April 9, 2008

Ato Nobre

Hoje lendo o blog do Ancelmo, vi uma notícia que me deixou muito feliz. Anita Leocádia, filha de Prestes e Olga Benário, ganhou na justiça o direito à indenização pelos tempos da ditadura. Em vez de embolsar o dinheiro na calada da noite, Anita doou os R$100 mil a uma instutuição de caridade dedicada ao combate ao câncer. A senhora, que é filha única do casal e professora universitária, achou imoral ter emprego e receber o dinheiro do governo.

Palavras de Anita ao entregar o cheque ao presidente da instituição: "A luta contra o câncer precisa de ajuda".

São atitudes como esta que fazem a diferença. Pena que a divulgação seja tão discreta. Enquanto tem muito pseudo-intelectual rico mamando nas tetas do governo até hoje, esta senhora, que perdeu a mãe para a ditadura, teve uma atitude tão nobre. De tirar o chapéu.

April 8, 2008

Mais fotos do casório da Mi

Pensativa... Achei esta foto com cara de foto antiga, tipo anos 60, naqueles jantares glamurosos das estrelas de Hollywood! hahaha Estou pensando aqui: Menos uma amiga solteira! Bom trabalho, Dani, agora só faltam umas 10!
Amei esta foto aqui de cima. Mais New York, impossível. Este Rolls Royce que eles alugaram só faz casamentos. Até a buzina do carro toca a Marcha Nupcial. Muito fofo!
Outra foto que só poderia ter sido tirada em New York. A Michele parece uma princesa, superclassuda junto ao pai todo orgulhoso. A cena poderia ter acontecido nos anos 40, não fosse o contraste com a paisagem urbana bem atual no fundo da foto.
Yours truly saindo da igreja de braços dados com o Best Man, Dave, que veio diretamente de Guernsey para o grande evento.
Déjà-vu absoluto. Entrando sozinha (desta vez abrindo o cortejo) segurando este bouquet lindíssimo. Ser matron of honour tem muitas vantagens.
Blake eu eu na recepção do Lotus Club, em Midtown Manhattan.

Casamento Mi & Max

Momento Sex and the City: Noiva (Michele: portenha de nascimento, paulista de alma e nova-iorquina de DNA) e Matron of Honour (Eu, Dani: carioca de alma e nascimento, nova-iorkina de coração) saindo do Waldorf=Astoria rumo à Grace Church, no nosso bairro e palco de muitas histórias, Greenwich Village. No fundo, o pai da Mi, Ernie, superorgulhoso e participativo e Sandy, amiga e Bridesmaid.


Casamento na neve. Para quem queria um casamento ao ar livre no verão, a Mi não podia ter feito algo mais diferente. Depois destas fotos, até eu, que detesto frio, adorei a idéia do casório na neve.
Como não achamos bem-casados legais aqui nos EUA, a Mi decidiu usar Alfajores como lembrancinhas. Ficaram lindos. Os tecidos eram belíssimos e são prodizidos pela empresa que ela trabalha.

April 7, 2008

Um dia daqueles...

Hoje tive um dia inacreditável. Parecia um filme de terror sem fim. Até esmola pedi. Mal posso esperar para ir dormir e acordar amanhã.

Passei um fim de semana ótimo com a Andressa aqui. Compramos muitas coisas para a Chiara e conseguimos ir a todos os lugares que tínhamos planejado. Um fim de semana ótimo que acabou esta segunda de manhã num tumulto só.

Saímos de casa ainda à noite, às 5:10 da manhã, já que o vôo da Andressa para Toronto saía às 8:00 de Dulles, que fica na Virginia, mais ou menos uma hora e meia daqui.

Chegamos lá em cima da hora, mas por algum motivo estranho não consigo achar o estacionamento que cobra por hora e fica bem perto do terminal. Depois de dar várias voltas, só encontro o estacionamento diário, que fica bem mais longe. Como estamos com pressa, deixamos o carro lá mesmo, pegamos o shuttle bus e chegamos ao terminal quase sem fôlego. Por sorte, Andressa consegue embarcar e despachar suas duas malas cheias de presentes para a Chiara.

