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September 24, 2011

Dr. Oz Show


Could your favorite foods be causing liver cancer? Dr. Oz discussess the risk factors for liver cancer, such as chronic alcohol consumption, as well ...


O programa foi ao ar na terça, dia 20, e finalmente consegui o seguimento do qual participei. Falo bem rapidamente sobre alguns (poucos) sintomas e sobre a descoberta do diagnóstico.

É só clicar na imagem para ver o meu depoimento!

September 19, 2011

Dr. Oz de novo

Como o programa que gravei vai ao ar amanhã, já vou avisando que literamente terei "cinco segundos de fama" que resultaram de uma entrevista de 45 minutos. E como tenho certeza de que o script já estava escrito, a edição foi um primor!

Para começar o título do programa é pra lá de sensacionalista: Stop the Fastest Growing Cancers Inside of You Before It Is Too Late. Acho que eles realmente deveriam estar desesperados porque o câncer que tive foi de crescimento muito lento e não tive NENHUM dos sintomas, o que é relativamente comum. Como já cansei de explicar, no caso do câncer de fígado, infelizmente quando os sintomas aparecem, normalmalmente já é tarde demais.

Mas como nestes programas, o que você diz não tem absolutamente nenhuma importância, lá estava eu, num cenário super noir, com uma música de filme de terror, contando uma história "horripilante!" Para falar a verdade, é até meio cômico, meio pastelão mesmo... Por algum motivo minha fisionomia estava bem pálida e ainda colocaram uma cena de uma mulher (supostamente parecida comigo) olhando uma tempestade através de uma janela. Ai que horror! Ah, e o tomor que tirei em 2008 ainda faz uma participação especial! Está lá ele, brilhante e vermelhinho na angio-tomografia!

Além disso, o câncer de fígado sempre é o grande injustiçado dos cânceres. Como tem muita semelhança com o câncer de pâncreas -- ausência de sintomas até estágio avançado, gravidade da doença, etc -- tudo que falei sobre câncer de fígado foi usando no seguimento sobre câncer de pâncreas, afinal depois da morte do Patrick Swayze e com a doença do Steve Job, este tipo de câncer é bem mais high profile. Sem contar no Randy Pausch. Enfim, longe de mim banalizar uma doença tão terrível, mas o câncer de fígado não fica muito atrás... E no caso específico do tumor que eu tive, a esperança de que haja testes clínicos é nula. O tipo é tão raro que jamais seria possível recrutar número suficiente de pacientes. Então a única esperança está com Ele lá em cima, que jamais me abandona.

Mas voltando à gravação do programa que vai ao ar amanhã, o que me deixou mais chateada é a ideia de que este tipo de câncer é 100 porcento evitável. Não é. Quando listaram os fatores de risco: obesidade, consumo exagerado de álcool, uso de anabolizantes, hepatite C...nada se encaixava ao meu caso. Já perguntei a zilhões de médicos se havia algo que poderia ter feito diferente... A resposta é a mesma: para este caso de tumor não! Para outros tipos, sim, já que muitos são resultado de cirrose hepática e hepatite C, doenças que nunca tive.

Sou completamente a favor de educar a população e mostrar a importância de uma alimentação saudável e balanceada, mas sou contra distorcer os fatos. Quando o Dr. Oz diz que com uma dieta saudável vamos erradicar o câncer de fígado do planeta em 10 anos, me sinto incomodada. Gostaria muito de que esta afirmação fosse verdadeira. Infelizmente não é.

September 2, 2011

Dr. Oz Show


Hoje, por algum motivo, a frase antiga que o colunista Ibrahim Sued usava muito me veio à cabeça "Os cães ladram e a caravana passa..." E como passa e atualmente, o ritmo da caravana anda bem acelerado. Graças a Deus!

Ontem finalmente consegui chegar a Nova York! Peguei um trem mais cedo que o previsto -- seguro morreu de velho! -- e acabei chegando na cidade bem antes do combinado. Quando contactei o produtor do Dr. Oz Show, ele me perguntou; "Quer que eu mande te apanhar logo ou prefere dar uma volta por NY e chegar aqui em torno das três da tarde?" Advinhem a minha resposta?

