
December 20, 2012
December 9, 2012
Boas Festas!!!
Só agora consigo um tempinho para pensar em Natal...
Olhem só a carinha do nosso cartão!
December 5, 2012
Frase do dia...
I write to discover what I think. After all, the bars aren't open that early.
Daniel J Boorstin
November 27, 2012
Dois - parte dois
Dez
anos mais tarde, agora em 2002, fazia mais ou menos um ano que tinha voltado ao
Brasil. Depois de uma longa temporada nos EUA, entre a Virginia e Nova York, e
com dois diplomas americanos embaixo do braço e alguma experiência profissional
no exterior, me sentia às vezes mais americana que brasileira. Mas a parte
pior da adaptação estava passando, eu havia engrenado um MBA no Rio e o
trabalho era legal.
Se
por uma parte era ótimo estar em casa, ao lado da família, revendo os amigos,
indo à praia toda semana, por outro lado era meio complicada a sensação de me
sentir uma estranha dentro do meu próprio ninho. Mas sempre achei que levava um
jeitinho, do também escorpiano Drummond, para ser gauche na vida,
então não posso dizer que estava surpresa. Na esperança – ou seria desespero? –
de me conhecer/entender melhor, comecei a fazer psicanálise. Duas vezes por
semana passava pela experiência um tanto quanto sui generis de me deitar no
divã de costas para a analista para falar de assuntos que muitas vezes me
incomodavam. Mas nunca tive medo de enfrentar situações desconfortáveis e, no
final, certamente saí ganhando. O que eu não sabia porém é que tudo que estava
me acontecendo serviria para me preparar para o que ainda estava por vir.
Olhando
para trás, tudo fica muito claro, mas quando se está ocupada vivendo o dia a
dia, fica difícil imagimar como todas aquelas pecinhas vão se encaixando para
fazer sentido lá no final. Quando saí de Nova York queria apenas me dar um
prazo para decidir o que fazer: não me desfiz do meu apartamento no West
Village, não fiz mudança e continuei trabalhando remotamente. (O motivo inicial
da minha mudança foi justamente a troca de emprego e transferência do meu
H1B,visto de trabalho nos EUA, para uma outra empresa, o que me obrigava a
passar este período de transição fora do país.)
Tudo
correu praticamente como planejado, mas no meio do caminho, em meados de 2001,
surgiu meio que do nada e através de uma amiga próxima uma proposta de emprego
muito bacana no Rio. Embora não soubesse que estava gravemente doente, algo me
dizia que tinha chegado a hora de passar uma longa temporada em casa. Como toda
decisão para mim é muito difícil, depois de pensar muito, e até pelo fato da
proposta de trabalho ser tão diferente, resolvi sublocar meu apartamento em
Manhattan e me dar um prazo de seis meses no Rio para cuidar da vida.
Os
seis meses se passaram, as coisas foram entrando nos eixos e eu resolvi então
aumentar o prazo para um ano. Tudo ia bem, fora uma anemia que me deixava meio
fraca de vez em quando. Não fraca o suficiente para me fazer faltar ao trabalho
ou deixar de sair no fim de semana, mas como já fazia mais de um ano que me via
nesta condição, resolvi investigar. Mais uma vez, a minha curiosidade valeu a
pena. Pensando bem, daquela vez, a minha curiosidade me salvou. Perdi a conta
de quantos médicos me viram – pelo menos uns 10 no Brasil, além de outros tantos
que já tinham me visto em Nova York – e nada de diagnóstico. Mas eu queria uma
resposta.
Até
que ouvi falar num médico ortomolecular que tinha uma dieta maravilhosa e
resolvi me consultar. Desta vez, não para investigar a minha anemia, mas para
perder uns três quilinhos que me incomodavam. Como já imaginava, o médico disse que
não faria nada sem antes ver meus exames, então saí do consultório com uma
lista enorme. Dias depois, o resultado. Não sou médica nem sou “metida à médica”.
Não me automedico, não receito nem aspirina aos outros, mas não sou analfabeta.
Ao abrir o envelope com os resultados dos exames de sangue, percebi que havia
algo muito errado. Várias taxas mostravam diferenças estratosféricas entre os meus valores e os valores desejáveis. Na mesma hora
liguei para o médico, que estava de férias em Miami.