Depois da despedida, desço a escada rolante, pronta para voltar para casa. Triste depois da despedida, mas certa de que o pior já tinha passado, afinal Andressa tinha embarcado. Pela primeira vez, sei exatamente onde deixei o carro (sim, já perdi meu carro em estacionamento mais de uma vez), sei onde tenho que pegar o tal shuttle bus, agora só preciso pagar o estacionamento. Desta vez, tive o cuidado de colocar o ticket dentro do bolsinho, na bolsa. Encontro o papelzinho com facilidade, coloco na máquina e abro a bolsa para pegar a carteira. Carteira? Que carteira? Onde está a minha carteira? Não é possivel! De novo não! Em trinta segundos chego a conclusão que a minha carteira não está comigo. Minha visão começa a ficar turva, sinto uma tonteira absurda e meus pensamentos estão a mil por hora. A pergunta que me assombra é: "Como vou sair daqui?" E quanto mais eu penso, menos tenho idéia de como vou escapar deste labirinto.

A primeira coisa que faço é ligar pro Blake que obviamente me pede calma. E quanto mais ele me pede para ficar calma, mais vontade eu tenho de explodir. Depois de falar com ele por alguns minutos entendo que estou ali sozinha, que ninguém vem me salvar e que tenho que me virar. A verdade é que o Blake está em casa e com o trânsito demoraria no mínimo três horas para chegar. No início, acho que ele vai pedir para a irmã, que mora relativamente perto, me ajudar. Mas nem ele oferece nem eu peço. Sinto muita raiva. Desligo o telefone e sigo o conselho dele de ir até o balcão de informações, que ainda está fechado. E aí?

A esta hora já estou completamente desesperada. Era só o que me faltava: ter que pedir dinheiro para um estranho. Eu, pela primeira vez na vida, ia pedir esmola. Nem no trote da faculdade pedi... Sempre dou um jeitinho de escapar e colocar alguém no meu lugar. Só que hoje não há ninguém, 'so eu. Um homem então pára na minha frente e abre a carteira. É a minha chance. Abro a boca sem pensar e pergunto se ele pode me emprestar cinco dólares. Ele olha para minha cara e diz "sorry", mal tem o suficiente para pegar um taxi e aperta o passo. Será que sou tão mal encarada assim? Juro que nesta hora quero morrer, ou pelo menos, quero sumir, desaparecer. Tinha finalmente me despido de todo meu orgulho próprio, engolido toda a minha vergonha... para nada! Certamente não teria coragem de fazer aquilo de novo.

Depois da negativa, devo parecer tão desesperada, que duas pessoas (ou seriam anjos?) aparecem na minha frente e me perguntam se preciso de ajuda. Entre soluços, explico o que tinha acontecido e o senhor então me dá cinco dólares e a senhora mais cinco. Ela diz que vinte oito anos depois de ter perdido o marido, tinha se casado novamente este ano. Tinha criado quatro filhos sozinha e passado muita necessidade, mas que hoje dinheiro não era problema, então ela estava mais do que feliz em poder me ajudar. Choramos abraçadas... Contando agora a cena parece um tanto quanto patética, mas na hora foi bem tocante. Se não estivesse tão surtada, certamente teria pedido o endereço da senhora/anjo da guarda para devolver o dinheiro e mandar um cartão de agradecimento, mas agora nem isso posso fazer. Vou rezar por ela e por sua família todas as noites por muitos e muitos anos. Pois se não fossem ela e o outro senhor, estaria no aeroporto até agora.

Ligo para o Blake de novo para saber se ele achou minha carteira. Nada. Imagino a dor de cabeça, mais uma vez. Infelizmente não seria a primeira vez que iria passar por isso. A viagem de volta para casa é um tormento absoluto, entre pais-nossos e lágrimas, sigo meu caminho. Tenho medo de voltar para casa e não encontrar a carteira, então resolvo parar na igreja aqui perto. Deus já deve estar farto de mim. Não tenho escolha, ajoelho na capela e peço uma orientação. Faço uma oração, rezo meu terço e peço coragem para revirar a casa toda e procurar a tal carteira que o Blake já não tinha achado.

Procuro na sala, examino detalhadamento o primeiro andar da casa e nada. Resolvo procurar no meu quanto. Talvez esteja em alguma sacola de compras de ontem. Nada! Olho a minha cômoda e nada. Não está aqui, penso. Decido olhar de novo e lá está: no chão ao lado da minha cômoda. Do nada, ela está lá. Mas ninguém tinha visto antes... Estou exausta, mas aliviada. Dou vários pulinhos para São Longuinho e me ajoelho para agradecer a Papai do Céu, que mais uma vez ouviu minhas preces. Respiro aliviada finalmente.