Na mesmo hora, peguei o celular e liguei para a Isabel, que foi minha companheira inseparável nos cinco anos na cidade. "Está fazendo o que hoje no almoço?" foi a minha pergunta. E uma hora depois estávamos lá na Little Brazil, como nos velhos tempos... Saudade! O legal da amizade verdadeira é que você pode até não ver o amigo tanto quanto gostaria, mas quando encontra é como se o tempo não tivesse passado. É cliché mas é verdade!

A gravação do depoimento para o programa foi bem bacana também. Tudo muito louco: praticamente metade do dia no trem, 30/35 minutos de entrevista que vão virar um clip de 30 segundos! Então se for assistir o programa (quando souber, digo a data!), não vá ao banheiro nem levante para beber água, pois corre o risco de você perder meus 30 segundos de fama.

A equipe do programa é muito legal e a clima de gravação me fez lembrar os anos que passei em Nova York. Até porque fui estagiária do Nightly News, que fica no mesmo prédio, durante meu mestrado na NYU. Achei interessante o tema do programa que é dar uma voz -- e uma face -- a doenças tão perigosas e silenciosas. Além do câncer de fígado, o programa vai ter depoimentos de pessoas que tiveram câncer de esôfago, pâncreas, cérebro e melanoma. Bom saber que tem gente viva contando suas histórias. Meio estranho saber que fui a única pessoa que eles encontraram para falar sobre câncer no fígado...

Por coincidência, tinha comprado uma blusa verde -- cor que uso muito pouco! -- e resolvi usar ontem. Verde é a cor do lacinho da campanha do câncer de fígado. Foi bacana poder dar voz a tantas outras pessoas, foi uma coisa que sempre quis fazer e uma oportunidade que surgiu absolutamente do nada! É claro que agarrei com unhas e dentes, como agarro cada chance que aparece no meu caminho.

A entrevista, que pensei que fosse tirar de letra (afinal todo mundo e o cachorro já conhecem a minha história), acabou me surpreendendo. Não como será a edição do relato, mas quando a produtora me pediu para falar sobre como eu tinha recebido a notícia, engasguei. Fazia tempo que não contava esta história para ninguém. Reviver aqueles momentos foi muito mais difícil do que eu imaginava. Acho que coisas assim jamais se apagam da nossa memória. Mas a produtora logo emendou com um "And look at you now!" que me fez sorrir e falar de esperança, fé e da vontade de seguir em frente e continuar a minha vida. Ufa!

E assim foi a minha primeira aventura em rede nacional. Primeira vez na TV americana! O depoimento vai ao ar no programa que será gravado na quarta, dia 7 de setembro. A equipe do Dr. Oz me convidou para voltar e fazer parte da plateia no dia da gravação, mas ainda não resolvemos se vamos...a viagem de ida e volta é cansativa para fazer em um dia só.

August 22, 2008

Enquanto isto em Washington...

Desde que a "escândalo" envolvendo o Dr. Joaquim estourou, uma história não me sai da cabeça. Há alguns anos li uma matéria no Baltimore Sun (mera coincidência!) sobre o pai de um colega de faculdade.

Fiquei atônita quando soube do estado de saúde deste herói da guerra do Vietman, admirado por todos por aqui, e mais surpresa ainda com o final de história. Coisa de filme americano!

Então parei apra pensar...Em 2008 no Brasil, meus médicos são chamados de "criminosos" por salvarem uma vida. Em 2002 aqui nos EUA, um amigo dos tempos de faculdade recebe um prêmio e todo o apoio da opinião pública por ter conseguido salvar a vida do pai. Por incrível que pareça o motivo para a desgraça do médico e a aclamação do filho é o mesmo: o regate de um fígado para um paciente à morte.

Vale a pena ler...


Baltimore Sun
August 16, 2002
'Semper Fidelis' Saves A Life

Decades after his heroics in Vietnam, relatives and servicemen mobilize to help a dying vet.

By Ellen Gamerman, Sun National Staff


WASHINGTON - John Ripley's worthless liver had left his skin a sickly yellow. Toxic fluids were collecting in his system, causing his lean frame to bloat: Once 175 pounds, he now weighed 425. His kidneys were failing. An incision glared from his abdomen, closed with staples in case surgeons had to rip it open fast. Eighteen IV lines fed into his unconscious body. One of the Marine Corps' greatest living heroes was dying. In the intensive care unit at Georgetown University Medical Center, a son of the retired colonel, Tom Ripley, sat vigil. It was 7 a.m. when the phone rang: A donor liver had been found, but his father might not live long enough to get it.