Sem
saber bem o que fazer, voltei a contatar a hematologista, que desta vez pareceu muito assustada quando me viu. Me encaminhou para uma gastro, que me indicou
uma ultra que só poderia ser realizada por uma médica no Rio de Janeiro. Sorte
a minha, esta médica era amiga da minha família. Na mesma hora, meus pais
ligaram para ela e no dia seguinte, estava eu aguardando o meu destino, naquela
sala de ultrassom, um ambiente até então estranho, mas que – mal sabia eu – se tornaria
muito familiar para mim.
E
o resto desta história vocês já sabem: tumor, cirurgia, CTI, hospital, casa,
mais hospital, químio, trabalho, casa, mais químio, trabalho, casa...e a vida que
segue. Mais o que fica é a transformação, é a oportunidade de poder ver o mundo sob um ângulo diferente, de sentir-me envolta por uma corrente do bem,
por poder me conectar com algo muito maior do que eu mesma.
O
ano de 2002 foi inegavelmente difícil para mim e para todos ao meu redor,
mas são tantas lições aprendidas que me sinto extremamente grata e até mesmo
privilegiada por ter passado por uma situação tão delicada com tão pouca idade.
Aprendi muito e, melhor, tive e ainda tenho tempo para poder usufruir um pouco
deste aprendizado.
Como
diz uma amiga, que enfrentou um linfoma com uma serenidade absurda (coisa que eu
seria incapaz de fazer), o grande desafio agora é conseguir manter vivo o efeito
da pancada, aquela que dói lá no fundo e que deixa a gente meio tonta e cheia
de questionamentos. Não quero a dor da doença, mas quero levar comigo para
sempre o que aprendi com ela, a habilidade de enxergar o que realmente vale a
pena. O único problema é que a rotina e também o tempo – ah este tempo – teimam
em querer apagar as tais lembranças, e volta e meia tenho que escrever textos
como este que me fazem reviver momentos importantes e me forçam a focar no que realmente
interessa.
November 9, 2012
Dois -- parte um
Não me considero uma pessoa supersticiosa. Tenho algumas manias (quem não as tem?), tenho fé, mas acho que sou muito desligada para me apegar a rituais e a superstições. Mas outro dia, refletindo e pensando que este ano tem sido sem dúvida um ano de grandes desafios e dificuldades, me dei conta que em anos terminados em 2 a minha vida sofre uma grande reviravolta.
Obviamente, era nova demais para me dar conta do que aconteceu na minha vida nos idos de 1982...fora derrota do Brasil na Copa para a Itália... Mas dez anos depois, aconteceria algo que ia mudar a minha vida para sempre.
Em 1992, consegui realizar meu sonho: recebi uma das 18 bolsas de estudo concedidas pelo governo americano a estudantes brasileiros de graduação. É difícil acreditar, mas este tinha sido meu objetivo de vida desde a minha primeira viagem para a Disney, aos 13 anos! Cabeça de adolescente é mesmo incrível.
Só que o meu sonho, logo no início, acabou tendo sabor de pesadelo. Na minha cabeça de adolescente deslumbrada, vida de bolsista na Virginia deveria ser bem parecida com a rotina dos personagens do Barrados no Baile, ou Beverly Hills 91210, um dos meus programas favoritos na época: todo mundo bonito, todo mundo dirigindo carrão, programação intensa, várias atividades e aventuras.
A realidade, no entanto, não poderia ser mais diferente já que meu novo lar era uma faculdade só para mulheres localizada numa região carinhosamente chamada de Bible Belt. E a minha nova cidade era conhecida nacionalmente por ser reduto de um certo Jerry Falwell, fundador de uma megachurch e da Liberty University. Para resumir esta história longa -- e como imagino que a maioria dos leitores jamais vai passar por Lynchburg, Virginia -- para quem achou que ia fazer parte do elenco de Barrados no Baile, acabei virando personagem de Footloose! Sem Kevin Bacon, é claro.
Acrecente-se a isto tudo o fato da maioridade americana ser de 21 anos -- eu tinha 18 quando vim para cá -- o que tornava a possibilidade de alguma vida social praticamente inviável. Beber nunca foi meu forte -- detesto cerveja -- mas sempre gostei de sair e de dançar e estava cansada de fazer isto no Rio. Na Virginia, tudo era muito diferente do que eu havia imaginado -- nenhum glamour, pouca diversão e uma galera que não tinha nada a ver comigo. Além disto, eu era a primeira aluna brasileira a por os pés na universidade, que estava tentando diversificar o corpo discente, e como tal era uma ave raríssima. Claro que quando me viram pela primeira vez, as recrutadoras ficaram admiradas com o "tom claro da minha pele," mas aí já era tarde demais...a bolsa já era minha! Me disseram que esperavam alguém mais bronzeado e de cabelo ondulado -- e acabaram comigo. Incrível pensar que nunca tinham visto a minha foto, mas é bom levar em consideração que isto tudo aconteceu praticamente numa época pré-Internet.