Ledo engano, pois a maratona não pára aí. O telefone toca. Andressa está em Toronto, sem bagagem. Antes disso, já tinha perdido e achado os passaportes no aeroporto. Tudo isso antes das 9:30 da manhã. Ela ri e diz que está tudo bem, que já tinham encontrado os passaportes e pelo menos não vai ter que levar as duas malas pesadas até o hotel. Ainda bem que ela consegue enxergar o copo meio cheio. Não há muito a fazer, o chefe dela já ligou querendo saber onde ela estava...

Quanto a mim, só quero que este dia acabe o quanto antes. Estou exausta.

April 3, 2008

Save the Date



Este blog às vezes me lembra o samba do crioulo doido, pois os assuntos mais abordados não poderiam ser mais diferentes: doença e casamento. Mas quem me conhece sabe que sou meio diferente e que estas foram as duas experiências mais marcantes e extremas que tive na vida, da felicidade absoluta à tristeza avalassadora. Antes que alguém pergunte, não sou bipolar ou coisa parecida, pelo menos é o que disse minha analista. Seria estranho se não fosse comigo, mas como a minha vida é um passeio na montanha-russa, vamos lá ao que interessa.

Como hoje felizmente não tive nenhuma surpresa de sagradável ou susto relativo à minha saúde, vou colocar, a pedido de umas amigas o "save the date" que mandamos aos nossos convidados mais ou menos uns cinco meses antes do casamento.

Tínhamos muitos amigos e familiares que vinham de fora do Brasil e precisavam de uma certa antecedência para montar suas agendas, marcar vôos e reservar hotéis. Mandamos no formato de um cartão postal e as cores lembravam as usadas na decoração da festa.

A Renatinha Freire, madrinha-artista e designer oficial do evento, criou estes save-the-dates, o programa do casamento, o menu e os cartões de agradecimento que enviamos depois.

Adorei o resultado!!!

Mara Manzan

Fiquei sabendo agora que a atriz Mara Manzan se despede da novela Duas Caras para fazer uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno do pulmão. Apesar da notícia ruim, a imprensa diz que a atriz está emocionamente bem e disposta a lutar contra a doença mais uma vez. Mara teve câncer no útero há dez anos, quando participava da minissérie Hilda Furacão.

Este é o tipo de notícia que me entristece, pois acho que enfrentar uma doença como câncer é uma dor maior do que qualquer ser humano merece na vida. Deparar-se com esta doença bandida uma vez já é terrível. Ter dois encontros com ela é simplesmente devastador. Só quem viveu sabe.

Fico feliz de saber que Mara não perdeu o bom humor e espera voltar para gravar os últimos capítulos da novela das nove que termina no final do mês que vem. Estou na torcida também, pois a vitória de qualquer um sobre esta doença covarde é minha também. Quero voltar aqui daqui a um tempo e comemorar a recuperação da Mara da mesma forma que celebrei a volta do Nenê às quadras há poucos dias.

Não sei o motivo -- provavelmente inocência ou ignorância -- mas sempre achei que quando acontecia uma coisa horrível destas com a gente, a gente deveria ganhar automaticamente um passe-livre para o resto da vida. Na minha cabeça doida, quem tivesse enfrentado o câncer com sucesso viraria um Highlander ou coisa parecida e só poderia morrer de velhice. Afinal se o bandido não conseguiu nos pegar da primeira vez, não voltaria para nos aborrecer mais. Perdeu, perdeu e ponto final. Vai procurar outra vítima! Foi este enredo que inventei para mim mesma, na esperança de não me desesperar, de não enlouquecer.

Então quando vejo casos de recidivas, casos de um paciente que tem câncer num lugar e tempos depois descobre o bandido em outro órgão é difícil não me revoltar. Mas dentro de mim sei que na maior parte das vezes, revolta é um sentimento inútil e vazio, ainda mais nos casos de um inimigo silencioso e covarde que se instala dentro de nós sem pedir permissão.

Nestas horas, uma outra frase do Lance Armstrong torna-se uma espécie de matra para mim:

You picked the wrong guy. When you looked around for a body to try to live in, you made a big mistake when you chose mine."


Ou na minha tradução feminima e tupiniquim:

"Você escolheu a mulher errada. Quando andou à procura de um corpo para se instalar, você cometeu um grande erro ao escolher o meu."

É isso que vou dizer para mim mesma de agora em diante. Cada vez que como brócolis, cada vez que tomo o "suco verde" do Blake, digo para mim mesma que este é o alimento sagrado para meu corpo e minha maior arma contra coisas ruins que pensam em se alojar dentro de mim. Nenhuma célula ruim vai resistir a duas cenouras, dois dentes de alho, molhes e molhes de espinafre e brócolis e várias porções de blueberries por dia.