That's when the Ripleys understood that the delivery of the liver, from a 16-year-old gunshot victim in Philadelphia to the dying veteran in Washington, would take too long if left in the hospital's hands. Their
only thought: Call in the Marines. Over the next hours on that day last month, saving John Ripley's life
became a military mission. It would involve the leader of the Marine Corps and helicopters from the president's fleet. Support teams would come from police in two cities, a platoon of current and former Marines, the president of Georgetown University and even a crew of construction workers. "Sir, this is my dad's last chance," Tom Ripley said in a call to the Marine commandant's office. "I'm measuring my father's life in hours,
not days." The extraordinary efforts to save the 63-year-old Ripley, recovering from transplant surgery at Walter Reed Army Medical Center in Washington, shows how far the Corps will go to protect one of its own. Marines will say they'd do this for any fallen comrade. But Ripley is no ordinary Marine. In a messy war with few widely recognized heroes, he is a legend. And at his moment of need, the Corps treated him like one. "Colonel Ripley's story is part of our folklore - everybody is moved by it," said Lt. Col. Ward Scott, who helped organize the organ delivery from his post at the Marine Corps Historical Center in Washington, which Ripley has directed for the past three years. "It mattered that it was Colonel Ripley who was in trouble."

A heroic effort


On Easter Sunday 1972, Col. John Walter Ripley - swinging arm over arm to attach explosives to the span while dangling beneath it - almost single-handedly destroyed a bridge near the South Vietnamese city of
Dong Ha. The action, which took place under heavy fire over several hours as he ran back and forth to shore for materials, is thought to have thwarted the onslaught of 20,000 enemy troops. His tale is required reading for every Naval Academy plebe. In Memorial Hall, Ripley, a 1962 academy graduate, is the only Marine featured from the Vietnam War: A diorama shows him clinging to the grid work of the bridge at Dong Ha. Ripley received the Navy Cross, the second-highest award a Marine can receive for combat. That decoration is surpassed only by the Congressional Medal of Honor, which, many in the Marine Corps vigorously argue, Ripley deserves. But on this July morning, three decades after surviving combat wounds, Ripley was facing death from a transportation problem. His doctors tried four civilian organ transportation agencies and could not immediately be guaranteed a helicopter by any of them. The Ripleys say they were told that a civilian helicopter would not be available for at least six hours. Driving to Philadelphia was not an option because doctors worried that any traffic delays would ruin the organ.

Helicopter mission


Tom Ripley saw only one solution. From his father's hospital room, he called the office of the Marine Corps commandant, James L. Jones, and secured the use of a CH-46 helicopter, which is part of the presidential
Marine One fleet. The plan: The chopper would ferry the transplant team to the University of Pennsylvania hospital to remove the donor liver and then transport the doctors back to Washington. Marine lawyers instantly approved the use of military materiel for Ripley, including nearly three hours on a helicopter that costs up to
$6,000 an hour to operate. The commandant considered this an official lifesaving mission for a retired Marine still valuable to the Corps as a living symbol of pride. Action was swift. The doctors rushed to Anacostia Naval Air Station, where the helicopter was waiting, rotors spinning. The chopper took off before the surgeons were even strapped in. By about 10 a.m., just three hours after learning that a new liver would be available in
Philadelphia, the transplant team was swooping into that city. On the landing pad, an ambulance and a Philadelphia Highway Patrol car, both summoned by the Marines, were waiting. The motorcade took off, sirens
blaring. "When you're in a situation like this, and an organ becomes available, you use the fastest resource to get it," said Dr. Cal Matsumodo, a transplant surgeon from Walter Reed who flew on the helicopter to retrieve the new liver. "This turned out to be the swiftest and best-organized effort that I've ever seen."