E apesar da decepção daqueles que achavam que eu ia "dar um pouquinho de cor" à faculdade, comecei a sentir que se as diferenças verdadeiras tinham pouco a ver com o tom da minha pele ou a textura dos meus cabelos. Foi durante a minha temporada em Lynchburg que descobri acidentalmente que para a grande maioria eu não era considerada branca. A minha surpresa foi tanta e a minha indagação tão incessante que me pediram para escrever um artigo para o jornal da faculdade. Assunto: raça e etnia na America! Imaginem...desde quando sou autoridade nisso?! E do alto da sabediria dos meus 18 ou 19 anos...Mas o que nem me passava pela cabeça era que esta questão me acompanharia durante 20 anos, e hoje a minha perspectiva é bem diferente do que era em 1992 -- isto é assunto para outro post!
Com tantas coisas acontecendo de forma tão diferente do que havia imaginado, o início da minha temporada na faculdade foi tão acidentado a ponto de ter que pedir uma audiência com a decana. Na reunião, diplomática como sempre, chamei todo mundo de embusteiro e pedi o cancelamento da minha matrícula e a volta imediata ao meu país de origem. Já estava praticamente de malas prontas para voltar para a UFRJ quando a decana me pediu que esperasse um mês antes de tomar uma decisão. Como que num passe de mágica, neste mês conheci a minha orientadora, um pessoa fantástica, que me desafiou de uma forma tão brilhante quanto sutil...e acabei ficando por lá e me formando. E -- para minha sorte -- nunca mais fui a mesma.
October 22, 2012
O dia que eu deveria ter morrido…
22 de outubro de 2002 – uma terça-feira normal para todo mundo, mas não para mim. Ainda me lembro de ter acordado relativamente cedo, tomado café e logo depois ter partido rumo ao hospital, onde não fazia ideia do que me esperava. Menos de uma semana antes, tinha recebido o diagnóstico de que um tumor gigante no meu fígado teria que ser retirado às pressas. Segundo o médico, se por algum motivo o tumor que já tomava boa parte do meu fígado rompesse, eu morreria imediatamente de hemorragia.
Eu, que
nunca tinha sequer dado entrada num hospital, estava chocada demais para ficar
assustada. A única coisa que sabia é que a tal cirurgia me deixaria com uma
cicatriz enorme que atravessaria meu abdomen. Sabia também que precisaria de
transfusão de sangue pelo porte da intervenção, mas para dizer a verdade, não
fazia ideia do risco que corria. Uns chamam de autopreservação, outros de
mecanismo de defesa. O que quer que tenha sido, encarei o dia mais importante
da minha vida, como um dia normal.
Já no
hospital, recebo a visita da representante do banco de sangue. Ela queria me
ver antes da cirurgia e me dizer que eu era uma pessoa muito querida, pois em
pouquíssimos dias tinha conseguido uma doação de sangue record. Ao contrário do
que ela pensava, este mérito nunca foi meu, mas de tantas pessoas que cruzaram
o meu caminho naquele dia. Muitos doadores eram amigos muito próximos e
familiares, mas outros tantos eram amigos de amigos e amigos de amigos de
amigos, que sequer me conheciam. Em pensar que a eles devo a minha vida...a
esta enorme corrente do bem. Devo minha
a minha vida a muita gente – médicos, enfermeiros, amigos, familiares, e até a estranhos
que decidiram que naquele dia iam me salvar.
E 11 horas,
três choques hipovolêmicos e 10 litros
de sangue depois, eu lutava pela vida num leito de CTI. Pouco me lembro das
primeiras e cruciais 72 horas. Me lembro do anestesiologista que acariciava meu
cabelo e me dizia que eu tinha dado muito trabalho durante a cirurgia. Me
lembro dos enfermeiros que se alternavam espremendo chumos de gase molhada nos
meus lábios, me lembro do escuro, do barulho dos aparelhos e da sensação de
solidão que me acompanhou pelos cinco dias que fiquei por lá.