Vou mostrar para estas células rebeldes e daninhas que quem manda aqui sou eu! Também vou rezar muito pela Mara, para que ela continue com este espírito alegre e lutador. Ninguém mais do que eu torce para ter mais uma história de sucesso para contar.

April 1, 2008

Como cheguei aqui?

Sabe aquelas horas que a gente dá uma parada, olha ao nosso redor e se pergunta como é que foi parar naquele lugar ou naquela situação? Volta e meia, tenho pensado nisso.

Uma das qualidades que melhor me descrevem é perseverança. A minha mãe vai além e diz que sou osbstinada, quando coloco alguma coisa na cabeça vou até o final, custe o que custar. Não sei se isso é defeito ou qualidade, pois às vezes chega a beirar a teimosia, que também é característica minha, mas que aos poucos vou tentando domar.

Na minha vida sempre acabo alcançando meus objetivos de uma forma ou de outra, mas o timing me parece sempre off e a batalha é sempre árdua. Na hora que já tinha deixado a tal história para lá...tchan, tchan, a coisa mais improvável do mundo acaba virando realidade. O problema é que até eu chegar a este ponto, muita coisa já rolou, já tive muita dor de estômago, já passei muita noite em claro e depois de muito pensar, decidi que finalmente havia chegado a hora de arquivar o tal projeto.

Muitas vezes viver dói, pelo menos em mim, mas ainda estou longe de desistir da idéia. Ontem tive um pesadelo horrível e acordei com o coração aos pulos. Sonhei que ia morrer. Pela primeira vez na vida. Sei que tudo não passou de um sonho ruim mas parecia tão real que choro de pensar nele. Mas decidi falar sobre isso aqui para tirar este peso do meu coração. Tenho descoberto que quando falo sobre meus problemas eles parecem diminuir, pelo menos um pouco. Confesso que muitas noites antes de dormir, rezo para acordar no dia seguinte e me lembrar de que tudo não passou de um pesadelo. Isso quase nunca acontece. Mas hoje, graças a Deus, aconteceu.

No meu sonho terrível, durante uma outra consulta médica de rotina, eles descobrem algo de estranho em alguma parte do meu corpo. E embora achassem que não seria nada de mais grave, descobrem que era a doença que havia se espalhado para outros órgãos. Que dor! No sonho, o médico não me dá muita esperança, mas então digo: "Já que não tenho tanto tempo para viver, quero viver tudo agora." E sorrio. Então, quando o médico me dá as costas e vai embora, grito desesperadamente.

Já vivi situações muito ruins, mas nada que se compare a uma metástese. Graças a Deus. Mas o tal momento do silêncio ensurdecedor, este sim já vivi mais de uma vez. Já me vi como protagonista daquelas cenas tristes de novela que vão mais ou menos assim:

Depois do famoso "momento de silêncio" e da expressão preocupada do médico, tomo coragem e faço a pergunta mais difícil do mundo:

"Há algo de errado, doutor?"
"Tem uma coisinha aqui que não está certa. Uma coisa da qual não estou gostando."

Então um calafrio, que vai da minha cabeça aos meus pés, toma conta de todo meu corpo num instante que mais parece uma eternidade. Minha respiração toma um ritmo diferente, meu coração dispara, meu cérebro começa a não registrar mais nada ao meu redor. De repente é só o escuro. E as vozes que se embaralham no ambiente mas que não me dizem mais nada. Sou sugada, caio num abismo, na mais profunda escuridão. Tenho medo. Muito medo.

E aí o médico, que mal esconde o susto, tenta me consolar:
"Dani, você precisa ser forte. Você tem sorte de termos encontrado a tempo de tratar. Foi para isso que você veio aqui, etc, etc..."

Como se alguém fosse ao médico para saber que está doente. É tudo tão injusto. Só preciso de um tempo para me refazer, me recuperar. Mas o tempo não é meu. O tempo é de Deus. Só não quero que a minha história seja parecida com a de Jó, o homem bom que perdeu tudo e teve sua fé testada por Deus. Já falei para Ele lá em cima que não quero ir para os anais médicos, que não quero fazer história na medicina, que não quero ser cobaia. Tudo que quero é ter uma vida absolutamente normal e feliz.

Quero poder dormir, sonhar e acordar apta a transformar meus sonhos em realidade. Não sei como vim parar aqui onde estou. Sequer imagino onde isto começou. Só sei que quero e que preciso de uma saída. Quero respirar aliviada mais uma vez. Tenho pressa.