Years of problems


Ripley's original liver had been ruined by a rare genetic disease as well as by a case of Hepatitis B that he believes he contracted in Vietnam. After a year-and-a-half of hospitalizations and infections, Ripley had received a new liver from a D.C. area donor July 22. But within hours of the surgery, that donor liver began to fail. Medical professionals say the organ donation process is safeguarded to keep powerful people from skipping to the top of the waiting list. It was Ripley's critical condition - caused by the failure of the first
donor liver, his doctors say - not his personal story, that put him first in line for another liver July 24.
Still, most new organs are never granted military escorts. "It was clearly extraordinary, what they did," said Roger Brown, manager of the Organ Center at the United Network for Organ Sharing, a
clearinghouse for organ procurement and allocation. Sometimes, Brown said, patients will die because available organs cannot be transported to them in time. "There's a lot of work that goes into matching a donor with a patient," he said. "If you can't find that one piece of the puzzle, it's just devastating." In Ripley's mind, the mission that day reflects the strength of the Marine Corps fraternity. As he convalesces at Walter Reed, where he went after his operation and is listed in stable condition, he summons his booming voice long enough to insist that Marines would do the same for even an unknown grunt. "Does it surprise me that the Marine Corps would do this?" Ripley said from his hospital bed, his dog tags still hanging around his neck. "The answer is absolutely flat no! If any Marine is out there, no matter who he is, and he's in trouble, then the Marines will say, 'We've got to do what it takes to help him.'"

A battle plan


In Philadelphia, though, the Marine pilots knew exactly whom they were helping, and they called it an honor. On the helipad, the flight crew stood ready as the transplant team rushed back with a box marked "HUMAN ORGAN: FRAGILE." Moments later, Tom Ripley, traveling with the doctors, got an update from his oldest brother, Stephen, at his father's bedside. Their dad's condition was worsening. The organ had to get to Washington, fast. Tom and Stephen, both former Marine captains, debated the quickest "rtb" - return to base, which in this case meant the Georgetown hospital. In pager messages fired off like battlefield dispatches, the chopper became "the bird" and the doctors the "pax," slang for passengers. As the day wore on, the brothers drew from their military roots, comforting each other with the Marine motto, Semper Fidelis. Their father, meanwhile, lay still. His dog tags, fastened with the same tape he'd used to keep them from clanking on secret missions in Vietnam, had been removed. Twice, the family had summoned a Catholic priest to deliver last rites. Now, the Ripleys wondered whether a third might be needed. The hours ticked away, and the family learned that the Marine helicopter was too big to land on the Georgetown hospital helipad. But the doctors
feared getting stuck in traffic on the drive from the Anacostia helipad to the hospital.

The delivery


A well-connected Marine buddy of Ripley's called the president of Georgetown University and got permission to land on the school's football field. A construction crew standing nearby was soon ripping down fencing to make room. But the Marines rejected that makeshift helipad after sending another helicopter to survey it. The area was deemed too crowded for a landing. At one point, the Ripleys suggested landing at the Marine Corps War Memorial, across the river from Georgetown, by the statue that depicts Marines raising the flag at Iwo Jima. But that fanciful notion went nowhere. The answer finally came in the form of a D.C. police helicopter pilot - Sgt. Thomas Hardy, a former Marine. A Corps official found him and asked whether he would take the team from Anacostia to Georgetown on his smaller chopper. "This was a Marine Corps mission," said Hardy, a Vietnam veteran who agreed to fly without hesitation. "Once a Marine," he explained, "always a Marine." The organ delivered, the surgery could finally start. The next day, Ripley's recovery began. Slowly, he is gaining strength and returning to a normal weight. Despite the surgery's success, risks of infection or other problems remain. His family expects him to be in the hospital for up to three more weeks. Ripley rests quietly, unable to accept visitors. His wife of 37 years, Moline, sits with him amid pictures of their four children and their grandkids.

Repaying an old debt


The sons who orchestrated this rescue operation call it a culminating moment in their father's military life. John Ripley was shot in the side by a North Vietnamese soldier and during two tours of duty was pierced with so much shrapnel that doctors found metal fragments in his body as recently as last year. After Vietnam, Ripley continued to serve, losing most of the pigment in his face from severe sunburns while stationed above the Arctic Circle. The Marines, his family believes, repaid a longtime debt. "Dad gave 32 years of his life to the Marine Corps," said Stephen Ripley. "When he really, really needed the Marine Corps, they were there
for him." Even from the quiet of his hospital room, the Marine Corps still defines Ripley. His family has packed a cabinet by his bed with copies of a book that John Grider Miller wrote about Ripley's heroics; Ripley says he
will give complimentary copies of The Bridge at Dong Ha to the medical staff. Not long ago, a military color guard held a bedside ceremony for him, placing in the room the Marine Corps colors that normally hang in
Commandant Jones' office. Ripley was urged to keep the flags in his room until he leaves the hospital.
On a recent afternoon, Ripley looked past his IV machine, past the uneaten hospital lunch, past the plastic cup of pills, to the flags. He was, at that moment, John Ripley, grateful warrior, awed by what his sons, and the Marines, had done. "They reached over the side," he said, "and they pulled me back in the boat."

