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March 7, 2009

Caminhada no Parque

Hoje fui caminhar mais uma vez com a Allison e a Amber, minhas amigas do Ulman Fund. Faz um dia lindo e quentinho aqui e mais cedo o sol tinha aparecido, pena que as nuvens tomaram conta agora.

A força da Allison me impressiona cada dia mais. A doença avança a passos largos, mas ela está determinada a fazer várias coisas ainda: a corrida/caminhada do dia 26 de abril é a mais importante, diria, mas ela ainda trabalha diariamente e ainda me convoca para um monte de atividades... É tão estranho fazer amizade com alguém que está se preparando para nos deixar... Mas procuramos não falar muito nisso. Hoje a única coisa que ela deixou escapar foi que as sessões de drenagem pleural causam muita dor, coisa que sei bem, pois fiz umas três depois da minha primeira cirurgia e só de lembrar, meus olhos se enchem de lágrima. No meu caso, o melhor a fazer foi colocar um dreno externo, também chamado de cachorrinho, mas no caso da Allison, se eles fizerem isto, seria o começo do fim. E depois de cada drenagem, os pulmões dela voltam a se encher de células cancerígenas...ao que parece, nada pode conter a doença.

Mas as caminhadas com ela e com a Amber são sempre alegres, apesar de tudo. Hoje a Allison tirou o chapéu e pudemos ver que o cabelo dela volta a crescer... E ela completou a volta toda no parque conosco, a passos normais. Se issso não se chama resiliência eu não sei o que é. Só sei que ela é um exemplo para mim, de doçura, de fé, de perserverança e de dignidade. Conviver com ela tem sido um presente e tanto e um tremendo privilégio.

Espero que Deus esteja com ela e que nos permita muitas outras caminhadas no parque.

September 17, 2008

Companheira de Luta

Não, não me filiei ao PT nem virei fã do Lula, mas hoje me deram o contato de uma jovem de 22 anos que sobreviveu a um câncer de fígado. Não sei muito sobre ela ainda, mas ela é estudante de enfermagem em UPenn e, ao que parece, fez um transplante no ano passado.

O contato foi feito através de uma organização de Chicago que coloca sobreviventes e familiares em contato uns com os outros. Depois conto mais. Estou animadíssima.

Acho que no total agora estou envolvida em três ou quatro organizações deste tipo aqui nos EUA. É impressionante como o povo aqui é engajado e leva este tipo de iniciativa para frente. Me faz muito bem covnersar com gente assim, gente que me inspira e anima. Ainda acabo levando uma organização destas para o Brasil, tào carente deste tipo de coisa.

Depois explico em mais detalhes. Agora tenho que continuar organizando o nosso painel sobre testes clínicos para pacientes de câncer.

July 24, 2008

Personagens importantes e amigos de caminhada

Tive muita sorte de ter encontrado pessoas extremamente especiais ao longo da minha caminhada: família superunida e sempre ao meu lado, amigos solidários de longa data, médicos mais do que competentes e dedicados, superiores extremamente compreensivos que aliviaram muito a dor trazida pela doença. Também encontrei alguns idiotas ao longo do caminho, mas destes fiz questão de esquecer. Quem sabe um dia escrevo um post só para fazer a gente rir. Nunca ouvi tanta abobrinha.

Mas voltando ao que interessa, algumas pessoas que mais me ajudaram foram justamente aquelas que já tinham passado por situações semelhantes a minha, pois tinham as palavras certas nas horas certas que me traziam ao mesmo tempo esperança e seugurança.

Uma das pessoas que mais me ajudaram foi a Dona Marli, gerente de recursos humanos do escritório de propriedade intelectual onde trabalhei desde o início de 2001 ao final de 2003. A Dona Marli é uma pessoa boníssima, daquelas que sempre sabem exatamente o que dizer para que a gente se sinta melhor. Entre a descoberta da doença e a cirurgia, foram pouquíssimos dias. Meu chefe imediato foi incrível, disse que me esperaria o tempo que fosse. Durante todo meu tratamento, recebi visitas de vários colegas de trabalho e a D. Marli, que anos antes tinha vencido uma batalha contra o câncer de mama, me acompanhava de perto, ligando sempre e me visitando sempre que podia.

Fiquei longe do trabalho durante dois meses e meio e voltei animada para recomeçar a minha rotina. Por mim, teria voltado muito antes, mas por causa da insistência dos médicos e dos meus chefes para que fizesse uma recuperação completa, só voltei ao trabalho no início de 2003.

Voltei muito feliz e pronta para recuperar o tempo perdido. Mas minha alegria durou pouco, logo soube que teria que fazer algumas sessões de químioembolização e talvez fosse necessária uma outra cirurgia. Meu mundo caiu de novo. Corri mais uma vez para a sala da Dona Marli para dizer a ela que a minha "volta definitiva" tinha durado muito menos que o previsto.

Ela me tranqüilizou dizendo que meu emprego estaria lá sempre esperando por mim e que ela sabia que nos próximos meses a minha concentração estaria muito aquém do normal, mas tudo aquilo já era esperado. Ela sabia do que estava falando, pois tinha vivido a mesma situação quando lutava contra o câncer de mama.

Senti uma tranqüilidade enorme na voz dela: "Você vai vencer também. Não tenho dúvida. Aqui temos muitos casos de câncer, mas ninguém morre disso." Para mim aquilo virou a verdade mais absoluta.

Foi muito importante saber o quanto era querida no meu local de trabalho: as flores, as visitas incessantes (a minha amiga Dani Cerdeira me visitou TODOS os dias no hospital e por causa dela, todo dia eu fazia questão de tomar banho sozinha e trocar de roupa), telefonemas, flores, presentes e tantas orações.

Foi ali que descobri o quanto era importante para mim poder receber a energia positiva das pessoas que gostavam de mim. Fui uma doente diferente -- jamais quis me esconder, me isolar e por mais cansada que estivesse, uma conversa com amigos e uma boa farra, ainda que no leito de um hospital, eram o bastante para levantar meu astral.

A Dona Marli foi muito importante para mim, não só pelo carinho que ela sempre demonstrou por mim, mas por me servir de exemplo de superação. Ela sabia o que eu estava passando e tinha vencido a batalha. Eu venceria também.