Não me saem
da memória também três “enfermeiros” que guardavam meu sono à noite: uma mulher
ruiva de cabelos ondulados, um homem branco calvo e um homem negro alto. Minha
grande surpresa foi descobrir que ninguém com estas características fazia parte
da equipe de enfermagem do CTI do Copa D’Or... Como existem coisas que ninguém consegue explicar, decidi que
aqueles três eram meus anjos da guarda. Aliás, depois da doença aprendi que existem
muitas coisas sem explicação...e aos poucos, vou aprendendo a conviver com
elas.
Olho para
trás e vejo os últimos 10 anos como um período de aprendizado intensivo. Suo
eternamente grata por ter vivido coisas que no meu caso poderiam facilmente
nunca ter acontecido: conheci pessoas fascinantes, lugares novos, vivi
experiências marcantes – encontrei a minha cara-metade, juntos lutamos e
conseguimos enfim trazer ao mundo nosso filho, Joaquim, que por muito pouco
poderia não estar aqui. E ao olhar para ele esta manhã, foi difícil conter as
lágrimas quando me dei conta que o resto da minha vida havia começado extamente
naquele dia de outrubro de 2002. Durante os últimso dez anos, aprendi bastante,
ganhei muito e também perdi – uma das pessoas mais importantes para mim.
A
experiência da doença me deixou muitos ensinamentos. Depois de tudo que passei,
gostaria de dizer que me tornei uma pessoa mais calma, mais iluminada e melhor.
Mas estaria mentindo. Continuo sendo eu...um pouco mais humilde, muito mais
sensível e 100% humana.
September 10, 2012
Invejosa eu?
Não me considero uma pessoa invejosa. Fico muito feliz quando gente querida compra carro novo, ganha uma promoção no trabalho ou consegue realizar um sonho que acalenta há tempos. Mas hoje vou fazer uma confissão: tem uma coisa que me causa uma inveja absurda! Morro de inveja de gente prática, pragmática e decida! Gente que tem foco e objetivo e não olha para o lado até atingi-los.
Não que eu não tenha foco. Pelo contrário, tenho e muito. Também tenho ambição, quero crescer, melhorar, subir, etc. Mas por outro lado sou muito apegada a tudo e a todos. Tenho uma personalidade interessante e paradoxal: ao mesmo tempo que me canso da rotina, detesto mudanças radicais. me apego a coisas e pessoas com muita facilidade e a ideia de ficar longe delas me machuca demais. Eu sei, é coisa de maluco e me causa uma dor tamanha.
Sempre fui assim -- invento desafios e depois faço das tripas coração para concretizá-los. Desde pequena sabia que queria estudar fora -- não me pergunte o motivo -- eu só sabia que queria ser universitária num campus americano. Nada no Brasil me despertava grande interesse, eu queria a verdadeira "college experience." E tinha que ser na graduação, não podia ser pós porque aí perderia a graça. Consegui o que eu queria, mas o preço foi ficar longe da minha família durante a duração do curso. E foi barra, com 18 anos e bem filhinha de mamãe/papai, a saudade apertou bastante e várias vezes pensei em desistir e sair correndo pro colonho da mamãe. Mas sobrevivi e consegui terminar o curso superbem -- foi uma tremenda experiência. E lá se vão nada menos do que 20 anos!
Recentemente coisa parecida aconteceu. (E percebi que pouco havia mudado!) Andava meio instisfeita com meu trabalho,com os rumos da empresa e com a minha posição. Comecei a pensar em novos desafios, comecei a arrumar ao CV, mas sem grandes planos ou ambições. Então do nada, uma headhunter me liga com um CV de 2007 me perguntando se eu teria interesse numa vaga. Resolvi ir em frente mais para me preparar para uma futura oportunidade do que por vontade de conseguir o emprego propriamente dito.
Só que as coisas foram progredindo tão rapidamente que em pouco tempo me vi às voltas com uma excelente oferta. Qualquer ser humano normal estaria exultante. Menos eu, que passei as semanas seguintes aos prantos e sem dormir direito. Quem diria que meu desejo poderia ter se materializado tão rapidamente? Comecei a colocar condições, que foram totalmente atendidas, então acabei aceitando o convite, que é uma proposta muito legal.