March 12, 2008

Por que tenho que lutar pelo "meu" câncer???

Detesto ter que chamar este "treco" de meu, mas de que outra maneira posso identificar este problema que tive? Sei que O Segredo diz que nunca devemos dizer coisas tipo "a minha doença", "o meu câncer" para que esta "coisa ruim" não fique associada a nós, mas como então chamar atenção para uma questão que parece muito distante para a maioria das pessoas, a menos que elas identifiquem que foi o tal câncer que me afetou?

Querendo ou não querendo, tive câncer de fígado. Isto é fato, nunca foi escolha. E escolha é e sempre foi enfrentar o problema de frente e lutar contra ele. Em primeiro lugar, precisei conhecer o inimigo muito bem, o que fiz sem problema, mas agora preciso reunir aliados na minha luta. Preciso que as pessoas se conscientizem que esta doença existe e que, assim como outros tipos de câncer, precisa ser erradicada.

Para começo de conversa não devemos confundir o câncer primário com o câncer secundário de fígado. Deixa eu explicar melhor: tive câncer primário de fígado, o que quer dizer que ele teve início nas minhas células hepáticas e não chegou até o fígado como resultado de metástese, como é mais comum. No meu caso, graças a Deus, o câncer ficou restrito ao meu fígado e pôde ser ressecado (ou removido através de cirurgia).

Apesar de ser a quinta forma mais comum de câncer no mundo, pouco se escuta falar nele. De acordo com dados do Cancer Blog, o câncer de fígado afeta 700.000 pessoas no mundo, com 18.000 casos registrados nos EUA em 2006 e mais de 19.000 estimados em 2007. A incidência de casos nos EUA dobrou na última década e mais de 16.000 pessoas devem morrer vítimas da doença só este ano. Achou pouco? O mais assustador é saber que ele é capaz de matar quase todos os pacientes em menos de um ano e mesmo assim ninguém fala nele.

Querem um exemplo: A American Cancer Society (ACS) vende luminárias que têm as cores de todos, ou melhor, quase todos os tipos de câncer. Quem não sabe que o lacinho rosa indica câncer de mama? Só por curiosidade, a tabela das cores da ACS é a seguinte:
  • câncer do cérebro: cinza
  • câncer de mama: rosa
  • câncer infantil: dourado
  • câncer de intestino: azul royal
  • câncer em geral: lavanda
  • lecemia: laranja
  • câncer de pulmão: pérola/branco
  • linfoma: vermelho
  • melanoma: preto
  • mieloma múltiplo: vinho
  • câncer de ovário: turqueza
  • câncer do pâncreas: roxo
  • câncer de próstrata: azul claro
  • câncer de testículo: orquídea (uma mistura de rosa e lilás)
Pois é, nem sei que cor é essa orquídea, mas o pessoal do câncer de testículo tem a sua cor, ao passo que o pessoal do fígado tem que se contentar com o lavanda, que é a cor do "câncer geral". Como assim "câncer geral"? Se todo mundo pode dar nome aos bois, por que logo eu tenho que ficar no limbo? Tudo bem que eu adoro lavanda, mas será que depois de duas cirurgias, quimioterapia, zilhões de exames e dias e mais dias no hospital não tenho direito à minha própria corzinha? É pedir muito? Será que é por eles acharem que não sobra ninguém para contar a história que eles nem se animam a designar um cor específica para os pacientes de câncer do fígado? E eu não conto?

Acho que vou lançar uma campanha: "Câncer do fígado também é câncer!" Confesso que de vez em quando até bate uma inveja quando vejo coisas rosinhas para vender. Aqui nos EUA então em outubro, mês do câncer de mama, só se fala nisso. Todos os supermercados têm prateleiras inteiras cheias de produtos em embalagens especiais e campanhas de arrecadação de fundos para a pesquisa sobre o câncer de mama. Sorte deles que têm zilhões de grupos de apoio, camisetas fofinhas, celebridades gravando comerciais, campanhas publicitárias cool...e ainda usam o rosa, minha cor favorita!!!

