your parents are suffering, your family is hurting, your friends are sad...but none of it can take it away from you. It's a very personal experience. People tend to group so many things together and just label them "cancer"...but the types, treatments, experiences are all so different.

I remember when I first heard I was sick, I wanted to find someone who had gone though the same thing... Maybe I was hoping that they would give me some sort road map to prepare me for what was coming up or just shed some light on so many issues that were going through my head. I looked around, asked my friends...and found no one. And it was not a good feeling. I felt lonely. I felt scared. I felt vulnerable.

If in the US you can find tons of books on cancer...in my native Brazil they are very hard to come by. Most of them are just medical literature, which is too daunting and technical. Not user friendly at all.

And later I found out that I wasn't the only one who had felt this way. It's amazing how God must bring people together... Soon after I was diagnosed I was told about other cases in my company and of course was very curious to meet these people and learn more about their experiences. Co-workers of mine who I would occasionally see at the cafeteria all of a sudden became my newest friends...my "cancer sisters"...

I learned so much from them... We would compare notes and share experiences and confessions...and build a strong bond that could never be broken. And lately I've been feeling compelled to share theses stories with other people, who might be at the same place where I was five years ago, and they are scared because they may not have anyone to talk to...or maybe they may not have anyone to tell them that this stuff happens but they can get through, like so many of us out here.

I will start collecting the testimonials and posting them here...so maybe these stories will inspire other people, or at least make them smile.

I know this is uncharted waters...I have no idea where this journey is going to take me, but I am already on my way.