Ao saber da minha iminente saída, o presidente da empresa ficou chocado, o que tornou as coisas muito mais complicadas para mim. Me pediu para ficar e conversou comigo por quase duas horas, dizendo que as coisas aqui iam mudar e que eu teria excelentes oportunidades. Quase entrei em parafusos. Em vez de aliviada por estar deixando um trabalho que já não me satisfazia completamente e estar partindo para uma oportunidade que, ao que tudo indica, vai me dar muito mais liberdade, fiquei arrasada. Chorava copiosamente cada vez que um colega de trabalho vinha conversar comigo. No meu atual emprego, fiz tantos amigos, conheci lugares bacanas, tanta gente legal...mas me sentia presa e sem esperança de movimento num futuro próximo.
A novela durou aproximadamente três semanas, mas este fim de semana resolvi que minha decisão seria final. Já empenhei minha palavra e a oportunidade me parece realmente boa, ainda que não tenha o apelo de salvar vidas na África ou na América Latina.
Vou ouvir um conselho de uma amiga muito bem sucedida e prática. Vou lá tentar, mas deixo as portas abertas aqui e mantenho o contato... É bom saber que posso voltar um dia.
Não que eu não tenha foco. Pelo contrário, tenho e muito. Também tenho ambição, quero crescer, melhorar, subir, etc. Mas por outro lado sou muito apegada a tudo e a todos. Tenho uma personalidade interessante e paradoxal: ao mesmo tempo que me canso da rotina, detesto mudanças radicais. me apego a coisas e pessoas com muita facilidade e a ideia de ficar longe delas me machuca demais. Eu sei, é coisa de maluco e me causa uma dor tamanha.
Sempre fui assim -- invento desafios e depois faço das tripas coração para concretizá-los. Desde pequena sabia que queria estudar fora -- não me pergunte o motivo -- eu só sabia que queria ser universitária num campus americano. Nada no Brasil me despertava grande interesse, eu queria a verdadeira "college experience." E tinha que ser na graduação, não podia ser pós porque aí perderia a graça. Consegui o que eu queria, mas o preço foi ficar longe da minha família durante a duração do curso. E foi barra, com 18 anos e bem filhinha de mamãe/papai, a saudade apertou bastante e várias vezes pensei em desistir e sair correndo pro colonho da mamãe. Mas sobrevivi e consegui terminar o curso superbem -- foi uma tremenda experiência. E lá se vão nada menos do que 20 anos!
Recentemente coisa parecida aconteceu. (E percebi que pouco havia mudado!) Andava meio instisfeita com meu trabalho,com os rumos da empresa e com a minha posição. Comecei a pensar em novos desafios, comecei a arrumar ao CV, mas sem grandes planos ou ambições. Então do nada, uma headhunter me liga com um CV de 2007 me perguntando se eu teria interesse numa vaga. Resolvi ir em frente mais para me preparar para uma futura oportunidade do que por vontade de conseguir o emprego propriamente dito.
Só que as coisas foram progredindo tão rapidamente que em pouco tempo me vi às voltas com uma excelente oferta. Qualquer ser humano normal estaria exultante. Menos eu, que passei as semanas seguintes aos prantos e sem dormir direito. Quem diria que meu desejo poderia ter se materializado tão rapidamente? Comecei a colocar condições, que foram totalmente atendidas, então acabei aceitando o convite, que é uma proposta muito legal.
Ao saber da minha iminente saída, o presidente da empresa ficou chocado, o que tornou as coisas muito mais complicadas para mim. Me pediu para ficar e conversou comigo por quase duas horas, dizendo que as coisas aqui iam mudar e que eu teria excelentes oportunidades. Quase entrei em parafusos. Em vez de aliviada por estar deixando um trabalho que já não me satisfazia completamente e estar partindo para uma oportunidade que, ao que tudo indica, vai me dar muito mais liberdade, fiquei arrasada. Chorava copiosamente cada vez que um colega de trabalho vinha conversar comigo. No meu atual emprego, fiz tantos amigos, conheci lugares bacanas, tanta gente legal...mas me sentia presa e sem esperança de movimento num futuro próximo.
A novela durou aproximadamente três semanas, mas este fim de semana resolvi que minha decisão seria final. Já empenhei minha palavra e a oportunidade me parece realmente boa, ainda que não tenha o apelo de salvar vidas na África ou na América Latina.
Vou ouvir um conselho de uma amiga muito bem sucedida e prática. Vou lá tentar, mas deixo as portas abertas aqui e mantenho o contato... É bom saber que posso voltar um dia.
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