Mas para variar, eu não podia fazer parte da maioria fofinha. Tinha que ter um treco que só dá em homem velho, pobre de país de Terceiro Mundo. Ainda por cima é ligado à cirrose e hepatite C, ou seja, o povo ignorante vai logo pensando que a doença é castigo para pinguço promíscuo. Vai dormir com um barulho destes! E depois ainda dizem que há tabu envolvendo os cânceres de mama e de intestino!

Outro dia passou pela minha cabeça, cada vez mais louca, uma idéia no mínimo mórbida: o câncer de fígado precisa de um(a) garoto(a)-propaganda. Precisamos de uma celebridade, de preferência bonita, simpática e de aparência saudável, para militar pela nossa causa. Vocês não sabem a diferença que isto faria.

Falo muito sério. Como a incidência da doença é maior na Ásia e na África e representa somente 5% dos casos nos EUA e na Europa, quase não há pesquisas em andamento, se compararmos com os outros tipos de câncer mais célebres, como mama ou pele.

A tal celebridade seria uma forma de mostrar à opinião pública que este câncer perigoso está aí e precisa ser eliminado! Este câncer, que é um dos mais silenciosos e mortais, não pode escapar assim incólume. Obviamante a tal celebridade teria que sair viva da batalha, caso contrário não teria graça, pois o que nos falta são os tais sobreviventes! Talvez se tivéssemos mais sobreviventes, nossas vozes seriam mais fortes e quem sabe nossa causa ganharia mais visibilidade...

Mas não vou ficar aqui rezando para que uma pessoa bonita, saudável e carismática venha a ter uma doença tão horrível. Não desejaria isto ao meu pior inimigo. Muito pelo contrário, meu maior sonho é que NINGUÉM, nem mesmo o mais promíscuo dos pinguços, tenha que passar isso. É por isso que preciso gritar bem alto e sensibilizar mais pessoas para que mais seja feito para combater esta doença. A American Cancer Society que me aguarde...

March 2, 2008

Dilema

Ontem falando com meu pai, ele mais uma vez disse que conversou com um amigo médico que mais uma vez garantiu que se não tive que passar por quimioterapia, devo considerar-me curada. Quando meu pai contou ao amigo médico que eu vinha fazendo umas pesquisas na internet sobre a doença, o amigo disse que o melhor que eu tinha a fazer era parar com aquilo, deixar toda a minha experiência no passado e esquecer tudo de ruim que havia vivido. Meu pai fez o mesmo pedido, afinal ele não quer ver meu sofrimento prolongado. Mas será que é isso mesmo que devo fazer?

Confesso que há tempos venho pensando nesta questão e vivo um dilema. Tenho um lado "panfletário" que quer espalhar esta história aos quatro ventos, pois acredito que tenho o dever de mostrar aos outros que obstáculos surgem na nossa vida para serem vencidos e não há o impossível quando se tem fé e coragem. Este lado meu acredita que não fui poupada a toa e que a minha missão é mostrar que o câncer tem cara -- ele tem a minha cara e a cara de muita gente boa por aí. Muita gente tinha uma vida absolutamente normal até que deixou de ter e passou a encarar grandes desafios dia após dia. Penso que se Deus me deu o dom da escrita e uma vida tão cheia de histórias para contar, minha missão é passar cada uma delas a diante. Não fazer tal coisa seria fugir do meu destino.

Por outro lado, entendo a opinião do amigo médico e do meu próprio pai, que é compartilhada por muita gente. O que passei foi terrível por um lado e magnífico por outro, mas de qualquer forma ficou no passado. As lições aprendidas devem ser levadas comigo, mas o resto não precisa ser lembrado a toda hora. Preciso me livrar do passado para viver o presente sem medo e olhar para o futuro em paz. Tenho que voltar a ter uma vida normal.

Não quero ocupar nenhum pedestal destinado àqueles que passaram por uma prova impossível ou que sobreviream a uma catástrofe. Também não quero o olhar de pena alheio. Não quero nem faixa, nem troféu, nem discurso. Só quero a minha vida normal.

Não sou pior nem melhor que ninguém, sou apenas diferente. Aos que dizem que admiram a minha coragem só tenho a dizer que jamais tive escolha e caso algo parecido acontecesse a qualquer ser humano sano e um mínimo feliz, ele/ela iria fazer o mesmo, afinal ninguém tem duas vidas. Por mais que às vezes (injustamente ou não) reclamemos da nossa vida, ela é a única que temos e merece ser vivida ao máximo, então não vejo mérito nenhum na posição que assumi. Vejo um certo egoismo, isso sim.

A única coisa que me diferencia da maioria das pessoas da minha faixa etária é que tive que conviver com a idéia da doença e da morte numa idade em que a vasta maioria ainda se acha imortal. Também me via assim. Fazia planos detalhados que seguiam certos até a minha velhice, algo que me aconteceria inegavelmente. Mas não foi exatamente isso que aconteceu. Mas também não posso me culpar. Quem, no auge dos seus vinte e tantos ou trinta e poucos anos, começa a se perguntar se o futuro de fato existe? Se pelo menos vai conseguir realizar metade daquilo que sempre sonhou, afinal não existe dúvida que vamos crescer e nos multiplicar, é por isso que colocamos dinheiro na poupança, investimos em cursos de MBA e estamos sempre de olho no amanhã.

Por outro lado, quando somos confrontados com a idéia dolorosa da nossa mortalidade e da nossa fragilidade, ganhamos um entendimento muito mais profundo da experiência humana. Aprendemos que nada nos vêm de graça mas também aprendemos a ser gratos antes de tudo. Quando pequenas coisas, que parecem tão banais para a maioria, se tornam realidade para este seleto grupo, elas têm um sabor muito especial, pois são vitórias incontestáveis. Sempre me vi assim. Não sei se se trata da história da profecia que se auto-realiza, mas na minha vida nunca nada veio fácil, pois sempre tive que suar -- e muito! -- a camisa.

Mas será que vale a pena contar esta história? Ou será que o melhor mesmo é fechar este capítulo na minha vida e seguir em frente?

Mais perguntas para as quais ainda não tenho respostas, mas foi por isso que decidi começar este blog. Quero ao menos colocar meus pensamentos em algum lugar para depois poder ordená-los.

Então fica aqui a pergunta: devo continuar esta minha relação próxima com a doença e obviamente o combate a ela ou devo sepultar de vez este bandido e me poupar um pouco, me ocupando de coisas mais amenas?

February 16, 2008

Verde Jade



Este é o símbolo da campanha de prevenção ao câncer hepático. A cor é jade... Achei linda. Verde esperança, uma coisa que estou precisando bastante agora.

O câncer do fígado é muito mais comum entre asiáticos e bem raro entre mulheres brancas, com exceção do tipo Fibrolamelar, que aparentemente foi o meu. (Não digo que "é" o meu porque ele já foi embora!)

Ontem pesquisando na internet, achei um artigo longo do Dr. Michael Chotti, o médico aqui de Johns Hopkins que deve fazer meu acompanhamento. Ele fez um estudo que diferencia o hepatocarcinoma fibrolamelar de hepatocarcinoma comum. O fibrolamelar acontece normalmente em pacientes jovens que têm o fígado sadio. O hepatocarcinoma é encontrado em 80% dos casos em fígados que sofrem de cirrose hepática. Parece que a ressecção é o melhor tipo de tratamento, quando possível.

Estou ansiosa para encontrar o Dr. Chotti. Quero conversar com ele, quero que ele examine de novo as minhas lâminas e me dê sua opinião. Mas por outro lado, tenho um pouco de medo -- aliás medo não é a palavra, pois tenho lutado muito para aprender a não ser mais refém do medo -- mas sempre fica uma pontinha de ansiedade quando se trata de uma situação tão delicada envolvendo a nossa saúde.

Sei que não tenho escolha a não ser enfrentar cada um dos meus fantasmas de frente. Às vezes sinto que me faltam forças, ou talvez coragem, mas logo me lembro que não tenho muitas opções e a maior escolha de todas já fiz há muito tempo: quero viver. Talvez não me reste mais a alternativa de ter uma "vida normal", o que é muito doloroso, mas pensando bem sempre tive horror a ser normal. Sempre quis uma vida menos ordinária e parece que é isso que tenho exatamente. Só preciso me dar conta disso.

O Blake diz que sou uma montanha-russa, que nada poderia tê-lo preparado para o "Parque de Diversões Danielle Duran". Eu bem que tentei avisar, mas ele não me ouviu... Agora só posso dizer para ele "sit tight and enjoy the ride!", ou "segure-se bem e aproveite o passeio!"

Welcome to my life.